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Orçamento Empresarial Ao vivo

Processo orçamentário e seus envolvidos: quem faz o quê

Quem se envolve no processo orçamentário e qual o papel de cada um: time estratégico, executivo, financeiro, contabilidade e controladoria. Guia da Jornada

Neste artigo

Processo orçamentário visto por três painéis, representando os diferentes envolvidos

Montar um orçamento sem saber quem faz o quê é como convocar todo o time para o campo sem definir posições. Todos correm, ninguém marca. O resultado chega em março, pela metade, e ninguém sabe direito de onde vêm os números.

Esta é a primeira aula da Jornada da Meta ao Resultado 2025, transmitida ao vivo, e ela resolve exatamente isso: apresenta o ciclo orçamentário completo e define, com clareza, os três times que precisam funcionar juntos para o processo sair da gaveta e virar hábito na empresa. Assista à aula e use este guia para fixar os conceitos.

Capa do vídeo: O Processo Orçamentário e seus envolvidos - Jornada da Meta ao Resultado 2025Vídeo · YouTube

O ciclo orçamentário em quatro etapas

O processo orçamentário não é uma linha reta que começa em outubro e termina em dezembro. É um ciclo que gira o ano inteiro, composto de quatro etapas que se alimentam:

  1. Definição de objetivo e metas. Antes de abrir qualquer planilha, a empresa define um único objetivo principal, o que a aula chama de "a métrica que realmente importa". Para a maioria das empresas que está começando, o EBITDA é o ponto de chegada adequado. Depois vêm as metas para os principais indicadores: faturamento, custos variáveis, despesas, pessoal, investimentos.
  2. Planejamento orçamentário. Com objetivo e premissas e restrições definidos, a empresa projeta receitas por canal e produto, custos, despesas, gastos com pessoal e investimentos. É aqui que entra a simulação de cenários: pelo menos um otimista e um pessimista, baseados nos indexadores que mais afetam o modelo de negócio (câmbio, dissídio coletivo, índices contratuais como IPCA e IGPM).
  3. Acompanhamento mensal. Com o orçamento aprovado, começa o acompanhamento planejado x realizado. A única certeza do orçamento é que vai haver desvios. O valor do processo está em identificar o desvio rápido, entender as causas e agir dentro do mês, não depois que ele já fechou.
  4. Revisão orçamentária. Quando o contexto muda o suficiente para tornar o plano inadequado, é hora de revisar o orçamento. Empresas mais maduras revisam trimestralmente; a maioria das brasileiras faz uma revisão em junho ou julho.

O ciclo se repete todo ano. A aula usa a analogia do carrossel: colocar em movimento no primeiro ciclo dá mais trabalho, mas depois que está girando, o esforço para manter é bem menor.

Antes do ciclo: modelagem e fontes de dados

Existe uma etapa que precisa acontecer pelo menos uma vez antes do ciclo começar: a modelagem financeira e orçamentária. Isso significa ter um plano de contas bem estruturado, centros de custo definidos e, quando aplicável, projetos mapeados corretamente. Sem isso, os dados realizados que vão alimentar o acompanhamento chegam tortos.

O segundo pré-requisito é ter as fontes de dados organizadas, preferencialmente em um sistema de gestão financeira ou ERP. A aula é direta: planilhas funcionam para muita coisa, mas para gestão financeira e orçamentária elas criam mais problemas do que resolvem.

Os três times do processo orçamentário

Esta é a parte mais prática da aula, e a que resolve a maioria dos problemas de engajamento. O processo orçamentário envolve três grupos distintos, cada um com papel diferente.

Time estratégico

São os sócios, acionistas, diretoria ou conselho que definem onde a empresa quer estar no próximo período. É esse time que estabelece o objetivo principal, as metas de alto nível e as premissas e restrições estratégicas (o que a empresa não abre mão, o que está fora dos limites, o que o modelo de negócio impõe).

Time executivo

São os gerentes, coordenadores e líderes de área que de fato entregam os resultados. A lógica é simples: se são eles os responsáveis por bater as metas, precisam participar da construção do plano. Eles recebem as metas definidas pelo time estratégico e montam o orçamento da própria área: receitas por canal e produto, despesas, necessidades de pessoal e investimentos.

A ressalva da aula é importante: no primeiro ciclo orçamentário, pode ser difícil envolver os gestores diretamente no orçamento. Mas eles devem ser consultados. É papel do time de gestão financeira fazer essa ponte.

Time de gestão financeira e orçamentária

É aqui que a aula vai mais fundo. O time de gestão financeira tem três papéis distintos que frequentemente se confundem nas PMEs:

Financeiro: faz o operacional do dia a dia: contas a receber, contas a pagar e conciliação bancária. Trabalha com base diária porque os vencimentos não esperam. Por isso, o financeiro raramente sobra para o gerencial: o operacional consome quase toda a capacidade.

Contabilidade: faz o registro contábil das notas fiscais, calcula e entrega os impostos (Simples Nacional, PIS/Cofins, ISS, ICMS, IRPJ, CSLL, FGTS, INSS) e processa a folha de pagamento. O foco é legal e fiscal. Quando o contábil não está bem feito, o fiscal vai junto.

Controladoria: é a área responsável por conduzir o processo orçamentário, produzir os relatórios gerenciais e calcular os indicadores de desempenho. O financeiro e a contabilidade ficam tão ocupados com o operacional e o legal que sobra para a controladoria cuidar do gerencial. Nas empresas menores, esse papel pode estar com um dos sócios, com um consultor externo ou sendo construído aos poucos dentro do financeiro.

Área Foco principal Ritmo de trabalho Papel no orçamento
Financeiro Operacional (receber, pagar, conciliar) Diário Fornece dados realizados
Contabilidade Legal e fiscal (contábil, impostos, folha) Mensal/periódico Fornece dados contábeis realizados
Controladoria Gerencial (planejamento, análise, indicadores) Semanal/mensal Conduz e facilita todo o processo

O que o time de gestão financeira precisa para funcionar

A aula encerra com um framework direto: desempenho profissional é resultado de três pilares.

Talentos. O profissional de finanças e controladoria precisa de um perfil específico: avaliação de riscos, conformidade, comedimento. É diferente do perfil de vendas, que busca expansão e tolerância ao risco. Habilidades em sistemas de gestão, conhecimentos contábeis e de administração são fundamentais. Estagiários e analistas menos experientes podem ser desenvolvidos, mas as atitudes precisam estar presentes desde a contratação.

Ritmo. A aula cita o modelo de três ritmos: pensar (anual), planejar (trimestral) e executar (semanal). No financeiro, o ritmo semanal é especialmente adequado: quem olha para o orçamento uma vez por semana pega os desvios antes do mês fechar. Quem faz dentro do mês ainda está em diagnóstico e consegue agir. Quem espera o mês fechar está fazendo autópsia.

Método. Não reinvente a roda. Existem metodologias consolidadas de gestão orçamentária que funcionam para PMEs. O orçamento base histórico é mais rápido e parte do que já existe. O orçamento base zero dá mais trabalho, mas pode reduzir custos em 20–30% ao eliminar ineficiências acumuladas. Ferramentas especializadas ajudam, mas o método vem antes.

Base histórico ou base zero: qual escolher

Os dois modelos são válidos e têm contextos diferentes.

O orçamento base histórico parte do que foi realizado no ano anterior e aplica os "três Cs": o que continuar igual, o que começar de novo e o que cessar. É mais rápido, exige menos esforço e é o ponto de partida natural para quem está nos primeiros ciclos. O risco é perpetuar ineficiências que já existem no histórico.

O orçamento base zero parte de uma folha em branco. Cada área justifica cada custo, cada cargo, cada fornecedor. Dá muito mais trabalho e precisa de revisão cuidadosa para não deixar nada de fora, mas a redução de custos pode ser expressiva. Empresas maduras costumam fazer uma rodada de base zero a cada três ou quatro anos. Para quem quer ver os dois modelos aplicados com exemplos práticos, o Guia do Orçamento Empresarial na Prática detalha cada etapa com planilhas e referências de mercado.

O calendário orçamentário no Brasil

No Brasil, o padrão mais comum é: objetivo e metas definidos entre meados de outubro e início de novembro, planejamento orçamentário em novembro e dezembro, e revisão em junho ou julho. O objetivo é virar o ano com o orçamento pronto para acompanhar de janeiro em diante.

Isso nem sempre acontece. Empresas em primeiros ciclos frequentemente chegam a janeiro ainda finalizando o plano. A aula é clara: não desanime, isso é normal. O importante é não abandonar o processo. Conforme a cultura orçamentária se instala, os prazos melhoram naturalmente. Empresas com modelos de negócio mais voláteis (startups, moda, agronegócio) podem usar horizontes de seis meses ou adaptar o calendário ao ciclo do setor.

O calendário orçamentário serve como guia para que cada etapa aconteça no momento certo, sem que o planejamento seja engolido pela urgência do dia a dia.

Por onde começar

Se você está no primeiro ciclo, a prioridade é definir um objetivo claro e montar o time responsável por conduzir o processo. Se a controladoria ainda não existe formalmente, alguém precisa assumir esse papel. Pode ser um sócio, pode ser um consultor, pode ser o financeiro com mais senioridade. O que não pode é o processo não ter dono.

Para os próximos passos, a jornada continua com o mapa do lucro, o mapa do caixa e a definição de metas por indicador. Para quem quer aprofundar em cada peça do processo, o Curso Completo de Planejamento Orçamentário cobre as quatro horas de detalhe, da projeção de receitas ao fluxo de caixa. E para quem quer sair da planilha e colocar o processo para rodar com os dados do ERP conectados diretamente, experimente o Treasy gratuitamente e veja o ciclo orçamentário funcionando de verdade.

Perguntas frequentes

Qual é o objetivo da Jornada da Meta ao Resultado 2025?
A jornada é uma série de cinco encontros ao vivo da Treasy cobrindo o ciclo orçamentário completo: processo e envolvidos, mapa do lucro e mapa do caixa, planejamento orçamentário e simulação de cenários, acompanhamento e revisão orçamentária, e uma aula bônus com 52 estratégias para melhorar lucro e caixa.
Qual objetivo financeiro devo definir para começar o orçamento?
A aula recomenda começar pelo EBITDA para empresas em primeiro ciclo. Objetivos mais simples como faturamento bruto ou margem de contribuição são pontos de partida válidos, mas o EBITDA já exige controlar receitas, custos, despesas e resultados operacionais, o que traz muito mais aprendizado para a empresa.
Quais são as quatro etapas do ciclo orçamentário?
Definição de objetivo e metas, planejamento orçamentário (com simulação de cenários), acompanhamento mensal planejado x realizado e revisão orçamentária quando necessário. O ciclo é contínuo: a revisão leva de volta ao planejamento, e o acompanhamento mantém tudo vivo ao longo do ano.
Quem deve participar do processo orçamentário na empresa?
Três times: o time estratégico (sócios, diretores, conselho) que define o objetivo e as restrições; o time executivo (gestores de área) que monta o orçamento de cada departamento; e o time de gestão financeira (financeiro, contabilidade e controladoria) que facilita e alimenta o processo com dados realizados.
Qual é a diferença entre financeiro, contabilidade e controladoria?
O financeiro cuida do operacional diário: contas a receber, contas a pagar e conciliação bancária. A contabilidade cuida do legal e fiscal: registro contábil, cálculo de impostos e folha de pagamento. A controladoria cuida do gerencial: planejamento orçamentário, relatórios de desempenho e cálculo de indicadores financeiros.
Por que a controladoria acaba sendo responsável pelo orçamento e não o financeiro ou a contabilidade?
Porque o financeiro opera em ritmo diário (contas que vencem não esperam) e a contabilidade está focada nas obrigações legais e fiscais. Os dois times consomem quase toda a capacidade no operacional e no legal, sobrando para a controladoria cuidar do gerencial e do planejamento.
O que são premissas e restrições orçamentárias?
Premissas são aquilo que a empresa não abre mão durante o planejamento: condições do mercado, características do modelo de negócio ou decisões dos sócios que precisam ser respeitadas em qualquer cenário. Restrições são os limites dentro dos quais o planejamento pode acontecer. Defini-las antes de montar o orçamento evita retrabalho.
O que é o orçamento base histórico e quando usá-lo?
É o modelo que parte do que foi realizado no ano anterior e aplica os três Cs: continuar o que funcionou, começar o que é novo e cessar o que não funcionou. É mais rápido e adequado para empresas que já têm o financeiro bem organizado e estão nos primeiros ciclos. O risco é perpetuar ineficiências já existentes.
O que é o orçamento base zero e quando faz sentido aplicá-lo?
O orçamento base zero parte de uma folha em branco: cada área justifica cada custo, cargo e fornecedor do zero. Dá muito mais trabalho, mas pode reduzir custos em 20 a 30%. Empresas maduras costumam fazer uma rodada de base zero a cada três ou quatro anos, intercalando com o base histórico nos ciclos intermediários.
O que são cenários otimista, pessimista e realista no orçamento?
São projeções baseadas em indexadores que afetam o modelo de negócio. O câmbio, o dissídio coletivo e índices contratuais como IPCA e IGPM são exemplos comuns. Para cada indexador, a empresa projeta o impacto no resultado em cenários diferentes: o que acontece se o dólar for a R$6,50, a R$7 ou a R$7,50, por exemplo.
Qual o calendário orçamentário mais comum no Brasil?
O padrão mais comum é: objetivo e metas definidos de meados de outubro ao início de novembro, planejamento orçamentário em novembro e dezembro, e uma revisão em junho ou julho. O objetivo é virar o ano com o orçamento pronto para acompanhar de janeiro em diante.
O que fazer se a empresa não conseguiu fechar o orçamento antes de virar o ano?
Não desanimar. É muito comum, principalmente em primeiros ciclos. Empresas chegam a janeiro, fevereiro e até março finalizando o planejamento. O importante é não abandonar o processo. Conforme a cultura orçamentária se instala, os prazos vão melhorando naturalmente a cada ciclo.
Com que frequência deve ser feito o acompanhamento orçamentário?
O acompanhamento formal é mensal: comparar o planejado com o realizado e identificar desvios. Mas a aula recomenda um cheque semanal do orçamento para identificar desvios antes do mês fechar. Quem faz esse acompanhamento dentro do mês ainda pode agir. Quem espera o fechamento só consegue explicar o que já aconteceu.
Como fazer o rateio de custos de pessoal entre projetos em empresas de serviços?
Não existe um método 100% preciso. O mais comum é usar software de rastreamento de tempo (como Toggl) para alocar horas por projeto e calcular o custo proporcional. Existem duas variações: dividir o custo total pelas horas efetivamente trabalhadas em projetos, ou multiplicar o valor-hora da pessoa pelo tempo alocado em cada projeto, absorvendo o tempo ocioso na empresa.
Controladoria interna ou terceirizada: qual escolher?
As duas opções são válidas. Internamente, a empresa tem mais personalização e controle sobre os processos. Terceirizando, normalmente reduz custos e ganha acesso às boas práticas que a empresa de BPO acumula ao atender vários clientes. A escolha depende do porte, da maturidade e das prioridades da empresa. O que não é opção é não ter o processo funcionando.

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