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Orçamento de outras despesas: o que vai além da operação

Aprenda a projetar despesas e receitas que não são operacionais: financeiras, não operacionais, variações cambiais. Aula 10 do Curso Completo de Planejamento

Neste artigo

Orçamento de outras despesas representado por uma balança com moedas e um bloco à parte

Toda empresa tem um grupo de desembolsos que não se encaixa em nenhuma das categorias clássicas do orçamento. Não é custo de produto, não é despesa de pessoal, não é investimento. São juros de empréstimo, multas contratuais, variações cambiais em importações, a venda eventual de um carro da frota. No orçamento, essa peça tem nome: outras despesas e receitas. E é justamente ela que fecha a Aula 10 do Curso Completo de Planejamento Orçamentário da Treasy.

Assista à aula completa abaixo e acompanhe neste guia a lógica por trás de cada passo.

Capa do vídeo: Aula 10 - Orçamento de Outras Despesas - Curso Completo de Planejamento OrçamentárioVídeo · YouTube

O que entra no orçamento de outras despesas

A aula começa com uma distinção importante. Todas as peças vistas até aqui, do orçamento de vendas ao orçamento de despesas operacionais, alimentam o EBITDA. Esse indicador mostra o resultado da operação sem nenhuma influência de itens financeiros ou não relacionados ao negócio principal.

Mas a empresa não vive só da operação. Ela toma empréstimos, paga juros, eventualmente vende um ativo imobilizado. Esses movimentos precisam estar no orçamento porque afetam o resultado final, mesmo sem tocar o EBITDA. Entram aqui:

  • Despesas financeiras: juros de empréstimos, taxas bancárias, multas contratuais e variações cambiais para quem opera com importação ou exportação.
  • Receitas financeiras: rendimento de aplicações, juros recebidos de clientes com pagamento antecipado.
  • Receitas não operacionais: venda de ativos que não fazem parte do giro do negócio, como a revenda de veículos de uma frota que será renovada.

A distinção entre operacional e não operacional não é burocracia contábil. Ela protege a análise: se você misturar a receita de venda de um carro com a receita de serviços, vai enxergar um resultado operacional inflado que não se repete no mês seguinte.

Por que projetar esse grupo exige mais atenção

Das peças orçamentárias, essa costuma ser a menos categorizada na base histórica da empresa. É mais comum do que parece chegar no histórico de lançamentos e encontrar despesas financeiras jogadas em contas genéricas, sem nenhuma separação por natureza.

A aula recomenda um caminho claro quando isso acontece:

  1. Criar um pequeno plano de contas específico para receber esses lançamentos. Um agrupador de "Despesas Financeiras" com subcontas como "Taxas e Juros" e "Variações Cambiais", e um agrupador de "Receitas Não Operacionais" com subcontas correspondentes.
  2. Reclassificar o histórico disponível, ao menos o suficiente para ter uma base de comparação. Não precisa ser todos os meses de todos os anos, mas o suficiente para identificar padrão de comportamento.
  3. Lançar as novas projeções corretamente a partir desse ponto, para que o histórico futuro já venha limpo.

Esse trabalho de organização tem um retorno direto: no acompanhamento mensal, você consegue enxergar se as despesas financeiras estão crescendo mês a mês e investigar o motivo, em vez de descobrir o problema só quando o resultado já sangrou.

Como funciona na prática dentro do Treasy

A aula mostra o passo a passo no sistema. O processo é análogo ao das demais peças, com uma diferença no campo que distingue os lançamentos: o direcionador de conta. É esse campo que indica ao Treasy que aquela conta pertence ao grupo de outras despesas, e não ao resultado operacional.

O exemplo da aula usa a conta "Taxas e Juros" com um lançamento de R$ 120 mensais até junho para a loja da Avenida Paulista. Pode ser um empréstimo, pode ser taxa de antecipação de recebíveis. O ponto não é o valor, é a mecânica: a conta está direcionada ao agrupador de despesas financeiras, e por isso ela fica fora do EBITDA e aparece corretamente mais abaixo no DRE projetado.

O segundo exemplo é uma receita não operacional: a revenda de frota da Campos Confecções, no valor de R$ 30.000 em fevereiro, lançada pelo regime de competência. Uma transação pontual, que não diz nada sobre a saúde da operação, mas que precisa estar no orçamento para que o resultado projetado seja honesto.

O sinal de alerta que essa peça oferece

Há uma análise que só é possível quando outras despesas e receitas estão bem categorizadas no orçamento: comparar o crescimento dessas linhas com o crescimento da operação.

Se as despesas financeiras crescem mais rápido que o faturamento, há um problema de endividamento que o EBITDA não vai mostrar. Se há receitas financeiras relevantes, pode haver dinheiro parado que poderia ser investido de forma mais eficiente. Se as receitas não operacionais aparecem com frequência, pode ser que ativos estejam sendo vendidos para cobrir buracos no caixa, um sinal grave que o fluxo de caixa projetado vai confirmar.

O acompanhamento Planejado × Realizado mensal dessas linhas deixa esses sinais visíveis antes que virem crise.

Tabela: tipos de lançamentos de outras despesas e receitas

CategoriaExemplos comunsOnde aparece no DREAfeta o EBITDA?
Despesas financeirasJuros de empréstimo, taxas bancárias, multas, IOFAbaixo do EBITDANão
Receitas financeirasRendimento de aplicações, juros de mora recebidosAbaixo do EBITDANão
Variações cambiaisOscilação do câmbio em importações/exportaçõesAbaixo do EBITDANão
Receitas não operacionaisVenda de ativo imobilizado, aluguel de espaço ociosoAbaixo do resultado operacionalNão
Despesas não operacionaisPerda com alienação de ativo, sinistros não cobertosAbaixo do resultado operacionalNão

O próximo passo: o DRE completo

Com essa peça mapeada, o orçamento tem todas as linhas do demonstrativo de resultados projetadas. A Aula 11 do curso usa exatamente isso: com vendas, custos, despesas operacionais, pessoal e outras despesas na mesa, é hora de ler o DRE projetado e extrair os principais indicadores econômicos e financeiros do negócio.

Se você ainda está montando essa estrutura em planilha, o modelo de orçamento empresarial da Treasy já traz as categorias de outras despesas separadas do resultado operacional. Se você chegou até aqui no curso e ainda não está usando um sistema para centralizar todas essas peças, vale experimentar o Treasy. As categorias já estão configuradas, o histórico do ERP entra automaticamente pelo conector, e o DRE projetado aparece em tempo real à medida que você lança. Experimente de graça e veja quanto tempo você economiza na montagem do orçamento.

Para as demais aulas do curso, acesse o canal da Treasy. E se quiser aprofundar qualquer das peças anteriores, os posts linkados ao longo deste guia cobrem cada uma delas.

Perguntas frequentes

O que são outras despesas no orçamento empresarial?
São desembolsos e receitas que não fazem parte da atividade principal da empresa: juros de empréstimos, taxas bancárias, multas, variações cambiais, receitas de aplicações financeiras e receitas obtidas com a venda de ativos imobilizados, como veículos ou equipamentos.
Por que outras despesas ficam fora do EBITDA?
O EBITDA mede o resultado da operação sem influência de itens financeiros ou não operacionais. Como outras despesas e receitas não têm relação direta com o negócio principal, elas ficam abaixo do EBITDA no DRE para que a análise do desempenho operacional não seja distorcida por eventos pontuais ou custos de financiamento.
Qual a diferença entre despesa financeira e despesa não operacional?
Despesas financeiras são custos ligados à captação e uso de recursos de terceiros, como juros de empréstimos, tarifas bancárias e IOF. Despesas não operacionais são perdas que não têm relação com o giro do negócio, como a perda na venda de um ativo imobilizado abaixo do valor contábil.
Variação cambial entra no orçamento de outras despesas?
Sim. Para empresas que operam com importação ou exportação, as variações cambiais afetam o resultado financeiro mas não a operação em si. Por isso entram na peça de outras despesas, separadas das demais linhas operacionais.
A venda de um veículo da frota precisa entrar no orçamento?
Precisa. Mesmo que seja uma transação pontual e não recorrente, ela afeta o resultado do período. Se não estiver no orçamento, o resultado realizado vai parecer melhor do que o planejado sem que haja melhora real na operação. A transparência do orçamento exige que esses eventos sejam mapeados.
Como fazer quando a base histórica não tem as despesas financeiras categorizadas?
A aula recomenda três passos: criar um plano de contas específico para receber esses lançamentos, reclassificar os dados históricos disponíveis para ter uma base de comparação e lançar as novas projeções corretamente a partir daí. Não é necessário reclassificar todos os anos, mas o suficiente para identificar padrões.
O que é o direcionador de conta no Treasy?
É o campo que indica a qual grupo orçamentário uma conta pertence. No caso de outras despesas, o direcionador sinaliza que aquela conta vai parar abaixo do EBITDA, e não na parte operacional do DRE. Sem esse direcionador correto, os lançamentos aparecem no lugar errado e distorcem os indicadores.
Qual o impacto de não orçar outras despesas?
O resultado projetado fica incompleto. Você pode projetar EBITDA positivo e lucro líquido negativo se as despesas financeiras não estiverem mapeadas. Além disso, sem a projeção, fica impossível identificar no acompanhamento mensal se essas despesas estão crescendo acima do esperado.
Receita financeira também entra nessa peça orçamentária?
Sim. Rendimentos de aplicações financeiras, juros recebidos de clientes que pagaram antes do prazo e outras receitas de origem financeira entram no orçamento de outras despesas e receitas, no agrupador de receitas financeiras.
Como identificar que as despesas financeiras estão crescendo fora de controle?
Acompanhando mensalmente o Planejado × Realizado dessa linha e comparando o crescimento das despesas financeiras com o crescimento da receita operacional. Se as despesas financeiras crescem mais rápido, há um problema de endividamento que precisa de atenção antes de comprometer o fluxo de caixa.
Receitas não operacionais indicam algum problema na empresa?
Depende da frequência. Uma venda de ativo pontual é normal dentro de um ciclo de renovação de frota ou equipamentos. Mas receitas não operacionais recorrentes, especialmente de venda de ativos fixos, podem indicar que a empresa está monetizando patrimônio para cobrir déficits de caixa, o que é um sinal de alerta.
Essa peça é obrigatória para todas as empresas?
Para quem faz orçamento completo, sim. O DRE projetado só fica completo quando todas as linhas abaixo do EBITDA estão mapeadas. Empresas sem dívidas e sem ativos relevantes terão essa peça com poucos ou nenhum lançamento, mas é importante verificar e confirmar isso, não simplesmente ignorá-la.
O regime de competência se aplica a outras despesas também?
Sim. A aula mostra o exemplo da receita de revenda de frota lançada em fevereiro porque foi quando a venda aconteceu, independentemente de quando o dinheiro entrou no caixa. O mesmo princípio do regime de competência que vale para as demais peças vale aqui.
Qual a relação entre outras despesas e o resultado financeiro no DRE?
As despesas e receitas financeiras formam o resultado financeiro do período, que é somado ao resultado operacional para chegar ao resultado antes do imposto de renda. É por isso que elas ficam separadas: o DRE permite enxergar quanto do resultado vem da operação e quanto vem de ganhos ou perdas financeiras.
Quando o orçamento de outras despesas está pronto, o que vem a seguir no curso?
A Aula 11 analisa o DRE completo. Com todas as peças projetadas, vendas, custos, despesas operacionais, pessoal e outras despesas, é possível ler o demonstrativo de resultados e extrair os principais indicadores econômicos e financeiros do negócio para o período orçado.

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