Orçamento de TI: 4 dicas de especialistas para tratar TI como investimento
Orçamento de TI: 4 dicas de especialistas para tratar TI como investimento
4 dicas de especialistas para o Orçamento de TI: Orçamento Base Zero, proximidade com a controladoria, tratar TI como investimento e o centro de custo de TI.
Sabemos que no último trimestre do ano, o Gerente de Tecnologia da Informação (TI) é responsável pela elaboração do orçamento do setor. Nesse período, além da preocupação de atingir as metas do ano corrente, ele precisa elencar seus planos e projetar os números para o ano seguinte. Mas um orçamento não é realizado em poucos minutos, ele necessita de horas de planejamento e são muitos os detalhes, por isso pensamos: “como auxiliar os gestores nesse momento?”
Então, criamos a Semana do Planejamento Orçamentário, um evento idealizado pela Treasy em parceria com diversas empresas, com foco em auxiliar os gestores das áreas de Marketing, Vendas, TI, RH e Atendimento a realizarem o orçamento. O evento ocorreu de 20/11/2017 até 24/11/2017 e contou com a presença de vários especialistas.
Depois de abordar o orçamento de Marketing e o de Vendas, o terceiro dia focou em Tecnologia da Informação (TI). A conversa foi com Bruno Cesar Silva (CEO na SuporTI), Bruno Ghisi (Co-founder e CTO na Resultados Digitais), João Vitor Schlindwein (Supervisor de TI na Lear Corporation), Junio Campos (Controller na Mundiale) e Walter Cavalcante (Controller na ERPFlex).
O bate-papo foi incrível! Os participantes compartilharam erros, acertos, dicas e tendências para trazer para você novas visões e muita inspiração. Listamos as principais dicas para você conferir e anotar. Mas caso queira ver o webinar na íntegra, pode acessá-lo neste link:
#01: Orçamento Base Zero (OBZ) ou Orçamento Base Histórica?
A maioria dos participantes disseram que costumam usar dados históricos para realizar o planejamento orçamentário do ano seguinte, mas o Bruno Cesar, da SuporTI, relatou uma situação curiosa. Embora não estejam no primeiro ciclo orçamentário, optaram por fazer o Orçamento Base Zero (OBZ). Segundo o executivo, amaturidadedo planejamento estratégico da empresa é quem define o orçamento, ou pelo menos deveria, por isso a escolha de retornar ao OBZ.
“Compreendemos que nos anos anteriores a TI não estava totalmente alinhada às estratégias empresa, por isso os dados históricos não eram tão confiáveis. Esperamos que o orçamento deste ano sirva, inclusive, de referência para os próximos orçamentos”, afirma Bruno.
Segundo ele,a TI responde uma demanda que a empresa gera, por isso é essencial que esteja alinhado com as metas para definir o orçamento. Isso inclui, pessoas, mas também licenciamento de softwares , aquisição e renovação de equipamentos, por exemplo. Especialmente, itens que crescem unitariamente a medida que crescem o número de funcionários da empresa. “Conseguir definir isso de maneira mais sólidas faz com que os orçamentos sejam mais precisos”, assegura o gestor. Se algumas demandas de TI estão atreladas com quantidade de pessoas, é essencial que o gestor tenha acesso ao planejamento deheadcountda empresa estipulado pelo RH.
Outro ponto interessante levantado pelo Bruno Ghisi, da Resultados Digitais, foi o fato de pensar o orçamento a longo prazo e em escala e não só para o ano seguinte. “A ideia é plantar as sementes num ano e poder continuar crescendo nos próximos”, explica ele.
#02: Proximidade com a controladoria
O profissional de TI João Vitor, destacou a importância de trabalhar bem próximo da controladoria. No caso dele, pelo fato de trabalhar numa multinacional, possui bastante liberdade para elaborar o planejamento orçamentário, mas o cuidado precisa ser redobrado quando o assunto é execução e controle do que foi orçado, por isso quanto mais perto da controladoria, melhor.
Em geral, as empresas estrangeiras acompanham de perto alguns indicadores, entre eles o Risco Brasil, que tem tido péssimo desempenho com os últimos acontecimentos políticos e econômicos. Consequência disso, é uma exigência ainda maior em relação a tudo que envolve o financeiro.
“Preparar o orçamento acaba sendo simples porque devolvemos para a operação que para garantir a qualidade que estão pedindo precisamos de X, por exemplo. Depois, a execução desse orçamento acaba sendo minuciosa e detalhada, seja porauditoriaou porSOX, porque temos que comprovar o uso correto, coerente e eficiente do que solicitamos, do que foi previsto”, afirma João. O gestor falou, ainda, que são feitas revisões mensais e que a controladoria exerce muito o papel de questionar a evolução financeira do setores.
#03: Olhar orçamento de TI como investimento
O Walter Cavalcante, da ERPFlex, lembrou o fato de que a maioria das empresas avaliam o orçamento de TI como um peso e não como um investimento. Aí está um grande erro. O controller citou uma pesquisa que mostrava que o trabalhador americano produz quatro vezes a mais que brasileiro e isso pode ser explicado pela tecnologia.
“Isso reflete as escolhas erradas das empresas, que afetam o crescimento delas. Por exemplo, uma empresa que perde venda ou deixa de acessar determinados mercados porque não tem um e-commerce, ela está deixando de crescer. Uma empresa que perde tempo nas rotinas administrativas porque não tem um sistema de gestão, está gastando mais do que devia. Para citar os erros mais comuns.”, conta Walter.
De certa forma, esse tipo de entendimento ocorre pela dificuldade de compreender que nem tudo trará Retorno sobre o Investimento (ROI). Unanimidade entre os participantes, alguns gastos da TI são difíceis de ser mensurados como a mudança de um servidor de e-mail, por exemplo, entrando como despesas no orçamento. Entretanto, são ações que possibilitam melhores condições de trabalho para as demais áreas e, por isso, deveriam ser considerados investimentos com Retorno de Valor Agregado.
O Junio Campos, controller na Mundiale, deu uma boa dica para o profissional defender as ações e iniciativas da área. “O especialista em TI sabe defender porque determinados programas ou ações, mas a dica é além de mostrar o que melhorar, saber os valores também, quanto melhora de tempo, quanto gera de retorno ou quanto reduz de custos, qual impacto, por exemplo”, diz ele.
#04: O que considerar no Centro de Custo de TI
Uma dúvida relativamente constante nas empresas é: o que deve ser orçado para o Centro de Custo da TI e o que deve ser lançado nos Centro de Custos dos setores? Uma sugestão dada pelos painelistas foi a de fazer o orçamento junto às áreas envolvidas, analisando a demanda de cada setor.
Cada setor sabe que programa ou equipamento irá precisar para executar as estratégias planejadas, assim, as áreas podem até enviar a sugestão de modelos, marcas e repassar valores compilar tudo e depois enviar para o controller ou gestor financeiro. Quando há essa interação, é possível até que os profissionais de TI consigam sugerir outras ferramentas, além das sugeridas.
Outra vantagem é o fato de estarem em contato com todas as áreas e tenham uma visão mais estratégica, o que permite identificar problemas e soluções com maior facilidade. Por exemplo, se um equipamento está dando problema em mais de um setor, pode ser que o fornecedor não atenda às exigências, por isso vai atrás de outro.
Por fim...
Um ponto reforçado por todos foi a necessidade de olhar para o futuro e estar bem alinhado com as metas e estratégias da empresa. Olhando para o passado, é certo que outras crises virão e a melhor forma de se preparar para elas é ter uma boa gestão e o orçamento cada vez mais maduro. Estar alinhado com as áreas permitirá o profissional de TI ser ousado nos investimentos, sempre olhando para o crescimento.
Se quiser conferir o webinar na íntegra e conferir outras dicas, basta clicar no banner:
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Perguntas frequentes
O que é Orçamento Base Zero (OBZ) e quando devo usar em vez do orçamento histórico?
Orçamento Base Zero significa começar do zero, sem se basear nos gastos anteriores. Use quando sua estratégia mudou significativamente ou quando os dados históricos não refletem mais a realidade do negócio. Por exemplo, se a TI estava desalinhada da estratégia da empresa nos anos anteriores, voltar ao OBZ garante um planejamento mais preciso para o futuro.
Como alinhar o orçamento de TI com a estratégia da empresa?
Comece entendendo quais metas a empresa definiu para o próximo período. A TI responde demandas geradas pela estratégia corporativa, então mapeie como seu departamento suporta esses objetivos. Isso inclui pessoas, licenças, equipamentos e qualquer investimento que escale conforme o negócio cresce. Sem esse alinhamento, o orçamento vira um chute.
O orçamento de TI deve considerar o crescimento de headcount?
Sim. Muitos itens de TI crescem proporcionalmente ao número de funcionários: licenças de software, equipamentos, infraestrutura. Por isso é essencial que o gestor de TI tenha acesso ao planejamento de headcount da área de RH antes de fechar o orçamento. Sem essa informação, você não consegue projetar com precisão.
Qual é a diferença entre planejar orçamento para um ano versus a longo prazo?
Planejar só para o próximo ano cria gastos reeativos. Pensar em escala e a longo prazo permite 'plantar sementes' em um ano que vão gerar retorno nos próximos. Por exemplo, um investimento em infraestrutura pode economizar licenças anuais depois. A visão de longo prazo torna o orçamento mais estratégico.
Por que a controladoria precisa estar próxima do gestor de TI?
Porque a controladoria não apenas aprova o orçamento, ela controla a execução dele. Se você elabora sozinho e só avisa no final, as chances de desvios aumentam. Trabalhar junto desde o planejamento garante que os critérios de aprovação estejam claros e que o controle mensal seja menos doloroso.
Como evitar erros comuns no primeiro ciclo orçamentário de TI?
Os participantes do evento destacaram que detalhes fazem diferença. Não pule etapas: mapeie todas as categorias (pessoas, hardware, software, infraestrutura), valide os dados com quem usa, e conecte cada item a uma necessidade real da estratégia. Pressa gera omissões que viram desvios depois.
É possível fazer orçamento de TI sem dados históricos?
Sim, mas fica mais difícil. Se você não tem histórico, use referências externas (benchmarks de setor), fale com gestores de empresas similares, e documente bem suas premissas. Isso torna o primeiro orçamento uma base sólida para os próximos. Depois você refina com dados reais.
Quem deve participar da elaboração do orçamento de TI?
No mínimo: o gestor de TI, a controladoria e o RH. Se possível, também representantes das áreas que recebem serviços de TI. Quanto mais perspectivas você traz, mais acertado fica o orçamento e menos surpresas no meio do caminho.
Como estruturar o orçamento de TI em categorias?
Organize por tipo de gasto: pessoas (salários, benefícios), software (licenças anuais, renovações), hardware (compra e manutenção de máquinas), infraestrutura (servidores, conectividade) e contingência (para imprevistos). Essa divisão facilita o controle mensal e ajuda a identificar onde está a maior pressão de custos.
Qual é a relação entre a maturidade do planejamento estratégico e o tipo de orçamento que devo fazer?
Quanto mais madura sua estratégia, mais você consegue usar dados históricos com confiança. Se a estratégia é nova ou mudou muito, o Orçamento Base Zero traz mais precisão. A maturidade define se o histórico é confiável ou não como ponto de partida.
Como validar se meu orçamento de TI é realista?
Compare com o histórico (o que gastei nos últimos anos), com benchmarks de setor (quanto empresas similares gastam), e mais importante: com a estratégia (isso que orçamento vai entregar realmente apoia os objetivos?). Se a resposta for não, o número pode estar certo mas desalinhado.
Devo orçamentar TI pensando em custos fixos ou variáveis?
Ambos. Custos fixos (salários, contratos anuais) são previsíveis. Custos variáveis (horas extras, consultoria extra, aquisições não planejadas) crescem com a demanda. O ideal é deixar uma margem para o variável sem deixar a margem tão grande que o orçamento vire 'genérico'.
Como lidar com demandas de TI que surgem do nada e não foram orçamentadas?
Primeiro, reduza 'do nada' mapeando bem as estratégias da empresa antes de fechar o orçamento. Segundo, deixe uma reserva (contingência) de 5% a 10%. Terceiro, tenha um processo claro de aprovação para demandas não-orçamentárias. Sem processo, você vira caixa de surpresas.
O que perguntar ao RH antes de fazer meu orçamento de TI?
Pergunte: quantos funcionários vocês esperam ter no próximo período? Há planos de expansão em áreas específicas? Há movimentação de equipes (pessoas saindo ou chegando)? Com essas informações, você consegue projetar quantas licenças, máquinas e infraestrutura serão necessárias.
Vale a pena investir em software enterprise mesmo com foco orçamentário curto?
Depende da estratégia. Se o plano é crescer, um software enterprise de 3 anos pode valer mais que trocar de ferramenta a cada ano. Mas não invista só 'porque é melhor' se a estratégia não exigir. Justifique o investimento dentro de um plano de longo prazo documentado.