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Orçamento para organizações sem fins lucrativos: mais transparência à gestão de entidades do terceiro setor

O orçamento para organizações sem fins lucrativos é essencial para mostrar transparência quando as entidades do terceiro setor forem captar recursos.

Neste artigo

Mãos com tablet colorido demonstrando fundamentos de gestão financeira para ONGs de forma prática Toda organização deve procurar ter um alto nível de transparência em sua gestão. A frase é uma afirmativa já inquestionável, sendo que para organizações do terceiro setor (Associações e Fundações) uma gestão transparente é ainda mais essencial. Outra verdade que não deixa espaço para dúvidas é o fato de que o Orçamento Empresarial é o pilar da saúde financeira de todas as organizações, incluindo as ESFL’s (Entidades Sem Fins Lucrativos). Nesse contexto, se para organizações do terceiro setor a transparência das informações, especialmente no que diz respeito aos recursos obtidos e investimentos realizados, é primordial, que maneira melhor de se obter isso do que com a Gestão Orçamentária? Organizações do terceiro setor devem ser vistas como uma entidade sem fins lucrativos, justamente por isso devem levar a sério o coração do negócio: o financeiro. Sendo assim, dedicamos o post de hoje especialmente a você que trabalha em uma entidade do terceiro setor e precisa de uma ajuda para elaborar o orçamento para organizações sem fins lucrativos.

O que é o terceiro setor?

Antes de mais nada, para fins de alinhamento vamos esclarecer o que significa uma organização de terceiro setor, também conhecida como Organização da Sociedade Civil (ou, como estamos acostumados, as ONGs). Para isso, já deixamos bem claro que a principal diferença entre uma entidade do terceiro setor e uma empresa está na causa, sendo que:

  • O principal objetivo das empresas é o lucro;
  • O principal objetivo das Organizações do terceiro setor é lutar por melhores condições de vida da sociedade, ao mesmo tempo em que entende que possui direitos e deveres. Apesar de não auferirem lucro, toda entidade do terceiro setor deve buscar superávit em suas operações.

Importante destacar que pelo ponto de vista jurídico só há duas classificações no campo social quando falamos em terceiro setor: associações e fundações. Ambas possuem caráter social e voluntário.

Mão desenhando em quadro branco a estrutura passo a passo para como elaborar orçamento

Um erro bem comum quando tratamos de Organizações do terceiro setor é o de imaginarmos  que elas são conduzidas apenas por trabalho voluntário. Observe que o voluntariado é uma força para entidades sem fins lucrativos, contudo, o terceiro setor é também um grande gerador de emprego. Isso porque qualquer área que existe em uma empresa é necessária também para as Organizações da Sociedade Civil. Desse modo, acontroladoriano terceiro setor é essencial. Assim, é possível construir uma carreira no terceiro setor, sempre considerando que os profissionais que trabalham em entidades sem fins lucrativos devem ser tão preparados quanto aqueles que estão em empresas que buscam o lucro. Também destacamos que apesar de Entidades do terceiro setor não terem o lucro como o fim, profissionais da área financeira devem colocar seus esforços e gerar resultados positivos. Sendo assim, para falar de Orçamento em organizações sem fins lucrativos, precisamos dar um passo atrás e falar sobre Planejamento.

A importância do Orçamento no terceiro setor

O Orçamento Empresarial é uma ferramenta que oferece grandes subsídios para tomadas de decisão. Em organizações do terceiro setor ele se faz ainda mais necessário para:

  • Planejar a aplicação de recursos;
  • Facilitar a prestação de contas;
  • Proporcionar uma visão financeira da organização (extremamente útil para atrair recursos);
  • Analisar variações entre o previsto e o realizado;
  • Analisar se os objetivos definidos no planejamento estratégico, tático e operacional estão sendo cumpridos;
  • Facilita tomadas de decisão com relação a prioridades e à direção que a entidade tomará durante um período;
  • Torna a gestão transparente, especialmente porque os recursos recebidos são sempre públicos (que vêm da sociedade: organizações, empresas, pessoas e próprio governo).

É preciso ter em mente que o orçamento para Organizações da Sociedade Civil é uma ferramenta de altíssimo valor agregado, afinal, entidades sem fins lucrativos também precisam se pautar em projeções financeiras. Por isso, o ideal é que seja utilizado na entidade como um todo e que seja uma peça viva dentro dela.

O que considerar ao elaborar um orçamento para organizações sem fins lucrativos?

Silhueta de mulher trabalhando em computador representando gestor de instituição com fins lucrativos

Orçamento é orçamento em todo lugar, tanto para o primeiro, quanto para o segundo e terceiro setores. Por isso, o primeiro item a considerar é definir o horizonte de tempo. Em grande parte dos casos, orçamento é realizado para doze meses ou coincide com a gestão da Diretoria atual. Organizações do terceiro setor devem ser tratadas como qualquer instituição privada, portanto, o orçamento deve ser elaborado com total transparência de ganhos, gastos e investimentos realizados durante o período sendo coberto. Além de definição de horizonte de tempo e transparência, não esqueça que ao elaborar o orçamento para organizações sem fins lucrativos, as despesas devem estar dentro dos objetivos sociais. Além disso, claro todos osfatos fiscais e econômicos devem estar registrados no orçamento. Lembre-se: ele será muito útil para comprovar a boa utilização dos recursos captados, portanto, quanto mais claro você conseguir comprovar a evolução patrimonial da sua instituição, mais recursos ela terá. Um fator bastante importante quando o assunto é Gestão Orçamentária em ESFL’s é que como essas entidades só podem reconhecer as receitas quando o recebimento das mesmas for efetivo, elas devem adotar oRegime de Caixa, e não o Regime de Competência para comprovar a utilização de recursos captados. Isso porque no Regime de Caixa são considerados o registro dos documentos na data de pagamento ou recebimento, enquanto que no de Competência o registro do evento se dá na data que o evento aconteceu, ou seja, na data do documento, não importando quando vai ser pago ou recebido. Neste artigo você encontra mais informações relacionadas aos dois regimes, mas já para adiantar, para o Regime de Caixa (que entidades sem fins lucrativos devem utilizar) a ferramenta utilizada é o Demonstrativo de Fluxo de Caixa (DFC). Com o DFC sabe-se quais foram as entradas e saídas de dinheiro que ocorreram em um período específico, seja no caixa, nas contas bancárias ou nas aplicações financeiras que a empresa possui com liquidez imediata. É possível ainda averiguar qual o resultado causado na entidade por cada uma destas movimentações financeiras. Se você precisa de um modelo de DFC para colocar em prática o Orçamento, disponibilizando gratuitamente uma planilha que pode ser baixada clicando na imagem abaixo: Banner verde do modelo de demonstrativo de fluxo de caixa para saldo faltante

E como elaborar o orçamento para ESFL’s?

O primeiro passo para a implantação do orçamento é a criação de uma cultura orçamentária aí na sua ESFL. Isso pode ser bastante desafiador e este artigo vai te ajudar, mas basicamente ter uma cultura orçamentária é ter a prática do orçamento enraizada na entidade inteira, em todos os seus setores. Como falamos, isso pode ser desafiador e lógico que você não precisa esperar a bênção de todos para começar a colocar a mão na massa. O principal é ter o apoio da diretoria, pois será meio caminho andado. Para a parte prática, confira a seguir:

  • Levante Custos e Despesas Fixas:uma dica aqui é fazer o levantamento por área na entidade, identificando oportunidades de redução de gastos e definindo as metas ou verbas para cada Custo e Despesa. O Orçamento de Despesas Operacionais e o Orçamento de Gastos com Pessoal entram neste item.
  • Defina os investimentos necessários:defina claramente os investimentos que serão necessários realizar para que sua entidade funcione da melhor maneira. Uma entidade que alfabetiza adultos pode precisar de computadores, livros, apostilas, material escolar etc. Na hora de realizar a Projeção de Investimentos de sua organização é preciso planejar cuidadosamente também a fonte de recursos que será utilizada e considerar todos os custos operacionais e financeiros envolvidos.
  • Faça aprojeção de fluxo de caixa: lembra que comentamos que o DFC é uma ferramenta essencial para entidades do terceiro setor? Pois é, o orçamento para organizações sem fins lucrativos precisa ter uma projeção orçamentária para entender também a necessidade de capital de giro da entidade.

As informações devem ser registradas em uma ferramenta, a fim de que se aja o controle adequado.

Qual ferramenta utilizar para a elaboração do orçamento para organizações sem fins lucrativos?

Você pode elaborar o orçamento com uma solução de Gestão Orçamentária, ou em planilhas. A primeira opção é a mais indicada, mas a planilha é bem útil para os primeiros passos. Se você achar melhor começar com elas, pode utilizar nossa planilha que disponibilizamos gratuitamente. É só clicar na imagem abaixo para acessá-la: Mockup de laptop exibindo modelo de orçamento para operação sale and leaseback

Ajuda extra: metodologia de Gestão Orçamentária para sua Organização da Sociedade Civil

Até aqui abordamos a importância do orçamento para organizações sem fins lucrativos, os pontos que devem ser considerados e como elaborá-lo. Contudo, antes de colocá-lo efetivamente em prática, é necessário definir a metodologia de Gestão Orçamentária. Na maioria dos casos, para quem está começando a trabalhar com Orçamento o Base Zero (OBZ) é uma das opções mais escolhidas. Como o nome sugere, ele começa do zero, ou seja, não leva em consideração valores de períodos anteriores. O Orçamento Histórico (OBH) é outra opção muito utilizada. Para o OBH leva-se em consideração valores do ano anterior e calcula-se o quanto se deseja elevar a receita e quanto os custos e gastos deverão subir para dar suporte aos objetivos da entidade. No post Orçamento Base Zero x Orçamento Base Histórico – Conceitos, vantagens e desvantagens de cada modelo você pode entender melhor cada um deles. Contudo, as opções não encerram aí. Só para você ter uma ideia, contando com o OBH e OBZ destacamos oito tipos demetodologia da Gestão Orçamentária:

Em cada link você encontra mais informações a respeito de cada metodologia, mas para facilitar centralizamos tudo isso em um único e-book disponível gratuitamente. É só clicar na figura abaixo e fazer o download: Ebook gestão orçamentária metodologia ideal empresas botão download gratuito Mas se ainda você se sente um pouco inseguro para implantar o orçamento, indicamos realizar nosso curso da Metodologia Treasy de Gestão Orçamentária. Esse curso foi criado para disseminar os conhecimentos que adquirimos implantando o orçamento em centenas de empresas. Para conferir e se inscrever, clique na imagem a seguir: Banner do curso de metodologia Treasy em descentralização orçamentária com instrutor especializado

Concluindo

Entidades sem fins lucrativos, as ESFL’s, exercem um papel importantíssimo, pois ajudam a sociedade a preencher lacunas em educação, saúde, esporte etc. Para elas, o lucro não é o fim, mas sim o meio para obterem os recursos necessários ao funcionamento de suas operações. Justamente por dependerem de atração de recursos financeiros para sobreviver, demonstrar transparência na Gestão Orçamentária é fundamental. Por isso, o orçamento para organizações sem fins lucrativosdeve ser visto como ferramenta obrigatória a todas as organizações do terceiro setor que querem continuar em funcionamento e servirem ao propósito a que foram criadas. Esperamos que este artigo tenha sido útil a você. Deixe um comentário contando o que achou e compartilhe conosco qualquer outro conhecimento que possa contribuir com o tema. Fique à vontade também para compartilhar este post com seus colegas. Toda semana publicamos aqui artigos relacionados a planejamento, orçamento e acompanhamento econômico-financeiro. Também publicamos mensalmente materiais gratuitos para download como modelos de planilhas, white papers e e-books. Portanto, se você ainda não é assinante de nosso newsletter, cadastre-se para receber este e outros artigos por e-mail, ou nos adicione nas redes sociais para ficar por dentro de tudo que acontece por aqui.

Perguntas frequentes

O que é uma organização do terceiro setor?
É uma entidade sem fins lucrativos, como associações e fundações, cujo objetivo principal é lutar por melhores condições de vida da sociedade. Diferente das empresas, que visam lucro, o terceiro setor busca gerar superávit para manter suas operações e impacto social.
Qual é a diferença entre associação e fundação no terceiro setor?
Ambas são classificações jurídicas de entidades sem fins lucrativos com caráter social e voluntário. A principal diferença está na estrutura: associações são constituídas por pessoas que se unem em torno de um objetivo comum, enquanto fundações são constituídas por um patrimônio destinado a uma finalidade específica.
Por que o orçamento é importante para ONGs e organizações sem fins lucrativos?
O orçamento mostra aonde os recursos estão indo e se a organização está cumprindo seus objetivos. Para entidades do terceiro setor, ele é essencial para atrair doadores, prestar contas com transparência e planejar a aplicação de recursos de forma estratégica.
Organizações sem fins lucrativos precisam buscar lucro?
Não. Mas precisam buscar superávit, ou seja, que as receitas superem as despesas. A diferença é que esse excedente é reinvestido na missão da organização, não distribuído aos membros ou proprietários.
Como o orçamento ajuda na transparência do terceiro setor?
Ao detalhar receitas, despesas e aplicação de recursos, o orçamento mostra exatamente como a organização está usando o dinheiro que recebe. Isso é fundamental para manter a confiança de doadores, financiadores e da comunidade que a entidade serve.
Terceiro setor funciona apenas com voluntariado?
Não. Embora o voluntariado seja importante, o terceiro setor é um grande gerador de empregos. Profissionais nas áreas financeira, administrativa, comunicação e outras são necessários, assim como em qualquer empresa. Eles precisam ser tão preparados quanto profissionais do setor privado.
Qual é o papel da controladoria em organizações sem fins lucrativos?
A controladoria garante que os recursos sejam aplicados de forma alinhada ao planejamento estratégico e que a organização cumpra seus objetivos. É essencial para evitar desperdícios, garantir conformidade legal e demonstrar impacto social.
Como montar um orçamento para uma ONG ou fundação?
Comece pelo planejamento estratégico e operacional. Depois, projete as receitas esperadas (doações, grants, parcerias) e as despesas necessárias para cada programa ou projeto. Compare o planejado com o realizado mensalmente para ajustar o curso conforme necessário.
Qual é a diferença entre orçamento e planejamento financeiro no terceiro setor?
Planejamento financeiro é o mapa de longo prazo, definindo objetivos e estratégias. Orçamento é a tradução em números desse plano, especificando quanto será gasto em cada área e quando. Um sem o outro não funciona: o planejamento guia o orçamento.
Como uma organização sem fins lucrativos atrai recursos com transparência orçamentária?
Doadores e financiadores querem saber exatamente aonde o dinheiro vai. Um orçamento bem estruturado e relatos precisos sobre o realizado versus o planejado mostram profissionalismo e gestão competente, aumentando a chance de captar novos recursos.
Qual é a diferença entre variação orçamentária e desvio de meta em organizações do terceiro setor?
Variação orçamentária é quando a despesa real difere do que foi planejado (por exemplo, você orçou R$ 10 mil em alimentação e gastou R$ 12 mil). Desvio de meta ocorre quando o programa ou projeto não atinge o resultado esperado, mesmo que o orçamento esteja balanceado.
Por que analisar o resultado realizado versus planejado é crítico no terceiro setor?
Porque mostra se a organização está no caminho certo para cumprir sua missão e seus objetivos. Se sistematicamente você gasta mais do que planejou em certas áreas, precisa repensar a estratégia ou a alocação de recursos para garantir sustentabilidade.
Organizações sem fins lucrativos pagam impostos?
Depende. Entidades do terceiro setor certificadas como de utilidade pública podem ter isenção de alguns impostos, como IRPJ e CSLL. Porém, ainda precisam cumprir obrigações fiscais e contábeis como qualquer organização. Um contador especializado pode orientar melhor.
Como estruturar um plano de contas para uma ONG ou fundação?
Organize as contas por eixo: receitas (doações, grants, contribuições), despesas operacionais (salários, aluguel, materiais) e despesas de programas (ligadas à missão). A estrutura deve refletir como você gerencia e presta contas internamente e externamente.
Vale a pena usar software de orçamento para organizações sem fins lucrativos?
Vale muito. Ferramentas de gestão orçamentária automatizam cálculos, reduzem erros, facilitam comparações entre planejado e realizado, e economizam tempo que você poderia gastar em análises estratégicas em vez de cálculos manuais em planilhas.
Como o orçamento impacta a captura de recursos em organizações do terceiro setor?
Um orçamento sólido e bem apresentado demonstra que a organização sabe aonde está indo e tem metas claras. Isso passa confiança para potenciais financiadores e aumenta as chances de aprovação em editais, parcerias e campanhas de arrecadação de recursos.
Qual frequência um terceiro setor deve revisar seu orçamento?
Pelo menos mensalmente, comparando realizado com planejado. Trimestralmente, convém fazer uma revisão estratégica para ajustar as projeções do ano se o cenário mudar. Anualmente, revisar o orçamento geral e o planejamento para o próximo exercício.

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