
Quarenta e oito por cento das empresas brasileiras encerram as atividades até o terceiro ano. O Sebrae rastreou o motivo: falta de planejamento e descontrole da gestão. Não é falta de produto, não é falta de cliente. É falta de alguém que organize os números antes que eles se transformem em surpresas ruins.
Esse alguém tem nome: controller. E o webinar abaixo, conduzido pela Treasy, explica em cerca de 40 minutos por que esse profissional é o que separa empresas que crescem de empresas que apenas sobrevivem.
O papel real do controller (e o que ele não é)
O controller não é o contador da empresa. O contador cuida das obrigações legais. O controller cuida do futuro.
Na prática, ele é quem transita entre a operação e a diretoria sem ficar preso em nenhuma das duas (o e-book Controller: a ponte entre a diretoria e os gestores detalha esse papel com exemplos práticos). Fica fora da pirâmide hierárquica tradicional justamente para ter uma visão completa do desempenho, sem o viés de proteger o próprio departamento. Quando os números mostram que uma área está drenando resultado, é o controller que traz isso para a reunião sem clima de acusação, mas com dados.
As responsabilidades centrais que o webinar elenca são:
- Elaboração das metas financeiras junto à diretoria, traduzindo o plano estratégico em números concretos para os próximos meses e anos.
- Projeções de custos, despesas e receitas por área, coletando informações internas e olhando para o que acontece no mercado.
- Desenvolvimento e acompanhamento de indicadores-chave, aqueles que a diretoria não pode tirar o olho.
- Relatórios gerenciais periódicos (DRE, DFC, balanço) e pontuais para suportar decisões específicas, como contratar um novo time ou abrir uma filial.
- Identificação de gargalos e pontos de melhoria, sugerindo ações concretas para áreas de vendas, custo e produção.
- Análise de viabilidade de investimentos, calculando retorno antes de a empresa comprometer caixa.
- Implantação e acompanhamento do processo orçamentário, o mais formal e estruturado de todos os papéis.
Um detalhe que o webinar faz questão de marcar: a chegada do controller costuma expor feridas. Contratos com margem negativa, custos escondidos na operação, premissas de venda que nunca foram revisadas. Isso gera algum desconforto. Mas é exatamente esse diagnóstico que abre caminho para o crescimento consciente.
Os estágios de maturidade que a maioria das empresas percorre
O webinar descreve uma trajetória que se repete em muitas empresas, independente do setor. Conhecer esses estágios ajuda a entender em qual deles você está e o que fazer a seguir.
Etapa 1: Foco no caixa imediato. O empreendedor concentra toda a energia na operação. A pergunta do mês é simples: tem dinheiro para pagar as contas? Não há projeção, não há relatório, não há indicadores. A visão vai até 30 dias, na melhor das hipóteses.
Etapa 2: Controles básicos aparecem, mas somem. O dono ou o financeiro começa a montar planilhas, tentar acompanhar as despesas, criar algum controle de caixa. O problema é o acúmulo de funções: a operação engole o tempo e esses controles ficam desatualizados. Quando o empresário vai consultar, a informação está defasada e ele para de usar.
Etapa 3: A dor fica clara. A empresa cresceu, a complexidade aumentou, mas a gestão não acompanhou. Aparecem crises que poderiam ter sido evitadas: rescisão não provisionada, 13º que não foi reservado, empréstimo de urgência no banco. Nessa etapa o empresário já entende o problema, mas ainda tenta resolver por conta própria.
Etapa 4: A controladoria entra. A empresa estrutura a área, o controller assume o processo orçamentário, os gestores passam a ter metas e relatórios de acompanhamento. A visão deixa de ser o retrovisor e passa a ser o horizonte dos próximos meses.
Etapa 5: A área se torna estratégica. Com o processo rodando, o controller começa a sair da operação dos relatórios (que passam a ser automatizados) e volta ao papel estratégico: melhoria contínua, cenários, decisões de investimento.
| Estágio | Sinal típico | Ferramenta dominante | Visão de resultado |
|---|---|---|---|
| 1: Sobrevivência | Saldo do banco é a única métrica | Nenhuma (ou caderno) | Até 30 dias |
| 2: Primeiros controles | Planilhas criadas e abandonadas | Planilha desatualizada | 2 a 3 meses de caixa |
| 3: Crise revela o problema | Empréstimo de urgência | Financeiro fazendo tudo | Retrovisão |
| 4: Controladoria estruturada | DRE, DFC e orçamento rodando | Software especialista + controller | 12 meses projetados |
| 5: Área estratégica | Decisões de investimento baseadas em análise | Automatização + cenários | Curto, médio e longo prazo |
Por que o controller é diferente das alternativas que as empresas tentam antes
O webinar toca num ponto que muitos empresários reconhecem: antes de contratar um controller, a empresa tenta três caminhos que não funcionam.
O primeiro é o dono resolver por conta própria. Boa vontade não falta, mas a operação consome todo o tempo e os relatórios ficam para depois. O segundo é o software sem responsável humano: a ferramenta existe, mas ninguém garante que os dados estão sendo alimentados e analisados com regularidade. O terceiro é colocar o financeiro (responsável pelo contas a pagar) no chapéu da controladoria. O acúmulo de funções faz com que a análise sempre fique em segundo plano.
Um controller dedicado resolve os três problemas de uma vez: tem foco, tem método e tem autonomia para pressionar por informações quando elas não chegam.
Quanto custa e quando vale o investimento
O webinar cita um dado direto: a média salarial de um controller em 2024 ficava entre R$ 8 mil e R$ 12 mil mensais, considerando benefícios. Para empresas nos primeiros anos, pode parecer alto. O ponto que o webinar coloca é: o que custa não ter? Uma rescisão não provisionada, um contrato com margem negativa que ninguém revisou, um investimento feito sem análise de retorno. Esses custos costumam ser muito maiores que o salário do profissional.
Para empresas que ainda não comportam a contratação de um controller sênior, o webinar apresenta uma alternativa: o BPO de controladoria, que terceiriza o processo e entrega relatórios, análises e reuniões mensais com um custo mais compatível com o estágio da empresa.
Se quiser entender mais sobre essa modelagem, o post sobre BPO de controladoria na prática detalha como funciona e o que esperar do serviço.
Cinco dicas práticas para preparar o terreno antes de contratar
O webinar encerra com orientações concretas para quem quer avançar. Vale registrar as cinco principais:
1. Comece pelos dados mais importantes, não por todos. Se você quer entender a performance dos produtos, comece pela margem de contribuição por família de produto, não por cada SKU individual. Simplificar o ponto de partida é o que garante que o hábito se sustenta.
2. Crie indicadores-chave, não uma lista interminável. Escolha os indicadores mais críticos para o seu modelo de negócio, defina metas claras para cada um e os acompanhe com regularidade. Indicadores demais paralisam; indicadores certos orientam.
3. Registre os lançamentos desde o primeiro dia. Custo, despesa, receita: tudo precisa estar registrado no sistema ou na planilha com a categoria correta. Corrigir a bagunça do passado é muito mais caro do que manter a ordem desde o início.
4. Olhe para resultado, não só para caixa. Empresa que olha só para o saldo bancário pode parecer saudável e estar deteriorando a margem sem perceber. O DRE projetado e o fluxo de caixa projetado juntos dão uma visão completa que o extrato bancário sozinho nunca vai dar.
5. Envolva os gestores desde cedo. A gestão orçamentária colaborativa faz com que cada área se sinta responsável pelo próprio resultado. Isso cria uma cultura orcamentária que o controller sozinho nunca consegue instalar por decreto.
O que muda na empresa quando o controller entra
O caso que o webinar menciona: após implantar a controladoria, uma empresa identificou contratos antigos com margens negativas. Depois de renegociar e fazer os ajustes, alguns contratos tiveram a margem melhorada em 70%.
Esse tipo de descoberta não vem do acaso. Vem de alguém que olha para os números com método, compara o planejado com o realizado, investiga os desvios orçamentários e leva para a diretoria não só o problema, mas o plano de ação.
É o que separa uma empresa que apenas tem dados de uma empresa que usa os dados para decidir melhor.
Como dar o próximo passo
Se você está nos estágios iniciais, o caminho começa antes do controller: organize os lançamentos, separe as contas pessoais das contas da empresa (um erro que o post sobre como separar despesas pessoais aborda em detalhe) e crie pelo menos um relatório de resultado mensal.
Se você já tem algum controle rodando e quer dar o próximo salto, o webinar recomenda começar o processo orçamentário antes de contratar. Ter o terreno preparado faz com que o controller entre e produza resultados muito mais rápido.
Para entender o que é exatamente uma área de planejamento e controladoria e quais são as principais atribuições do profissional, o post sobre o que faz a área de planejamento e controladoria é um bom ponto de partida. Já se o objetivo é estruturar a área do zero, o guia sobre como implantar uma área de controladoria detalha os primeiros passos.
Quando a gestão estiver organizada e você quiser colocar o orçamento para rodar com o histórico do seu ERP integrado automaticamente, experimente o Treasy de graça e veja o processo orçamentário sair do papel de vez.
