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Controller Cast #63 – Panorama de Contas a Pagar 2026: o que os dados revelam sobre controle, riscos e estratégia nas empresas brasileiras

O que R$ 3 trilhões em transações revelam sobre contas a pagar, riscos, controle e o impacto da reforma tributária nas empresas brasileiras.

Neste artigo

O contas a pagar costuma ser tratado como uma engrenagem operacional do financeiro. Uma área necessária, mas pouco estratégica. O episódio 63 do Controller Cast mostra que essa visão já não se sustenta — especialmente quando analisamos dados reais do mercado brasileiro.

No bate-papo com Ivan Mello, gerente de Controladoria da Qive, mergulhamos nos bastidores do Panorama de Contas a Pagar 2026, um estudo baseado em mais de R$ 3 trilhões em transações B2B e 314 milhões de documentos fiscais analisados. O objetivo da pesquisa não é prever o futuro, mas revelar como o dinheiro efetivamente circula entre empresas no Brasil — e quais riscos, gargalos e oportunidades aparecem nesse caminho.

O resultado é um alerta claro: o contas a pagar está no centro das decisões de caixa, governança e, em breve, da própria estratégia tributária das empresas.

Abaixo você pode assistir o episódio na íntegra, ou ouví-lo no Spotify.

Capa do vídeo: YouTube video playerVídeo · YouTube

Você também pode acessar o link oficial do Panorama para consumir o material na íntegra enquanto acompanha o bate papo.

Neste artigo, resumimos os principais pontos do episódio para você:

Como a pesquisa foi construída (e por que isso importa)

Um dos pontos reforçados por Ivan ao longo do episódio é o cuidado metodológico do estudo. O Panorama de Contas a Pagar 2026 tem caráter descritivo, ou seja, ele não tenta explicar “por que” algo acontece, mas mostrar o fenômeno como ele é, a partir de dados reais.

A pesquisa se apoia em três grandes fontes:

  • Dados anonimizados da base da Qive, com transações B2B reais
  • Mais de R$ 3 trilhões em valores financeiros analisados
  • Uma pesquisa de percepção com 406 profissionais, conduzida com apoio do Opinion Box

O estudo foi organizado em quatro capítulos:

  1. Como as empresas brasileiras pagam entre si
  2. Inconsistências e vulnerabilidades no contas a pagar
  3. Contas a pagar e reforma tributária
  4. O papel estratégico do backoffice financeiro

Essa estrutura permite conectar o dado operacional à discussão estratégica — algo que raramente acontece quando falamos de contas a pagar.

👉 A pesquisa completa está disponível aqui.

Boleto ainda domina os pagamentos B2B (apesar do Pix)

Um dos dados mais curiosos — e contraintuitivos — da pesquisa é a permanência do boleto como principal meio de pagamento entre empresas.

Mesmo com o crescimento acelerado do Pix no Brasil, 69% das transações B2B ainda acontecem via boleto. No estudo anterior, esse número era de 74%, ou seja, houve uma queda, mas o domínio permanece claro.

A leitura apressada poderia sugerir atraso tecnológico. Mas, na prática, o que os dados indicam é outra coisa.

Segundo Ivan, o boleto segue sendo preferido porque ele se comporta como uma entidade de dados. Ele carrega informações estruturadas, é facilmente rastreável e se encaixa melhor em fluxos de aprovação, conciliação e auditoria — algo essencial no ambiente B2B.

Enquanto o Pix prioriza velocidade, o boleto prioriza controle. E, nas empresas, esse trade-off ainda pesa mais para o lado da governança.

Inconsistências que custam caro (e passam despercebidas)

Se o boleto traz controle, ele não elimina riscos. Pelo contrário: a pesquisa mostra que os riscos continuam presentes, muitas vezes invisíveis.

Um dado chama atenção: 6% dos boletos analisados estavam vinculados a CNPJs inexistentes ou divergentes da Receita Federal, somando cerca de R$ 2 bilhões em valores.

Ivan faz questão de destacar que isso não significa, automaticamente, fraude. Mas toda fraude começa com uma inconsistência ignorada.

O problema central não é apenas o erro em si, mas a falta de processos e rotinas capazes de identificar esses desvios antes do pagamento acontecer. No contas a pagar, o dinheiro sai do caixa. Depois disso, recuperar é sempre mais difícil.

Quando o contas a pagar vira um risco silencioso

Ao longo da conversa, fica claro que os problemas no contas a pagar raramente surgem de forma abrupta. Eles crescem aos poucos.

Empresas começam pequenas, com poucos pagamentos, controles simples e muito conhecimento tácito. À medida que crescem, aumentam:

  • Volume de fornecedores
  • Frequência de pagamentos
  • Valor médio das transações

Sem ajustes de processo, o contas a pagar vira o famoso “sapo na água quente”: quando o risco aparece, já é grande demais.

Para Ivan, não existe um “momento mágico” em que o controle se torna necessário. O ideal é que ele exista desde o início, especialmente em empresas onde os sócios têm “skin in the game” — ou seja, o dinheiro que sai é, de fato, deles.

Um processo simples que evita muitos problemas

Entre os insights mais práticos do episódio está a ideia do “pagamento da semana”.

A lógica é simples:

  • Definir um momento fixo da semana para revisar pagamentos
  • Olhar apenas para o período que vai do dia seguinte até a próxima semana
  • Separar pagamentos recorrentes de pagamentos fora do padrão
  • Dar atenção especial a:
    • Fornecedores novos
    • Valores acima da média
    • Nomes ou CNPJs desconhecidos

Esse ritual cria foco, reduz distrações e permite que o responsável pelo pagamento pare para pensar antes de executar.

Mais importante: ele devolve protagonismo ao contas a pagar, que deixa de ser apenas operacional e passa a atuar como guardião do caixa.

A falsa separação entre falha operacional e falta de caixa

Outro ponto forte do episódio é a provocação: falha operacional e falta de caixa costumam ser o mesmo problema, visto por ângulos diferentes.

Atrasos, pagamentos emergenciais, multas e juros raramente acontecem “do nada”. Eles são consequência de:

  • Falta de previsibilidade
  • Dados desconectados
  • Processos mal definidos

Quando o contas a pagar funciona no improviso, o caixa paga a conta.

Contas a pagar como área estratégica (e não só operacional)

Na pesquisa de percepção com os profissionais, aparece um dado interessante: o contas a pagar já é visto como área estratégica, mas com processos imaturos.

Essa contradição ajuda a explicar por que tantas empresas reconhecem a importância do tema, mas ainda patinam na execução.

Ivan levanta uma hipótese importante: esse movimento tem relação direta com a reforma tributária.

Reforma tributária muda o jogo para compras e contas a pagar

Um dos insights mais relevantes do episódio é a conexão entre contas a pagar, compras e crédito tributário no novo modelo fiscal.

Com a reforma tributária, o crédito deixa de ser apenas um tema fiscal e passa a depender diretamente de:

  • Quem é o fornecedor
  • Qual regime tributário ele utiliza
  • Como a operação foi estruturada

Na prática, compras e contas a pagar passam a ser guardiões do crédito tributário.

Se uma empresa compra de um fornecedor que não gera crédito — ou escolhe mal essa relação — o problema aparece depois, quando o imposto já foi pago e não há mais como corrigir.

2026 é o ano do preparo

Ivan reforça que 2026 é, oficialmente, um ano de testes. As novas tags fiscais já precisam ser utilizadas, mas ainda sem impacto financeiro direto.

Isso não reduz a importância do momento — pelo contrário.

É agora que as empresas precisam:

  • Ajustar emissão e recebimento de documentos
  • Mapear fornecedores
  • Entender quem gera (ou não) crédito
  • Criar rotinas entre compras, fiscal e financeiro

Quem deixar para 2027 corre o risco de aprender da forma mais cara possível.

Tecnologia não é mais opcional — mas precisa de processo

Ao falar sobre o futuro do backoffice, Ivan traz uma visão clara: as áreas financeiras caminham para se tornar disciplinas de engenharia de dados regulada.

APIs, automações, integrações e análise de grandes volumes de dados deixam de ser exclusividade da TI. Mas isso não significa “copiar e colar código”.

O recado é direto: tecnologia sem entendimento do processo e da regra de negócio aumenta o risco, em vez de reduzi-lo.

O papel da colaboração (ninguém se prepara sozinho)

Talvez a mensagem final mais forte do episódio seja esta: não adianta uma empresa estar preparada se seus fornecedores não estão.

A reforma tributária cria um efeito em cadeia. Se um elo falha, o impacto se espalha.

Por isso, compartilhar conhecimento, alinhar expectativas e elevar o nível do ecossistema não é altruísmo — é estratégia.

O que o Panorama de Contas a Pagar 2026 deixa claro

Ao final do episódio, fica evidente que o contas a pagar:

  • Não é apenas operacional
  • Não é apenas financeiro
  • Não é apenas fiscal

Ele está no cruzamento entre caixa, risco, governança e estratégia tributária.

Empresas que enxergarem isso agora terão vantagem competitiva. As que ignorarem, pagarão a conta — com juros.

👉 Acesse o estudo completo e aprofunde os dados: https://lp.qive.com.br/panorama-contas-a-pagar-2026/?utm_source=treasy

E se você quer transformar dados em decisões melhores, o primeiro passo é simples: ter visibilidade real sobre para onde o dinheiro está indo — e por quê. Quando o realizado está organizado, integrado ao ERP e conectado ao planejamento, o financeiro deixa de apagar incêndio e passa a antecipar riscos, simular cenários e sustentar decisões melhores. É exatamente esse tipo de base que a Treasy ajuda as empresas a construir no dia a dia. Comece gratuitamente abaixo:

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Perguntas frequentes

O que é o Panorama de Contas a Pagar 2026
É um estudo baseado em mais de R$ 3 trilhões em transações B2B e 314 milhões de documentos fiscais analisados. A pesquisa descreve como o dinheiro circula entre empresas no Brasil, identificando riscos, gargalos e oportunidades no fluxo de contas a pagar. Não tenta explicar "por que" algo acontece, mas mostra o fenômeno como ele realmente é, a partir de dados anonimizados da Qive e percepção de 406 profissionais.
Por que contas a pagar deixou de ser uma área apenas operacional
Porque o contas a pagar está diretamente ligado às decisões de caixa, governança e estratégia tributária das empresas. Os dados revelam que essa área influencia riscos, fluxo de pagamentos e conformidade — questões que impactam o resultado financeiro da organização, não só a eficiência do back-office.
Qual é o principal meio de pagamento entre empresas no Brasil
O boleto segue dominando, com 69% das transações B2B acontecendo via boleto (queda de 74% em relação à pesquisa anterior). Apesar do crescimento do Pix, as empresas preferem o boleto porque ele funciona como uma entidade de dados estruturada, rastreável e facilmente auditável — algo essencial para controle e aprovação em ambiente B2B.
Por que as empresas ainda usam boleto se o Pix é mais rápido
O trade-off entre velocidade e controle pesa para o lado da governança nas empresas. O boleto carrega informações estruturadas e é facilmente rastreável em fluxos de aprovação, conciliação e auditoria. O Pix prioriza velocidade, mas não oferece o mesmo nível de estruturação de dados que o boleto — crucial em ambientes B2B com processos complexos.
Quantas transações em boleto estão vinculadas a CNPJs problemáticos
Segundo o estudo, 6% dos boletos analisados estavam vinculados a CNPJs inexistentes ou divergentes dos registros da Receita Federal, somando aproximadamente R$ 2 bilhões em valores. Isso não significa automaticamente fraude, mas toda fraude começa com uma inconsistência ignorada — o que reforça a importância do controle.
Como a pesquisa do Panorama foi construída
A pesquisa se apoia em três fontes: dados anonimizados da base da Qive com transações B2B reais, análise de mais de R$ 3 trilhões em valores financeiros e uma pesquisa de percepção com 406 profissionais. Foi organizada em quatro capítulos que conectam dados operacionais a discussões estratégicas: como as empresas pagam entre si, inconsistências no contas a pagar, impacto da reforma tributária e o papel do backoffice financeiro.
Qual é a diferença entre um estudo descritivo e um explicativo sobre contas a pagar
Um estudo descritivo mostra o fenômeno como ele é, a partir de dados reais — "o que acontece". Um explicativo tenta responder "por que" algo acontece. O Panorama de Contas a Pagar 2026 é descritivo: revela como o dinheiro circula entre empresas no Brasil, sem tentar explicar as razões por trás de cada fenômeno.
Quais são os quatro eixos principais abordados na pesquisa
Como as empresas brasileiras pagam entre si; inconsistências e vulnerabilidades no contas a pagar; contas a pagar e reforma tributária; e o papel estratégico do backoffice financeiro. Essa estrutura conecta dados operacionais às decisões estratégicas — uma conexão rara quando se discute contas a pagar.
Inconsistências em contas a pagar sempre significam fraude
Não. Uma inconsistência (como um CNPJ divergente) é um sinal de alerta, mas não prova fraude. No entanto, toda fraude começa com uma inconsistência ignorada. Por isso, o controle e a conciliação são críticos: identificar desvios no momento em que surgem evita que evoluam para problemas maiores.
Por que R$ 2 bilhões em boletos com CNPJs problemáticos passam despercebidos
Porque muitas empresas ainda dependem de processos manuais e planilhas para conciliar pagamentos, faltando visibilidade centralizada sobre as inconsistências. Sem um sistema que agrupe e alerte sobre anomalias, desvios continuam invisíveis até que causam danos reais — fraude, bloqueio de fornecedor, problemas fiscais.
O estudo do Panorama 2026 aborda a reforma tributária
Sim. A reforma tributária está conectada ao contas a pagar porque afeta prazos de pagamento, impostos retidos, fluxos de caixa e estratégia de cash management. A pesquisa dedica um capítulo inteiro a como contas a pagar se relaciona com as mudanças tributárias — algo que ainda é pouco explorado pelas empresas.
Qual foi a queda no uso de boleto entre a pesquisa anterior e a de 2026
O boleto caiu de 74% para 69% nas transações B2B. Isso representa uma redução de 5 pontos percentuais, refletindo o crescimento do Pix. No entanto, o boleto continua dominante, mostrando que a migração para novos meios de pagamento é mais lenta em ambientes B2B do que em transações pessoa a pessoa.
Quem foi entrevistado no episódio 63 do Controller Cast
Ivan Mello, gerente de Controladoria da Qive. Ele mergulhou nos bastidores da pesquisa, explicando a metodologia, os dados reais do mercado brasileiro e o impacto estratégico do contas a pagar nas decisões de caixa e governança das empresas.
O Pix vai substituir o boleto completamente em pagamentos B2B
Não no curto prazo. Enquanto o Pix prioriza velocidade, o boleto prioriza controle e estruturação de dados — essencial em ambientes B2B com processos complexos de aprovação e auditoria. Para que o Pix substitua o boleto completamente, teria que desenvolver capacidades de estruturação e rastreabilidade semelhantes, o que envolve mudanças infraestruturais significativas.
Como o backoffice financeiro impacta a estratégia da empresa
O backoffice financeiro deixou de ser um puro operacional. Ele gera visibilidade sobre riscos, vulnerabilidades e oportunidades em contas a pagar — dados que alimentam decisões de caixa, negociação com fornecedores, planejamento tributário e conformidade. Uma área bem estruturada reduz riscos invisíveis e libera fluxo de caixa.
Empresas de qual porte participaram do estudo
O estudo inclui dados de transações B2B reais da base da Qive, que cobre diferentes portes de empresa. A pesquisa de percepção envolveu 406 profissionais, provavelmente de diferentes segmentos e tamanhos — embora o material destaque que os achados refletem o cenário do Brasil como um todo.
Como uma empresa pode reduzir riscos em contas a pagar
Começando pela visibilidade: implementar um sistema que centralize dados de pagamentos, identifique inconsistências (CNPJs divergentes, duplicatas, desvios de prazo) e alerte quando anomalias surgem. Depois, automatizar fluxos de aprovação e conciliação. O boleto continua sendo uma boa base porque já traz estruturação de dados — o desafio é transformar esses dados em ação.
Vale a pena investir em controle de contas a pagar em 2026
Totalmente. A pesquisa mostra que riscos invisíveis somam bilhões em valores e afetam diretamente o caixa, a governança e a estratégia tributária. Com a reforma tributária em andamento, empresas que controlarem contas a pagar estarão mais preparadas para as mudanças regulatórias e poderão negociar prazos de pagamento de forma mais estratégica.

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