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Controller Cast #46: O impacto da IA na carreira de controladoria e finanças, com Jéssica Regina

Neste episósio do Controller Cast, Jéssica Regina, fundadora do Financ.ia, fala sobre o impacto da IA na controladoria e finananças e compartilha seus aprendizados.

Neste artigo

O impacto da IA na carreira de controladoria e finanças 1

Você muito provavelmente já ouviu falar do filme O Exterminador do Futuro, que mostra um futuro pós-apocalíptico e um mundo dominado (e dizimado) pelas máquinas. Que futuro é esse? Bom, a história inicia no ano de 2029, então, se você fizer as contas verá que em apenas alguns anos o “futuro” da obra já será o nosso “passado”.

Até o momento em que este artigo está sendo escrito estamos longe de vermos máquinas tomando nossos lugares e acabarem com a humanidade. Mas o que já vemos é a Inteligência Artificial (IA) presente em nossas vidas. Mais especificamente, a IA servindo como uma ferramenta para ajudar-nos a sermos muito mais produtivos.

Se em áreas como marketing e vendas o uso dessa tecnologia já é bem evidente, como ficam setores como finanças e controladoria? E se falarmos para você que o futuro já é agora (não o do filme, mas o da vida real)?

Para conversar sobre o assunto, no episódio #46 do Controller Cast convidamos Jéssica Regina, profissional com mais de 15 anos de experiência, com uma bagagem que vai desde analista fiscal até Head of M&A/FP&A, e que hoje atua como controller.

Jéssica é também fundadora do Financ.ia, um grupo de estudos de IA para Finanças & Contabilidade. No bate-papo, ela fala sobre Inteligência Artificial, o impacto da IA na controladoria e finananças, o futuro dos profissionais e compartilha o que tem aprendido sobre a tecnologia.

Confira o episódio na íntegra abaixo ou ouça pelo Spotify:

Áudio · Spotify

Abaixo um resumo da nossa conversa:

Como está a aplicação da IA no financeiro/controladoria das empresas?

Sabemos que a Inteligência Artificial ainda é um bebê e que tem muito para ser desenvolvido ainda. Também sabemos que, apesar de ainda estar nas primeiras fases de vida, ela já é avançada em linguagem de texto. Por conta disso, como pontua Jéssica, profissionais de áreas como marketing e vendas estão aproveitando muito o que a IA tem a oferecer.

No campo de finanças e controladoria a situação já é um pouco diferente, porque estamos falando de áreas que precisam de dados estruturados em primeiro lugar. Em outras palavras, a IA nesses setores tem se desenvolvido em passadas diferentes, mas, conforme o bate-papo com a Jéssica nos mostra, já temos alguns bons cases de uso.

Ela cita como exemplo a IA da Microsoft, Copilot for Finance, que é um suplemento do Excel. Ao colocar duas planilhas e pedir para a IA fazer a conciliação, em questão de segundos ela não apenas faz isso, como pega os dados, faz um relatório comparativo e dá o highlight do que está mais expressivo.

Bônus Treasy: se você quiser saber mais sobre o impacto da IA na controladoria e finanças, temos dois artigos que podem te ajudar.

👉 Como utilizar a IA no controle orçamentário

👉 Como usar o Chat GPT para criar um orçamento para sua empresa

Com o impacto da IA na controladoria muita gente vai perder o emprego?

Ok, a pergunta é batida, mas é fato que, assim que a maioria das pessoas entende o potencial da IA, esse receio surge. A verdade é que, como comenta Jéssica e nós, da Treasy, concordamos, a Inteligência Artificial somente vai tirar empregos de quem não saber usá-la e não conseguir extrair o potencial dela.

Para tarefas operacionais, por exemplo, a IA traz muito mais rapidez, o que significa que o profissional que entender isso vai ser muito mais produtivo (e consequentemente, mais valorizado).

Jéssica vai ainda além e acredita que a adoção da Inteligência Artificial “vai ser uma avalanche”. Ela complementa: “temos que nos preparar tecnicamente e também pessoalmente, porque a liderança precisa se preocupar como lidar com o medo que as pessoas têm”.

Outro ponto apontado por ela é a disrupção que a IA trará para o mercado de trabalho. “Hoje a gente tem analistas que não analisam e sabemos disso. Passam tempo preparando planilhas”.

Como a inteligência artificial traz ganho em produtividade, o tempo que um profissional leva para produzir vai ser substituído por tarefas estratégicas. Na visão de Jéssica, o próprio estagiário poderá atuar mais estrategicamente, algo que melhorará a qualidade do trabalho.

Em suma, a IA poupa o trabalho operacional, mas ela nunca substituirá a experiência necessária de um humano para realizar o trabalho de análise e validação, por exemplo.

Qualidades do profissional de finanças/controladoria na era da IA

Para Jéssica, a Inteligência Artificial é o estagiário com maior potencial que existe, mas ela precisa ser ensinada (e aprende muito rápido). Sendo assim, o profissional que deseja se destacar e garantir um crescimento na carreira na era da IA, precisa saber usá-la.

Entre outras coisas, isso significa entender os comandos que precisam ser dados para que ela faça as ações desejadas (no podcast Jéssica dá algumas dicas sobre isso). Contudo, não é apenas a parte técnica que importa. Algo que a fundadora do Financ.ia deixa bem claro nesse bate-papo é a importância dos soft skills.

Aliás, se tem um profissional que precisa ser bom nisso é o controller, que faz a ponte entre a diretoria e os gestores. Saber ouvir, se comunicar com clareza, se relacionar e liderar faz parte do dia a dia de quem atua na controladoria.

Mais do que nunca, a questão do relacionamento será importante. “A IA não vai fazer relacionamento e sem relacionamento você não consegue fazer nada na vida”, fala Jéssica. Ainda na opinião dela, ter inteligência emocional para viver tudo isso é fundamental.

Aprendendo sobre IA com o Financ.ia

O Financ.ia é um grupo de estudos, o que quer dizer que todos os participantes aprendem juntos. Jéssica explica que funciona como uma comunidade, na qual todos podem interagir e uns ajudam os outros.

O grupo é formado por duas turmas, às segundas à noite e aos sábados de manhã. Os encontros são via Zoom e duram duas horas. Na primeira parte, são discutidas atualizações, o que aconteceu na semana, cases e outros. Na segunda, são abertas salas simultâneas por departamento, como controladoria, contabilidade, auditoria, valuation e outros.

Jéssica explica que apesar de esse grupo ter surgido para unir pessoas que desejam aprender sobre a IA no setor financeiro, as discussões não se limitam apenas a isso. Há troca também sobre como usar o Excel e ajuda para questões profissionais.

Para fazer parte do grupo, é só preencher o formulário do Google:

E você também pode acompanhar nas redes sociais:

Gostou da conversa?

Esse é apenas um resumo do que Jéssica conversou com a gente. No bate papo completo, além de abordar o impacto da IA na controladoria e finanças. ela dá muitos outros exemplos práticos de uso da IA no setor financeiro, apresenta dicas de como usá-la, compartilha algumas ferramentas e muito mais. Ouça o episódio completo no início do artigo ou pelo Spotify.

Se você ainda não conhece, o Controller Cast é um podcast onde discutimos temas de Finanças e Controladoria ou de interesse dessas áreas, trazendo ideias e exemplos práticos. Tudo por meio de entrevistas com profissionais que estão fazendo a diferença no mercado. Você pode ouvir os demais episódios aqui.

Perguntas frequentes

O que é Inteligência Artificial aplicada a finanças e controladoria?
É o uso de tecnologia de IA para automatizar e potencializar tarefas financeiras. Exemplos incluem conciliação automática de planilhas, análise de dados estruturados e geração de relatórios comparativos em segundos. A IA nesse setor trabalha melhor quando os dados já estão organizados, diferente de áreas como marketing que lidam com textos menos estruturados.
A IA vai tirar o emprego dos controladoras e analistas financeiros?
Não vai tirar de quem souber usar. A IA elimina quem não consegue extrair o potencial dela. Para o profissional que aprende a trabalhar com a tecnologia, o resultado é mais produtividade e mais valor — o que aumenta a demanda, não reduz. Tarefas operacionais que levavam horas agora levam minutos, liberando tempo para análises estratégicas.
Qual é um exemplo prático de IA funcionando bem em finanças hoje?
O Copilot for Finance da Microsoft é um caso real. Você coloca duas planilhas, pede para a IA conciliar, e em segundos ela não apenas faz a conciliação como gera um relatório comparativo e destaca os itens mais expressivos. É uma tarefa que normalmente levaria horas e agora leva minutos.
Por que a IA demorou mais para chegar em finanças do que em marketing?
Porque finanças precisa de dados estruturados primeiro. Marketing trabalha com textos e conteúdo menos estruturados, o que facilita o uso de IA de linguagem natural. Em controladoria e finanças, os dados precisam estar organizados, auditáveis e confiáveis, o que exige etapas prévias de preparação.
Como posso começar a usar IA no meu departamento financeiro?
Comece identificando tarefas repetitivas e que consomem muito tempo, como conciliações, digitação de dados ou preparação de relatórios. Ferramentas como ChatGPT para orçamentos ou Copilot for Finance para análise de planilhas são bons pontos de partida. O importante é experimentar e entender como a IA funciona com seus dados específicos.
IA consegue fazer previsões financeiras?
Consegue, mas com ressalva. A IA é boa em reconhecer padrões em dados históricos estruturados, o que ajuda em projeções. Mas previsões financeiras também exigem contexto de negócio, cenários externos e julgamento humano. Use IA como ferramenta de análise, não como a verdade única.
Qual é o diferencial de um controller que sabe usar IA versus um que não sabe?
Um controller que usa IA consegue fechar o mês mais rápido, com mais precisão e tendo tempo para fazer análises estratégicas. O outro fica preso em tarefas operacionais. No mercado, quem não se preparar tecnicamente vai ficar para trás — não porque perde o emprego, mas porque perde relevância.
Vale a pena investir em formação em IA para área financeira?
Sim. Jéssica Regina, com 15 anos de experiência no mercado, criou um grupo de estudos justamente porque viu que isso é essencial. A IA não é uma tendência passageira — é uma avalanche. Quem não se preparar tecnicamente vai ficar para trás no mercado.
IA consegue detectar fraudes e inconsistências nas contas?
Sim. A IA é excelente em varrer grandes volumes de dados e identificar padrões anormais — transações fora do padrão, inconsistências entre períodos, duplicatas. Mas para análise final e decisão, você ainda precisa de um humano que entenda o contexto do negócio.
Quais dados preciso estruturar antes de usar IA em finanças?
Plano de contas bem organizado, dados históricos limpos (sem duplicatas ou erros óbvios), e informações padronizadas no ERP ou sistema contábil. Quanto melhor estruturado o dado, melhor a IA trabalha. Se seus dados estão em 10 planilhas diferentes, a primeira etapa é consolidar isso.
IA consegue gerar relatórios executivos automaticamente?
Consegue estruturar e organizar dados para um relatório, mas o contexto estratégico ainda é responsabilidade humana. A IA pode dizer que a margem caiu 4%, mas quem decide se isso é preocupante ou normal para o período é o analista. Use IA para acelerar a preparação, não para substituir a análise.
Qual é o maior desafio de implementar IA em controladoria?
Ter dados estruturados. Muitas empresas ainda usam planilhas paralelas, sistemas desconectados e informações inconsistentes. Antes de IA, você precisa de infraestrutura de dados. Depois, o desafio é treinar o time para usar a tecnologia com segurança e sabedoria.
IA pode ser usada para controle orçamentário?
Sim. A IA consegue comparar orçado versus realizado, identificar desvios, projetar cenários e alertar quando algo sai da rota. Ferramentas modernas de FP&A combinadas com IA facilitam muito essa rotina, deixando o trabalho menos manual e mais estratégico.
Como garantir que a IA não comete erros ao analisar dados financeiros?
Validação humana. Use IA para acelerar o trabalho, mas sempre revise os resultados com alguém do time. Para decisões críticas, combine análise de IA com análise humana. Nunca use IA como a resposta final e única em finanças — é ferramenta, não oráculo.
Qual é o próximo passo depois que a IA fica boa em tarefas operacionais?
Análise estratégica. Uma vez que a IA cuida de conciliações, relatórios e dados operacionais, o controller pode focar em análise de cenários, estratégia de fluxo de caixa, planejamento de crescimento. O trabalho muda de 'executar' para 'pensar'.
IA funciona para empresas de qualquer tamanho ou só para grandes?
Funciona para qualquer tamanho, mas o tipo de implementação muda. PMEs começam com ferramentas mais simples (ChatGPT, Copilot), enquanto grandes empresas podem investir em soluções customizadas. O importante é que toda empresa pode começar a extrair produtividade com IA hoje.

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