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Concluindo

Recuperação de empresa em crise: Descubra como estar preparado para reerguer seu negócio mesmo durante uma crise financeira.

Neste artigo

Ninguém esperava que, no ano de 2020, passaríamos por uma das maiores crises já vistas no mundo. O cenário é alarmante e tem motivos para ser. Diversas empresas fecharam, ou estão neste processo ou demitindo seus funcionários, por exemplo. Os pequenos e médios empreendedores estão recorrendo a mais créditos bancários para permanecer operando - créditos esses que sabemos que podem ajudar dando mais fôlego ao negócio. Entre diversas outras atitudes que já reforçamos em outros conteúdos para passar por esse período sem fechar as portas.

O momento pede cautela e não desespero. Posso fazer um bom paralelo com um bombeiro em um incêndio, onde ele tem total cuidado e estratégias para apagar o fogo. Nunca entrando em crise ou desesperando seus resgatados. Por isso, vou dar algumas dicas de como recuperar seu negócio da crise com estratégias primordiais para a sua empresa.

Boas práticas para a recuperação de empresa em crise

No caso das empresas, mesmo com a economia retraindo, é possível manter os negócios operando apesar das dificuldades vividas no momento. Para quem não quer estar no vermelho, uma boa notícia: esse é sim um dos melhores momentos para reorganizar seu orçamento e suas estratégias de planejamento.

Esse também é um bom momento para refazer as finanças, pois com a proximidade do fim de contratos que foram firmados, pode-se pensar em novas formas de dinamizar seus custos e despesas. Um bom exemplo é quando seus contratos assinados estão prestes a expirar, podendo ser revisados, revendo valores e até mesmo a procedência do acordo.

Mesmo com todo o ânimo e fôlego do início de um novo planejamento, em um período de crise mundial, o cenário muda. Todo projeto feito anteriormente por uma empresa pode, muitas vezes, ir por água abaixo caso não exista uma boa gestão orçamentária e uma simulação correta de diversos cenários.

Mesmo dentro da escola, não temos uma educação financeira e não aprendemos a fazer um controle econômico básico. Ou seja, não temos a noção de que devemos gastar menos do que ganhamos.

Por isso que em uma empresa, torna-se tão complicado. Nela, envolve premissas mais profundas e detalhadas como capital de giro, datas de pagamento e de recebimento e salários de funcionários, entre outros. Mesmo com todas essas informações necessárias, muitas empresas não possuem todos os recursos para mensurar os seus resultados.

Se em cenários positivos isso pode ser um indicativo de problema, em momentos de crise financeira não saber como agir significa a derrocada do negócio. Porém, se teve uma coisa que a crise do Coronavírus trouxe, entretanto, foi uma maneira peculiar de o empresário se reinventar.

E essa reinvenção não está somente em trazer soluções novas para a empresa, mas também está em recuperar modelos de aprendizado, revisá-los e reaplicá-los no negócio. Nós, aqui da Treasy, separamos algumas estratégias que podem ser verdadeiros coringas na hora de recuperar a empresa. Quer saber quais são?

5 dicas estratégia para recuperação de empresa em crise

1) Defina como está sua situação atual

Antes de mais nada, é preciso saber em que ponto a sua empresa está. Sabendo disso e tendo este ponto bem definido, é possível estabelecer para onde quer ir. Muitos empreendedores ficam postergando o momento de definição e controle financeiro. Essa demora pode custar tempo e dinheiro lá na frente. Uma vez que essas medidas são deixadas em segundo plano, as dívidas podem se acumular, colocando a empresa em uma situação delicada.

Saber em que ponto o negócio está é diretriz pimária para definir aonde se quer chegar. Um bom diagnóstico é fundamental para que sejam tomadas as ações corretas a fim de sanar os problemas. Faça uma avaliação profunda das finanças da organização, mapeando criteriosamente tudo que entra, tudo que sai e quanto sobra no final (ou quanto fica negativo).

2. Defina uma meta primária (OMTM)

Pense em um time de futebol que participa de vários campeonatos ao mesmo tempo. Inevitavelmente, chegará o momento que o time precisará focar naquele que considera o mais importante.

Agora, imagine uma empresa que queira crescer no faturamento em 30% neste ano e, ao mesmo tempo, diminuir as despesas em 20% no mesmo período. Você vai concordar que para aumentar o faturamento é necessário investir em marketing, contratar mais profissionais, investir em tecnologia e capacitação, então as despesas tendem aumentar. Isso significa que não tem como focar nessas duas coisas. A empresa do nosso exemplo precisará direcionar suas energias para uma única métrica que importa.

Essa métrica em especial é mais conhecida pelo seu termo em inglês: One Metric that Matters (ou OMTM).

A empresa precisa identificar a meta mais importante do negócio. Perceba que “One Metric that Matters” inevitavelmente vai obrigar você a identificar o problema principal no qual sua empresa deve se concentrar. Com um único objetivo para se preocupar, você vai concordar que o foco da empresa vai ser 100% direcionado.

Algumas vantagens do método OMTM incluem:

  • Eliminar dúvidas e incertezas que podem estar barrando sua empresa de atingir os resultados desejados;
  • Eliminar perda de tempo em ações que não trarão resultados;
  • Fornecer uma resposta para aquilo que você considera como sendo a meta mais importante do seu negócio;
  • Garantir que toda a empresa foque seus esforços rumo a um objetivo único.

3) Planejamento Orçamentário na recuperação de empresa em crise

Após a definição da OMTM, é hora de planejar a execução com base no orçamento da empresa. Com o planejamento concluído, é hora de pensar no que precisa ser feito para que as metas sejam alcançadas e quais recursos são necessários para que a empresa consiga chegar ao seu destino. É aí que entra o planejamento orçamentário.

Se já sei onde devo ir, estabeleci os meios a serem utilizados e entendi o que é preciso para alcançar meus objetivos, agora, já posso calcular os valores necessários para financiar todo esse planejamento.

No planejamento orçamentário de uma empresa é realizada uma estimativa de receitas para um determinado período e, com base nesses dados, define-se de que forma os recursos serão aplicados. Em outras palavras, tendo-se uma noção dos valores que terão à disposição, os profissionais responsáveis pelo orçamento decidem quanto e onde vão aplicar o dinheiro para alcançar seus objetivos estratégicos.

É nesse momento que são definidas algumas prioridades. Uma empresa que deseja aumentar sua base de clientes em 50% em 5 anos, por exemplo, pode definir as áreas de marketing e vendas como prioridades para investimentos mais pesados. Sem, claro, deixar de alocar recursos nos outros setores. O plano orçamentário serve para garantir essas diretrizes.

Assim, a empresa vai conseguir aproveitar a qualidade que o produto já possui e aumentar o alcance de sua marca, por exemplo, chegando a mercados nos quais ainda não tinha uma presença tão expressiva quanto desejava.

4) Simulação de Cenários

Sempre que vamos tomar uma decisão pessoal, o natural é pedirmos conselhos de pontos de vista diferentes e incluindo variados contextos justamente para termos opções de escolha. Com isso, fica fácil e intuitivo agir independente da situação, seja ela favorável ou não.

Com uma empresa não seria diferente, porém nesse caso usamos dados mais precisos: o histórico de resultados do negócio. Assim, a necessidade de avaliar por diferentes situações se traduz na simulação de cenários. Esta simulação te ajuda a prever, com base em dados, e definir qual é o melhor caminho a ser tomado.

A prática de simular cenários consiste basicamente em partir de um planejamento base já existente e criar diversos modelos derivados deste, onde são alteradas variáveis-chave para o modelo de negócios da empresa. A partir disso, são avaliados os impactos no resultado econômico-financeiro.

Estas variáveis podem ser internas (controladas) ou externas à empresa (que devem ser previstas) e são bastante conhecidas também como premissas orçamentárias.

Alguns exemplos de premissas que podem ser utilizadas para construir cenários em sua empresa são:

  • Abertura de novos canais de distribuição (impacto nas vendas);
  • Inclusão ou exclusão de produtos em seu mix (impacto nas vendas);
  • Contratação de novos vendedores (impacto nas vendas e nas despesas);
  • Redução de custos (impacto na rentabilidade);
  • Corte ou contratação de pessoal (impacto na lucratividade);

Este tipo de análise também pode ser utilizada para tomar decisões mais simples, como realizar a aquisição de um novo equipamento ou a contratação de uma pessoa. O importante é que os gestores tenham o hábito de construir cenários futuros e avaliar os ganhos e perdas de cada ação, antes de tomar qualquer decisão.

5) Execução, controle e revisão

Esta é a famosa etapa “mão na massa”, onde tudo que foi orçado e planejado dentro da empresa é colocado em prática. Neste momento, tudo que foi analisado é colocado em ação. Se a empresa orçou determinado valor para a contratação do time de marketing, essa é a hora de recrutar os funcionários. Se o cenário não está tão positivo, agora é o momento de rever as simulações e colocar em prática aquela que mais se adeque ao momento.

Na execução, é quando sabemos se realmente tudo que foi planejado está dentro do escopo e das reais possibilidades de entrega da empresa. É neste momento que, além de executarmos tudo que foi definido, devemos controlar os indicadores para avaliar o que está dando certo (neste caso, podendo até replicar) ou corrigir aquilo que está dando errado.

Após a execução e o controle, vem a parte da revisão, que pode ser feita de tempos em tempos e serve justamente para você saber se tudo que foi planejado foi realmente executado.

É na revisão que também são feitos novos planos de ação, dependendo da necessidade de cada empresa. Conforme é feito a revisão, é determinado se é preciso fazer um novo plano ou se é necessário apenas reajustar alguns pontos do já existente.

Concluindo

Neste artigo, vimos a importância de ter um bom plano de ação mesmo em momentos de crise. Partindo da definição da meta primária até a execução e revisão do plano, cada etapa se mostra importante e vital para o sucesso da empresa.

Toda semana publicamos aqui artigos relacionados a planejamento, orçamento e acompanhamento econômico-financeiro. Também publicamos mensalmente materiais gratuitos para download como modelos de planilhas e e-books.

Além disso, estamos publicando uma série de conteúdos sobre como manter sua empresa operando mesmo diante de cenários de crise financeira, como o que atualmente estamos vivenciando. Não perca esses e outros materiais.

Se artigo fez sentido para você, saiba que todos os conceitos foram baseados em nossa Metodologia . E se você quiser aplicar esse método na sua empresa, clique aqui e fale com um especialista agora mesmo.

Perguntas frequentes

Como saber se minha empresa está realmente em crise financeira?
Observe se está gastando mais do que recebe, se os prazos de pagamento aos fornecedores estão sendo adiados, se o caixa está negativo ou se faltam recursos para pagar folha. Quando esses sinais aparecem juntos, não é apenas uma dificuldade passageira — é hora de agir rápido.
Por onde começo se minha empresa está em crise?
Primeiro, pare e faça um diagnóstico: quanto você deve, quanto recebe, quanto gasta todos os meses e quando vence cada compromisso. Só vendo esse cenário completo e real é que você consegue desenhar um plano de ação. Muitos empreendedores pulam essa etapa e ficam tomando decisões no escuro.
Vale a pena renegociar contratos com fornecedores durante uma crise?
Vale muito. Se seus contratos estão perto de vencer, é o momento certo de sentar com fornecedores e conversar sobre prazos, valores e volumes. Fornecedor prefere receber menos mas receber, do que ver o cliente fechar. Seja honesto sobre o cenário e procure ganhos mútuos.
Preciso demitir funcionários para sair da crise?
Demissão é a última válvula de escape, não a primeira. Antes, considere redução de jornada, férias coletivas, renegociação de salários com base em desempenho ou até reposicionamento interno. Se mesmo assim a conta não fechar, aí sim você avalia. Mas sempre com cuidado e planejamento.
Como fazer um planejamento financeiro em tempo de crise?
Comece com números reais, não esperançosos. Projete receita pelo pior cenário possível, não pelo que você espera. Depois, liste toda despesa fixa e variável. A diferença entre receita pessimista e despesa real é seu espaço de manobra. Use isso para cortar, renegociar ou buscar novas receitas.
Devo fazer empréstimo bancário para sair da crise?
Empréstimo é oxigênio, não cura. Use apenas se tiver um plano concreto de como esse dinheiro vai gerar mais receita ou economizar custos no futuro. Se for só para tapar buraco, em 6 meses você volta na mesma situação, agora com mais dívida.
Qual é a diferença entre crise e dificuldade financeira?
Dificuldade é passageira — um mês ruim, um cliente que atrasou. Crise é estrutural — seus custos estão desalinhados com a receita, seus modelos não funcionam mais ou o mercado mudou e você não acompanha. Na crise, mudar números não resolve; você precisa mudar estratégia.
Preciso de um software para gerenciar a crise ou uma planilha resolve?
Em cenários simples, planilha organiza. Mas em crise, quando você precisa de velocidade, de múltiplos cenários testados rápido e de dados que atualizam sozinhos, planilha vira seu inimigo — consome tempo que você não tem. Um sistema FP&A deixa você focar em decisão, não em digitar números.
Como revisar meus custos sem prejudicar a qualidade do produto?
Nem todo custo reduzido prejudica qualidade. Revise contratos, desperdício, processos ineficientes, fornecedores alternativos. O corte que dói é só aquele que você deixa de fazer sem pensar. Mapear tudo antes de cortar é a diferença entre se recuperar e quebrar algo importante.
Minha empresa está em crise há meses. Quando devo pensar em fechar?
Antes de fechar, teste: (1) Você consegue identificar exatamente onde estão seus vazamentos de caixa? (2) Tem 3 ações concretas para reverter? (3) Alguém com experiência revisou seu plano e disse que é viável? Se respondeu sim aos três, ainda há esperança. Se respondeu não, procure um consultor ou uma auditoria antes de desistir.
Como monitorar se meu plano de recuperação está funcionando?
Escolha 3 métricas simples: caixa, margem e dias de recebimento. Acompanhe semana a semana (não espere o mês terminar). Se em 4 semanas você vê melhora nessas três, o plano está funcionando. Se não vê, ajuste rápido — em crise, velocidade é tudo.
Vale a pena reinventar o modelo de negócio durante uma crise?
Depende da urgência. Se está morrendo de fome, reinventar é luxo — primeiro resolve o imediato. Mas ao mesmo tempo que você estabiliza, comece a pensar no próximo modelo. Crise força aprendizado rápido. Muitas empresas que sobreviveram saíram maiores porque tiveram que inovar.
Como manter o moral da equipe se a empresa está em crise?
Transparência funciona melhor que pedir sigilo. Explique a situação real, o plano de ação e qual é o papel de cada um na recuperação. Funcionário assustado rende pouco; funcionário informado e engajado rende muito mais. E cumpra com os compromissos que fizer — se prometeu salário no dia X, pague.
Qual é o tempo médio de recuperação de uma empresa em crise?
Não existe tempo médio. Depende da severidade, do seu mercado, do quanto você consegue mudar rápido e se tem caixa para aguentar. Algumas saem em 3 meses, outras levam 18. O importante é medir progresso todo mês, não tentar adivinhar o futuro.
Devo fazer corte de custos ou buscar aumentar receita durante a crise?
Faça os dois, mas não ao mesmo tempo. Primeiro, estanque a hemorragia cortando o que é claramente desnecessário — isso dá fôlego imediato. Depois, com pulmão mais tranquilo, você pensa em novas receitas. Correr atrás de cliente novo enquanto a casa queima nunca deu certo.
Como minha empresa em crise consegue crédito no banco?
Bancos querem ver números reais, fluxo de caixa projetado com clareza e um plano de uso do dinheiro. Se você chegar com planilha bagunçada e promessas vagas, é não. Se chegar com dados concretos e um plano que faz sentido, as chances melhoram bastante. Leve um especialista junto se não souber montar o números.
É melhor vender ativos ou pedir empréstimo para se recuperar?
Vender ativo é morte lenta — você está vendendo futuro por grana de hoje. Empréstimo é melhor, mas só se realmente vai gerar retorno. Questão mais importante: por que está vendendo? Se é porque não tem receita, vender ativo não resolve nada. Foca em gerar receita de novo.
Como identificar se a crise veio do mercado ou da gestão interna?
Olhe para seus concorrentes. Se todos estão sofrendo, é mercado. Se alguns estão bem enquanto você cai, é você. Resposta real? Provavelmente os dois — crise mercado bate em gestão fraca e causa estrago. Por isso que em crise, mexer na gestão faz mais diferença que você imagina.

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