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Como prever a inadimplência? Saiba tudo sobre Provisão e Perdas de Inadimplentes

Saiba como fazer a Provisão de Devedores Duvidosos (PDD) e como você deve preparar o caixa da empresa para situações de alta inadimplência.

Neste artigo

Semáforo com luz vermelha representando perdas para devedores duvidosos e restrição de crédito

Ao definir os planejamentos estratégico, tático e operacional, a meta foi clara: aumentar a venda dos produtos em 25% nos próximos 12 meses. Tudo está se encaminhando para que esse resultado seja atingido, o que deixa a equipe animada. Contudo, apesar da área comercial estar fazendo um excelente trabalho alinhada ao marketing, o setor de cobrança acendeu o alerta vermelho: vendas estão sendo fechadas e registradas no DRE(Demonstrativo de Resultados do Exercício), mas o fluxo de caixa aponta um vazio. Isso significa que a inadimplênciaestá rondando o negócio. O problema se agravou porque você, da área financeira, e sua empresa não estavam exatamente preparados para esse aumento de devedores. Assim, para melhor se preparar para situações como essa, a pergunta é: Como prever a inadimplência? A solução que você encontra pode estar em PDD, ou, de forma mais completa, Provisão para Devedores Duvidosos, ou PECLD, Perdas Estimadas em Créditos de Liquidação Duvidosa. Então, agora, vamos ver como a Provisão de Inadimplentes pode evitar que o caixa da sua empresa seja pego de surpresa.

Entendendo melhor: o que são Provisões?

Para que você compreenda melhor o que é PDD, é preciso esclarecer o significado de provisão. Em termos contábeis, a provisão tem o objetivo de cobrir um custo ou despesa cuja possibilidade de ocorrência seja grande. Isso significa que provisões dizem respeito aos lançamentos de valores como se fossem despesas, apesar de ainda não poderem ser classificados como tal. Importante ressaltar que provisões são expectativas, ou seja, não existe a certeza de que ocorrerão no futuro. Em outras palavras, a partir do momento que são definidas obrigações ou perdas de ativos, as mesmas não são classificadas como provisões. Exemplos disso incluem o Pagamento de Férias, do 13 salário, impostos etc. Observe que todos eles se classificam como despesas ocorridas (mesmo que ainda não pagas). Assim, uma Provisão de Férias para a ser classificada como Férias a Pagar. Quando falamos de inadimplência, existe um grau de expectativaque as mesmas ocorrerão, o que faz com que tenhamos a Provisão de Inadimplência.

O que é PDD?

Cerca metal decorativa preto branco barreiras de crédito provisão PDD

Como o nome sugere, a Provisão para Devedores (PDD) é uma provisão de valores para preparar a empresa contra a inadimplência. Portanto, podemos dizer que é umaProvisão de Clientes Inadimplentes. Para que a empresa possa se proteger contra perdas financeiras ocorridas devido ao não recebimento de pagamentos por vendas de produtos ou prestações de serviços, antes do início de cada exercício contábil ela deve lançar provisões de inadimplência. Como você deve imaginar, esse não é o esforço de uma área específica. Para que a PDD possa ser estimada, é necessária a junção de profissionais de cobrança, vendas e daqueles que estão em contato direto com o cliente. Isso porque todo o cálculo dependerá da estimativa de pagamentos. Ao falarmos em PDD, temos que lembrar que existe um termo que melhor o classifica contabilmente. Trata-se do PECLD.

O que é PECLD?

As Perdas Estimadas em Créditos de Liquidação Duvidosa (ou PECLD), surgiram quando o Brasil passou a adotar as Normas Internacionais de Contabilidade. A partir daí o PDD sofreu alterações relevantes e passou a ser caracterizado como PECLD. A mudança ocorreu porque o PDD, que era uma conta do passivo (ou seja, obrigação de sua empresa), passou a ser uma conta retificadora no ativo (ajuste na conta de cliente). Além disso, a mudança acabou indo ao encontro do "Manual de Contabilidade Societária" da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI), que questiona o uso do termo “provisão”:

“O termo "provisão" para as contas retificadoras do ativo não tem utilização adequada considerando o tratamento na atual Deliberação da CVM nº 594/09 e nos conceitos que a suportam. No Brasil o termo provisão para as contas retificadoras do ativo foi sempre bastante utilizado, mas consideramos essa utilização inadequada e neste Manual faremos a adaptação do termo "perdas estimadas". Assim, passaremos a utilizar, por exemplo, "perdas estimadas para créditos de liquidação duvidosa" (PECLD) e não mais "provisão para créditos de liquidação duvidosa". Essa alteração visa reduzir o emprego inadequado do termo provisão só para as obrigações e estar em consonância com o IASB e com o conceito de ‘redução ao valor recuperável’.”

De acordo com o CPC 38 (Conselho de Pronunciamento Contábeis), os valores a serem reconhecidos como PECLD devem ser incorridos efetivamente. No entanto, por um costume dos tempos de PDD, no Brasil ainda temos o critério das perdas esperadas. Sendo assim, ao calcularmos a PECLD, ainda são utilizados dois critérios em nosso país. IMPORTANTE: Para fins de alinhamento, nos tópicos a seguir trabalharemos da seguinte maneira:

  • Ao falarmos de Provisão para Devedor Duvidoso utilizaremos o critério do PDD, ou seja, de perdas esperadas (provisão da inadimplência).
  • Ao falarmos de Perdas Estimadas em Créditos de Liquidação Duvidosa utilizaremos o critério do PECLD, ou seja, de perdas efetivas (perdas de inadimplentes).

Como calcular o PDD?

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O PDD utiliza o critério das perdas esperadas. Para entender como calculá-lo, veremos um exemplo: A empresa XYZ vende materiais de escritório. O ano corrente está acabando e, de acordo com o planejamento estratégico e o planejamento orçamentário para o próximo exercício contábil, a estimativa da empresa é a de vender o equivalente a R$ 100 mil. Por estar sofrendo com inadimplência, o controller reuniu-se junto com a equipe comercial e com a área de cobrança. Na reunião, foi apresentada uma informação importantíssima: ao analisar o fluxo de caixa da empresa dos últimos 3 anos, o profissional de controladoria chegou numa média de comportamento dos clientes e verificou que para o próximo exercício contábil a estimativa é a de que a inadimplência seja de R$ 5 mil. Sendo assim, a conta de clientes no Balanço Patrimonial da empresa será:

  • Clientes: 100.000,00
  • (-) PDD: (5.000,00)

Importante ressaltar que isso é uma provisão de inadimplentes. Por isso, quando o exercício contábil chegar ao fim, o valor será reajustado para bater com o que realmente ocorreu naquele ano. Destacamos também que, se a empresa enquadrar-se no regime de lucro real, as despesas de PDD não serão dedutíveis para fins fiscais. Em outras palavras, não influirão no IRPJ ou CSLL.

Como calcular o PECLD?

Conforme mencionamos, ao contrário do PDD, o PECLD utiliza o critério de perdas efetivas. Por estar enquadrado às Normas Internacionais de Contabilidade, o cálculo do PECLD é o recomendado pelo CPC 38. Além disso, é considerado também muito mais objetivo.

Ícone dólar asas morcego fundo azul risco provisão para devedores duvidosos

A composição dos lançamentos contábeis nas Perdas Estimadas em Créditos de Liquidação Duvidosa utilizará o mesmo critério visto nas perdas esperadas. A diferença aqui é que ao invés de a empresa se basear em provisões ela terá que tomar situações reais como base. Segundo o CPC 38, caso a empresa tenha evidências objetivas de perdas no valor recuperável de contas a receber, a quantia será medida pela diferença entre a quantidade contabilizada e o valor do fluxo de caixa estimado. Isso significa que serão excluídas as perdas de créditos futuros que ainda não incorreram, pois para o critério de perdas esperadas é preciso que o “evento tenha efetivamente ocorrido para que possa ser registrada a referida perda (CPC 38)”. De acordo com o conselho Federal de Contabilidade (CFC), a metodologia de cálculo do PECLD tem por base uma média percentual dos recebimentos ao longo dos três últimos exercícios anteriores, do qual se inferirá o percentual de inadimplência a ser aplicado sobre o saldo final dos créditos a receber. Destacamos ainda que, ao contrário do PDD, as despesas de PECLD poderão ser dedutíveis do lucro base para IRPJ e CSLL. Bom, o assunto é como prever a inadimplência, certo? Sabemos que clientes inadimplentes fazem parte das preocupações dos setores de cobrança das empresas, que, aliás, trabalham com diversas ações para procurar evitar que isso aconteça. Todavia, como profissional de finanças sua preocupação primordial é se a empresa terá capital de giro para lidar com eventuais problemas no caixa. Para ajudá-lo nessa tarefa, separamos alguns pontos que você deve atentar-se.

Profissional de controladoria: fique atento!

De nada adianta calcular PDD ou PECLD se o fluxo de caixa do seu negócio não for compatível com as necessidades da empresa. Por isso, como controller você precisa estar atento a algumas questões. Para começar, falaremos sobre a relação Prazos Médios de Recebimento x Prazos Médios de Pagamento:

  • Prazos Médios de Pagamento: o tempo médio (em dias) entre a data da compra e o pagamento efetivo ao fornecedor. Por exemplo, se sua empresa compra matérias-primas e paga seu fornecedor em duas vezes (1+1), seu prazo médio de pagamento vai ser de 50% a vista e 50% em 30 dias;
  • Prazos Médios de Recebimento:é o tempo médio (em dias) entre a venda e o efetivo recebimento do dinheiro. Por exemplo, se sua empresa vende parcelado em 3x sem entrada (0+1+1+1), seu prazo médio de recebimento vai ser de 0% à vista, 33% em 30 dias, 33% em 60 dias e 34% em 90 dias.

Os prazos médios influenciam diretamente na Necessidade de Capital de Giro da empresa. Isso porque se a estrutura de Pagamentos x Recebimentos de sua empresa estiver muito desbalanceada, poderá gerar grandes desembolsos no pagamento de juros com o uso de Capital de Terceiros para financiar a operação ou até mesmo impedir o crescimento em alguns casos. É por este motivo que algumas vezes encontramos casos em que empresas lucrativas têm situações deficitárias de caixa e outras em que, embora a empresa possa estar com prejuízos, mantêm um caixa equilibrado. Sendo assim, ao calcular o PDD ou PECLD é preciso avaliar se a relação Pagamento x Recebimento está equilibrada e não prejudicará o fluxo de caixa. Isso tudo porque a empresa precisa de capital de giro para financiar suas operações (considerando também a inadimplência). Além dos prazos médios, é preciso verificar se existe uma relação saudável também do ciclo financeiro e do ciclo operacional:

  • Ciclo Financeiro: compreende o tempo de pagamento aos fornecedores até o recebimento do valor correspondente às vendas do produto final. Em outras palavras: o Ciclo Financeiro é o caminho do dinheiro.
  • Ciclo Operacional: soma de todos os acontecimentos referentes a uma operação empresarial (inicia com a compra de matéria-prima, passa pela produção, avançando pela venda do produto e vai até o recebimento relacionado às vendas realizadas). Portanto, compreende o período (em média) entre os desembolsos para as operações e as entradas de caixa.

Para evitar que sua empresa não tenha capital de giro para manter o Ciclo Financeiro e, por consequência, não consiga cobrir a inadimplência, existem algumas dicas que podem ser seguidas:

  • Reduzir os prazos de pagamentos dos produtos vendidos;
  • Reduzir prazo de financiamento dos clientes;
  • Aumentar o prazo de pagamento aos fornecedores;
  • Reduzir o prazo de estoque (controle de estoque).

Para encerrar com os pontos que você deve se ater, não poderíamos deixar de falar do Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE) e do Demonstrativo de Fluxo de Caixa (DFC), que permitem a análise da saúde econômico-financeira da empresa por duas perspectivas diferentes e complementares: o regime de caixa (DFC) e o regime de competência (DRE). Muitas vezes a empresa pode ter um grande volume de vendas e produtos com boas margens, apresentando lucro no DRE. Porém, pode ter seus prazos de pagamento e recebimentos mal dimensionados (somado à inadimplência), ficando sem disponibilidade de dinheiro em caixa (e essa informação é averiguada na leitura do DFC). Por isso, para que você consiga melhor dimensionar a provisão de inadimplentes ou as perdas estimadas, é essencial ter o controle de ambos os demonstrativos. A fim de auxiliá-lo a manter esse controle bem certinho, disponibilizamos gratuitamente dois modelos de planilhas: Modelo gratuito de DFC (Demonstrativo de Fluxo de Caixa) Banner verde do modelo de demonstrativo de fluxo de caixa para saldo faltante Modelo gratuito de DRE (Demonstrativo de Resultado do Exercício) Banner verde com modelo de planilha DRE para análise de resultado líquido do período

Concluindo

A preocupação com clientes inadimplentes é algo constante nas empresas. Ações para reduzir o número de devedores devem ser tomadas, todavia, o financeiro precisa estar atento. Lembre-se que quanto mais tempo levar para a organização identificar um atraso no pagamento, mais prejudicada ela será. Como controller você sabe que é preciso agir antes do problema ocorrer e, por isso, conseguir estimar os créditos de liquidação duvidosa ou realizar a provisão de inadimplentes é muito importante. Sendo assim, não deixe de utilizar o método PDD (ou PECLD). Adicionalmente, não esqueça de manter os olhos bem atentos aos Prazos Médio de Pagamento e Recebimento, Necessidade de Capital de Giro, Ciclo Operacional e Financeiro e, claro, às ferramentas de controle que você tem para gerenciar a inadimplência em termos financeiros: o DRE e DFC. Esperamos que este artigo tenha sido útil a você. Deixe um comentário contando o que achou e compartilhe conosco qualquer outro conhecimento que possa contribuir com o tema. Fique à vontade também para compartilhar este post com seus colegas. Toda semana publicamos aqui artigos relacionados a planejamento, orçamento e acompanhamento econômico-financeiro. Também publicamos mensalmente materiais gratuitos para download como modelos de planilhas, white papers e e-books. Portanto, se você ainda não é assinante de nosso newsletter, cadastre-se para receber este e outros artigos por e-mail, ou nos adicione nas redes sociais para ficar por dentro de tudo que acontece por aqui.

Perguntas frequentes

O que é PDD e qual a diferença entre PDD e PECLD?
PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) é o termo tradicional para a reserva que você faz contra a inadimplência. PECLD (Perdas Estimadas em Créditos de Liquidação Duvidosa) é o termo técnico atual, usado após a adoção das Normas Internacionais de Contabilidade. A diferença prática: antes, PDD era uma obrigação no passivo; agora, PECLD é um ajuste direto na conta de clientes (ativo). Ambas têm o mesmo objetivo: preparar o caixa para perdas futuras com inadimplência.
Como calcular a provisão de inadimplentes da minha empresa?
Não existe uma fórmula única. O cálculo depende da análise da sua inadimplência histórica, do perfil dos clientes atuais e do risco de crédito. O mais comum é usar um percentual sobre as contas a receber (por exemplo, 2% a 5%, dependendo do segmento) ou agrupar clientes por risco e aplicar percentuais diferentes a cada grupo. Cobrança, vendas e gestão de crédito precisam trabalhar juntos nessa estimativa.
Quando devo fazer a provisão de inadimplentes?
Antes do início de cada exercício contábil (ou mensalmente, se sua empresa fizer fechamento mensal). Assim que identificar que há risco real de não recebimento — por exemplo, clientes com 90+ dias vencidos ou sinais claros de dificuldade de pagamento — a provisão deve ser revista e ajustada.
Qual a diferença entre provisão e despesa?
Provisão é uma estimativa de algo que pode acontecer no futuro (ainda há incerteza). Despesa é algo que já ocorreu e deve ser pago (certeza). Férias a pagar é despesa confirmada; provisão de inadimplência é estimativa. Quando um cliente finalmente não paga, você transforma a provisão em perda real.
A provisão de inadimplentes afeta meu fluxo de caixa?
A provisão não afeta o caixa direto no momento que é registrada, mas reduz o lucro (é uma despesa contábil). O caixa é afetado apenas quando o cliente realmente não paga. A provisão serve justamente para avisar que seu lucro contábil pode ser maior do que o caixa real — preparando você para essa realidade.
Como saber se minha inadimplência está alta?
Divida o total de contas vencidas há 30, 60, 90+ dias pela receita total do período. Acima de 5% é sinal de alerta. Mas isso varia por segmento: empresas B2B têm inadimplência maior que varejo. O importante é acompanhar a tendência: se estava em 2% e pulou para 5%, há problema independentemente do número ser 'aceitável'.
Preciso fazer provisão se tenho poucos clientes?
Sim. Mesmo com poucos clientes, se existe risco de não recebimento, você deve provisionar. Com poucos clientes, o risco pode ser até maior: a inadimplência de um cliente representa grande percentual do seu faturamento. Nesse caso, considere provisões individuais em vez de percentuais gerais.
A provisão de inadimplentes é dedutível do Imposto de Renda?
Depende da sua empresa. Para PJ (Pessoa Jurídica) optante por Lucro Real, sim — a PECLD é dedutível. Para Lucro Presumido, geralmente não. Para Microempresa ou MEI, as regras são diferentes. Consulte seu contador ou revisor para sua situação específica, pois há critérios técnicos rígidos que precisam ser atendidos.
O que fazer quando a provisão que fiz não foi suficiente?
Se a inadimplência foi maior que o previsto, você reconhece a perda adicional no período correspondente. Isso significa que seu lucro foi menor do que havia planejado. Daí a importância de revisar a provisão regularmente (mensal ou trimestral) e ajustar conforme novos dados de risco apareçam.
Um cliente pode sair da provisão antes de pagar?
Teoricamente, sim — se ele negocia um parcelamento ou dá sinais claros de que pagará. Mas é arriscado. O certo é manter na provisão até que o dinheiro efetivamente entre. Se quiser ajustar, faça isso apenas se tiver garantia (avalista, hipoteca, renegociação formal por escrito).
Devo fazer provisão para todos os clientes ou apenas para os vencidos?
O ideal é fazer em duas camadas. Primeira: provisão geral (pequeno percentual sobre todas as contas a receber, para cobrir inadimplência esperada). Segunda: provisão específica para clientes com atraso comprovado ou risco elevado. Assim você não fica vulnerável a surpresas nem superestima as perdas.
Como a provisão de inadimplentes aparece no meu relatório financeiro?
Na contabilidade, PECLD é redução do ativo (contas a receber). No seu fluxo de caixa operacional, aparece como ajuste não caixa. No P&L (lucro e prejuízo), é uma despesa que reduz o resultado. Em resumo: você vê o impacto no lucro, não no caixa imediato.
Qual o percentual de inadimplência que devo provisionar?
Não há percentual obrigatório por lei. Varia conforme sua história de perdas e seu segmento. Varejo pode usar 1% a 2%, B2B pode ser 3% a 5%, fornecedores de serviço com clientes públicos podem chegar a 10%+. Use seus dados históricos como base: se você perdeu 3% dos clientes em média nos últimos 3 anos, comece por aí.
Preciso de sistemas ou planilhas para gerenciar a provisão?
Planilha funciona para empresas pequenas com poucos clientes. Conforme cresce, planilha fica lenta e propensa a erros. Um sistema que integra dados de vendas, cobrança e contabilidade agiliza o cálculo e deixa a análise mais confiável — você consegue revisar provisões mensalmente sem gastar dias em consolidação.
E se um cliente que estava provisionado pagar depois?
Você faz a reversão (desfaz) a provisão referente àquele cliente e reconhece um ganho no período em que a reversão ocorre. Por isso é importante detalhar provisões por cliente, não só por percentual genérico — assim você sabe exatamente o que reverter quando o pagamento chega.
A provisão de inadimplentes muda minha estratégia de preço de venda?
Não deveria ser a causa, mas pode ser um sinal de que você precisa revisar margens. Se está provisionando muita inadimplência, quer dizer que está perdendo dinheiro com crédito. Pode fazer sentido aumentar preço, exigir entrada, ou ser mais seletivo com clientes — mas essas decisões vêm da análise de risco, não apenas do número da provisão.
Como diferenciar clientes de alto e baixo risco para provisionar?
Histórico de pagamento é o melhor indicador: cliente que paga no prazo há 2 anos é baixo risco. Cliente com atrasos frequentes, com protestos ou que mudou de comportamento é alto risco. Você também pode considerar tamanho (grandes empresas tendem a ser mais previsíveis), setor (alguns setores têm más histórico de fluxo) e garantias oferecidas.
Inadimplência alta significa que estou vendendo para quem não tem capacidade de pagar?
Muitas vezes sim. Se sua inadimplência disparou quando aumentou as vendas em 25%, é sinal de que você acelerou concessão de crédito sem avaliar devidamente. Baixou padrão de risco. Daí a importância de fazer provisão agora e, em paralelo, revisar a política de crédito — senão a situação piora.

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