
Custo é como unha: você tem que cortá-lo constantemente. A frase do instrutor soa como clichê até o momento em que você percebe que está vendendo um produto com margem de contribuição negativa e nem sabia disso. Quanto mais você vende, maior é o prejuízo, e o orçamento projetado é exatamente o instrumento que revela esse problema antes que ele devore o caixa.
A Aula 05 do Curso Completo de Planejamento Orçamentário da Treasy mostra como sair da posição reativa, aquela de olhar para trás e fazer a autopsia do resultado, e passar a projetar os custos variáveis com antecedência. Você assiste à aula completa abaixo e encontra neste guia a organização dos conceitos e do passo a passo praticado na aula.
O que são custos variáveis e por que projetá-los
Custo, no sentido técnico, é todo desembolso referente à aquisição ou produção de mercadorias: matéria-prima, mão de obra direta, gastos gerais de fabricação, manutenção de máquinas, energia do galpão. O adjetivo "variável" acrescenta uma premissa fundamental: esse custo varia conforme o volume produzido. Se a empresa não vende, o custo não ocorre.
Essa lógica, baseada na ótica do resultado, é a que o orçamento precisa usar. Projetar os custos variáveis antecipa três vantagens concretas:
- Negociação com fornecedores com base no volume projetado, chegando a melhores preços ao comprar antecipadamente.
- Planejamento de mão de obra para picos de produção ou sazonalidades, sem contratação de última hora.
- Estimativa da margem com a qual cada produto precisa ser vendido para que a operação seja saudável.
A aula deixa claro que o ponto de partida para projetar o custo já está pronto quando a empresa termina de projetar o volume de vendas. Quem abriu a projeção de receita de vendas em volume e preço tem metade do trabalho feito.
CPV ou CMV: qual método usar
A aula trabalha dois métodos de custeio variável, e a escolha depende do setor da empresa.
CPV (Custo do Produto Vendido): considera a composição completa do produto por meio da ficha técnica de produção. Matérias-primas, embalagens, insumos e produtos intermediários entram no cálculo. É o método típico da indústria.
CMV (Custo da Mercadoria Vendida): considera o preço de compra da mercadoria como custo. É mais simples e adequado ao comércio. Comprou por X, vendeu por Y: o custo é X.
Os dois métodos compartilham uma premissa importante: o custo só existe se a empresa vender. É por isso que eles servem à ótica de resultado, e não à ótica de produção.
| Critério | CPV | CMV |
|---|---|---|
| Setor típico | Indústria | Comércio |
| Base do custo | Ficha técnica (matérias-primas + insumos) | Preço de compra da mercadoria |
| Complexidade | Alta: exige cadastro de materiais e alocação por produto | Baixa: preço de compra unitário por produto |
| Produto intermediário | Sim: um produto pode compor outro antes da venda | Não se aplica |
| Variação por canal | Possível (custo logístico diferente por praça) | Possível (custo logístico diferente por praça) |
| Vínculo com volume de vendas | Direto: custo total = unitário × volume projetado | Direto: custo total = preço de compra × volume projetado |
Passo a passo do CPV: da matéria-prima à ficha técnica
A aula usa o exemplo da Campos Confecções, uma indústria de vestuário que produz internamente camisas, bermudas, calças e camisetas. O exercício é dividido em duas etapas.
Etapa 1: cadastro das matérias-primas e insumos
O primeiro passo é listar todos os itens que entram na produção de cada produto. No exemplo da aula, a camisa esporte usa:
- Tecidos: tactel (comprado em metro, a R$ 6,25/m)
- Insumos: botão (R$ 0,10/unidade), etiqueta (R$ 0,05/unidade), linha (R$ 0,10/metro), estampa (R$ 1,00/unidade)
Cada item recebe uma unidade de medida de compra porque essa unidade será usada para calcular o consumo na ficha técnica. Se o tactel é comprado em metro mas o produto consome 90 cm, a conversão é feita no próximo passo.
Uma vantagem importante: os preços podem ser projetados mês a mês. Se há uma negociação com fornecedor que entra em vigor em julho, o orçamento já reflete esse custo futuro e o impacto na margem aparece no demonstrativo de resultados antes do fato acontecer.
Etapa 2: produto intermediário e ficha técnica do produto acabado
A aula introduz o conceito de produto intermediário para simplificar fichas técnicas com muitos produtos que compartilham a mesma base. No exemplo, a maioria das camisas usa o mesmo molde. Em vez de repetir o molde em cada ficha, a empresa cadastra um produto intermediário "molde" com sua própria composição (tactel: 0,9m, botão: 1un, linha: 1m) e depois inclui esse molde na ficha de cada camisa acabada.
A ficha técnica da camisa esporte fica assim:
- 1 unidade de produto intermediário "molde"
- 1 unidade de estampa
Qualquer alteração no preço ou na composição do molde impacta automaticamente todos os produtos acabados que o utilizam, sem precisar abrir ficha a ficha.
Com a ficha técnica pronta, o cruzamento com o volume de vendas projetado gera:
- Custo unitário (CPV unitário): quanto custa fabricar uma unidade do produto.
- Custo total mensal: custo unitário multiplicado pelo volume projetado mês a mês.
- Quantidade total de cada matéria-prima: permite negociar volume com fornecedores com dados reais na mão.
Esse resultado vai direto para o orçamento de custo dos produtos vendidos e alimenta o demonstrativo de resultados.
Passo a passo do CMV: mais simples, mesmo resultado
Para empresas de comércio, o caminho é mais curto. Não há ficha técnica nem produto intermediário. O custeio começa direto no módulo de custo variável, onde cada produto recebe um preço de compra unitário.
A aula mostra que o custo pode variar por canal de distribuição. A camisa esporte vendida na loja de Copacabana tem custo diferente da vendida na loja da Avenida Paulista por razões logísticas. Quando esse custo é idêntico em todos os canais, a função de aplicação em lote resolve o preenchimento de uma vez para todos os canais selecionados.
Quem abriu a projeção de receita por famílias de produto e usou preço médio precisa seguir a mesma lógica aqui: projetar um custo médio para cada família. O raciocínio é o mesmo do lado da receita, agora aplicado ao custo.
Da projeção à margem de contribuição
Com CPV ou CMV projetados, o demonstrativo de resultados avança para a margem de contribuição bruta. A aula descreve esse indicador com precisão: é o quanto sobra das vendas após deduzir impostos e pagar fornecedores, ou seja, o valor que de fato contribui para cobrir as despesas fixas da empresa.
A análise vertical do demonstrativo transforma essa leitura em percentual. Em vez de olhar só o valor absoluto, você vê qual proporção da receita bruta cada linha representa. Isso permite comparar:
- Qual canal de distribuição tem a melhor margem e merece ser impulsionado.
- Quais canais têm margens ruins e precisam de ajuste ou descontinuação.
- Quais produtos contribuem positivamente e quais geram margem negativa.
A aula menciona um ponto que vale reforçar: empresas que não fazem esse exercício de custeio frequentemente mantêm produtos com margem de contribuição negativa sem perceber. Quanto mais vendem esses produtos, mais prejudicam o resultado. O orçamento de despesas e a projeção de margem de contribuição existem exatamente para iluminar esses pontos cegos antes que se tornem problemas.
Como a projeção de custos se encaixa no orçamento completo
A aula é a quinta de uma sequência que já passou por receitas brutas, deduções e receita líquida. Com a projeção de custos variáveis concluída, o demonstrativo de resultados tem três blocos preenchidos: receita bruta, deduções e custos variáveis, chegando à margem de contribuição.
Os próximos blocos, despesas fixas e resultado operacional, completam o caminho até o DRE projetado. Cada aula do curso acrescenta uma camada ao mesmo demonstrativo, o que torna mais fácil entender o impacto de cada decisão orçamentária no resultado final.
Para quem está começando, o ponto de entrada prático é o CMV: cadastrar os produtos, informar o preço de compra e cruzar com o volume de vendas já projetado. Isso já mostra a margem de contribuição e revela os produtos que precisam de atenção. Quem vai além e monta as fichas técnicas pelo CPV ganha visibilidade sobre o consumo de cada matéria-prima e a capacidade de negociar com fornecedores com dados concretos. Para ver esse processo aplicado dentro do Treasy, o webinar de projeção de custo variável no Treasy mostra passo a passo como montar o CPV e o CMV diretamente na ferramenta.
Se quiser ir além da planilha e ter o histórico do seu ERP alimentando o orçamento automaticamente, experimente o Treasy sem custo e veja a margem de contribuição surgir sem trabalho manual mês a mês.
Veja também: - Custos diretos, indiretos, fixos e variáveis - Indicador de margem de contribuição - Como elaborar o orçamento de despesas operacionais - Orçamento de produção - Gestão de custos - Processo orçamentário no estado da arte - Curva ABC de custos - Despesas fixas e variáveis - Como fazer o planejamento orçamentário - Modelagem financeira e orçamentária
