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Controller Cast #32 - Vieses e atalhos na tomada de decisão

Quais fatores influenciam na tomada de decisão diária dos times de controladoria, finanças e gestão? Como tomar consciência e trabalhar com esses vieses para tomar melhores decisões

Neste artigo

Tabuleiro xadrez capa episódio podcast controller sobre vieses

Quantas decisões você toma em um dia comum de trabalho? Algumas pesquisas sugerem o número de 35 mil decisões por dia!

Pra dar conta de todas essas decisões, nosso cérebro cria "atalhos", vieses com base em nossos hábitos, comportamentos e experiências. Assim economizamos energia com as escolhas diárias, afinal, muitas delas são triviais: qual roupa vestir? Qual caminho tomar para ir ao trabalho? etc

Mas enquanto algumas decisões são triviais, outras podem definir o rumo de um negócio: em qual canal de venda investir? Qual produto lançar? Qual liderança contratar?

Neste episódio do Controller Cast entendemos como essas decisões diárias muitas vezes são tomadas no "automático" usando vieses que nos levam por caminhos que parecem mais fáceis, mas que podem esconder achismos, preconceitos e decisões pouco racionais.

Abordando 7 vieses com exemplos específicos da área de controladoria e finanças, o episódio 32 do Controller Cast está recheado de dicas para você tomar melhores decisões, impactando negativamente nossos negócios e relações.

Para entender melhor esses tema, no episódio #32 do Controller Cast convidamos Cícero Gabriel, Consultor Empresarial, sócio na ferreira filho e mentor e Educador executivo.

Áudio · SoundCloud

Se você ainda não conhece, o Controller Cast é um podcast onde discutimos temas de Finanças e Controladoria ou de interesse dessas áreas, trazendo ideias e exemplos práticos. Tudo por meio de entrevistas com profissionais que estão fazendo a diferença no mercado.

Agora você também pode nos ouvir no Spotify, Deezer e iTunes Podcast! Ouça também os episódios anteriores:

Confira os principais tópicos que conversamos com o Cícero:

  • Como funciona o processo de tomada de decisão?

    • Abordamos o conceito do cérebro trino de Paul MacLean, que embora muitas pessoas citem como obsoleto, ele retrata de forma simples a mecânica do nosso cérebro. O cérebro é dividido em 3 grandes entes: Sistema Reptiliano, responsável pelo nosso instinto e sobrevivência. Sistema Límbico, responsável pelas emoções e Córtex ou Neocórtex, que é responsável pelas funções intelectivas, cognição e planejamento.
    • Também abordamos o conceito de Sistema 1 e Sistema 2, amplamente difundido pelo Daniel Kahneman em seu livro Rápido e Devagar, e como eles influenciam a área de finanças e planejamento.
  • Quais os principais vieses que nos influenciam na hora de tomar uma decisão?

  • Para cada um dos vieses comentados, abordamos situações comuns ao time de gestão, finanças e controladoria:
  • O viés da Disponibilidade;
  • O efeito Dunning-Kruger;
  • A Maldição do Conhecimento;
  • A Falácia do Planejamento;
  • O Efeito Halo;
  • Backfire effect e;
  • Efeito Ancoragem.
  • Como faço para não pegar esses “atalhos” na tomada de decisão?

  • Entendemos a importância do autoconhecimento e da busca por metodologias que apoiem o mapeamento comportamental do seu time, existem inúmeras metodologias para isso como HBDI, DISC, MBTI, Eneagrama, etc.
  • Quais fatores no ambiente de trabalho podem contribuir para a manifestação desses vieses no dia a dia?

  • Pressa, falta de paciência, falta de fatos dados e evidências, pressão, stress e baixo nível de consciência.
  • Cícero, quais técnicas você utiliza na hora de tomar decisão para tentar fugir desses vieses?

  • Principal: considerar que você sempre está errado. Parece bem ilógico e contra intuitivo, mas se você começar a questionar suas respostas para perguntas complexas antes de "entregá-las" às outras pessoas, tem a maior tendência de ativar um gatilho para o Sistema 2, que é o sistema racional e deliberado.

Perguntas frequentes

O que é viés cognitivo e como isso afeta as decisões financeiras?
Viés cognitivo é um atalho mental que nosso cérebro usa para economizar energia ao tomar decisões. Na área financeira, isso pode levar a escolhas baseadas em hábitos ou intuição em vez de dados. Por exemplo, um controller pode rejeitar um novo software só porque "sempre fez assim", ignorando que a ferramenta poderia reduzir o tempo de fechamento em 40%.
Quantas decisões uma pessoa realmente toma por dia?
Estudos apontam que tomamos em torno de 35 mil decisões por dia. A maioria delas é automática (que roupa vestir, que caminho tomar), mas algumas — como em qual canal investir ou qual produto lançar — podem definir o rumo inteiro do negócio. Por isso conhecer nossos vieses é fundamental.
Qual é a diferença entre Sistema 1 e Sistema 2 de pensamento?
O Sistema 1 funciona rápido, automático e intuitivo — é aquele que toma decisões sem pensar. O Sistema 2 é lento, deliberado e exige esforço concentrado. Na controladoria, o Sistema 1 pode levar a erros ao analisar um relatório apressadamente, enquanto o Sistema 2 garante análise cuidadosa. O ideal é usar o Sistema 2 em decisões importantes.
O que é viés da disponibilidade e como ele interfere em decisões de finanças?
É a tendência de dar mais peso às informações que vêm à mente facilmente. Um finance manager pode superestimar o risco de um cenário porque lembra de um caso em que deu errado, ignorando dados que mostram que aquilo é raro. Isso pode levar a orçamentos muito conservadores ou decisões de investimento equivocadas.
Como o efeito Dunning-Kruger afeta a liderança financeira?
Pessoas com pouco conhecimento tendem a superestimar sua competência, enquanto especialistas subestimam a delas. Um controller iniciante pode confiar demais em suas análises sem validá-las, enquanto um CFO experiente questiona seus próprios números. Reconhecer isso ajuda a criar rotinas de validação e a buscar segunda opinião em decisões importantes.
O que é maldição do conhecimento no contexto de finanças?
É quando quem domina um assunto assume que outros entendem do mesmo jeito. Um especialista em FP&A pode apresentar um forecast tão complexo que o CEO não consegue extrair a ação esperada. A solução é estruturar comunicação financeira em camadas: dados brutos para os analistas, síntese com recomendações para os executivos.
Como a falácia do planejamento impacta orçamentos corporativos?
É a tendência de subestimar o tempo, custo e risco de projetos futuros. Times de finanças frequentemente criam orçamentos otimistas que não consideram atrasos ou imprevistos. Usar dados históricos de projetos anteriores e adicionar uma margem de segurança reduz esse viés.
O que é efeito halo e quando ele prejudica decisões de investimento?
É quando a percepção positiva em um aspecto influencia a avaliação geral. Um gestor pode aprovar um investimento porque o vendedor é carismático, sem analisar o ROI de verdade. Ou manter uma linha de negócio ruim porque o gestor anterior teve sucesso em outras iniciativas. Separar a análise dos dados da pessoa que as apresenta é essencial.
Como funciona o efeito de ancoragem nas negociações financeiras?
É quando o primeiro número apresentado (o "âncora") influencia toda a negociação subsequente. Se um fornecedor abre pedindo R$ 100 mil, mesmo que você consiga reduzir para R$ 70 mil, provavelmente gastará mais do que gastaria se a âncora inicial fosse R$ 60 mil. Conhecer o mercado e ter dados comparativos ajuda a resistir a esse viés.
O que é backfire effect e como evitar em comunicação de resultados?
É quando dados que contradizem uma crença fazem a pessoa se apegar ainda mais à crença errada. Se você apresenta números que mostram que a estratégia do ano anterior não funcionou, o gestor pode ficar defensivo em vez de aceitar e aprender. Usar frames positivos ("aprendemos que" em vez de "você errou que") reduz esse efeito.
Como o autoconhecimento ajuda na tomada de decisão financeira?
Reconhecer seus próprios vieses — se você tende a ser otimista, pessimista, impulsivo ou excessivamente cauteloso — permite que você crie salvaguardas. Um CFO que sabe que é propenso ao efeito halo pode insistir em análises independentes antes de aprovações. É como conhecer um vício: você não o elimina, mas trabalha para controlá-lo.
Quais metodologias ajudam a minimizar vieses na tomada de decisão?
Estruturar processos reduz o espaço para vieses. Usar checklists de aprovação, exigir análise de cenários múltiplos (otimista, pessimista, realista), solicitar devil's advocate em decisões grandes e revisar regularmente decisões passadas para aprender são práticas comprovadas. A tecnologia também ajuda: sistemas que alertam desvios de planejamento vs. realizado trazem dados objetivos para o debate.
Por que os controllers estão mais expostos a vieses do que outros profissionais?
Controllers lidam com pressão constante: prazos de fechamento curtos, decisões com impacto financeiro alto e dados que precisam ser validados. Essas condições favorecem o uso do Sistema 1 (automático) em vez do Sistema 2 (deliberado). Além disso, a familiaridade com processos antigos cria vieses de disponibilidade e hábito que são difíceis de questionar.
Como treinar um time de finanças para reconhecer vieses?
Educação contínua é a chave. Apresentar casos reais de decisões enviesadas em outras empresas (sem expor falhas internas) ajuda. Criar rituais de revisão retrospectiva ("por que essa decisão saiu diferente do esperado?") desenvolve autocrítica. Trazer externos — consultores, palestrantes — também ajuda porque quebram a visão única interna.
Qual é o papel da intuição em decisões financeiras se vieses a prejudicam?
A intuição não é vilã; é um input valioso quando combinada com dados. Um CFO experiente sente que algo está errado em um forecast — isso é intuição baseada em anos de padrões. O problema é usar só intuição. O ideal é: deixar a intuição alertar, depois validar com dados antes de decidir.
Como as emoções influenciam decisões de controladoria?
As emoções ativam o sistema límbico do cérebro, que prioriza sobrevivência e segurança. Um período de crise (vendas caindo, caixa apertado) pode levar a decisões muito conservadoras, como cortar investimentos em áreas que precisamente precisariam deles para crescer. Reconhecer que a emoção está operando — e criar espaço para respirar antes de decidir — ajuda.
É possível eliminar completamente os vieses cognitivos?
Não. Os vieses são parte do desenho do nosso cérebro. O objetivo não é eliminá-los, mas estar ciente deles e criar processos que os compensem. Um CFO que sabe que tende ao otimismo pode exigir stress tests em seus forecasts. O autoconhecimento + metodologia estruturada = melhor tomada de decisão, não perfeição.
Como dados e tecnologia podem reduzir vieses nas decisões?
Dados objetivos tiram a decisão da opinião pessoal. Um sistema de FP&A que mostra em tempo real a diferença entre o planejado e o realizado força a realidade no debate, reduzindo vieses de disponibilidade e ancoragem. Alertas automáticos sobre desvios também trazem atenção para o que realmente importa, não só o que está visível.

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