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Controller Cast #38 – Profissionalização de Empresas Familiares

Confira no podcast como a Controladoria e o Orçamento podem ser peça-chave na profissionalização de empresas familiares (com dicas e exemplos reais)

Neste artigo

Capa episódio 38 Controller Cast dedicado à gestão emocional em empresas familiares profissionalizadasElas são responsáveis por nada menos que 65% do PIB e empregam 75% dos brasileiros, nada mal, né? Por isso abordar a Profissionalização de Empresas Familiares é pra lá de importante no Brasil.

As empresas com Gestão Familiar estão por toda a parte.

Se por um lado essas empresas criam uma cultura forte e uma execução primorosa, do outro elas também enfrentam (além dos desafios comuns de todo negócio) a relação dos laços familiares, a profissionalização, a sucessão do negócio e outros desafios bem particulares.

Hoje no episódio #38 do Controller Cast a consultora Theani Marcelino compartilha sua experiência em apoiar a profissionalização de negócios familiares, abordando o papel da Controladoria e do Orçamento Empresarial como um grande facilitador do processo.

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Se você ainda não conhece, o Controller Cast é um podcast onde discutimos temas de Finanças e Controladoria ou de interesse dessas áreas, trazendo ideias e exemplos práticos. Tudo por meio de entrevistas com profissionais que estão fazendo a diferença no mercado.

Agora você também pode nos ouvir no Spotify, Deezer e iTunes Podcast! Ouça também os episódios anteriores:

Theani Marcelino consultora Treasy em podcast controller especialista gestão empresas familiares Theani Marcelino atua com Administração Financeira há mais de 22 anos, é contadora de formação mas especializou sua atuação na Administração Financeira. Grande parte de sua carreira tem sido dedicada a empresas familiares, onde já trabalhou na criação e aperfeiçoamento de processos financeiros, implantação de sistemas de controle financeiro entre diversas outras atividades de profissionalização da gestão, e foi essa vivência que despertou a paixão pela Controladoria Financeira, área onde atua hoje. Confira um resumo dos tópicos que conversamos com a Theani e ouça no podcast a conversa na íntegra:

    • Theani, nas empresas familiares que você atuou, o que você enxerga como pontos fortes e fracos do modelo?

    Compromisso com o negócio : A maioria das empresas familiares são criadas com o objetivo de subsistência da família e por isso há um grande comprometimento dos fundadores e paixão pelo negócio, é o trabalho de uma vida inteira,não é toa que a história destas empresas nos inspiram tanto, ainda mais em um país que tem um histórico de tanta dificuldade em empreender, com certeza um dos pontos mais fortes das empresas familiares é a superação, os sacrifícios que foram feitos para que elas se tornassem realidade.  Confiança : Se a empresa cresce e se desenvolve a vida da família melhora  Construção de um Nome : Gera credibilidade e senso de pertencimento, não só pelos membros da família, mas toda a comunidade onde essa empresa se desenvolve, é normal dizer que a empresa toda vira uma “ grande família “. Onde existe essa união, existe também superação.  Legado : O desejo de honrar os fundadores  Alguns pontos fracos são: Relações empresariais e familiares são confundidas : Dificuldade de separar as relações pode fazer com que decisões sejam tomadas, mais pelo vínculo emocional do que de forma corporativa. Ou até gerar conflitos entre a família fora do ambiente empresarial.  Pessoas da família inseridas na gestão sem habilidades para funções gerenciais: As pessoas assumem posições na empresa pela “confiança“ e não pelas habilidades profissionais.
    • Quais os principais desafios de uma empresa familiar?

    Esses são muitos, como toda gestão já tem seus desafios diários, acrescente a estes: A confusão patrimonial e a sucessão empresarial são desafios que afetam, inclusive, dois princípios contábeis: entidade e continuidade. Existe o desafio da inovação do mercado, as empresas são criadas para suprirem dores do mercado, muitas vezes o mercado muda e a empresa não. A gestão de conflitos de interesses entre os membros da família que são donos também é um desafio. 
    • Especificamente nas finanças e na gestão de resultados, o que você mais enxerga de desafio neste modelo?

    A resistência a mudanças, sejam tecnológicas ou de gestão mesmo. Quando se inicia um processo de controle de gestão é comum os membros da gestão se sentirem ameaçados, confundindo o acompanhamento dos processos com falta de confiança. Como em sua maioria, não há transição dos gestores, é comum ocorrer um certo comodismo em relação a melhoria dos processos, o famoso sempre foi feito assim, acaba impedindo a empresa de se desenvolver e melhorar. 
    • Quando uma empresa familiar enxerga a necessidade de profissionalização?

    Não é uma unanimidade, mas é comum só perceber essa necessidade quando por muitos motivos diferentes a empresa está gerando resultados negativos por um período, quando o dinheiro começa a faltar no caixa, é mais fácil captar do que descobrir o tamanho do furo do balde, e sem uma gestão financeira bem estruturada pode demorar um pouco para encontrar e tapar o furo. Quando chega neste ponto é comum o endividamento já estar em um grau muito elevado. 
    • Como a profissionalização da gestão da empresa familiar pode acontecer?

    Primeiro é preciso reconhecer que há necessidade de ajuda de profissionais habilitados na área, quando a empresa percebe que não tem na diretoria pessoas aptas para isso, é comum procurar um administrador do mercado para fazê-lo.  Em casos extremos é necessário remover o poder dos diretores, porque eles têm uma tendência de fazer o que sempre fizeram, por isso muitas vezes apenas uma consultoria não resolve.
    • Como o Orçamento Empresarial pode ser um aliado das empresas familiares?

    O Orçamento empresarial ajuda a traçar metas baseada na realidade do negócio e com o acompanhamento consegue-se identificar os pontos de melhoria. Muitas empresas também não fazem o planejamento estratégico, não pensam nos riscos e premissas do negócio, e essa é a base do orçamento empresarial. É comum alguns clientes nossos ficarem muito espantados quando começamos a levantar esses assuntos e os ganhos já começam por aí. Além disso, o orçamento empresarial obriga a empresa a fazer adequações nos processos e nos sistemas de informação gerencial, que muitas vezes são negligenciados com as rotinas diárias. A própria apuração do resultado econômico é algo que não é praticado por grande maioria das pequenas empresas, e esta é uma premissa para a gestão orçamentária.
    • O acompanhamento orçamentário entre gestores da mesma família costuma ser estressante? Quais dicas você pode dar para tornar esse processo mais produtivo?

    Sim muito estressante, pois como falamos anteriormente, o controle orçamentário pode ser visto pelos gestores da família como uma cobrança ou falta de confiança. 1 - Respeitar a história da empresa e de quem a fundou; 2 - Enfatizar o objetivo do acompanhamento orçamentário, que é o atingimento da meta principal da empresa. Se a empresa atingir os resultados, todos ganham; 3 - Separar os interesses empresariais dos interesses pessoais.
    • Qual o papel do controller neste movimento? Como a controladoria pode ajudar na profissionalização das empresas familiares?

    Sinceramente Daniel, não consigo imaginar essa profissionalização sem a pessoa do Controller. Este profissional atua com dados e fatos e sendo um componente neutro no meio da gestão familiar, consegue minimizar o envolvimento emocional dos gestores. Costumo dizer que para essas empresas familiares o Controller precisa ser também um pouco psicólogo, saber gerenciar os possíveis conflitos.
    • Para as empresas que querem dar o primeiro passo para a profissionalização, quais seriam suas dicas?

    Primeiro, em concordância com a gestão, procurar um profissional de controladoria para realizar um diagnóstico do negócio
    • Realizar as adequações de processos e dados do negócio;
    • Contar com o apoio de ferramentas de tecnologia para ajudá-los nestes desafios, pois isso a otimização do processo ajuda a ganhar velocidade nos ganhos. 

Perguntas frequentes

O que é profissionalização de uma empresa familiar?
Profissionalização é o processo de estruturar a gestão financeira, operacional e administrativa de uma empresa familiar seguindo práticas formais de governança — separando claramente as decisões de negócio das decisões familiares. Envolve criar processos documentados, implementar controles financeiros e estabelecer uma estrutura de comando independente dos laços familiares.
Por que empresas familiares precisam se profissionalizar?
Porque crescimento exige disciplina. Quando a empresa é pequena, tudo funciona na confiança e no improviso. Mas quando ela cresce — em receita, número de colaboradores, complexidade operacional — as decisões precisam ser baseadas em dados, não em intuição ou vínculo emocional. Sem profissionalização, a empresa fica vulnerável a erros de gestão, desvios orçamentários e problemas de sucessão.
Qual é o papel da Controladoria na profissionalização de uma empresa familiar?
A Controladoria é o guardião da verdade financeira. Ela cria um sistema de controle onde as informações sobre receita, custos e lucro são claras e atualizadas — impedindo que decisões sejam tomadas no achismo. Para empresas familiares especificamente, a Controladoria também funciona como árbitro neutro, porque os números não mentem e não têm emocionalidade.
Como o Orçamento Empresarial ajuda a profissionalizar uma empresa familiar?
O Orçamento transforma o planejamento de algo verbal e subjetivo em algo escrito e mensurável. Na prática: o dono diz 'vamos crescer 20%' mas o Orçamento força a pergunta 'como vamos crescer 20%? Precisamos de mais vendedores? Mais estoque? Qual é o investimento?'. Isso evita que a família tome decisões contraditórias ou baseadas em desejos em vez de realidade.
Qual é a maior dificuldade ao profissionalizar uma empresa familiar?
Separar o vínculo emocional do vínculo empresarial. Quando o fundador vê o filho como herdeiro — não como gestor que precisa render contas — fica difícil exigir accountability. A Controladoria ajuda porque ela despersonaliza: em vez de 'você gastou demais', vira 'esse departamento desviou 15% do orçado, vamos investigar'.
Empresa familiar de pequeno porte já precisa de Controladoria?
Depende do estágio. Uma microempresa com faturamento de R$ 500 mil/ano pode começar com um sistema de controle simples (fluxo de caixa, planilha de custos). Mas a partir do momento em que a empresa tem mais de um sócio, vários colaboradores ou pretende crescer nos próximos 3 anos, vale investir em uma Controladoria básica — mesmo que seja uma pessoa dedicada ou um consultor externo.
Como separar as decisões familiares das decisões empresariais?
Criar estruturas formais. Primeiro: estabelecer um Conselho Administrativo ou Conselho Consultivo onde as decisões de negócio são discutidas (não a mesa do jantar). Segundo: ter um manual de políticas financeiras por escrito — quanto se pode emprestar à empresa, como é tratada a remuneração dos sócios, qual é a política de gastos. Terceiro: implementar controles, como aprovação de despesas acima de um valor fixo por alguém neutro.
O que é governança corporativa em uma empresa familiar?
É o conjunto de regras que definem como a empresa é administrada. Em uma empresa familiar, inclui: quem decide o quê, como os lucros são distribuídos, como a empresa se comporta em caso de morte de um sócio, qual é o processo de escolher sucessores, como funcionam as remunerações. A governança corporativa protege tanto a empresa quanto a família.
Qual é a importância da sucessão planejada em uma empresa familiar?
Sem planejamento, a sucessão vira um caos emocional e financeiro. Quando o fundador morre ou se aposenta de repente, a empresa fica órfã de decisões, a família entra em conflito sobre quem manda, e os colaboradores ficam em pânico. Uma sucessão planejada — com desenvolvimento claro do herdeiro, transição gradual de responsabilidades e documentação de processos — mantém a empresa funcionando e reduz conflitos familiares.
Como um orçamento evita conflitos entre sócios em uma empresa familiar?
Quando há Orçamento, todo mundo sabe de antemão quanto cada área vai gastar, qual é a meta de receita, qual é a margem esperada. Se o resultado fica diferente, não é culpa de alguém — é uma oportunidade de entender o porquê. Sem Orçamento, é fácil um sócio acusar o outro de gastar demais ou vender por preço errado, porque não há referência clara.
Qual é a diferença entre administração e gestão em uma empresa familiar?
Administração é executar o dia a dia — pagar contas, emitir notas, atender clientes. Gestão é analisar dados, tomar decisões estratégicas, planejar o futuro. Em muitas empresas familiares, o dono acumula os dois papéis e fica sobrecarregado. A profissionalização permite que outras pessoas administrem (e libertar o dono para gerir de verdade.
É possível profissionalizar uma empresa familiar sem trazer gente de fora?
Sim, mas é mais difícil. Se há um membro da família com interesse e aptidão para Controladoria ou Administração Financeira, vale investir na sua formação. Mas cuidado: essa pessoa precisa ter credibilidade e autonomia para fazer seu trabalho sem interferência emocional. Às vezes, trazer um consultor externo por um tempo ajuda a criar a estrutura que depois um membro da família gerencia.
Como convencer o dono de uma empresa familiar de que é necessário profissionalizar?
Com números. Mostre quanto a empresa perde por falta de controle (desvios orçamentários, retrabalho, demora no fechamento mensal). Mostre também que a profissionalização não é uma crítica ao trabalho que ele fez — é exatamente porque ele foi bem-sucedido que agora precisa de estrutura para escalar. E deixe claro que é para proteger o legado dele, não para substituir.
Qual é o primeiro passo para profissionalizar uma empresa familiar?
Diagnóstico. Entender como a empresa funciona hoje — como são feitos os controles financeiros, quem toma decisões, como é o fluxo de informações. Depois: escolher uma prioridade (pode ser implementar Controladoria, pode ser formalizar o Orçamento, pode ser criar um Conselho). Não tente mudar tudo ao mesmo tempo; profissionalização é um processo, não uma revolução.
Como manter a cultura familiar durante a profissionalização?
Profissionalização não significa perder valores. Muitas empresas familiares têm cultura forte de comprometimento, ética e qualidade — essas coisas não desaparecem com processos formais. O que muda é como essas coisas são comunicadas e controladas. Formalizar significa documentar a cultura, não eliminar dela.
O que fazer se um membro da família não aceita a profissionalização?
Conversa direta. Explique por quê é necessário, ouça as preocupações dele (pode ser medo de perder poder, ou receio de mudança). Se a decisão está tomada pela maioria dos sócios, documente a política, comunique com clareza e implemente com consistência. Às vezes, o resistente muda de ideia quando vê os resultados — menos estresse no fechamento, decisões mais rápidas, conflitos reduzidos.
Como implementar um Orçamento em uma empresa familiar que nunca teve?
Comece modesto. Pegue os últimos 2 ou 3 anos de dados reais e faça uma projeção para o próximo ano, baseada na realidade (não em desejos). Envolva os principais gestores — eles conhecem os limites e as possibilidades melhor que qualquer consultor. Deixe claro que o primeiro Orçamento será ajustado conforme o aprendizado. O objetivo no primeiro ano é criar o hábito, não ser 100% preciso.
Quantas pessoas preciso contratar para profissionalizar a Controladoria?
Depende do tamanho. Uma empresa com faturamento de R$ 5 a 10 milhões/ano pode começar com 1 pessoa (um Analista Financeiro ou Assistente Contábil dedicado a controles). Acima de R$ 20 milhões, começa a fazer sentido ter um Controller e mais 1 ou 2 pessoas ajudando. Mas antes de contratar, melhore os processos — às vezes, 1 pessoa com melhor ferramenta faz mais que 2 pessoas com planilha.
Qual é o indicador mais importante para acompanhar em uma empresa familiar?
Margem operacional (lucro operacional ÷ receita). Se a empresa tem receita de R$ 1 milhão e margem operacional de 5%, significa que R$ 50 mil viram lucro; se cai para 3%, é R$ 30 mil. Além disso, acompanhe o Fluxo de Caixa — porque a empresa pode ser lucrativa mas estar quebrada por falta de capital de giro. Esses dois números contam a história verdadeira.

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