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Planejamento orçamentário e cenários: do pessoal à receita

Aula 03 da Jornada da Meta ao Resultado 2026: veja como montar o orçamento de pessoal, receita, deduções e despesas passo a passo no Treasy.

Neste artigo

Um gráfico de barras geométrico com três painéis de luz sobrepostos, representando os diferentes cenários possíveis do orçamento, do pessoal à receita

Você sabe quanto vai gastar com pessoal no próximo ano. Sabe, pelo menos em parte, porque tem o time formado e as premissas definidas. O que falta é transformar essas informações em um orçamento estruturado, que você consiga defender para a diretoria e acompanhar mês a mês.

É esse trabalho que a terceira e última aula da Jornada da Meta ao Resultado 2026 mostra na prática. O vídeo é uma live conduzida pelo Gilles de Paula, onde a empresa Campo Software é usada como caso real para construir, do zero, o orçamento completo: gastos com pessoal, receita, deduções de vendas, despesas e investimentos. E, ao final, a simulação de cenários que transforma o orçamento em ferramenta de decisão.

Capa do vídeo: Planejamento orçamentário e cenários - 03 - Jornada da Meta ao Resultado 2026Vídeo · YouTube

Por que começar pelos gastos com pessoal

A ordem importa. A Campo Software passou 2025 estruturando um time sólido e definiu como premissa manter esse quadro em 2026. Isso trava uma variável antes de abrir qualquer outra: independentemente do resultado que a empresa precisa entregar, ela vai entregá-lo com aquele time.

Começar pelo orçamento de gastos com pessoal tem uma lógica clara. É a maior e mais rígida linha de custo da maioria das empresas. Uma vez que você sabe quantas pessoas e quais salários, o resto do orçamento precisa se encaixar nessa realidade, não o contrário.

No Treasy, o trabalho começa pela configuração dos valores padrões: os encargos (FGTS a 8%, INSS a 20%, férias, 13º) e os benefícios (vale-refeição, vale-transporte, plano de saúde, plano odontológico). Esses valores funcionam como um modelo base que se aplica automaticamente a cada cargo cadastrado. Para cargos com benefícios diferenciados (gerentes, diretores), você ajusta pontualmente sem mexer no padrão.

Com os valores padrões configurados, a lógica fica simples: você informa quantidade de funcionários e salário unitário por cargo, e o Treasy calcula encargos, benefícios e comissões para cada linha. A Campo Software, por exemplo, começa 2026 com 67 pessoas e projeta terminar com 73. O crescimento está concentrado no atendimento ao cliente, que vai precisar reforçar o time à medida que a base de clientes acumula ao longo do ano.

O resultado: uma folha que parte de R$ 901 mil mensais e encerra dezembro próxima de R$ 960 mil, incluindo salários, encargos e benefícios.

Orçamento de receita: a parte mais difícil

Com o pessoal travado, a atenção vai para a receita. E aqui a aula é honesta: em quase 12 anos ajudando empresas a fazer orçamento, o orçamento de vendas é o que mais gera dificuldade. Pessoal é sobre crescer ou não o time. Despesas é sobre o que manter e o que mudar. Receita exige prever o comportamento do mercado.

Dois pontos de apoio facilitam o trabalho:

O histórico. A Campo Software terminou 2025 com 748 clientes e quase R$ 928 mil em receita mensal, tendo começado o ano com 400 clientes e R$ 495 mil. Uma taxa de crescimento real que fornece uma referência concreta para a projeção de vendas.

O time de marketing e vendas. Com SDRs, BDRs e closers definidos, você consegue estabelecer metas de geração de leads, de reuniões agendadas e de fechamentos. O time gera uma previsibilidade de demanda que não existe quando os papéis comerciais são vagos.

O orçamento de receita no Treasy trabalha com duas variáveis por produto e canal: quantidade e preço. A Campo Software tem uma política anual de reajuste de tabela em janeiro, o que já define o preço para o período. A quantidade projeta a taxa de aquisição mensal de novos clientes por nível de serviço.

O resultado que o time comercial entregou: crescimento de 748 para 1.276 clientes, com ticket médio passando de R$ 1.240 para R$ 1.285. A receita projetada ficou em torno de R$ 16 milhões anuais.

A ressalva que a aula faz é importante: a empresa dobrou a base em 2025 com um time menor. Em 2026, com um time muito maior e mais estruturado, a projeção que não chega a dobrar de novo provavelmente vai gerar questionamentos da diretoria. É um ponto de atenção real, que vai aparecer na reunião de aprovação do orçamento.

Deduções de vendas: o que o governo leva

Com a receita orçada, o próximo passo são as deduções de vendas. Para a Campo Software, que está no lucro real, são três alíquotas diretas: 0,65% de PIS, 3% de Cofins e 2% de ISS.

O Treasy permite aplicar esses percentuais em lote para todos os produtos e canais de uma vez, sem precisar entrar produto a produto. O resultado: a empresa começa o ano pagando R$ 57 mil por mês em impostos sobre a receita e termina próxima de R$ 93 mil anuais, acompanhando o crescimento do faturamento.

Orçamento de despesas: o mais simples, mas com um detalhe importante

O orçamento de despesas é estruturalmente mais simples que a receita e que o pessoal. Você abre o plano de contas, vai grupo a grupo (infraestrutura, sistemas e ferramentas, marketing, administração), e informa o valor planejado por centro de custo. O histórico do ano anterior serve como ancora: você enxerga a tendência e ajusta conforme as premissas de crescimento ou redução.

Um ponto de atenção que a aula destaca: despesas pagas em moeda estrangeira precisam de atenção especial. A Campo Software usa ferramentas como Amazon AWS, Google, Apollo e outras que são cobradas em dólar. Qualquer variação cambial impacta diretamente essa linha, e é exatamente aí que a simulação de cenários entra.

O detalhe técnico relevante: quando você faz o orçamento de pessoal no módulo de planejamento do Treasy, ele fica separado da estrutura de despesas. Para comparar corretamente com o realizado, você precisa direcionar esses gastos para a estrutura de centros de custo e contas. No total, a Campo Software ficou com R$ 278 mil anuais em despesas operacionais, além da folha de pessoal.

Investimentos e depreciação

Para fechar o orçamento, a aula trata dos investimentos de capital. No caso da Campo Software, empresa jovem com ativos recentes, o único investimento necessário em 2026 é equipar as seis novas pessoas do time de atendimento. A estimativa: R$ 30 mil em notebooks.

O Treasy gera automaticamente a depreciação a partir do investimento cadastrado. Você informa a vida útil do ativo (notebooks: 5 anos) e o sistema separa o fluxo corretamente: a saída de caixa aparece no fluxo de caixa, a depreciação aparece no DRE. São lógicas diferentes que não podem ser misturadas.

O DRE revelou o problema

Com todos os blocos montados, a aula abre o DRE projetado de 2026. O EBITDA que aparece: R$ 551 mil. A meta acordada: R$ 5 milhões.

O número não é surpresa para quem acompanhou o raciocínio. A receita cresceu bem, mas o pessoal cresceu 166% em relação ao ano anterior, e as despesas absorveram o restante da margem. O desvio orçamentário entre a meta e o orçamento construído é grande demais para ser ignorado.

A aula aponta as duas saídas possíveis: aumentar a receita ou reduzir despesas. E faz uma observação honesta: segundo a experiência acumulada, cerca de 70 a 80% dos orçamentos não são aprovados na primeira versão. A revisão faz parte do processo, não é um sinal de falha. O primeiro orçamento é a base de negociação.

Simulação de cenários: de onde vêm as variáveis

Com o orçamento base construído, a última etapa é criar cenários alternativos. No Treasy, o fluxo é direto: você copia o plano orçamentário e trabalha variáveis no plano copiado, sem mexer no orçamento original.

Se quiser acompanhar a simulação com os seus números, o modelo de simulação de cenários em planilha ajuda a testar as mesmas variáveis fora do sistema.

Dois exemplos práticos que a aula mostra:

Dissídio coletivo. A Campo Software tem funcionários CLT, e o dissídio vem em outubro. Você pode simular o impacto de um reajuste de 15% sobre toda a folha aplicando o percentual em lote a todos os cargos. O Treasy recalcula encargos e benefícios automaticamente, porque tudo está conectado ao salário base.

Variação cambial. Ferramentas como Amazon, Google, Apollo e outras são cobradas em dólar. Com o câmbio oscilando, você pode criar um cenário pessimista (dólar a R$ 7 ou R$ 8) e um otimista (dólar mantido nos patamares atuais) para entender o impacto no resultado antes que ele aconteça.

Esse é o ponto central da análise de cenários orçamentários: você não está mudando o plano, está testando premissas. O orçamento permanece intacto enquanto você explora o que acontece se as condições muderem.

Planejado versus realizado ao longo do ano

Terminar o orçamento não é o fim do trabalho. Ao longo de 2026, a Campo Software vai sincronizar os dados do ERP e comparar o planejado com o realizado mês a mês. A coluna de histórico na modelagem financeira vai mostrar o que está acontecendo versus o que foi projetado.

Essa comparação é o núcleo do acompanhamento orçamentário P×R. Identificar o desvio cedo, entender a causa e agir antes que ele comprometa o ano inteiro é o que diferencia uma empresa que usa o orçamento como ferramenta de uma que o deixa na gaveta.

Empresas com mais maturidade chegam ao rolling forecast, mantendo sempre 12 meses projetados à frente. Mas para quem está fazendo o primeiro orçamento, o ciclo básico já é uma mudança significativa: planejar, acompanhar, revisar quando necessário.

O que a aula deixa claro sobre o processo

A mensagem central da live não é sobre o software. É sobre a lógica por trás do processo.

A modelagem financeira é o fundamento. Quando uma empresa diz que fazer orçamento é difícil, o problema quase sempre está ali: plano de contas mal estruturado, centros de custo sem sentido ou dimensões que não refletem como o negócio opera. Com a modelagem certa, o orçamento flui.

As premissas orçamentárias são o segundo ponto crítico. Saber o que está travado (o quadro de pessoal, por exemplo) e o que é variável permite construir um orçamento com uma lógica interna consistente. Sem premissas claras, você chega no final e não consegue explicar por que chegou onde chegou.

E o orçamento em si não é o destino. É o mapa. O que importa é o que você faz com ele ao longo dos meses seguintes.

Como comparar o seu orçamento com o realizado de 2025

Bloco do orçamento Ponto de partida recomendado Principal variável a controlar
Gastos com pessoal Quadro atual + premissa de crescimento do time Headcount por área e salário unitário
Receita Histórico de clientes e ticket médio dos últimos 3 meses Taxa de aquisição mensal e reajuste de preços
Deduções de vendas Regime tributário atual da empresa Alíquota de PIS, Cofins e ISS por produto
Despesas operacionais Histórico do ano anterior linha a linha Contratos em dólar e reajustes de fornecedores
Investimentos Plano de contratações e reposição de ativos Vida útil para cálculo de depreciação no DRE
Cenários Cópia do orçamento base sem alterar o original Dissídio, câmbio, indexador de preços de venda

Próximo passo

Se você assistiu às três aulas e fez os exercícios, saiu com um orçamento construído para a sua empresa, a lógica de como defender esse orçamento para a diretoria e a estrutura para acompanhar o resultado mês a mês.

Para quem está no início, vale conferir também a primeira aula da jornada para entender a visão completa do processo, e o guia completo de orçamento empresarial para aprofundar cada bloco.

E se você quer tirar o orçamento da planilha e colocá-lo para rodar com os dados reais do seu ERP, experimente o Treasy de graça e veja o que acontece quando o planejado encontra o realizado todo mês.

Perguntas frequentes

Por que a aula recomenda começar o orçamento pelos gastos com pessoal?
Porque o pessoal costuma ser a maior e mais rígida linha de custo da empresa. Quando existe uma premissa de manter o quadro, você trava essa variável antes de abrir as demais, o que dá consistência interna ao orçamento e evita negociar pessoal depois que as metas de receita já foram definidas.
O que são valores padrões no orçamento de pessoal e para que servem?
São os percentuais e valores de encargos e benefícios que se aplicam à maioria dos funcionários da empresa, como FGTS (8%), INSS (20%), vale-refeição e plano de saúde. Você configura uma vez e o sistema aplica automaticamente a cada cargo cadastrado. Para cargos com benefícios diferenciados, você ajusta pontualmente sem alterar o padrão.
Como funciona o orçamento de pessoal no Treasy na prática?
Você informa quantidade de funcionários e salário unitário por cargo. O Treasy calcula automaticamente encargos, benefícios e comissões com base nos valores padrões configurados. Se um cargo tem três SDRs com salário de R$ 5.000, o sistema multiplica e gera a linha completa incluindo FGTS, férias, 13º e benefícios.
Por que o orçamento de receita é o mais difícil de construir?
Porque exige prever o comportamento do mercado, não apenas escolhas internas. O orçamento de pessoal depende de quantas pessoas você quer ter. O de despesas depende do que você decide manter ou cortar. O de receita depende da capacidade do time comercial, da reação dos clientes ao reajuste de preços e do volume de demanda gerado pelo marketing.
Quais são os dois pontos de apoio que facilitam o orçamento de receita?
O histórico de clientes e faturamento do ano anterior, que fornece uma referência concreta de crescimento, e o time de marketing e vendas já definido, que permite estabelecer metas de geração de leads, reuniões e fechamentos com alguma previsibilidade de demanda.
Como se orça receita por produto e canal no Treasy?
Você trabalha com duas variáveis para cada combinação de produto e canal: quantidade (número de clientes ou unidades vendidas) e preço. Para a Campo Software, o preço parte do valor praticado em 2025 com um reajuste de 10% em janeiro, e a quantidade projeta a taxa de aquisição mensal de novos clientes por nível de serviço.
O que são deduções de vendas no contexto do orçamento?
São os impostos incidentes sobre a receita bruta, como PIS, Cofins e ISS. No caso da Campo Software, que está no lucro real, são 0,65% de PIS, 3% de Cofins e 2% de ISS. O Treasy permite aplicar esses percentuais em lote para todos os produtos e canais de uma vez, sem precisar configurar produto a produto.
Como o Treasy trata o orçamento de investimentos em relação ao DRE?
O sistema separa corretamente as duas lógicas: a saída de caixa pelo investimento aparece no fluxo de caixa, enquanto a depreciação calculada a partir da vida útil do ativo aparece no DRE. Você cadastra o investimento e informa a vida útil, e o Treasy gera a depreciação automaticamente.
Por que o primeiro orçamento quase nunca é aprovado na primeira versão?
Porque o orçamento construído de baixo para cima pelos gestores de área raramente coincide com as metas definidas de cima para baixo pela diretoria. A distância entre os dois é o ponto de negociação, não um erro. A aula estima que 70 a 80% dos orçamentos passam por pelo menos uma revisão antes da aprovação.
Quais são as duas saídas quando o EBITDA projetado fica abaixo da meta?
Aumentar a receita ou reduzir despesas. A aula destaca que o time comercial frequentemente argumenta que mais receita exige mais time e mais despesa, o que cria um limite real para o crescimento de receita. Em alguns casos, a própria meta precisa ser revisada quando os números mostram que ela não é atingível com a estrutura disponível.
Como funciona a simulação de cenários no Treasy?
Você copia o plano orçamentário original e trabalha as variáveis no plano copiado, sem alterar o orçamento base. Usando a função de aplicar valores em lote, você pode testar reajustes percentuais sobre linhas inteiras. Por exemplo, simular um dissídio de 15% sobre toda a folha ou um câmbio mais alto sobre despesas pagas em dólar.
Quais são os exemplos de cenários mais comuns que a aula menciona?
Dois exemplos práticos: o dissídio coletivo, que impacta toda a folha de funcionários CLT a partir de uma data específica, e a variação cambial, que afeta fornecedores e ferramentas contratadas em dólar. Nos dois casos, você pode criar um cenário pessimista e um otimista sem comprometer o orçamento original.
O que acontece com os dados do orçamento quando você sincroniza o ERP ao longo do ano?
O Treasy traz o realizado do ERP e coloca lado a lado com o planejado. Você consegue comparar mês a mês o que foi projetado com o que efetivamente aconteceu, identificar os desvios mais rapidamente e tomar decisões de correção antes que o desvio comprometa o resultado do ano.
Qual é o papel da modelagem financeira no sucesso do orçamento?
É o fundamento. Quando uma empresa diz que fazer orçamento é difícil, o problema quase sempre está na modelagem: plano de contas mal estruturado, centros de custo sem sentido ou dimensões que não refletem como o negócio opera. Com a modelagem certa, o trabalho de orçar cada linha fica simples, porque as estruturas já fazem sentido e casam com o histórico do ERP.
É possível acompanhar o planejado versus realizado sem contratar o plano pago do Treasy?
Sim. Na versão gratuita do Treasy BI, a sincronização com o ERP continua habilitada e você consegue acompanhar o planejado versus realizado ao longo do ano. As análises de DRE, fluxo de caixa e os relatórios avançados exigem o plano pago, mas o ciclo básico de planejamento e acompanhamento já é possível gratuitamente.

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