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Planejamento Estratégico Situacional (PES): o que é, como aplicar e quais os benefícios para a gestão financeira

Entenda o que é o Planejamento Estratégico Situacional, suas variáveis e como aplicar o PES para melhorar os resultados da empresa.

Neste artigo

Pessoa com jaqueta laranja consultando mapa para planejamento estratégico situacional

As áreas financeira e de controladoria fizeram a lição de casa: traçaram metas, elaboraram o planejamento orçamentário e definiram as projeções para o ano. Mas, no meio do caminho, o cenário mudou. Isso já aconteceu por aí? Seja por uma oscilação na demanda, um novo concorrente no mercado ou alterações macroeconômicas inesperadas, os controllers precisam ficar atentos. Afinal, se o contexto muda, o plano precisa mudar junto. É nesse momento que entra o Planejamento Estratégico Situacional (PES), que reconhece a dinâmica dos negócios, especialmente em um contexto em que adaptar-se constantemente às mudanças passou a ser a regra. Neste artigo, entenda o que é o Planejamento Estratégico Situacional, como ele difere do planejamento estratégico tradicional, por que é importante e como aplicá-lo.

O que é o Planejamento Estratégico Situacional (PES)

O Planejamento Estratégico Situacional é uma metodologia que considera as variáveis do cenário atual para orientar decisões estratégicas. Ele foi criado na década de 1970 pelo economista chileno Carlos Matus. Em sua origem, o PES surgiu para lidar com os desafios da administração pública. No entanto, com o tempo passou a ser utilizado pelas empresas privadas também. O PES se diferencia do modelo tradicional de planejamento estratégico porque parte do princípio que o contexto muda. Além disso, ele entende que o planejamento não termina quando o plano de ação é entregue. Pelo contrário,ele continua durante a execução, com acompanhamento contínuo, reavaliações e ajustes conforme a realidade se transforma. Portanto, um plano linear e fixo não se encaixa nas características do Planejamento Estratégico Situacional. Na prática, ao utilizar o PES, controllers e o time financeiro têm um enfoque situacional, o que de uma maneira mais simples significa redirecionar decisões considerando o cenário atual. Ou seja, gestores financeiros não seguem um plano engessado.

Diferenças entre Planejamento Estratégico Situacional e Planejamento Estratégico tradicional

Normalmente, no modelo tradicional, as projeções - como nas análises de cenário - partem de uma base histórica. Já no formato situacional, o planejamento se adapta à situação, isto é, à realidade do momento, com suas limitações, urgências e oportunidades. Essa diferença torna o planejamento tradicional mais rígido, embora sempre seja possível fazer mudanças (aliá, aqui na Treasy sempre dizemos que nenhum planejamento é feito em pedra). A grande questão é que, no PES, a mudança de rota não é uma exceção, pois faz parte da metodologia. Outro ponto em que as duas abordagens divergem é na execução. O plano estratégico tradicional segue uma execução linear, com etapas bem definidas. No plano situacional as ações e tomadas de decisão acontecem simultaneamente, uma vez que o planejamento se molda conforme o cenário. Uma última diferença é o ponto de partida. Enquanto o PES parte da pergunta “Qual é o problema real que precisamos resolver agora?”, o planejamento tradicional começa com “Aonde queremos chegar e como vamos fazer isso?”.

Por que o PES é importante para empresas?

O Planejamento Estratégico Situacional considera variáveis controláveis e não controláveis, o que tem tudo a ver com o contexto em que nossos negócios estão inseridos. Essa abordagem permite que o financeiro e a controladoria se adaptem rapidamente, tomando decisões mais ágeis, baseadas na análise crítica do cenário atual. Colocando em outros termos, com o PES, os gestores adotam uma postura ativa e realista. Eles deixam de seguir um plano que pode não estar adequado para a situação presente, para ajustar à realidade. Além disso, como comentado, o planejamento situacional não parte de uma base histórica, ou seja, ele não tenta explicar o que está acontecendo hoje com dados do passado. Para o PES, o que importa é umaapreciação situacional. Isso traz uma grande vantagem para os gestores: enfrentar os problemas prioritários com soluções viáveis no curto prazo, mas sem perder de vista os objetivos estratégicos de longo prazo. Assim, o planejamento torna-se uma ferramenta mais adequada para sustentar o crescimento da empresa em cenários incertos.

Quais são as variáveis do Planejamento Estratégico Situacional?

As variáveis servem para orientar a análise do cenário e embasar a tomada de decisão. No modelo PES, elas se dividem em dois tipos: controláveis e incontroláveis. Entenda:

Variáveis controláveis

Tudo que a empresa pode controlar - ou que os gestores podem influenciar - entra na categoria de variáveis controláveis do PES. Por exemplo:

  • Demissão ou contratação de colaboradores;
  • Gestão da equipe e definição de prioridades;
  • Alocação de recursos financeiros;
  • Mudanças em processos internos;
  • Negociação com fornecedores ou parceiros;
  • Datas sazonais que afetam o comportamento do consumidor.

Destacamos que as variáveis controláveis impactam diretamente nasprojeções financeiras, metas orçamentárias e indicadores de desempenho. Para lidar com elas, é necessário trabalhar com cenários alternativos e simulações para preparar respostas rápidas e minimizar riscos.

Variáveis incontroláveis

Como o nome sugere, as variáveis não controláveis são aquelas que a empresa não tem nenhum controle. O problema é que elas costumam afetar o desempenho dos negócios e, por esse motivo, devem ser monitoradas de perto. Alguns exemplos clássicos:

  • Mudanças na legislação tributária;
  • Novo concorrente no mercado;
  • Aumento de juros ou inflação;
  • Oscilações cambiais;
  • Crises políticas ou econômicas;
  • Mudança no comportamento do consumidor;
  • Catástrofes naturais ou eventos globais (como pandemias).

Dentro do grupo de variáveis incontroláveis do PES, existem três tipos:

  • Invariantes: embora elas fujam do controle, podem ser previstas. Um exemplo é o mercado financeiro, que costuma seguir ciclos já conhecidos que possibilitam uma certa antecipação.
  • Variantes: são as variáveis que ninguém consegue prever o comportamento e não são controláveis. Um exemplo é a atuação repentina de um concorrente que lança um produto inovador.
  • Surpresas: representam aqueles eventos que ninguém espera, mas que, caso ocorram, impactam diretamente o planejamento (crises sanitárias e desastres naturais são dois exemplos).

Como aplicar o PES na prática no seu financeiro ou controladoria?

Para aplicar o Planejamento Estratégico Situacional, é preciso percorrer suas 4 etapas, que são:

  • Momento explicativo
  • Momento normativo
  • Momento estratégico
  • Momento operacional

Abaixo, veja a explicação de cada etapa:

1 - Momento explicativo

A primeira etapa do PES traz a pergunta: qual é o problema que estamos enfrentando? Isso significa que o foco é a análise da situação atual para descobrir o que está afetando o desempenho.  Por exemplo:

Para colocar essa primeira etapa em prática, é preciso ter dados atualizados e confiáveis. Além disso, no momento explicativo também busca-se priorizar cada problema, de acordo com o grau de impacto. Existem alguns métodos para isso e, para se aprofundar, não deixe de ler: 👉Conheça os principais métodos de priorização de projetos e processos

2 - Momento normativo

Depois de identificados os problemas, onde você deseja chegar?Essa é a pergunta-chave da segunda etapa do Planejamento Estratégico Situacional, pois ela foca no cenário ideal, onde tudo ocorre conforme o planejado. E para chegar a esse cenário, é preciso definir metas específicas, realistas, mensuráveis e alinhadas com os objetivos organizacionais.  Essa etapa é importante porque define os objetivos do planejamento e como o desempenho será medido. Em uma área financeira ou de controladoria, isso pode significar:

3 - Momento estratégico

A terceira etapa do PES responde à seguinte pergunta: como podemos sair do cenário atual e alcançar o cenário ideal?Para respondê-la, é necessário definir estratégias, estabelecer prioridades e planejar ações concretas, sempre considerando os recursos disponíveis. Nesse momento, o foco está em analisar os caminhos possíveis e traçar a melhor rota para alcançar os objetivos, levando em conta os riscos identificados e as oportunidades reveladas na etapa anterior. E atenção: lembre-se que o PES é situacional, o que quer dizer que, mesmo com as análises feitas, o plano deve ser ajustado para refletir o cenário atual.

4 - Momento operacional

Na quarta e última etapa do Planejamento Estratégico Operacional, é hora de colocar a mão na massa. Todas as estratégias definidas são transformadas em ações concretas. Para isso, o ideal é criar um plano de ação 5W2H, que responde às perguntas: o quê, por quê, quem, quando, onde, como e quanto vai custar. Esse modelo ajuda a estruturar o que precisa ser feito e garante clareza na execução. Exemplo:

  • O quê?Reduzir o tempo de consolidação orçamentária
  • Por quê?O processo manual com planilhas consome até 10 dias úteis, atrasando análises e ampliando riscos de inconsistência
  • Quem?Time financeiro/FP&A
  • Quando?Até o fim do trimestre
  • Onde? Sistema de gestão orçamentária
  • Como?Importação das planilhas históricas, configuração do módulo de orçamento e treinamento da equipe
  • Quanto vai custar? R$ XX

No momento operacional, é necessário acompanhar o efeito de cada ação. Caso algo saia fora da rota, ajuste o percurso. E para a elaboração do plano de ação 5W2H, utilize a planilha gratuita que elaboramos. Clique na imagem abaixo e faça o download do material:

Planilha plano ação 5W2H Treasy fundo azul planejamento estratégico situacional PES

Conclusão

O Planejamento Estratégico Situacional foi criado na década de 70, mas sua aplicação faz todo o sentido nos dias atuais. Conforme você viu, ele não se prende ao passado, pois enxerga o momento atual, analisa as variáveis e traz o foco para como esse momento pode afetar o desempenho da empresa. A aplicação do PES leva em consideração quatro etapas, sendo a coleta de dados uma delas. Por isso, contar com ferramentas que oferecem informações atualizadas, confiáveis e em tempo real pode fazer toda a diferença na construção de um planejamento mais estratégico, realista, situacional e eficaz. O BI Financeiro da Treasyé essa ferramenta. Com ele, seu time realiza Projeções,Forecaste Simulação de Cenários que ajudam a enxergar riscos e oportunidades antes mesmo de eles se concretizarem.  O nosso BI financeiro também fornece relatórios, dashboard e indicadores de desempenho para você monitorar seus dados financeiros e agir assim que identificar alguma mudança no seu planejamento. Dessa maneira, o planejamento deixa de ser estático e passa a acompanhar a realidade.  Então, que tal aplicar o PES no seu planejamento financeiro? Se quiser entender como o BI da Treasy pode apoiar a sua área nisso, experimente a nossa ferramenta gratuitamente (e sem dados de cobrança). Clique na imagem e faça o seu cadastro: Banner BI Financeiro Treasy gráficos barras dados planejamento estratégico situacional

Perguntas frequentes

O que é Planejamento Estratégico Situacional (PES)?
É uma metodologia de planejamento que adapta as decisões estratégicas ao contexto atual da empresa, em vez de seguir um plano fixo e imutável. Criada na década de 1970 pelo economista chileno Carlos Matus, reconhece que o cenário muda constantemente e que o planejamento precisa acompanhar essa dinâmica.
Qual é a principal diferença entre PES e planejamento estratégico tradicional?
O planejamento tradicional segue um plano linear e rígido, baseado em projeções históricas. O PES parte da situação atual (com seus problemas, urgências e oportunidades) e muda de rota conforme necessário, entendendo que a adaptação não é exceção, mas parte da metodologia.
Para quem o PES é mais indicado?
Para empresas em mercados dinâmicos ou incertos — startups, negócios em setores que mudam rápido, empresas em contextos macroeconômicos voláteis. Qualquer organização que perceba que seu plano fica obsoleto no meio do caminho se beneficia dessa abordagem.
Como o PES funciona na prática?
Em vez de executar um plano pronto, o time financeiro acompanha constantemente o cenário, identifica mudanças (demanda, concorrência, regulação) e redireciona ações conforme necessário. O planejamento continua durante a execução, não termina quando o plano é entregue.
Qual é o ponto de partida do PES?
O PES começa perguntando 'Qual é o problema real que precisamos resolver agora?', enquanto o planejamento tradicional pergunta 'Aonde queremos chegar e como vamos fazer isso?'. Essa mudança de perspectiva muda toda a forma de agir.
Como as variáveis controláveis e não controláveis impactam o PES?
O PES reconhece que nem tudo está sob seu controle (taxa de juros, comportamento do concorrente, economia). Ao identificar essas variáveis, a empresa consegue focar energia no que realmente pode mudar e preparar contingências para o que não pode.
PES exige que eu abandone meu orçamento anual?
Não. O orçamento continua existindo, mas passa a ser um ponto de partida revisável. Em vez de ser um documento fixo, vira um planejamento vivo que pode ser ajustado conforme a realidade muda — sem culpa ou surpresa.
Qual é a relação entre PES e análise de cenários?
Na análise de cenários tradicional, você projeta 'e se isso acontecer'. No PES, você não só projeta como monitora continuamente qual cenário está acontecendo de verdade e ajusta a ação em tempo real.
Como o PES melhora a tomada de decisão financeira?
Porque as decisões são baseadas na análise crítica da situação atual, não em um plano que pode estar desconectado da realidade. Isso torna as escolhas mais ágeis, contextualizadas e com maior chance de gerar o resultado esperado.
PES significa que o planejamento nunca termina?
Basicamente, sim. No PES, o planejamento é contínuo: você planeja, executa, monitora, reavalia e ajusta — em um ciclo que segue enquanto o negócio existe. Não há um ponto final onde você coloca o plano na prateleira.
Como implementar PES em uma empresa pequena ou PME?
Comece definindo quais são os principais fatores que afetam seu negócio (custos, demanda, concorrência). Depois, estabeleça um ritual de revisão mensal ou trimestral onde o time financeiro avalia se o cenário mudou e se o plano precisa ajustes. Não precisa ser complexo.
PES funciona junto com indicadores financeiros e KPIs?
Funciona perfeitamente. Os indicadores ajudam você a identificar quando o cenário mudou — uma queda brusca na margem, aumento no ticket médio, prazo de recebimento alongando. Esses sinais disparam a reavaliação do plano.
Qual é a diferença entre PES e gestão de riscos?
Gestão de riscos identifica o que pode dar errado. PES vai além: reconhece que o cenário muda e incorpora a adaptação como estratégia contínua. Enquanto risco foca na ameaça, PES foca na oportunidade também.
Como o PES ajuda quando há uma crise ou mudança disruptiva?
Como o PES já trabalha com a premissa de que o contexto muda, a empresa está mentalmente preparada para adaptar. Quando a crise chega, não é 'isso nunca estava no plano', é 'qual é a nova situação e como respondemos?'. A velocidade de reação melhora muito.
PES pode ser usado em planejamento de produto ou apenas em gestão financeira?
Pode ser usado em qualquer área — produto, comercial, operações. Mas no financeiro é especialmente útil porque o orçamento e as projeções tocam todos os departamentos. Uma reavaliação situacional de um mês muda tudo.
Como medir se o PES está funcionando na minha empresa?
Se você consegue fechar o mês com desvios menores, ajustar gastos rapidamente sem cortes surpresa, antecipar problemas de caixa e oportunidades antes que virem crise, o PES está funcionando. O sinal mais claro: menos sobressaltos no resultado.
É possível combinar PES com planejamento estratégico tradicional?
Sim. Mantenha a visão estratégica de longo prazo (aonde você quer chegar em 3 ou 5 anos) mas use o PES para operacionalizar o ano em curso, ajustando trimestres ou semestres conforme a situação. O melhor dos dois mundos.
Quem na organização precisa estar envolvido no PES?
Mínimo: o controller e o CFO. Ideal: inclua gestores de cada área (vendas, operações, supply) para que a reavaliação seja informada e realista. Sem perspectiva dos operadores, o plano fica desconectado da realidade.

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