
Indústria tem uma particularidade que o orçamento de serviços ou varejo não tem: antes de projetar a receita, você precisa saber quanto vai custar produzir. Matéria-prima, ficha técnica de produto, custo por unidade e, só depois, quanto você consegue vender, por qual canal e a que preço. Quem tenta fazer o caminho inverso acaba com um orçamento de receita que não se sustenta quando o custo do produto sobe.
A demonstração abaixo mostra como a Manuela, da equipe da Treasy, constrói o orçamento completo de uma indústria fictícia, a Campos Cadernos, cobrindo receita por canal e produto, deduções, matéria-prima, ficha técnica, pessoal por centro de resultado, despesas operacionais, investimentos e os dois relatórios que fecham o ciclo: o DRE projetado e o fluxo de caixa. Assista ao passo a passo e, em seguida, este guia organiza cada etapa.
A receita começa pelo canal e pelo produto
O primeiro passo no vídeo é montar a receita de vendas a partir de dois eixos: canais de distribuição (Região Sul, Região Sudeste, distribuidores, representantes) e produtos (caderno capadura, capa simples e demais linhas). A combinação dos dois eixos permite analisar a receita por região e por tipo de representante ao mesmo tempo.
Para cada combinação, a Manuela insere a quantidade planejada e o preço de venda unitário. O Treasy calcula a receita total e, quando o mês se encerra e o realizado é importado do ERP, exibe a variação em reais e em percentual lado a lado.
Essa estrutura de orçamento de vendas já responde perguntas que a maioria das indústrias só consegue responder depois que o mês fecha: qual canal está puxando mais, qual produto tem melhor preço médio realizado, onde está o desvio entre o que foi planejado e o que entrou no caixa.
Deduções de venda: PIS, Cofins e devoluções
Logo após a receita bruta, o orçamento precisa registrar as deduções. O vídeo abre duas categorias: impostos (PIS e Cofins) e devoluções. Para os impostos, a Manuela insere os percentuais, 3% para o PIS e 0,65% para o Cofins. Para devoluções, usa 8%.
Esses percentuais são aplicados automaticamente pelo sistema sobre a receita projetada, gerando a receita líquida que serve de base para todos os cálculos de margem abaixo.
Matéria-prima e ficha técnica dos produtos
Aqui está a peça que distingue o orçamento industrial do orçamento de uma empresa de serviços. Antes de calcular o custo do produto, é preciso cadastrar as matérias-primas com preço unitário de compra. No vídeo: papel (R$ 100 por tonelada), capa (R$ 230 por tonelada) e tinta (R$ 20 por litro).
Com as matérias-primas cadastradas, a Manuela monta a ficha técnica de cada produto, informando quais insumos entram na composição e em qual quantidade. Para o caderno capadura: papel (0,002 ton), capa (0,002 ton) e tinta (0,003 L). Para o capa simples: papel (0,02 ton), capa menor (0,01 ton) e tinta (0,002 L).
O Treasy cruza a ficha técnica com o preço de compra de cada insumo e gera o custo unitário de produção, além do custo total baseado no volume de receita planejado. Esse é o custo variável atrelado diretamente à produção, que aparecerá como CMV no DRE.
Gastos com pessoal por centro de resultado
Com a estrutura de custos de produção definida, o próximo passo é o orçamento de pessoal. O vídeo organiza os cargos em dois centros de resultado: operacional e administrativo.
No operacional: 8 auxiliares operacionais (R$ 1.200 cada) e 2 gerentes de operações (R$ 2.500 cada). No administrativo: 3 auxiliares financeiros (R$ 1.000 cada) e 1 gerente financeiro (R$ 2.800).
A partir dos salários informados, o Treasy calcula automaticamente os encargos: FGTS, INSS, férias e 13º salário. Esse detalhamento aparece no DRE como linha separada, o que facilita a análise do peso da folha sobre o resultado e a projeção de encargos no planejamento anual.
Despesas operacionais: plano de contas gerencial
Depois do pessoal, o vídeo mostra a tela de despesas operacionais. O Treasy permite usar o plano de contas do próprio ERP, um padrão pré-configurado ou um plano gerencial customizado. A Manuela abre despesas administrativas com aluguel (R$ 500), energia elétrica (R$ 780), internet e telefone (R$ 200), água (R$ 230) e serviço de limpeza (R$ 100).
A estrutura de despesas fixas no orçamento serve dois propósitos: garantir que nenhum gasto seja esquecido no planejamento e criar a base de comparação para o acompanhamento mensal, quando o realizado entrar do ERP e os desvios aparecerem linha a linha.
Investimentos e projeção de pagamento
O último passo da estruturação são os investimentos, ou seja, compras de patrimônio. O vídeo cria a conta "Máquinas e Equipamentos" com vida útil de 6 anos e um investimento de R$ 5.000 em novembro. O campo de comentários permite registrar a justificativa do gasto.
O que diferencia essa tela de uma planilha simples: o Treasy pede o prazo de pagamento em percentual. No exemplo, 50% à vista e 50% em 30 dias. Essa informação é usada para projetar as saídas de caixa no fluxo, separando o momento econômico (DRE: quando a despesa ocorre) do momento financeiro (DFC: quando sai do caixa). Isso é exatamente o princípio da diferença entre regime de caixa e regime de competência aplicado na prática.
O DRE projetado como relatório de decisão
Com toda a estrutura preenchida, o DRE aparece automaticamente. O vídeo mostra que é possível filtrar por canal, por produto e por período, e que o relatório apresenta análise vertical (quanto cada linha representa da receita) e análise horizontal (crescimento mês a mês).
A sequência do DRE projetado segue: receita bruta por canal e produto, deduções de venda (impostos + devoluções), receita líquida, custo variável (CMV calculado pela ficha técnica), margem de contribuição, gastos com pessoal (com os encargos detalhados), despesas operacionais, chegando ao resultado do exercício.
O relatório pode ser exportado para planilha tanto no formato fechado (totais por linha) quanto no formato detalhado (abertura completa de todas as naturezas). Para quem precisa apresentar os números para a diretoria ou para o sócio, isso elimina o trabalho de montar o report financeiro em uma ferramenta separada.
Fluxo de caixa: das entradas ao saldo final
O segundo relatório é a projeção de fluxo de caixa. O Treasy o monta a partir da mesma base: as entradas vêm da receita de vendas, as saídas incluem os custos, as despesas, os investimentos e o cronograma de pagamento definido na tela de investimentos (50% à vista, 50% a 30 dias). O saldo final aparece mês a mês.
O DFC também pode ser filtrado por canal de distribuição e exportado para planilha. Para uma indústria que tem ciclo de produção mais longo, com compra de matéria-prima antes da venda e recebimento parcelado, esse cruzamento entre quando a receita é reconhecida e quando o dinheiro entra é o que separa uma empresa que não passa por aperto de caixa de uma que cresce no DRE e sofre no banco.
Indicadores e painel gerencial
A tela inicial do Treasy consolida seis indicadores que nascem do orçamento montado: faturamento bruto, margem de contribuição (filtrável por produto), ponto de equilíbrio, EBITDA, lucratividade e ticket médio. Todos apresentam o planejado e, quando o mês ocorre, o realizado logo abaixo com o percentual de desvio.
| Etapa do orçamento | O que o Treasy entrega automaticamente | Onde aparece no relatório |
|---|---|---|
| Receita por canal e produto | Variação P×R em R$ e % | DRE e painel gerencial |
| Deduções (PIS, Cofins, devoluções) | Receita líquida calculada | DRE |
| Ficha técnica de matéria-prima | Custo unitário e custo total por produto | DRE (CMV) e margem de contribuição |
| Gastos com pessoal | FGTS, INSS, férias e 13º calculados | DRE (linha de encargos) |
| Despesas operacionais | Abertura por natureza com análise vertical | DRE detalhado |
| Investimentos com prazo de pagamento | Saídas de caixa no mês correto | DFC (fluxo de saídas) |
| Cenários (otimista/pessimista) | Comparação entre cenário-base e variações | Simulações |
Cenários e revisões orçamentárias
Ao final do vídeo, a Manuela mostra que o Treasy permite criar simulações a partir do cenário-base. Uma indústria pode modelar um aumento de volume de produção, uma alta no preço da matéria-prima ou uma mudança nos preços de venda e ver o impacto imediato no DRE e no fluxo de caixa.
Empresas que têm o orçamento estruturado nesse formato conseguem fazer revisões orçamentárias trimestrais com agilidade, porque a base já está montada e basta ajustar as premissas que mudaram. O orçamento flexível, que se recalcula conforme o volume real de produção, é o próximo passo natural para indústrias que já passaram por um ciclo completo com orçamento estático.
Por onde começar em uma indústria de médio porte
O roteiro do vídeo é, em si, um passo a passo replicável:
- Mapeie os canais de distribuição e os produtos com preço de venda planejado.
- Defina os percentuais de deduções de venda com a contabilidade.
- Cadastre as matérias-primas com o preço de compra e monte a ficha técnica de cada produto.
- Organize o pessoal por centro de resultado com salário unitário e quantidade.
- Lance as despesas operacionais usando o plano de contas que a equipe já conhece.
- Registre os investimentos com a vida útil e o cronograma de pagamento.
- Analise o DRE e o fluxo de caixa antes de fechar o orçamento com a diretoria.
Para indústrias que ainda fazem esse processo em planilha, o risco mais frequente é a ficha técnica desatualizada: quando o preço da matéria-prima sobe, a planilha não recalcula o custo do produto automaticamente. A consequência aparece no DRE como queda de margem que ninguém consegue explicar até o fechamento do mês.
Se quiser entender como o acompanhamento mensal funciona depois que o orçamento está montado, o post sobre acompanhamento orçamentário Planejado x Realizado mostra a lógica do ciclo completo. E se o ponto de partida for estruturar o orçamento de produção ou os custos diretos e indiretos, o Guia do Orçamento Empresarial na Prática cobre cada etapa com mais detalhe.
Quando quiser sair da planilha e replicar esse processo com os dados reais do seu ERP conectado, experimente o Treasy de graça e veja o orçamento da sua indústria montado com ficha técnica, encargos automáticos e DRE gerado em tempo real.
