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Orçamento Empresarial Artigos

Projeção de Investimentos - Parte 02

Projeção de Investimentos: confira a segunda parte do artigo completo sobre Investimentos Operacionais e Financeiros. Um guia para sua empresa!

Na ultima semana publicamos um artigo introdutório sobre o Orçamento de Investimentos, falando um pouco sobre os conceitos base dos investimentos operacionais e também dos investimentos financeiros. Neste mesmo artigo comentamos também sobre a diferença entre investimentos, custos e despesas, que apesar de a primeira vista serem parecidos por representarem desembolsos para a empresa, aos olhos da contabilidade são tratados de formas bastante distintas.

Se você não teve a oportunidade de conferir o artigo anterior, poderá acessá-lo aqui: Orçamento de Investimentos.

E no post desta semana vamos dar continuidade ao tema, focando um pouco mais no que tange os fatores que devem ser levados em consideração quando se faz a Análise e Projeção de Investimentos, e alguns aspectos a serem considerados na análise de viabilidade e retorno de investimentos.

Ícone de construção simbolizando projeção investimento operacional e planejamento financeiroPara iniciar o planejamento e orçamentação de investimentos, a primeira premissa que deve ser definida pela empresa é qual o ponto de corte para que as aquisições sejam consideradas despesas de reposição e manutenção e passem a ser tratadas como investimentos.

Vamos usar um exemplo prático. Vimos no artigo anterior que informática (hardware e software) é uma das projeções de investimentos mais comuns realizadas pelas empresas. Porém, apesar de um mouse ou um teclado se encaixarem nesta categoria, geralmente são tratados como gastos com manutenção e reposição, pois obviamente ficaria inviável realizar a projeção de investimentos para cada compra de mouse na organização.

Talvez este seja um exemplo um pouco extremo, mas ele nos ajuda a compreender porque é de extrema importância que a área de controladoria elabore um Catálogo de Bens Passíveis de Investimento e repasse esta premissa orçamentária a seus gestores, para norteá-los durante a projeção de investimentos, evitando que a distinção entre despesas e investimentos fique a critério do julgamento de cada gestor, o que certamente irá gerar, entre outros problemas, a falta de padronização.

Outro ponto importante é entender que todas as áreas do orçamento (receitas, deduções, custo, despesas, etc.) estão diretamente relacionadas e impactam umas nas outras, mas o orçamento de investimentos exerce uma influência ainda maior no restante do plano da empresa.

Para ilustrar esta situação, imagine um cenário em que uma empresa decida realizar a ampliação de sua produção, e para isto realiza a aquisição de uma nova máquina. Não basta apenas prever no orçamento o custo de compra do equipamento. É preciso entender todos os impactos que esta aquisição irá gerar, como por exemplo:

  • Vendas: se a empresa vai produzir mais, logo, vai vender mais. Portanto o planejamento de vendas vai precisar ser revisto junto à área comercial;
  • Deduções: se o volume de faturamento vai mudar, invariavelmente mais impostos serão pagos e a área tributária deve estar atenta para verificar os impactos que a venda para um novo estado, por exemplo, pode causar;
  • Custo: as equipes de PCP e compras também deverão ser envolvidas para verificar o que muda na gestão dos custos produtivos e o que pode ser otimizado na compra de matéria-prima e na programação de produção;
  • Gastos com Pessoal: alguém precisará operar o novo equipamento, então o gestor da área deverá realizar junto ao RH o planejamento de recursos humanos para isto, fora os impactos indiretos, como a necessidade de contratação de mais vendedores para atuar abertura de novos canais para absorver a produção sobressalente que será gerada;
  • Gastos Fixos: o equipamento precisará ser instalado em local adequado e isto gera despesas, como por exemplo, o aluguel de mais espaço físico e o consumo de energia elétrica adicional;
  • Depreciação: de acordo com as regras contábeis cabíveis, o novo maquinário depreciará e isto impacta diretamente o resultado geral da companhia;
  • Tributos: com impactos em praticamente todas as áreas (receitas, despesas e custos), o resultado da empresa mudará e é possível haver até mesmo uma alteração do regime de tributação que a empresa está enquadrada.

E isto que falamos apenas dos impactos econômicos gerados (DRE). Porém pela ótica financeira (DFC), muita coisa deve ser avaliada também:

  • Financiamentos: a companhia fará a aquisição do novo equipamento com recursos próprios ou buscará de crédito financeiro para isto?
  • Entradas de Caixa: como o novo volume de vendas e o novo faturamento afetam os recebimentos? Que providências deverão ser tomadas para dar conta do recado? Os sistemas, processos e profissionais estão preparados para isto?
  • Prazos Médios de Recebimentos: a empresa concede a seus clientes prazos de pagamento flexíveis? Se o fluxo entre prazos de pagamento e prazos de recebimento estiver desequilibrado, com o aumento das vendas a situação tende a piorar, necessitando de mais capital de giro para suportar a operação;
  • Juros: com o desembolso para a compra do equipamento, seja a vista ou parcelado, quais são os impactos do custo de capital, seja próprio ou de terceiros.

Enfim, são muitos fatores que devem ser levados em consideração e poderíamos continuar elencando-os por muitas e muitas páginas, porém não é o foco aqui neste artigo. E muito menos temos a intenção de desencorajar novos investimentos para a expansão da sua empresa.

A ideia com este artigo é levar o gestor a realizar uma reflexão mais ampla sobre a relação causa-efeito que deve ser analisada quando se trata de planos de expansão, e também sobre a necessidade do uso de ferramentas que deem suporte a esta análise do Big Picture de sua organização, como o Treasy.

Na próxima semana finalizaremos esta série de artigos sobre o tema de investimentos, com um post dedicado somente a explanar e destrinchar os principais indicadores de análise e controle de investimentos, como ROI, TIR, VPL e Payback.

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Perguntas frequentes

O que é considerado investimento operacional?
Investimento operacional é a aquisição de bens tangíveis ou intangíveis que a empresa mantém por mais de um período e usa na produção ou prestação de serviços. Máquinas, equipamentos, veículos, softwares e computadores são exemplos clássicos. Diferente de uma despesa (que é consumida no mês), um investimento operacional fica no balanço e é depreciado ao longo do tempo.
Qual é a diferença entre investimento, custo e despesa?
Investimento é uma aquisição que fica no balanço e gera valor por vários períodos (uma máquina, por exemplo). Custo é o gasto direto com produção (matéria-prima, mão de obra fabril). Despesa é o gasto que não está ligado à produção, mas à operação do negócio (aluguel, salário administrativo, energia do escritório). Para a contabilidade, são três registros diferentes.
Como definir o ponto de corte entre despesa e investimento?
Cada empresa deve estabelecer um limite mínimo de valor. Uma empresa pode determinar que qualquer compra abaixo de R$ 1.000 é despesa de manutenção, e acima disso é investimento. O importante é que esta regra seja documentada e comunicada a todos os gestores, para evitar que cada um julgue de forma diferente e gere inconsistências nas contas.
O que é um Catálogo de Bens Passíveis de Investimento?
É um documento que lista quais tipos de aquisições devem ser tratadas como investimento e em que condições. Por exemplo: 'computadores acima de R$ 2.000', 'impressoras acima de R$ 500', 'softwares com vigência maior que 12 meses'. Ele padroniza a classificação e evita que a contabilidade termine cheia de exceções e critérios conflitantes.
Um mouse ou teclado deve ser registrado como investimento?
Não. Apesar de serem itens de informática, mouse e teclado têm vida útil curta e baixo valor unitário, então são tratados como despesa de manutenção e reposição. Incluí-los como investimento tornaria o processo impraticável, já que teríamos de projetar a compra individual de cada item.
Como a compra de uma nova máquina impacta o orçamento de vendas?
Se a empresa amplia a capacidade de produção com uma nova máquina, ela conseguirá produzir e vender um volume maior. Por isso, o plano de vendas precisa ser revisto junto à área comercial para projetar se esse volume adicional será realmente absorvido pelo mercado e que preço será cobrado.
Qual é o impacto de um investimento operacional no orçamento de custos?
Um investimento novo muda a estrutura de custos da empresa. Por exemplo, uma máquina que aumenta a produção vai exigir mais matéria-prima, mais horas de produção programadas, talvez melhor negociação com fornecedores. As áreas de PCP (Planejamento e Controle da Produção) e Compras precisam estar envolvidas para revisar esses números.
Um investimento operacional afeta o orçamento de pessoal?
Sim. Uma nova máquina pode exigir operadores especializados, o que significa contratações e treinamentos. Além disso, pode haver impactos indiretos: se a empresa vai vender mais, pode precisar de mais vendedores. O RH precisa estar envolvido na análise desde o início.
Como o orçamento de investimentos impacta os impostos?
Se um investimento gera aumento de vendas, o volume de impostos (ICMS, PIS, COFINS) vai mudar. Além disso, a depreciação do bem reduz o lucro tributável. A área tributária precisa acompanhar para ver se há mudanças de alíquota por Estado ou se o investimento muda a enquadramento fiscal da empresa.
O orçamento de investimentos é mais importante que os outros orçamentos?
Não é mais importante, mas exerce maior influência nos demais. Um investimento bem planejado afeta receitas, custos, despesas, pessoal e impostos simultaneamente. Por isso, antes de aprovar qualquer investimento grande, todas as áreas devem ser consultadas para validar os impactos em cascata.
Qual é a diferença entre investimento operacional e investimento financeiro?
Investimento operacional é um bem físico ou intangível que a empresa usa para produzir (máquinas, computadores, software). Investimento financeiro é a aplicação de dinheiro em títulos, ações ou participações em outras empresas, com o objetivo de gerar retorno financeiro, não operacional.
Como saber se um investimento vai trazer retorno para a empresa?
É preciso fazer uma análise de viabilidade que considere o custo inicial, o tempo de vida útil do bem, a receita adicional que vai gerar, e os custos operacionais associados (manutenção, depreciação, pessoal). Indicadores como payback, TIR (Taxa Interna de Retorno) e VPL (Valor Presente Líquido) ajudam a tomar essa decisão.
Um investimento em software com assinatura anual é considerado ativo imobilizado?
Depende. Se o software é uma assinatura anual que renova todo ano, pode ser classificado como despesa operacional (custo de uso). Se for uma licença perpétua ou um software customizado com vigência maior que um período, aí sim entra como ativo imobilizado e deve ser depreciado.
Como o planejamento de investimentos afeta o fluxo de caixa?
Um investimento exige desembolso de caixa no momento da compra, mas gera retorno ao longo do tempo. Por isso, é crucial projetar quando o investimento será pago (à vista ou parcelado) e quando ele começará a gerar receita, para garantir que a empresa tenha caixa disponível e não fique apertada.
Por que é importante envolver múltiplas áreas na análise de um investimento?
Porque um investimento não afeta só um departamento. Envolve produção, vendas, compras, RH, tributária e finanças. Se apenas um setor analisar, pode aprovar um investimento que é viável sob seu ponto de vista, mas prejudicial para o negócio como um todo. A visão integrada evita decisões míopes.
Como atualizar o Catálogo de Bens Passíveis de Investimento?
Deve ser feito regularmente pela controladoria em conjunto com gestores das áreas operacionais. A cada mudança de realidade econômica (inflação, mudanças tecnológicas), o valor de corte e as categorias podem mudar. O catálogo deve ser revisado anualmente e comunicado a toda a organização.
Qual é o impacto de adiar um investimento planejado?
Adiar reduz a capacidade produtiva esperada, o que afeta o plano de vendas e receitas. Além disso, equipamentos obsoletos podem aumentar custos de manutenção. Por outro lado, pode preservar caixa em períodos de incerteza. A decisão de atrasar deve ser consensual entre todas as áreas envolvidas.

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