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Rolling Forecast: o que é, vantagens, desvantagens e como implementá-lo

O Rolling Forecast (ou Orçamento Contínuo), é uma das metodologias de gestão orçamentária. Conheça mais sobre e veja se ele é indicado para sua empresa.

Neste artigo

O ano era 2020. Não importa o quão sólido era o planejamento financeiro de uma empresa, todas (ou pelo menos 99% delas), tiveram que jogar tudo pela janela. Apesar de esperarmos que aquele tenha sido o evento único em uma vida, é fato que o ambiente em que estamos inseridos é cada vez mais volátil.

Com a volatilidade, os times de finanças e controladoria precisam ser ágeis em ajustar-se às condições do mercado. Inflexibilidade do orçamento não combina com isso e, por essa razão, muitas empresas passaram a adotar o Rolling Forecast, ou Orçamento Contínuo.

Entenda tudo sobre ele a seguir.

O que é rolling forecast?

Orçamento contínuo

Rolling Forecast é uma metodologia de gestão orçamentária dinâmica que envolve planejamento contínuo e é comumente usada para cobrir períodos de 12 meses.

Na prática, quando um mês se encerra é feita a revisão do orçamento. Ao final do período sendo orçado é adicionado um novo mês, fornecendo uma espécie de “janela contínua” de eventos futuros.

Aliás, o termo “rolling” faz referência ao fato de que, conforme cada período for concluído (por exemplo, um mês), um novo período futuro é adicionado à previsão. Assim, a empresa conta continuamente com um budget de 12 meses estruturado pela frente.

Isso significa que, caso algo significativo aconteça no meio do ano, é relativamente fácil ajustar o orçamento e tomar decisões baseadas em fatos mais atualizados.

Mencionamos o horizonte de 12 meses, mas o Rolling Forecast também pode cobrir 18 ou 24 meses, possibilitando à controladoria e ao financeiro atualizarem as projeções mensalmente com base em dados reais mais atualizados.

Vale ressaltar ainda que a flexibilidade é uma das características de destaque do Orçamento Contínuo. Portanto, ele fornece maior visibilidade em um horizonte de tempo estendido. Por conta disso, ajuda empresas a se prepararem e mobilizarem com agilidade e eficiência para o que está por vir.

Entendido isso, você pode se perguntar: mas não é trabalhoso? Não vamos mentir para você: em comparação com o orçamento tradicional (estático), elaborar o Rolling Forecast dá mais trabalho. No entanto, após alguns meses o processo torna-se natural e existem diversas técnicas e ferramentas para facilitá-lo (mais abaixo falamos sobre isso).

Quais as diferenças entre Rolling Forecast e budget tradicional (orçamento estático)?

Já que citamos que o Rolling Forecast dá mais trabalho de ser elaborado do que o orçamento estático, vamos dar uma olhada nas principais diferenças entre ambas as práticas orçamentárias.

Para começar, na comparação com o orçamento estático, o Rolling Forecast é mais dinâmico e adaptável. Aquele, por sua vez, é mais fixo e voltado para estimativas inalteradas ao longo do período orçamentário.

Bom, mas além disso, existem duas questões importantes e que ressaltam as diferenças entre eles. Confira:

Elaboração

No orçamento estático, as peças orçamentárias (como receitas, despesas, investimentos etc.) são elaboradas a partir de volumes de vendas ou de produção prefixados. Com base nisso são criados os Orçamentos de Gastos com Pessoal, Orçamentos de Vendas, Orçamento de Despesas Operacionais, Orçamento de Marketing e Orçamento de Investimentos, por exemplo.

Assim que a versão final do orçamento é concluída, não se espera fazer alterações em nenhuma peça orçamentária. Ou seja, o orçamento estático é engessado. Importante destacar que, como gostamos de citar no blog da Treasy, ele não é feito em pedra, o que significa que apesar de ser engessado, possibilita revisões orçamentárias.

A diferença é que, no orçamento contínuo, como você viu, assim que um mês se encerra, a revisão do orçamento é realizada e um novo mês é adicionado ao horizonte de previsão. Dessa maneira, o Rolling Forecast possibilita atualizações frequentes.

Já no budget tradicional as revisões são conduzidas em períodos pré-estabelecidos, como por trimestre ou semestre. Muitas empresas têm dificuldades em realizá-las e para abordarmos o assunto, batemos um papo com Ronaldo Nuzzi, CEO da Thompson Management Horizons, no qual ele dá dicas.

A conversa faz parte de um dos episódios do Controller Cast. Para ouvi-la, é só clicar aqui ou dar um play abaixo:

https://soundcloud.com/controller-cast/como-fazer-revisao-orcamentaria?utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing

Capacidade de reagir

Outra diferença entre o Rolling Forecast e o budget estático está na identificação de tendências. Enquanto o primeiro enfatiza as tendências ao longo do tempo, o segundo é focado em estimativas fixas para o período orçamentário.

Em outras palavras, o orçamento tradicional não foca nas mudanças que podem ocorrer. Já o contínuo possibilita ao financeiro e à controladoria identificar padrões e tendências.

Isso quer dizer que o tempo de resposta que uma empresa leva para reagir face a uma mudança de mercado é muito menor no Rolling Forecast.

Quais são as vantagens e desvantagens do Rolling Forecast?

Antes de escolher qualquer metodologia de gestão orçamentária é preciso conhecer seus pontos fortes e fracos. Pensando nisso, selecionamos os principais benefícios e pontos negativos do Rolling Forecast:

Vantagens do Rolling Forecast

Para empresas que atuam em segmentos mais dinâmicos e voláteis, como tecnologia, e/ou de produtos de vida curta, como varejo, o Rolling Forecast pode ser bastante indicado. O motivo é que ele permite que as projeções estejam alinhadas às variações de mercado.

Dito de outra maneira, o Rolling Forecast tem o benefício de permitir um mapeamento de cenários de modo mais estratégico. Isso resulta em uma melhor previsão dos riscos e das oportunidades em longo prazo (mais de 12 meses para frente), o que dá um suporte essencial às tomadas de decisão mais bem informadas.

Por ser flexível e permitir revisões orçamentárias continuamente, o Rolling Forecast demanda que empresas revisem suas estratégias ao longo do ano. Essa característica contribui para negócios mais adaptáveis e mais bem alinhados com o contexto.

Outro destaque do modelo é o fato de ele possibilitar um planejamento financeiro de médio a longo prazo sempre atualizado, o que é o mesmo que dizer que o planejamento e a revisão são constantes.

Desvantagens do Rolling Forecast

Para colocá-lo em prática é imprescindível que haja engajamento dos envolvidos. Isso requer um consumo de tempo que pode ser visto como um ponto negativo (especialmente porque o planejamento e acompanhamento é realizado a cada mês). Além do mais, ele exige um esforço constante para coleta e análise de dados.

Um outro fator negativo do Rolling Forecast é a qualidade dos dados. Se eles estiverem incorretos, a precisão das análises será altamente prejudicada. A coleta também pode ser um problema, especialmente se há falta de padronização entre os departamentos.

Ainda, para negócios que não possuem tantas variações e que não são considerados voláteis, o Rolling Forecast pode não ser indicado.

Como adotá-lo na sua empresa?

Para adotar o Rolling Forecast na sua empresa é preciso considerar estes itens:

  • Defina os objetivos, os quais devem estar sempre em primeiro plano na hora de fazer as revisões;
  • Defina o horizonte de tempo, que pode ser o período de 12 meses, mas pode ter ciclos mais curtos, como 8 ou 6 meses, por exemplo;
  • Crie uma cultura de entrega de relatórios mensais de forma ágil;
  • Determine quando as revisões serão feitas (mensal ou trimestralmente);
  • Analise o que está impulsionando receitas e despesas;
  • Considere os fatores externos que impactam no orçamento;
  • Garanta que o Rolling Forecast converse com o Planejamento Estratégico, Tático e Operacional;
  • Certifique-se de que os números tenham um “porquê” (veja aqui como contar a história do seu orçamento);
  • Monitore a implementação do Rolling Forecast, avalie a precisão das previsões e faça os ajustes necessários.

Existem ainda outras dicas que já abordamos em outra oportunidade. Veja mais em:

Como a tecnologia pode ajudar no processo?

Uma coisa é certa: por mais que o Excel seja uma ferramenta poderosa, os níveis de dinamismo e colaboração exigidos para colocar em prática o Rolling Forecast não são suportados por ele.

Imagine ter que coletar todas as informações, inseri-las e ter que lidar com as atualizações mensais no orçamento. Só o fato de existir o risco de alguém estar analisando uma planilha desatualizada, já representa um grande problema na precisão das análises.

Somado a isso, a inserção manual de dados é um processo tedioso. Por melhores que sejam os profissionais executando a tarefa, é normal que erros ocorram. Uma solução de gestão orçamentária automatiza esse processo, considerando automaticamente todas as variáveis envolvidas.

É o caso do Treasy, que possibilita:

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Concluindo

Com um mercado volátil e dinâmico, as empresas já perceberam que precisam ter agilidade no processo orçamentário. Considerando isso, muitas podem ter no Rolling Forecast a metodologia ideal.

Isso porque, como você viu aqui, no lugar de criar um orçamento estático para um período específico, como um ano fiscal, o Rolling Forecast prevê um horizonte de tempo no futuro e atualiza regularmente as previsões.

Contudo, existem outras metodologias que podem ser adotadas pelo seu negócio. Abordamos as 8 principais em um e-book que ajudará você a decidir qual é a mais indicada para a sua empresa.

Baixe o material gratuitamente! É só clicar na imagem abaixo:

E-book Definindo a metodologia de Gestão Orçamentária ideal para sua empresa

Perguntas frequentes

Rolling Forecast é a mesma coisa que orçamento tradicional?
Não. O orçamento tradicional (estático) é fixo e feito uma vez por ano, sem alterações. Rolling Forecast é dinâmico: a cada mês que passa, você remove esse mês do planejamento e adiciona um novo mês no futuro, mantendo sempre uma visão de 12 meses à frente. É como mover uma janela que nunca fecha.
Para qual horizonte de tempo o Rolling Forecast funciona melhor?
O padrão é 12 meses, mas pode ser 18 ou 24 dependendo do seu negócio. Empresas em setores muito voláteis (tecnologia, varejo, logística) costumam usar 12 meses. Negócios mais previsíveis podem optar por 18 ou 24 meses. O importante é que o horizonte seja longo o suficiente para tomar decisões estratégicas, mas curto o suficiente para ser atualizado com frequência.
Qual é a principal vantagem do Rolling Forecast?
Agilidade. Quando algo muda no mercado (crise, oportunidade inesperada, mudança regulatória), você não fica preso a um orçamento de um ano inteiro. Você atualiza mensalmente com dados reais e toma decisões baseado em informação fresca, não em projeções de 12 meses atrás.
Rolling Forecast dá muito trabalho para implementar?
No começo, sim. Você precisa revisar e atualizar o orçamento a cada mês, o que é mais trabalhoso que fazer uma vez por ano. Mas após 2 ou 3 ciclos, o processo vira rotina. Além disso, usar a ferramenta certa (como um software de FP&A) reduz drasticamente o tempo manual gasto em recalcular números.
Como funciona na prática a atualização mensal do Rolling Forecast?
Simples: no final de janeiro, você fecha os números reais de janeiro, remove janeiro da projeção, e adiciona janeiro do próximo ano. Assim você mantém sempre 12 meses de visibilidade. Você atualiza as receitas e despesas dos meses seguintes com base no que realmente aconteceu e nas novas condições do mercado.
Preciso abandonar completamente o orçamento tradicional para usar Rolling Forecast?
Não necessariamente. Algumas empresas mantêm um orçamento anual para fins contábeis e regulatórios, mas usam Rolling Forecast para gestão operacional. Outros fazem o Rolling desde o início. Depende da maturidade financeira e dos requisitos regulatórios da sua empresa.
Rolling Forecast é indicado para pequenas empresas?
Sim, especialmente se você atua em segmentos com demanda instável. Uma pequena empresa que vende para varejos, por exemplo, pode se beneficiar muito de atualizar o orçamento mensalmente. Mas se sua receita é muito previsível (contratos anuais fixos), talvez o orçamento tradicional seja suficiente.
Qual a desvantagem de usar Rolling Forecast?
Além do trabalho mensal, você corre o risco de nunca ter um 'fechamento' oficial do planejamento se a empresa estiver sempre ajustando. Também requer mais rigor nas bases de dados e no acompanhamento real versus planejado. Se os dados de entrada forem ruins, as projeções contínuas também serão.
Como começo a implementar Rolling Forecast na minha empresa?
Comece mapeando sua estrutura de contas e definindo as dimensões (departamento, centro de custo, linha de produto). Depois, estabeleça quem vai atualizar o quê a cada mês. Em seguida, execute o primeiro ciclo — pode ser com a ferramenta que você tem hoje, mas depois considere migrar para um software que automatize cálculos e comparações de P×R (planejado versus realizado).
Qual software é melhor para implementar Rolling Forecast?
O ideal é uma plataforma de FP&A que permita versionamento de cenários, atualização colaborativa e cálculos automáticos de variações. Ferramentas genéricas (tipo planilha) funcionam, mas ficam lentas e propensas a erros quando você está atualizando 12 meses continuamente. Escolha algo pensado para gestão orçamentária contínua.
Rolling Forecast substitui análise de cenários?
Não. Rolling Forecast é o 'cenário base' que você atualiza mês a mês. Análise de cenários é quando você cria '3 futuros possíveis' (pessimista, realista, otimista) para se preparar para diferentes outcomes. Os dois caminham bem juntos: o Rolling é a sua bussola, os cenários são o seu plano B.
Com Rolling Forecast, preciso fazer reunião de orçamento todo mês?
Não necessariamente. Algumas empresas fazem uma reunião rápida de revisão (30–45 minutos) com os gestores. Outras só fazem reunião se houver desvio significativo. O importante é que os dados sejam atualizados mensalmente; a reunião é opcional dependendo da sua governança.
Rolling Forecast funciona bem em período de crise econômica?
Funciona muito bem. Justamente em crises é quando o Rolling Forecast mostra seu valor: você consegue atualizar receitas e despesas com base em dados semanais ou quinzenais (não só mensais) e ajustar gastos rapidamente. Orçamento estático em crise é praticamente inútil.
Qual a frequência ideal de atualização do Rolling Forecast?
O padrão é mensal, que combina com ciclos de fechamento contábil e com a maioria dos sistemas. Alguns negócios em setores muito dinâmicos (como agências de publicidade ou ecommerce) fazem atualizações a cada 2 semanas. Mais que mensal geralmente não compensa o overhead.
Rolling Forecast perde valor se a volatilidade do mercado for muito alta?
Ao contrário. Quanto maior a volatilidade, mais valor tem. Se seu mercado é estável, projeções de 12 meses feitas agora ainda vão estar válidas em setembro. Se o mercado é turbulento, aquelas mesmas projeções estarão obsoletas em 3 meses — e aí Rolling Forecast brilha.
É possível usar Rolling Forecast com centros de custo diferentes?
Sim. Na verdade, é o ideal. Você estrutura o Rolling por centros de custo (ou departamento, linha de produto, filial — o que fizer sentido para você), e cada gestor atualiza sua seção. Depois consolida tudo para ver o impacto no resultado geral da empresa.
Rolling Forecast ajuda a melhorar cash flow?
Muito. Como você revisa fluxo de caixa mensalmente com dados reais atualizados, consegue antecipar falta de caixa com mais precisão. Em um orçamento estático, você descobre a falta de caixa quando ela já aconteceu. Com Rolling, você vê vindo.

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