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Custos e Precificação Artigos

Orçamento de Custo de Produção: como projetar as necessidades de Matéria-Prima, Insumos e Mão-de-Obra de sua empresa

Orçamento de Custo de Produção: uma das frases mais repetidas na gestão diz que “custos são como unhas, devem ser cortados toda semana”. Concorda?

Neste artigo

Gráfico de pizza comparando custo de produção entre matéria prima e recursos humanosUma das frases mais repetidas entre empreendedores de sucesso e que nos ajuda a definir a importância da Gestão de Custos diz que “custos são como unhas, devem ser cortados toda semana”.

Infelizmente não conhecemos o autor da frase (se você conhece, deixe nos comentários), mas ela certamente deveria ser adotada como mantra em sua empresa também.

Os Custos Variáveis, como o próprio nome sugere, são aqueles que variam proporcionalmente com o volume de produção ou atividades produtivas da empresa. Ou seja, seus valores dependem diretamente do volume produzido, que por sua vez vai variar conforme volume de vendas efetivado num determinado período.

Veja alguns exemplos de itens classificados custos variáveis:

  • Matérias-primas;
  • Insumos produtivos (água, energia elétrica, combustíveis, etc.);
  • Embalagens;
  • Mão de obra industrial (própria ou terceirizada);
  • Materiais e suprimentos para produção.

Neste artigo vamos conhecer um pouco mais sobre os conceitos de Custos Variáveis e também como realizar o Orçamento de Custo de Produção para sua empresa.

Classificação dos Custos de Vendas

De acordo com as atividades realizadas pela empresa, podemos classificar os custos de vendas de três formas: CPV, CMV e CSV.

Neste artigo, vamos detalhar um pouco mais o CPV (por ser o mais complexo), mas antes vamos ver um pouco sobre cada um deles:

CPV - Custo dos Produtos Vendidos

Este tipo de classificação do custo de vendas geralmente está associado as indústrias, que fabricam os produtos que vendem.

Neste caso, o custo dos produtos será composto de matérias-primas, insumos, mão-de-obra necessária para fabricação e os gastos gerais de fabricação (como energia elétrica e a depreciação das máquinas e equipamentos produtivos).

CMV - Custo das Mercadorias Vendidas

Já o CMV é utilizado no calculo dos custos de vendas de empresas de comércio ou que apenas revendem mercadorias.

Para as mercadorias vendidas, o custo será o próprio preço de compra do item que será revendido.

CSV - Custo dos Serviços Vendidos

Por fim, temos o CSV, que como o próprio nome ajuda a explicar, é o custo dos serviços prestados.

Também conhecido como CSP (Custo dos Serviços Prestados), geralmente este tipo de custeio é utilizado em empresas onde não existe a venda de um produto ou mercadoria, e sim a prestação de um serviço, que pode ser desde horas de uma pessoa (como o caso de uma consultoria, escritórios de advocacia, agências de marketing, etc.), como um aluguel de uma máquina, equipamento ou até mesmo recurso computacional pago mensalmente (exemplo de softwares online, como o Treasy).

Sendo assim, o custo dos serviços vendidos é composto do valor dos salários e todos os demais custos ligados ao pessoal que presta os serviços, incluindo valores como aluguéis, energia elétrica e outros gastos de instalação e manutenção que sejam necessários para que os profissionais realizem seu trabalho.

Separando Custos e Despesas

No momento de calcular os custos de sua empresa, é de extrema importância saber diferenciar o que são custos e o que são despesas, pois isto afeta diretamente a composição da Margem de Contribuição dos produtos e serviços que sua empresa comercializa.

A grosso modo, os custos estão diretamente ligados aos bens e serviços vendidos, ou seja, se não houver venda, não há custo (se não houver venda, “teoricamente” não há produção e não haverá a necessidade de compra dos itens produtivos). Claro que existe a possibilidade de produção mesmo sem venda para composição de estoques, mas este é um caso particular que não vamos entrar aqui.

Já as despesas acontecem havendo ou não havendo vendas. Ou seja, independente do volume de vendas da empresa no período, a empresa continuará tendo as despesas operacionais como aluguel e salários do pessoal administrativo. Até por isto este tipo de despesa é classificado como uma despesa fixa, que não varia com o volume de vendas.

Se você quiser saber mais sobre a diferença entre custos e despesas, recomendamos este artigo de nosso blog e também o infográfico gratuito que trata a gestão e classificação dos desembolsos de uma empresa.

E agora que já estamos contextualizados, vamos ver na prática como projetar Custos Variáveis e realizar corretamente o Orçamento de Custo de Produção de sua empresa.

01 - Listando as Matérias-Primas e Insumos utilizados na fabricação de seus produtos

Menu de estrutura hierárquica de orçamento de produção exemplo com materiais e componentes

O primeiro passo na projeção de custos variáveis é fazer uma lista de tudo que sua empresa precisa comprar para produzir dos itens que comercializa (ou os próprios produtos que revende no caso do comercio).

Estes itens podem ser matérias-primas, insumos e até mesmo a mão de obra utilizada na produção, seja ela própria ou terceirizada.

Veja aqui ao lado um exemplo:

DICA: uma dica interessante é realizar essa separação entre matérias-primas, insumos e mão de obra, para que sua empresa possa analisar quais grupos representam seus maiores custos produtivos.

Aqui neste link, você encontra um artigo explicando em detalhes a diferença entre matéria-prima e insumos, incluindo mais alguns exemplos.

02 - Informando os preços de compras das matérias-primas e insumos

O próximo passo também é bastante simples. Basta informar o preço de compra para cada um dos itens utilizados na confecção dos produtos de sua empresa.

Na imagem abaixo, temos um caso onde o preço de compras de um tecido está sendo orçado em Reais por metro.

Cadastro de matéria prima em tabela mostrando custos de produção por material

Na hora de realizar seus planos de produção, deve-se sempre levar em consideração sempre a unidade de medida em que o insumo é comprado e também a unidade de medida em que ele é utilizado, para evitar confusões relacionadas a conversão de unidades de medida.

DICA: na hora de planejar, cuidado também com itens sujeitos a variações de preço causados, por exemplo, pela sazonalidade (estação do ano ou clima) ou por flutuações de cambio (matérias-primas importadas).

03 - Montando a Composição de cada item

Agora que você já tem uma estimativa do preço unitário cada matéria-prima, é hora de saber o quanto vai precisar de cada uma delas, para que sua empresa possa se preparar para comprar antecipadamente, evitando problemas e claro, negociando melhores condições.

Para isto, é necessário que você monte a composição de cada produto. Essa composição, também chamada de ficha técnica, receita de fabricação ou engenharia do produto, é basicamente a uma lista de tudo que é necessário para fabricar aquele item. Veja um exemplo:

Painel de composição mostrando elaboração do orçamento custos de insumos e matérias primas

Seguindo no nosso exemplo de uma indústria de confecções, na imagem acima, estão sendo demonstrados todos os itens necessários para produção de uma calça do tipo sarja.

04 - Informando a Quantidade de Matéria-Prima necessária para cada produto

Além de o que vai, é preciso dizer também o quanto da matéria-prima ou insumo é necessário para fabricação de uma unidade do produto a ser vendido. Veja no exemplo abaixo, onde está sendo demonstrado que para produção de 01 unidade de calça sarja, é necessário 1,2 metro de tecido.

Tela de orçamento de custos variáveis por produto com valores projetados por período

DICA: peça ajuda dos gerentes industriais para realizar esta parte do processo. Como eles tem “na ponta da língua” o que é necessário para fabricar cada produto, poderão ajudar na criação das engenharias e dar bastante velocidade a criação da projeção de custos.

05 - Analisando os resultados

Pronto! Agora que você já montou o Orçamento de Custo de Produção de sua empresa, é só analisar os resultados gerados e seguir em frente com a produção ou realizar os ajustes necessários para melhorar a rentabilidade.

São inúmeras as decisões que podem ser tomadas com base na projeção de custos gerada, mas vamos listar aqui três que consideramos bem importantes e deixamos como convite a reflexão:

- CPV (custo do produto vendido) – O CPV calculado com base na engenharia dos produtos, quando comparado ao preço de venda, gera uma Margem de Contribuição positiva o suficiente para que sua empresa possa pagar as despesas operacionais e acumular lucro?

Composição do produto em tabela com orçamento de materiais planejado e realizado

- Volume de Produção – Sua área de vendas pode vender, mas será que sua área industrial está preparada para produzir todo o volume de produtos que está sendo demandada?

Painel de canais de distribuição e produtos mostrando orçamento de custo de produção

Além disto, as vendas estão bem distribuídas ao longo do ano aproveitando a capacidade produtiva da empresa ou acumulada em períodos específicos, sobrecarregando a produção em alguns períodos e deixando ociosa em outros?

Pode ser o momento de avaliar a implantação de um PCP (Planejamento e Controle de Produção)!

- Volume de Compras – também baseado nas vendas e na capacidade produtiva, sua empresa agora sabe os insumos e matérias-primas que precisará comprar para produzir tudo que será vendido. Mas há capital de giro suficiente para a compra? E espaço para estocagem? Quais são os fornecedores? E quais são os fornecedores backup?

Tabela de matéria prima detalhando custo de com preço e quantidade consumida

Pode parecer simples, mas são perguntas que sua empresa precisa se responder para evitar problemas e até mesmo deixar de entregar o que está planejando vender, comprometendo o resultado financeiro e também a imagem da empresa.

PS: nos exemplos deste post, utilizamos o Treasy, nosso sistema online para Planejamento e Controladoria para realizar as projeções e análises. Se quiser conhece-lo, mande uma mensagem para nós: contato@treasy.com.br.

Mas você também pode utilizar planilhas ou outras ferramentas para realizar as projeções de sua empresa. O importante é não deixar de fazer!

E pensando nisso, disponibilizamos uma Planilha com um Modelo de Orçamento Empresarial. Você pode fazer o download gratuito clicando no botão abaixo.

Mockup de laptop exibindo modelo de orçamento para operação sale and leaseback

Este post faz parte de uma série de artigos práticos sugeridos por nossos clientes e leitores. Nas próximas semanas traremos outros exemplos práticos abordando as demais áreas do planejamento econômico-financeiro empresarial.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre Custo dos Produtos Vendidos (CPV), Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) e Custo dos Serviços Vendidos (CSV)?
CPV é usado por indústrias que fabricam seus produtos (inclui matéria-prima, insumos e mão-de-obra). CMV é para empresas que revendem mercadorias (o custo é o preço de compra). CSV é para prestadores de serviço (inclui salários, aluguel e custos operacionais do serviço). A diferença importa porque cada um afeta de forma distinta sua margem de contribuição.
O que é um custo variável e como ele difere de um custo fixo?
Um custo variável muda conforme seu volume de produção ou vendas (como matéria-prima ou energia usada na produção). Um custo fixo permanece o mesmo independentemente do volume (como aluguel da fábrica ou salário administrativo). Entender essa diferença é crucial para orçamentar corretamente e saber em que ponto sua empresa começa a lucrar.
Quais são os principais itens que entram no orçamento de custo de produção?
Os principais são: matérias-primas, insumos produtivos (água, energia, combustíveis), embalagens, mão-de-obra industrial (própria ou terceirizada), materiais e suprimentos para produção, e gastos gerais de fabricação como depreciação de máquinas. Cada um deve ser projetado conforme seu volume esperado de produção.
Como diferenciar custos de despesas no orçamento?
Custos estão diretamente ligados aos bens e serviços que você vende (se não vender, não há custo). Despesas são gastos gerais que existem independentemente (como salários administrativos ou conta de luz do escritório). Essa separação afeta sua margem de contribuição e deve ser rigorosa no orçamento.
Como projetar o orçamento de matéria-prima para o próximo período?
Multiplique o volume de produção esperado pela quantidade de matéria-prima necessária por unidade, depois pelo preço unitário. Se você projeta 1.000 unidades e cada uma precisa de 2 kg de material a R$ 10/kg, sua matéria-prima será R$ 20.000. Sempre revise preços com fornecedores e considere variações sazonais.
A mão-de-obra industrial é sempre um custo variável?
Não sempre. Se você tem uma equipe fixa na fábrica, é custo fixo. Se contrata por produção ou terceiriza por peça produzida, é variável. O ideal é classificar corretamente: mão-de-obra direta (vinculada à produção) deve variar com volume, enquanto supervisão e manutenção costumam ser fixas.
Como incluir insumos como energia e água no orçamento de custo de produção?
Separe o consumo produtivo do administrativo. Calcule o consumo médio por unidade produzida (litros de água por kg produzido, kWh por hora de máquina), multiplique pelo volume esperado e acrescente uma margem de segurança. Históricos de consumo anterior ajudam a estimar de forma mais precisa.
Por que a embalagem entra no CPV e não na despesa?
Porque a embalagem é necessária especificamente para vender o produto. Se você não vender, não precisa embalar. Por isso é considerada custo variável e integra o Custo dos Produtos Vendidos, afetando sua margem bruta.
Como usar o orçamento de custo de produção para controlar a rentabilidade?
Compare mensalmente o orçado versus realizado (chamamos de P×R). Se seus custos variáveis reais excederam o projetado, você tem um problema de eficiência ou de preço de insumo. Identificar desvios rápido permite corrigir antes que impacte significativamente seu resultado.
Estoque de produtos afeta o CPV do período?
Sim. O CPV considera apenas os produtos que você vendeu, não os que produziu. Se você produziu 1.000 unidades mas vendeu apenas 800, o custo das 200 que ficaram em estoque não entra no CPV daquele mês, mas será ativado como ativo no balanço.
O que é margem de contribuição e como o orçamento de custo de produção afeta ela?
Margem de contribuição é o preço de venda menos os custos variáveis (matéria-prima, insumos, embalagem, mão-de-obra direta). Quanto melhor você projeta e controla esses custos, maior sua margem e mais você tem disponível para cobrir custos fixos e gerar lucro.
Uma agência de marketing como calcula seu custo de serviço vendido?
O CSV inclui salários dos profissionais que trabalham nos projetos, despesas com softwares necessários para prestação do serviço, aluguel do espaço onde trabalham, e custos diretos ligados àquele cliente. Diferente de uma indústria, não há matéria-prima, mas há custos de pessoal alocado.
Como lidar com variações de preço de matéria-prima no orçamento?
Monitore tendências de preços do mercado e revise seu orçamento conforme negociações com fornecedores. Se há incerteza, adicione uma margem de segurança de 5 a 10%. Também considere estratégias como contratos de preço fixo com fornecedores para períodos maiores, se possível.
O aluguel da fábrica entra no CPV?
Sim, o aluguel da fábrica entra como gasto geral de fabricação (parte do CPV). Já o aluguel do escritório administrativo é despesa operacional e não integra o custo dos produtos vendidos, afetando o lucro operacional.
Qual é a frequência ideal para revisar e atualizar o orçamento de custo de produção?
O ideal é revisar mensalmente após fechar o período (comparando realizado versus orçado) e ajustar a projeção para os próximos meses conforme aprendizados. Revisões trimestrais de cenários também ajudam a capturar mudanças sazonais ou de mercado mais estruturais.
Depreciação de máquinas é custo variável ou fixo?
É custo fixo. A depreciação não varia com o volume de produção; ela ocorre pelo simples passar do tempo (método linear) ou conforme uso previsto da máquina. Ainda assim, entra no CPV como gasto geral de fabricação.
Como o orçamento de custo de produção se relaciona com o preço que devo cobrar?
Seu preço mínimo deve cobrir todos os custos variáveis e contribuir para os custos fixos e lucro. Se seu custo variável é R$ 50 e você quer 30% de margem, seu preço mínimo é R$ 71. O orçamento detalha esses custos para você não precificar no escuro.
Software de ERP ou FP&A ajuda a gerenciar o orçamento de custo de produção?
Sim. Essas ferramentas automizam o cálculo de custos, rastreiam o realizado versus orçado em tempo real e geram relatórios que ajudam a identificar desvios. O resultado é mais precisão e menos tempo perdido em planilhas, deixando você focar em decisões.

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