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Mercado contábil mudou: contador estratégico ou obsoleto?

O mercado contábil está em ruptura. Veja como o contador que sai da digitação e vira parceiro estratégico do cliente cresce mais rápido e cobra mais.

Neste artigo

Mercado contábil em transformação, balança entre o antigo e o estratégico

Se você toca um escritório contábil, pense no que entra na sua semana. Quanto dela vai para digitar lançamento, coletar documento, processar dado, e quanto sobra para sentar com o cliente e dizer onde o negócio dele vai dar problema no mês que vem? É essa proporção que vai decidir se o seu escritório cresce ou desaparece nos próximos três anos.

Daniel Fernandes, cofundador e diretor comercial da Treasy, abre o webinar com um lembrete duro: em 2010, a Blockbuster valia 6 bilhões de dólares. Em 2016, o valor somado das quatro maiores empresas do mundo era inteiramente de tecnologia. A mesma ruptura que derrubou redes de locadoras e cadeias de hotéis centenárias chegou ao mercado contábil.

Neste webinar, as equipes da Treasy e da Conta Azul mostram, com dados de mercado, como essa transformação está acontecendo na prática e o que o contador que quer virar parceiro estratégico de seus clientes precisa fazer agora.

Capa do vídeo: Webinar: O mercado contábil mudou. E agora?Vídeo · YouTube

O que a Blockbuster, o Uber e a Amazon têm a ver com o seu escritório contábil

A pergunta é provocativa, mas a resposta é concreta. Todas as empresas que cresceram de forma exponencial nos últimos dez anos têm três características em comum:

  1. Modelo de negócio escalável. O custo marginal de atender um cliente novo é próximo de zero. A netflix não imprime um DVD a mais quando você assina. O Uber não compra um carro a mais quando um motorista se cadastra.
  2. Foco extremo na experiência do cliente. Elas monitoram o padrão de consumo e constroem o serviço em torno do que o cliente de fato valoriza, não do que é mais fácil de entregar.
  3. Tecnologia integrada à estratégia, não como suporte, mas como o próprio núcleo do negócio.

O que o webinar argumenta, com dados, é que o mercado contábil está passando exatamente pela mesma pressão. Escritórios que oferecem contabilidade tradicional por preço baixo já surgem competindo com um quinto do valor do honorário médio. A ruptura não vai acontecer, já aconteceu.

O problema da pirâmide invertida

Há um dado que aparece no webinar e que vale parar para pensar. A maior parte do tempo dos escritórios contábeis está alocada na base da pirâmide: coleta de documentos, digitação de lançamentos, processamento de dados. É onde vai a energia, o prazo, o estresse.

Só que a pirâmide do cliente é a inversa. O que o dono de empresa mais valoriza é exatamente o topo: a reunião com análise real, o relatório que explica o que está acontecendo com o negócio, a conversa sobre o próximo ano. O que ele praticamente não valoriza é o trabalho que o escritório mais faz.

Essa inversão é o problema central. Enquanto o contador está digitando, o cliente está esperando a análise. Enquanto o escritório se preocupa com o volume de notas fiscais que o cliente emite, o empresário quer saber se vai conseguir pagar a folha em dezembro.

Os quatro estágios de evolução do contador

Daniel apresenta uma pesquisa da McKinsey aplicada ao contexto brasileiro, mostrando onde a maioria dos escritórios está e onde os melhores estão chegando.

Estágio 1: coletor de dados. O escritório se preocupa com o volume de transações, com quantas notas o cliente emite, com a carga de trabalho que cada novo cliente traz. A régua de avaliação é interna. O cliente mal aparece nessa conta.

Estágio 2: gestor de processos. O escritório busca excelência nos processos internos e começa a ter controle mais claro da operação do cliente. É um passo à frente, mas o valor entregue ainda é percebido como burocracia.

Estágio 3: analista e planejador. Aqui começa a virada. O escritório desenvolve a capacidade de fazer análise e planejamento, transforma-se em parceiro de tomada de decisão e passa a oferecer análises financeiras por seus clientes. O desafio nesse estágio é escalar: atrair talentos com capacidade analítica e criar uma cultura que vai além das competências técnicas tradicionais.

Estágio 4: parceiro estratégico. O escritório faz parte do time de gestão do cliente. Participa das decisões, traz benchmarks do mercado, ajuda a montar cenários e acompanha os resultados ao longo do tempo. É onde o impacto é maior, o honorário é maior e a fidelidade do cliente é muito maior.

A maioria dos escritórios contábeis no Brasil está no estágio 1. Os próximos três anos vão empurrar muitos deles para fora do mercado ou para o estágio 3.

A questão das competências além da técnica

Um ponto que o webinar faz questão de sublinhar: tecnologia é meio, não fim. O que a automação faz é liberar tempo. O que o escritório faz com esse tempo é o que define se vai evoluir ou não.

Para chegar ao estágio 3 e 4, o contador precisa desenvolver competências de relação interpessoal que a graduação em ciências contábeis não ensina. Influenciar decisões, entender o contexto do negócio do cliente, comunicar um plano de ação de forma clara, engajar o dono da empresa em um processo de planejamento financeiro que parece abstrato. São habilidades que exigem tempo de desenvolvimento e, sobretudo, tempo com o cliente, que a digitação impede.

A transformação, portanto, tem duas pernas: tecnologia para automatizar o que consome tempo, e mudança de mentalidade para ocupar o espaço que essa automação abre.

Tipo de escritório Uso de tecnologia Proximidade com o cliente Tendência
Contabilidade do passado Baixo Baixa Não sobrevive
Contabilidade sem informação Baixo Alta (mas sem dados) Cresce pouco, perde relevância
Contabilidade sem orientação Alto Baixa (volume excessivo) Commodity, margens comprimidas
Contabilidade do futuro Alto Alta (com análise) Cresce, retém clientes, cobra mais

Como o planejamento orçamentário entra nessa equação

Daniel traz um exemplo concreto: um escritório que passou a oferecer BPO financeiro por R$1.500 por mês, enquanto o honorário contábil era de R$400. O cliente estava pagando o triplo pelo serviço de planejamento, porque o valor percebido era incomparavelmente maior. Não é teoria de palco. A TA Controladoria transformou BPO financeiro em controladoria estratégica exatamente nessa lógica, deixando de vender obrigação para vender decisão.

É onde a gestão orçamentária aparece como serviço natural para o escritório que chegou ao estágio 3. O contador já tem o plano de contas do cliente, o histórico de lançamentos, o acesso às informações financeiras. O que falta é a metodologia e a ferramenta para transformar esses dados em planejamento e acompanhamento de resultados. Para os escritórios que querem estruturar essa transição, o e-book Controller: a ponte entre a diretoria e os gestores mostra como organizar essa função dentro de um contexto de BPO financeiro.

Com o orçamento montado e o acompanhamento do Planejado × Realizado rodando, o contador consegue:

  • Antecipar desvios antes de virarem problema de caixa
  • Montar cenários quando o cliente quer abrir um novo canal de vendas
  • Ajudar a decidir se o momento é de contratar ou de segurar
  • Transformar o fechamento contábil em uma reunião de gestão, não de prestação de contas

Relatórios que demoravam três meses para ser elaborados passam a ser entregues de forma recorrente, com os dados já organizados. O cliente para de trabalhar no achismo. O contador para de ser visto como fornecedor de obrigações fiscais.

As perguntas que definem onde seu escritório vai estar em cinco anos

O webinar propõe um exercício de reflexão que vale reproduzir aqui. São perguntas que os melhores escritórios sabem responder, e os que estão estagnados, não:

Visão: como você visualiza seu escritório daqui cinco anos, em número de clientes, perfil, receita e serviços? Você tem uma resposta clara?

Segmentação: quais clientes e segmentos você atende hoje? Quais quer atender daqui dois anos? O que precisa fazer hoje para ter esses clientes bem atendidos nesse prazo?

Portfólio de serviços: quais serviços você oferece hoje e quais quer oferecer daqui 12 meses? Existe um plano para desenvolvê-los com a qualidade que você espera?

Atração de talentos: jovens formados em ciências contábeis querem usar sua capacidade analítica para influenciar negócios. Se o seu escritório ainda é um ambiente de digitação, os melhores candidatos vão para outro lugar. Você tem um plano para mudar isso?

Presença digital: 60% dos contatos que chegam aos escritórios contábeis vêm pela internet, e 50% chegam pelo celular. O que aparece quando alguém pesquisa contabilidade na sua cidade? Que experiência essa pessoa tem no seu site pelo celular? O webinar traz o caso da Gestão Contabilidade, escritório que transformou o site institucional em ferramenta de vendas em oito meses: identidade modernizada, serviços bem definidos, precificação clara e depoimentos de clientes. O telefone passou a tocar mais.

Tecnologia como pauta estratégica: com que frequência você discute tecnologia com seu time? Quem é responsável por isso no escritório? Existe um plano de automação integrado ao planejamento estratégico?

Por onde começa a mudança

O webinar é direto: nada muda se você sair daqui e não tomar nenhuma ação. O conceito faz sentido, os exemplos convencem, mas o movimento real começa com uma decisão prática.

O primeiro passo mais concreto é entender onde estão os ladrões de tempo no seu escritório. A digitação, o retrabalho, a coleta manual de documentos: quanto do seu mês vai para isso? Escritórios que automatizam essa camada chegam a atingir 15 vezes mais produtividade que escritórios tradicionais, com o mesmo número de funcionários.

Com esse tempo de volta, o próximo passo é desenvolver a capacidade de fazer análise financeira para os clientes e oferecer planejamento orçamentário como serviço recorrente. Para entender a estrutura desse processo, o post sobre processo orçamentário no estado da arte explica as quatro fases e os modelos centralizado e descentralizado.

O mercado contábil que vai sobreviver e crescer nos próximos anos não é o que faz a contabilidade mais barata, nem o que automatiza tudo e some do cliente. É o que usa tecnologia para estar mais próximo do cliente, com mais informação, mais rápido. A cultura de planejamento começa no escritório contábil antes de chegar ao empresário que ele atende.

Quem entender isso agora tem três anos de vantagem sobre quem vai entender depois. E se quiser colocar o processo para rodar com o histórico do ERP do cliente entrando de forma automática, experimente o Treasy de graça e veja como o planejamento e acompanhamento de resultados funciona na prática.


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Perguntas frequentes

O mercado contábil realmente está em crise ou é exagero?
Não é exagero. O webinar apresenta dados concretos: escritórios que oferecem contabilidade tradicional já surgem competindo com um quinto do honorário médio praticado. A ruptura não vai acontecer, já aconteceu.
O que é a pirâmide invertida que o webinar menciona?
É a diferença entre onde o escritório coloca energia (coleta de documentos, digitação, processamento de dados) e o que o cliente de fato valoriza (análise, reuniões sobre o negócio, orientação para decisões). Enquanto o contador está digitando, o empresário está esperando a análise.
Quais são os quatro estágios de evolução do contador descritos no webinar?
Estágio 1: coletor de dados, foco em volume de transações. Estágio 2: gestor de processos, com mais controle da operação do cliente. Estágio 3: analista e planejador, que vira parceiro de tomada de decisão. Estágio 4: parceiro estratégico, que participa das decisões do cliente, traz benchmarks e acompanha resultados ao longo do tempo.
Em que estágio está a maioria dos escritórios contábeis brasileiros?
No estágio 1. O webinar, com base em pesquisa da McKinsey aplicada ao contexto brasileiro, mostra que a maior parte dos escritórios ainda tem o foco em volume e processamento de dados.
A tecnologia sozinha resolve o problema do escritório contábil?
Não. O webinar é claro: tecnologia é meio, não fim. O que a automação faz é liberar tempo. O que o escritório faz com esse tempo, seja em análise, planejamento ou proximidade com o cliente, é o que define se vai evoluir ou não.
Que competências o contador precisa desenvolver para chegar ao estágio 3 ou 4?
Competências que a graduação em ciências contábeis não ensina: influenciar decisões, entender o contexto do negócio do cliente, comunicar um plano de ação com clareza e engajar o dono da empresa em processos de planejamento financeiro. São habilidades de relação interpessoal que exigem tempo de desenvolvimento.
Por que o planejamento orçamentário é um serviço natural para o escritório contábil?
Porque o contador já tem o que precisa: o plano de contas do cliente, o histórico de lançamentos e acesso às informações financeiras. O que falta é a metodologia e a ferramenta para transformar esses dados em planejamento e acompanhamento de resultados.
Quanto um escritório pode cobrar a mais por serviços de planejamento financeiro?
O webinar traz o exemplo de um escritório parceiro que passou a oferecer BPO financeiro por R$1.500 por mês, enquanto o honorário contábil era de R$400. O cliente pagou o triplo porque o valor percebido era incomparavelmente maior.
O que o contador consegue fazer quando o acompanhamento de Planejado x Realizado está rodando?
Antecipar desvios antes de virarem problema de caixa, montar cenários quando o cliente quer abrir um novo canal de vendas, ajudar a decidir se o momento é de contratar ou de segurar, e transformar o fechamento contábil em uma reunião de gestão.
Como a automação afeta a produtividade do escritório contábil?
Escritórios que automatizam a camada de digitação e coleta de documentos chegam a atingir 15 vezes mais produtividade que escritórios tradicionais, com o mesmo número de funcionários.
O escritório que automatiza tudo e reduz o contato com o cliente tem futuro?
Não. O webinar classifica esse perfil como 'contabilidade sem orientação': alto uso de tecnologia, baixa proximidade com o cliente. A tendência é virar commodity com margens comprimidas. O diferencial é usar a tecnologia para estar mais próximo do cliente, com mais informação e mais rápido.
Qual é o papel da presença digital para escritórios contábeis?
60% dos contatos que chegam aos escritórios contábeis vêm pela internet, e 50% chegam pelo celular. O webinar coloca presença digital como uma das perguntas que definem onde o escritório vai estar em cinco anos.
Por onde um escritório contábil deve começar a mudança?
O primeiro passo é identificar onde estão os ladrões de tempo: digitação, retrabalho, coleta manual de documentos. Com esse tempo recuperado, o próximo passo é desenvolver a capacidade de análise financeira e oferecer planejamento orçamentário como serviço recorrente.
Como atrair bons profissionais para um escritório contábil em transformação?
Jovens formados em ciências contábeis querem usar sua capacidade analítica para influenciar negócios. Se o escritório ainda é um ambiente de digitação, os melhores candidatos vão para outro lugar. A mudança de cultura interna é condição para atrair talentos.
Quais são as perguntas que os melhores escritórios sabem responder?
Visão clara para cinco anos em número de clientes e receita; segmentação definida de quais clientes atender; portfólio de serviços com plano para os próximos 12 meses; plano de atração de talentos analíticos; experiência digital pelo celular; e tecnologia como pauta estratégica com responsável definido.
O Treasy é voltado para o próprio escritório contábil ou para os clientes dele?
Para ambos. O escritório que chega ao estágio 3 pode usar o Treasy para oferecer planejamento e acompanhamento de resultados aos seus clientes, com o histórico do ERP do cliente entrando de forma automática.

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