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Controller Cast #39 – ESG: o que é e como essa prática pode impactar sua empresa e a sua comunidade

Entenda o que é ESG e como as práticas de sustentabilidade impactam a controladoria e o contábil da empresa, com a especialista Vania Borgerth

Neste artigo

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Você já deve ter lido por aí, mas sabe o que é ESG? A sigla tem se tornado cada vez mais presente nas notícias e artigos sobre gestão e investimentos. O acrônimo para Environmental(ambiental), Social(Social) and Governance(Governança) virou sinônimo de práticas sustentáveis nas organizações. A crise climática e eventos como a Pandemia popularizaram a discussão e tornaram a pauta ainda mais importante, iniciando um movimento, ainda tímido, de grandes empresas adotando o ESG como critério na hora de escolher investimentos e parcerias em sua cadeia de valor. No episódio #39 do Controller Cast conversamos com Vania Borgerth, que está ajudando a desenhar as novas normas em relação a esse tema em conjunto com a ONU (Organização das Nações Unidas) como voluntária, e também é membro do Comitê de Auditoria do Banco Santander. Conversamos sobre os desafios e oportunidades para as empresas na adoção dessas práticas, e quais os impactos e o papel da contabilidade neste movimento. Você pode ouvir o episódio na íntegra abaixo:

Áudio · Spotify

Também deixamos um resumo dos principais pontos da conversa com a Vania abaixo:

O que é ESG?

Para entender o que significa ESG, precisamos entender cada letra do acrônimo em inglês: Environmental (Ambiental),Social (Social) e Governance (Governança), onda cada uma se refere a um conjunto de boas práticas relacionadas à sustentabilidade aplicadas às organizações. Vamos detalhar um pouco mais cada letra da sigla ESG:

  • Environmental (Ambiental). Que tipo de impacto sua empresa causa no meio ambiente? Isso pode incluir a pegada de carbono da organização; o tratamento de produtos químicos envolvidos em seus processos de produção; e também os esforços de sustentabilidade que a organização tem desenvolvido em prol do ambiente.
  • Social (Social). Como sua empresa se relaciona com colaboradores e a comunidade em geral? Aqui entram questões relacionadas às leis trabalhistas; direitos humanos; diversidade racial; programas de inclusão; e outras práticas internas, como também a relação e investimento da empresa em questões sociais.
  • Governance (Governança). Como sua empresa se relaciona com acionistas e realiza a governança dos itens anteriores? Aqui entram desde questões de composição de conselho; remuneração dos sócios; e também a gestão e reporte das práticas de ESG.

Quem é Vania Borgerth e qual sua relação com ESG?

Especialista Vânia Borgerth explicando ESG controller comitê auditoria Santander

Vania Borgerth é uma contadora apaixonada pela profissão, conforme ela mesma abre sua apresentação. Especializou-se na área de Custos, lecionou na academia e trabalhou por muitos anos no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Foi no BNDES que Vania galgou vários desafios na carreira, chegou a contadora chefe, superintendente de controladoria e foi encarregada de implementar a IFRS(International Financial Reporting Standards) no banco. Na mesma época, passou a integrar o ISAR (International Standards of Accounting and Reporting), um grupo de trabalho criado pela ONU que tem como objetivo promover transparência de mercado via relatórios. A participação neste processo envolveu Vania não só com a IFRS, mas com uma série de reportes internacionais padronizados, chegando ao Relato Integrado e ao ESG. Sobre o objetivo dos relatórios, Vania complementa: “Acreditamos que o dever de reportar é saudável em primeiro lugar para a própria empresa que reporta, pois para reportar para fora ela precisa desenvolver controles internos, e desenvolvendo esses controles ela entende seus riscos e oportunidades, e toda a gestão ganha.”

Quando o mercado começou a falar em ESG e por que o termo tem se popularizado nos últimos anos?

Segundo Vania, houve uma conjugação de vários fatores que tornaram possível a popularização e adoção de ESG pelas empresas:

  • O amadurecimento da pauta: com a crise climática e os escândalos ambientais se tornando comum (inclusive com casos de empresas brasileiras), a pauta que há 10 anos era muito extensa e sem prioridade, passou a ser vista com outros olhos pelos consumidores, acionistas e empresas;
  • A persistência de Entidades como a ONU, que mesmo recebendo muitas portas fechadas se mantiveram firme trazendo a pauta para a conversa;
  • Oportunidade de investimento: o mundo tem se tornado mais consciente sobre a importância da sustentabilidade, e com os consumidores atentos a essas questões, surgem novas oportunidades para toda a cadeia de valor. A própria ONU publicou 17 objetivos do desenvolvimento sustentável com um catálogo de oportunidades de investimento com perspectiva de rentabilidade futura, isso torna ESG tangível para as empresas.

Quais barreiras ainda temos para tornar o investimento em ESG uma prática comum?

Embora os investimentos em ESG tenham ganhado os holofotes por conta dos motivos explicados anteriormente, ESG está longe de ser prática comum e ainda precisa amadurecer como proposta para tornar-se popular nas discussões estratégicas, Vania cita 3 barreiras comuns na adoção de ESG:

  • Cultura: as empresas precisam entender que reportar sustentabilidade não é um exercício de due diligence, mas sim um instrumento de comunicação entre a empresa e o mercado onde a transparência cria uma relação de confianças entre os stakeholder;
  • Educação: o profissional de contabilidade precisa se atualizar e entender isso como educação continuada, o profissional que não se atualiza e se torna mais estratégico, infelizmente acaba ficando de lado, e é muito importante para a popularização da ESG, a adoção dele profissionais contábeis;
  • Tecnologia: é fundamental se apoiar na tecnologia para garantir a qualidade e integridade dos dados gerados pela empresa. A informação de sustentabilidade é de natureza qualitativa, de julgamento em cima de dados, então quanto melhor for o rastreamento dos dados em minha empresa, mais fidedigno será meu relatório e minha gestão.

O que uma empresa precisa para estar alinhada com os critérios de ESG?

Até esse momento, Vania explica que  um relatório de sustentabilidade era apresentado no modelo Relate ou Explique, ou seja, a empresa pode apresentar o seu relatório e se não apresentar pode relatar o que fez e o que não fez. Esse modelo foi ótimo no início para popularizar e disseminar a cultura de ESG, mas tem problemas quando precisamos de continuidade e uniformidade nos trabalhos. O próximo passo para tornar mais claro o alinhamento de uma empresa com a ESG, é ter uma norma global e um modelo de relatório padronizado. Isso vai trazer diretrizes claras para as empresas, contadores e profissionais financeiros agirem perante a ESG, além de trazer confiança para o processo, garantindo que as iniciativas das empresas estão sendo avaliadas pela mesma régua.

ESG é uma prática restrita a grandes empresas? Como uma pequena e média empresa pode se beneficiar dessas práticas?

Embora o movimento em torno do ESG tenha mais incentivo em grandes empresas, até por conta de seu impacto na cadeia de valor, ESG está longe de ser restrito a grandes corporações, pelo contrário.  Para grandes corporações, relatar investimentos em ESG é complexo por conta do modelo de negócio ser complexo, em pequenas e médias isso é mais simples justamente por conta da simplicidade inerente à sua maturidade e seu modelo de negócio.  Mas enquanto na grande empresa é mais fácil evidenciar o valor investido em ESG e mais complexo monitorar e relatar as iniciativas, em empresas menores temos o desafio inverso, embora seja mais fácil monitorar e relatar, é mais difícil conscientizar o empreendedor do valor prático de iniciativas ESG. Vania também alerta para a tendência do pequeno precisar olhar para isso pela necessidade de se adequar para trabalhar na cadeia de valor de grandes corporações, tornando o tema uma questão de sobrevivência nos próximos anos. Gostou da conversa? Ela continua no Controller Cast e você pode ouvir aqui ou pelo Spotify.

Se você ainda não conhece, o Controller Cast é um podcast onde discutimos temas de Finanças e Controladoria ou de interesse dessas áreas, trazendo ideias e exemplos práticos. Tudo por meio de entrevistas com profissionais que estão fazendo a diferença no mercado.

Agora você também pode nos ouvir no Spotify, Deezer e iTunes Podcast! Ouça também os episódios anteriores:

Perguntas frequentes

O que significa ESG
ESG é a sigla para Environmental (Ambiental), Social (Social) e Governance (Governança). Representa um conjunto de práticas de sustentabilidade que as organizações adotam para medir seu impacto ambiental, social e na forma como se relacionam com acionistas e stakeholders. Não é apenas marketing; é sobre como a empresa realmente opera.
Qual a diferença entre ESG e sustentabilidade
Sustentabilidade é um conceito mais amplo que busca equilíbrio entre crescimento econômico, responsabilidade ambiental e bem-estar social. ESG é um framework específico para medir e reportar essas práticas de forma padronizada. Toda empresa com ESG estruturado trabalha sustentabilidade, mas nem toda empresa sustentável tem ESG implementado formalmente.
Por que ESG importa para a controladoria
A controladoria precisa estruturar controles internos para coletar, validar e reportar dados de ESG. Isso significa novos processos, novas métricas e muitas vezes integração com sistemas que antes não falavam com a contabilidade. O controller que ignora ESG perde visibilidade sobre riscos reais do negócio — desde multas ambientais até reputação comprometida.
Como a pegada de carbono afeta as finanças da empresa
Diretamente e muito. Uma empresa com alta pegada de carbono enfrenta pressão regulatória crescente, riscos de multas ambientais, dificuldade para acessar crédito (bancos cobram premium de juros ou recusam empréstimo) e pode perder contratos com grandes clientes que exigem fornecedores com meta de carbono. Isso tudo impacta o fluxo de caixa.
O que entra na letra E (Environmental) do ESG
Aqui está o impacto ambiental da empresa: pegada de carbono, consumo de água, geração de resíduos, tratamento de produtos químicos, uso de energia renovável e iniciativas para reduzir danos ao meio ambiente. Não é só o que a empresa faz internamente; também como ela escolhe seus fornecedores e parceiros.
O que entra na letra S (Social) do ESG
Tudo relacionado a como a empresa trata pessoas: cumprimento de leis trabalhistas, direitos humanos, diversidade e inclusão, segurança do colaborador, programas de desenvolvimento profissional, e também investimento em comunidades próximas às operações. Aqui está a relação com colaboradores, clientes e sociedade em geral.
O que entra na letra G (Governance) do ESG
Governança é sobre como a empresa se governa e comunica isso. Inclui composição do conselho de administração, remuneração dos sócios, conflito de interesses, qualidade das decisões, transparência de informações e como a empresa reporta as práticas de E e S. Sem governança forte, E e S ficam só no discurso.
Relatórios de ESG são obrigatórios no Brasil
Não há obrigatoriedade geral ainda, mas está mudando rápido. Grandes empresas de capital aberto já têm pressão de órgãos reguladores e investidores para reportar ESG. Bancos começam a cobrar métricas de ESG como critério de empréstimo. O recomendado é começar a preparar a estrutura agora, antes que vire mandatório.
Como começar a implementar ESG na empresa
Começa com diagnóstico: mapeie onde sua empresa está em cada pilar (E, S, G). Depois defina quais indicadores fazem sentido para o seu negócio — não copie de concorrente. Terceiro passo: estruture os controles internos e processos para coletar dados consistentemente. A controladoria precisa estar envolvida desde o início.
ESG só importa para grandes empresas
Falso. PMEs não têm obrigatoriedade regulatória por enquanto, mas já enfrentam pressão indireta. Se sua PME fornece para grandes corporações ou quer acessar crédito com juros melhores, ESG já te interessa. Além disso, as práticas básicas de governança e segurança do colaborador são boas gestão, ponto.
Qual é o custo de implementar ESG
Varia demais. Uma estrutura básica pode começar com processos internos que custam pouco além do tempo do time (reclassificar dados, integrar planilhas). Uma estrutura robusta com terceirização de auditoria, software especializado e consultoria sai mais caro. O erro é pensar só em custo; o risco de não fazer é maior.
ESG é só relatório ou tem impacto operacional real
Tem impacto real. Implementar ESG força a empresa a entender seus riscos (ambientais, sociais, de governança), otimizar processos (menos desperdício é menos custo), e atrair talento (colaborador quer trabalhar em empresa séria). O relatório é só a evidência do que já está acontecendo internamente.
Como integrar dados de ESG no sistema contábil
ESG gera dados que complementam, mas não substituem, a contabilidade tradicional. Você precisa de uma estrutura paralela para coletar indicadores ambientais (toneladas de CO2) e sociais (diversidade de gênero no quadro) — geralmente em planilha ou software especializado — que depois alimentam o relatório de ESG. A controladoria coordena isso.
Qual a relação entre ESG e reputação da empresa
Direta. Consumidor millennials e Gen Z preferem marcas com prática ESG. Investidor cada vez mais olha ESG antes de entrar. Mas atenção: ESG fake (ou greenwashing) destrói reputação mais rápido que não ter nada. Por isso o relatório precisa de auditoria e ser baseado em dados reais.
ESG melhora o acesso a crédito
Sim. Bancos veem empresa com ESG estruturado como menor risco. Algumas linhas de crédito já têm desconto de taxa para quem cumpre metas de ESG. O Santander, por exemplo, condiciona empréstimos a políticas de diversidade e carbono. Se sua empresa quer financiar, ESG vira vantagem competitiva.
Como medir se a implementação de ESG está funcionando
Através de indicadores específicos: quantidade de toneladas de CO2 reduzidas (E), percentual de mulheres em posição de liderança (S), frequência de reuniões de conselho (G). O importante é medir consistentemente, ano a ano, e publicar. Você descobre se funciona quando vê mudança real nos números, não só no relatório.
O que é greenwashing no contexto de ESG
É quando a empresa diz que faz ESG mas na verdade só coloca bonitas palavras em relatório, sem ação real. Exemplo: falar que é carbon neutral mas continuar queimando combustível fóssil sem compensação. Greenwashing destroi credibilidade e pode gerar processos. Por isso ESG precisa de auditoria e dados verificáveis.
Pequenas empresas precisam de relatório integrado ou pode ser mais simples
Pode ser bem mais simples. Uma PME pode começar documentando suas políticas de governança (conselho, remuneração, conflito de interesses), alguns indicadores de impacto ambiental (consumo de água, resíduos) e práticas sociais (treinamento, segurança). Não precisa ser tão elaborado quanto os de empresa de capital aberto.

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