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Planejamento e Estratégia Ao vivo

Ao Vivo: Covid-19 e os impactos para a sua empresa

Como usar OBZ, simulação de cenários e gestão colaborativa para proteger sua empresa em momentos de crise severa. Webinar ao vivo com Gilles de Paula.

Neste artigo

Três cenários possíveis para a empresa diante da crise

Em março de 2020, quando o coronavírus fechou o comércio e parou a indústria em cadeia, a pergunta que chegou a todo controller e CFO foi a mesma: por onde começo? Não havia manual pronto. Havia método.

Este webinar ao vivo reuniu Gilles de Paula, CEO da Treasy e especialista em planejamento orçamentário, para discutir exatamente isso: quais ferramentas financeiras aplicar quando a demanda some, quando a receita zera e quando o prazo para decidir é menor do que o normal. Assista abaixo e acompanhe o guia que desenvolvemos a partir dos temas discutidos.

Capa do vídeo: Webinar ao Vivo: Covid 19 e os Impactos para sua Empresa!Vídeo · YouTube

O método FCA aplicado à crise

A primeira coisa que Gilles deixou clara no webinar é que o fato já estava dado. Todo mundo sabia o que era o coronavírus e o que estava acontecendo. Gastar energia descrevendo o problema não ajudava ninguém. O que precisava de atenção eram as ações.

Isso é exatamente o que o método FCA (Fato, Causa, Ação) propõe: reconhecer o fato, entender a causa e colocar energia nas ações. Numa crise de escala global, o controlador financeiro não se torna epidemiologista nem economista-chefe. Ele faz o que sabe fazer: projeta cenários, define premissas e cria planos de ação para que a empresa sobreviva ao período.

Primeiro passo: mapear premissas, restrições e indexadores

Antes de qualquer planilha, Gilles recomendou duas ações que precisam vir antes do orçamento.

Premissas e restrições. Premissas são aquilo que não pode parar. Cada empresa tem as suas: uma indústria pode ter uma linha de produção que precisa funcionar 24h; uma empresa de serviços pode ter contratos que não permitem interrupção. Restrições são os limites que a crise impõe: falta de caixa, ruptura de estoque, impossibilidade de acessar mão de obra. Mapear ambas é pré-requisito. Sem esse mapa, qualquer corte corre o risco de atingir o que é vital.

Indexadores econômicos e financeiros. Todo modelo de negócio tem duas ou três variáveis que, quando mudam pouco, causam impacto enorme no resultado. Para uma empresa de importação, o câmbio. Para uma rede de transporte, o combustível. Para uma empresa intensiva em gente, o custo de pessoal. Identificar esses indexadores permite simular o que acontece com o resultado quando cada um deles se move, sem precisar refazer o modelo do zero a cada suposição.

Orçamento base zero para momentos críticos

Com as premissas e os indexadores mapeados, o próximo passo é o orçamento base zero. O OBZ parte do princípio de esquecer o histórico e perguntar: qual é o mínimo que preciso para a empresa continuar funcionando?

A diferença do OBZ em relação ao orçamento tradicional é justamente essa. No processo normal, a base é o que foi feito no ano anterior, ajustado por algum percentual. No OBZ, a base é zero. Cada despesa precisa se justificar do zero. Isso força a separar o que é premissa (não pode parar) do que é acessório (pode ser suspenso até a normalidade voltar).

Gilles usou uma analogia direta: quando alguém está ferido com uma perna sangrando, ninguém quer perder a perna, mas às vezes é a decisão que mantém o corpo funcionando. O OBZ é exatamente isso: uma decisão difícil, tomada de forma racional, para manter o essencial vivo.

O aviso que ficou: não adianta partir para o OBZ sem antes ter as premissas e restrições bem mapeadas. Cortar algo vital por falta de mapeamento é pior do que não cortar nada.

Simulação de cenários: o que fazer quando ninguém sabe o prazo

Uma das perguntas mais frequentes durante o webinar foi: como projetar algo quando não sabemos quando a crise vai acabar?

A resposta de Gilles foi direta: você não projeta quando vai acabar. Você projeta o que fazer se durar três meses, o que fazer se durar seis, o que fazer se durar um ano. Essa distinção muda tudo.

Travar o planejamento numa aposta sobre o prazo é um erro. A empresa que montou todo o OBZ assumindo "volta em quatro meses" e errou ficou completamente descoberta quando chegou o quinto mês. Quem montou cenários múltiplos já sabia exatamente o que acionar em cada um deles.

A metodologia para construir esses cenários é simples na prática: pegar os indexadores identificados antes e simular o que acontece com o resultado se o indexador vai para o pior nível já registrado historicamente (pessimista), para o melhor (otimista) e para o mais frequente (realista). No caso de uma crise como a pandemia, o cenário otimista não é "as coisas ficam melhores", é "a gente se recupera em três meses". O pessimista é "a gente leva um ano". A empresa precisa ter um plano para cada um. Para quem quer colocar esse processo numa planilha, o modelo de simulação de cenários da Treasy já traz a estrutura pronta com os três cenários e os campos de indexadores.

Esse tipo de análise de cenários é o que separa a empresa que reage da empresa que age.

A decisão sobre demissão e fornecedores

Uma das partes mais sensíveis do webinar foi a discussão sobre demissões e cancelamento de contratos com fornecedores. Gilles foi claro: esses cortes têm um efeito cascata. Cada demissão reduz o consumo de uma família. Cada contrato cancelado com um fornecedor pode gerar demissões lá dentro. Em escala, o efeito de bola de neve agrava exatamente a crise que as empresas tentam suportar.

A recomendação foi calcular o custo real de demitir: perda de produção, perda de faturamento enquanto a equipe está reduzida e o custo de recontratar e treinar quando o mercado voltar. Em muitos casos, especialmente para profissionais qualificados, o custo de manter é menor do que o custo de demitir e recontratar depois.

Quando o corte for inevitável, a referência que Gilles trouxe foi o caso da Tigre, que ao fechar uma unidade de negócio criou um programa interno para reposicionar as pessoas dentro da própria empresa e capacitar quem não tinha perfil para reposicionamento. Não é uma saída universal, mas mostra que é possível fazer cortes de forma planejada e com menor impacto nas pessoas.

Gestão colaborativa: por que não resolver sozinho

Um dos pontos que ficou mais forte no webinar foi a defesa da gestão colaborativa no momento de crise. A tentação de concentrar todas as decisões na alta gestão ou na controladoria é natural, mas ela ignora que as informações mais precisas sobre premissas e restrições estão nos gestores de área.

O gestor de vendas sabe melhor do que ninguém qual é a taxa de cancelamento projetada. O gestor de produção sabe qual linha pode parar e qual não pode. O RH conhece a estrutura de pessoal que é possível reduzir sem parar a operação.

Gilles citou um exemplo concreto: grandes empresas conseguem fechar um OBZ com mais de 15 gestores envolvidos em dois dias, quando as premissas estão claras e a comunicação é bem feita. O problema não é o número de pessoas, é a falta de alinhamento sobre prioridades. Quando todo mundo sabe para onde o negócio precisa ir, as contribuições convergem rápido.

A ideia colaborativa também tem uma vantagem que vai além da qualidade técnica: quando as pessoas ajudam a construir a decisão, elas não precisam ser convencidas depois. A decisão já é delas.

Respostas práticas por setor

Durante o Q&A do webinar, surgiram perguntas de setores específicos que iluminam como aplicar o método na prática.

Setor Principal indexador a monitorar Premissa central Corte que exige cuidado
Comércio varejista Volume de clientes na loja Manutenção do estoque mínimo Equipe de atendimento
Escolas privadas Taxa de cancelamento de matrículas Corpo docente mínimo por turma Professores titulares
Indústria Demanda das distribuidoras / varejos Linha de produção essencial Operadores de equipamentos críticos
Serviços intensivos em pessoas Demanda ativa de clientes Equipe técnica qualificada Profissionais especializados
Empresas importadoras Câmbio (dólar) Volume mínimo de estoque importado Pedidos em andamento

Para escolas, por exemplo, Gilles destacou que a recorrência da receita (mensalidades com prazo definido) é uma vantagem em relação a outros negócios. O trabalho é projetar a taxa de cancelamento nos cenários pessimista e otimista e preparar o plano de corte para cada um antes que o cancelamento aconteça, não depois.

Para o varejo fechado com receita zerada, a recomendação foi criativa: entender qual serviço pode ser adaptado para o momento. O exemplo que surgiu no webinar foi de uma lavação de carros que migrou para higienização domiciliar. A premissa não mudou (limpeza de veículo), a entrega mudou. Cada negócio vai encontrar sua versão disso.

O papel da controladoria em uma crise

Gilles deixou um ponto claro sobre o papel do profissional de finanças e controladoria numa crise dessa escala: não é tentar fazer previsões econômicas ou projetar o comportamento do câmbio. Economistas e especialistas de mercado já estão fazendo isso. O papel da controladoria é usar essas informações como insumo para os cenários da empresa e garantir que o negócio tenha um plano de ação para cada possibilidade.

Isso implica consumir as projeções externas disponíveis, traduzir os impactos para o modelo específico da empresa e montar um orçamento que permita agir rápido quando um dos cenários se confirmar. É um trabalho de tradução, não de adivinhação.

O planejamento financeiro em tempos de crise não é mais preciso do que em tempos normais. É mais necessário.

O que fazer esta semana

Se você ainda não mapeou as premissas e restrições do seu modelo de negócio, esse é o ponto de partida. Reúna a liderança, coloque na mesa o que não pode parar e quais são os limites atuais de caixa, estoque e pessoal.

Com isso definido, identifique os dois ou três indexadores que mais afetam o seu resultado e construa pelo menos dois cenários: o que você faz se a situação durar seis meses e o que você faz se durar doze.

Para cada cenário, monte um OBZ: o que é o mínimo necessário para a empresa operar naquele nível de demanda. Esse processo não elimina a incerteza, mas estrutura as decisões para que você consiga agir rápido quando o cenário se confirmar, em vez de improvisar sob pressão.

O guia completo para atravessar períodos de crise traz mais ferramentas para complementar o que foi discutido no webinar. E se quiser colocar o processo orçamentário para rodar de forma integrada com os dados do seu ERP, experimente o Treasy de graça e veja como o planejamento vira a régua da sua operação.

Perguntas frequentes

Qual é o primeiro passo para proteger a empresa financeiramente em uma crise severa?
Mapear premissas e restrições do modelo de negócio. Premissas são o que não pode parar sob nenhuma circunstância. Restrições são os limites impostos pela crise, como falta de caixa ou impossibilidade de acessar estoque. Esse mapeamento precisa vir antes de qualquer decisão de corte.
O que são indexadores econômicos e financeiros e por que eles importam numa crise?
São as variáveis que, quando mudam pouco, causam impacto grande no resultado da empresa. Para uma importadora, é o câmbio. Para uma transportadora, é o combustível. Para uma empresa intensiva em pessoal, é o custo de salários. Conhecer esses indexadores permite simular cenários sem refazer todo o modelo a cada suposição.
O que é orçamento base zero e quando ele deve ser aplicado?
O OBZ parte do zero: em vez de ajustar o orçamento do ano anterior, cada despesa precisa se justificar do zero. É recomendado em momentos de crise severa, quando a operação normal não é mais sustentável e a empresa precisa identificar o mínimo para continuar funcionando.
Por que é perigoso fazer o OBZ sem mapear premissas e restrições antes?
Porque você pode cortar algo vital. O OBZ sem mapeamento prévio corre o risco de eliminar uma área ou custo que parece supérfluo mas é premissa do negócio, paralisando o que deveria ser mantido.
Como simular cenários quando não se sabe quanto tempo a crise vai durar?
Em vez de apostar num prazo único, monte planos para durações diferentes. Por exemplo: o que fazer se a crise durar três meses, seis meses ou um ano. Quando um dos cenários se confirmar, a empresa já tem o plano pronto e age rápido, em vez de improvisar sob pressão.
Como construir os cenários pessimista, realista e otimista?
Pegue os indexadores do seu modelo de negócio e simule o resultado para o pior valor já registrado historicamente (pessimista), o melhor (otimista) e o mais frequente (realista). Em períodos de crise, o otimista não é 'as coisas ficam melhores', mas 'a recuperação vem em três meses' contra 'leva um ano' no pessimista.
Como calcular se vale mais a pena demitir ou manter a equipe durante a crise?
Some o custo de manter a equipe pelo período projetado da crise e compare com o custo real de demitir: perda de produção e faturamento imediatos, mais o custo de recontratar e treinar quando o mercado voltar. Para equipes qualificadas, o custo de recontratar costuma ser maior do que o de manter.
Por que cancelar contratos com fornecedores pode piorar a crise?
Porque gera um efeito cascata. Cada contrato cancelado reduz a receita do fornecedor, que pode precisar demitir, e essas pessoas passam a consumir menos, aprofundando a retração econômica. Em escala, o efeito de bola de neve agrava a crise que as empresas tentam suportar.
Como a gestão colaborativa ajuda no OBZ em momentos de crise?
Os gestores de área conhecem as premissas e restrições do seu setor melhor do que ninguém. Envolvê-los na construção do OBZ traz informações mais precisas, acelera o processo e elimina a necessidade de 'vender' as decisões depois, porque quem participou já as considera suas.
É possível fazer um OBZ rápido em empresas grandes com muitos gestores?
Sim. Gilles citou casos de empresas com mais de 15 gestores que fecharam o OBZ em dois dias quando as premissas estavam claras e a comunicação era objetiva. O problema não é o número de pessoas, é a falta de alinhamento sobre prioridades e para onde a empresa precisa ir.
Como escolas privadas devem usar esses conceitos em uma crise de receita?
O principal indexador a monitorar é a taxa de cancelamento de matrículas. Com base no histórico, projete a taxa pessimista e a otimista e prepare o plano de corte para cada cenário antes que o cancelamento aconteça. A vantagem das escolas é a recorrência da receita, que dá mais previsibilidade do que outros modelos.
Como lidar com receita zerada no varejo durante fechamento obrigatório?
A abordagem é entender o que do negócio pode ser adaptado para o momento. Gilles citou o exemplo de uma lavação de carros que migrou para higienização domiciliar. A premissa não mudou, a entrega mudou. Cada negócio precisa encontrar sua versão criativa para manter alguma receita enquanto a operação normal não volta.
Qual é o papel do controller e do CFO numa crise econômica de grande escala?
Não é fazer previsões econômicas nem projetar câmbio ou índices, mas consumir as projeções que economistas já produziram e traduzir o impacto para o modelo específico da empresa. O trabalho é garantir que a empresa tenha um plano de ação pronto para cada cenário possível.
Quando faz sentido tomar empréstimo para manter a empresa operando durante uma crise?
A decisão depende do custo de capital comparado ao custo de reduzir a operação. Se a taxa de juros está baixa e o custo de recontratar depois é alto, manter a equipe com crédito pode ser mais barato do que demitir agora. É uma análise de custo de oportunidade que precisa ser feita com os números reais da empresa.
Como o método FCA se aplica à gestão de crises empresariais?
O FCA (Fato, Causa, Ação) orienta a não gastar energia descrevendo o que já é conhecido. Em uma crise como a pandemia, o fato e as causas eram amplamente conhecidos. O que precisava de atenção eram as ações: o que cada empresa ia fazer para segurar as pontas até a normalidade voltar.
Que tipo de corte pode ser feito sem impacto direto no curto prazo?
Depende do modelo de negócio, mas em muitos casos é possível suspender temporariamente investimentos em marketing, design e terceirizações de TI sem impacto imediato na operação. O que não pode ser cortado sem consequência direta são as premissas do negócio: as equipes e estruturas que mantêm o produto ou serviço funcionando.

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