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IFRS 18: conheça a nova norma para as demonstrações financeiras

O que é IFRS 18 e quais seus objetivos? Entenda aqui, e veja as principais mudanças que ela traz para as demonstrações financeiras e os impactos esperados.

Neste artigo

O que é IFRS 18

Para acompanhar um mercado cada vez mais interconectado e globalizado, a contabilidade se adapta constantemente. Uma das adaptações mais recentes foi a introdução da IFRS 18. Emitida em 9 de abril de 2024, seu objetivo é melhorar as apresentações e divulgações nas Demonstrações do Resultado do Exercício (DRE) e nas notas explicativas em um âmbito global.

A norma entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027, mas é importante as empresas já começarem a se familiarizar para que a transição seja tranquila, uma vez que ela poderá demandar ajustes em sistemas e processos.

Para você se preparar melhor, confira a seguir o que é a IFRS 18, seus objetivos, as principais mudanças que ela traz para as demonstrações financeiras e os impactos esperados dessa norma nas práticas contábeis empresariais.

(Importante: as fontes utilizadas são identificadas nos links ao longo do texto).

Entendendo as IFRS

Imagine que você olhe para os Demonstrativos de Resultados de Exercício (DRE) de duas filiais de uma empresa: uma localizada no Japão e outra na França. Agora, imagine que você é um investidor e está analisando os demonstrativos de companhias situadas em continentes diferentes.

Graças ao campo da Contabilidade Internacional, você não precisaria falar francês, japonês ou qualquer outro idioma para entender a que números se referem. Isso porque existe o que é conhecido por International Financial Reporting Standards (IFRS).

Em uma tradução para português, as IFRS nada mais são do que Normas Internacionais de Relatórios Financeiros. O órgão responsável por elas é o International Accounting Standards Board (IASB), o Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade.

As IFRS visam garantir que as demonstrações financeiras possam ser entendidas em todo o mundo. Ao oferecer uma linguagem comum para mensuração, reconhecimento, apresentação e divulgação de informações financeiras, econômicas, patrimoniais e especiais das demonstrações, as normas asseguram que empresas de diferentes países sejam comparadas de forma clara e precisa.

Dessa maneira, podemos dizer que as IFRS estabelecem diretrizes e ações para a padronização das práticas contábeis, assegurando que os relatórios financeiros das organizações sejam consistentes e comparáveis em nível global. Em termos práticos, isso elimina discrepâncias que poderiam surgir devido às práticas contábeis locais variadas.

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👉 IFRS x BR GAAP x US GAAP: como as normas da Contabilidade Internacional influenciam na gestão orçamentária?

O que é a norma IFRS 18?

A IFRS 18 foi emitida em 9 de abril de 2024 pela IASB. Trata-se do novo padrão de apresentação e divulgação em demonstrações financeiras, com foco no DRE e nas notas explicativas. Conforme cita a PwC, ela surgiu “como uma resposta às preocupações dos investidores sobre a comparabilidade e transparência dos relatórios de desempenho das entidades”.

Sendo assim, o que se espera é que os novos requisitos introduzidos na IFRS 18 tornem mais fáceis a comparabilidade do desempenho financeiro de organizações semelhantes. Em especial, a como o "lucro ou prejuízo operacional" é definido.

Ainda, vale destacar que a IFRS 18 substitui a IAS 1 – Apresentação das Demonstrações Financeiras, a qual equivale ao nosso CPC 26 (R1) – Apresentação das Demonstrações Contábeis. Além da CPC 26, a norma impacta:

  • IAS 7 (Demonstração dos Fluxos de Caixa – CPC03);
  • IFRS 12 (Divulgações de Participações em Outras Entidades – CPC45);
  • IAS 33 (Resultado por Ação – CPC41);
  • IAS 34 (Demonstração Intermediária – CPC21);
  • IAS 8 (Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro – CPC23) e;
  • IFRS 7 (Instrumentos financeiros – Evidenciação – CPC40).

Quando a IFRS entrará em vigor?

A IFRS 18 entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027. Isso dá tempo para as empresas se adaptarem e garantirem uma transição suave, especialmente porque as alterações podem exigir mudanças de sistema e processo.

Quais os objetivos da norma IFRS 18?

Segundo Andreas Barckow, presidente do IASB:

“O International Financial Reporting Standard – IFRS 18 representa a mudança mais significativa na apresentação dos resultados financeiros das empresas desde que os padrões contábeis IFRS foram introduzidos há mais de 20 anos. Este padrão fornecerá aos investidores melhores informações sobre os resultados financeiros das empresas e referências consistentes para suas análises.”

Só aí você já consegue entender o “peso” da IFRS 18, mas para ir um pouco mais além, como explicado neste conteúdo publicado pela IAS, a norma tem o objetivo de:

“(...) ajudar a garantir que elas (as demonstrações financeiras) forneçam informações relevantes que representem fielmente os ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas e despesas de uma entidade.”

Dessa maneira, a IFRS 18 visa tornar a comparabilidade do desempenho financeiro entre entidades mais precisa. Dê uma olhada neste exemplo dado pela KPMG para entender melhor:

“Embora algumas empresas apresentem um subtotal de ‘Lucro ou prejuízo operacional’ hoje, ele é calculado de forma diferente — essa diversidade torna desafiador para os investidores compararem entre empresas.”

Portanto, note que a mudança vem para atender a uma necessidade dos investidores de tomarem uma decisão com melhor embasamento. Isso porque a norma permitirá que as empresas comuniquem as informações de forma mais consistente e padronizada.

Em suma, a IFRS 18 traz maior transparência e comparabilidade e proporciona uma visão mais clara e precisa da performance financeira das organizações.

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O que mudou?

Vamos explicar as mudanças em três tópicos. Confira:

Categorias

As principais mudanças compreendem a introdução de categorias e subtotais definidos na demonstração de lucros e perdas. Em particular, os itens de receita e despesa devem ser classificados em categorias na demonstração de lucros e perdas:

  • Operacional: todas as informações de receitas e despesas das principais atividades da empresa que não se encaixarem em outras categorias.
  • Investimento: receitas e despesas de ativos que geram retorno independentemente de outros recursos retidos pela empresa.
  • Financiamento: inclui receitas e despesas de caixa e equivalentes de caixa; de passivos decorrentes de atividades de financiamento; e de juros sobre outros passivos.
  • Imposto de renda: as despesas devem ser identificadas de acordo com a IAS 12 - Imposto de Renda;
  • Operações descontinuadas: receitas e despesas de operações descontinuadas reconhecidas de acordo com a IFRS 5 - Ativos não correntes mantidos para venda e operações descontinuadas.

Quando a entidade possui como atividade comercial principal fornecer financiamento a clientes ou investir em ativos, são obrigadas a apresentar os seguintes subtotais:

  • Lucro ou prejuízo operacional
  • Lucro ou prejuízo antes do financiamento e imposto de renda

“Esses subtotais estruturam a demonstração de lucros ou prejuízos em categorias, sem a exigência de apresentar títulos de categorias. Os itens de linha listados no IFRS 18 devem ser apresentados, a menos que isso reduza a eficácia da demonstração de lucros ou prejuízos em fornecer um resumo estruturado útil da receita e despesas da entidade.” (fonte IASB)

Requisitos para melhorar a agregação e a desagregação

A IASB também cita a introdução de requisitos para melhorar a agregação e a desagregação que visam informações relevantes adicionais e garantem que informações materiais não sejam obscurecidas. Entenda:

  • A IFRS 18 orienta se as informações devem estar nas demonstrações financeiras primárias ou nas notas.
  • As organizações devem identificar ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas e despesas que surgem de transações individuais ou outros eventos.
  • Além disso, devem classificá-los em grupos com base em características compartilhadas, resultando em itens de linha nas demonstrações financeiras primárias que compartilham pelo menos uma característica.
  • Os grupos são separados com base em outras características diferentes, resultando na divulgação separada de itens materiais nas notas.
  • Pode haver necessidade de agregar itens imateriais com características diferentes para evitar obscurecer informações relevantes. As entidades devem usar um rótulo descritivo ou, se isso não for possível, fornecer informações nas notas sobre a composição de tais itens agregados.

Medidas de Desempenho definidas pela Administração (MPMs)

Um ponto importante diz respeito à introdução de divulgações sobre Medidas de Desempenho definidas pela Administração (MPMs) nas notas.

Para você entender, como o nome sugere, as MPMs são indicadores de sucesso escolhidos por cada empresa. Elas se relacionam ao resultado do exercício. A IFRS 18 propõe que as MPMs subtotais de receitas e despesas devem ser fornecidas em uma única nota, incluindo:

  • O motivo pelo qual a MPM fornece a visão da administração sobre o desempenho e o que a medida significa;
  • Descrição de como a MPM foi calculada, isto é, a história por trás dos números;
  • Descrição de como a medida fornece informações úteis sobre o desempenho financeiro de uma entidade.
  • Uma reconciliação da MPM com o subtotal ou total mais diretamente comparável especificado pelas IFRSs.
  • Uma declaração de que a MPM fornece a visão da administração sobre um aspecto do desempenho financeiro da entidade
  • O efeito dos impostos e dos interesses não controladores separadamente para cada uma das diferenças entre o MPM e o subtotal ou total mais diretamente comparável especificado pelas IFRSs.
  • Caso tenha havido mudança na forma como a MPM é calculada de um ano para outro, é necessário incluir uma explicação dos motivos e do efeito da mudança.

Agrupamento de informações

A IFRS 18, que tem como objetivo melhorar a comparabilidade do desempenho financeiro de empresas, requer que haja um agrupamento de informações similares. Do mesmo modo, as informações que forem diferentes devem ser separadas.

Como ficam a DRE e o DFC com a IFRS 18?

Na DRE, como comentamos, há a introdução das novas categorias. O Prof. Fernando Galdi (Gestão de Ativos do Bradesco), fez uma simulação de DRE para comparar a norma atual com a IFRS 18. Dê uma olhada:

Já no DFC, há também mudança na apresentação, uma vez que ela será reestruturada em três seções distintas. A JCM Consultores explica neste conteúdo que a nova estrutura será composta por:

  • Atividades operacionais: apresentará o lucro líquido ajustado, reconciliando-o com o fluxo de caixa das atividades operacionais.
  • Atividades de investimento: inclusão dos fluxos de caixa relacionados a investimentos em ativos não circulantes e participações em outras entidades.
  • Atividades de financiamento: detalhará os fluxos de caixa de captação e aplicação de recursos com financiadores e acionistas.

Ainda, a norma IFRS 18 traz uma abordagem na capacidade da empresa de gerar caixa a partir de suas operações. Para isso, leva em consideração itens não monetários e outros que não impactam o caixa, como depreciação e amortização.

Somado a isso, ela divide as receitas e despesas em cinco categorias:

  • Vendas ou serviços;
  • Custo dos serviços ou vendas;
  • Despesas operacionais;
  • Outras receitas e despesas operacionais;
  • Ganhos e perdas não operacionais.

Concluindo

A IFRS 18 surgiu para trazer mais transparência aos investidores e tornar as práticas contábeis internacionais mais harmonizadas. Como é preciso se adaptar, para as empresas isso pode significar mudanças em sistemas e processos, e pode exigir investimentos em consultoria e treinamento.

Falando em transparência, uma das dores de gestores quando o assunto é gestão orçamentária, é a falta de uma visão mais completa de todo o processo. Na maioria dos casos, esse processo é desacreditado por várias idas e vindas de planilhas e análises que se perdem.

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Perguntas frequentes

O que é IFRS 18?
IFRS 18 é a nova norma internacional de apresentação e divulgação de demonstrações financeiras emitida em 9 de abril de 2024 pela IASB. Seu foco principal é melhorar a clareza e comparabilidade da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e das notas explicativas em nível global, especialmente na definição de lucro ou prejuízo operacional.
Quando a IFRS 18 entra em vigor?
A IFRS 18 entra em vigor em 1º de janeiro de 2027. Apesar disso, é recomendado que as empresas já comecem a se familiarizar com a norma para identificar ajustes necessários em sistemas, processos e práticas contábeis antes da data obrigatória.
Qual é o objetivo principal da IFRS 18?
O objetivo é melhorar a comparabilidade e transparência dos relatórios de desempenho financeiro entre empresas de diferentes países. A norma surgiu como resposta às preocupações dos investidores sobre a dificuldade em comparar demonstrações financeiras de organizações semelhantes em mercados diferentes.
Qual norma a IFRS 18 substitui?
A IFRS 18 substitui a IAS 1 (Apresentação das Demonstrações Financeiras), que no Brasil é equivalente ao CPC 26 (R1). Além disso, ela impacta outras normas como IAS 7, IFRS 12, IAS 33 e IAS 34.
A IFRS 18 é obrigatória para empresas brasileiras?
Depende. Empresas brasileiras listadas em bolsa ou que precisam publicar demonstrações em padrão internacional já são obrigadas a seguir IFRS. Outras empresas podem estar sujeitas conforme suas estruturas acionárias, acordo com investidores ou exigências de órgãos reguladores. Consulte seu contador ou auditor para confirmar sua obrigatoriedade.
Qual é a diferença entre IFRS e CPC?
IFRS são as normas internacionais emitidas pelo IASB. CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis) é o órgão brasileiro que adapta essas normas para o contexto nacional. Na prática, o CPC traduz, adapta e publica as IFRS em português, com ajustes para a legislação brasileira quando necessário.
Por que a IFRS 18 foca no resultado operacional?
Porque a definição de lucro ou prejuízo operacional variava entre países, dificultando a comparação real de desempenho entre empresas similares em mercados diferentes. Padronizar essa definição permite que investidores entendam de forma consistente qual é o resultado das operações de uma empresa, independentemente de sua localização.
Quais mudanças a IFRS 18 traz para a DRE?
A norma traz mudanças na estrutura de apresentação da DRE, com foco em melhorar a clareza sobre o desempenho operacional das empresas. Essas mudanças incluem alterações na ordem de apresentação de itens e novos requisitos de divulgação nas notas explicativas, mas os detalhes específicos dependem de cada tipo de negócio.
Como a IFRS 18 afeta pequenas e médias empresas (PMEs)?
PMEs que não são obrigadas a adotar IFRS completa podem não ser impactadas imediatamente. Porém, se você trabalha com investidores internacionais, está em processo de consolidação de contas ou tem matriz no exterior, será preciso se adequar. Considere revisar sua situação com seu time financeiro.
O que são notas explicativas na IFRS 18?
São informações complementares à demonstração financeira que explicam e detalham os valores apresentados na DRE, balanço patrimonial e outras demonstrações. A IFRS 18 traz novos requisitos sobre quais informações devem ser divulgadas nas notas para melhorar a transparência.
IFRS 18 exige mudanças em meus sistemas de contabilidade?
Muito provavelmente sim. A mudança na estrutura e requisitos de divulgação pode demandar ajustes em como os dados são coletados, processados e apresentados pelo seu sistema contábil. Por isso é recomendado começar a análise agora, com quase 3 anos até a obrigatoriedade.
Qual é a relação entre IFRS 18 e o CPC 26?
CPC 26 é a versão brasileira adaptada da IAS 1. A IFRS 18 é o novo padrão internacional que substitui a IAS 1. Portanto, o Brasil deverá atualizar o CPC 26 para um novo pronunciamento que alinhe à IFRS 18 antes de 2027.
Como a IFRS 18 impacta relatórios de fluxo de caixa?
A IFRS 18 afeta a IAS 7 (Demonstração dos Fluxos de Caixa), portanto há impactos esperados na apresentação e divulgação dessa demonstração. Os requisitos podem incluir mudanças na segmentação entre atividades operacionais, de investimento e de financiamento.
Empresas com filiais no exterior precisam se adaptar mais rapidamente?
Sim. Se você consolida contas com filiais internacionais ou precisar apresentar demonstrações em padrão IFRS para fins de consolidação, a adaptação precisa acontecer antes de 2027, independentemente de quando seus sistemas atuais foram implementados.
O que significa comparabilidade nas demonstrações financeiras?
Comparabilidade significa conseguir analisar duas empresas de segmentos similares e entender com clareza qual tem melhor desempenho, sem se perder em diferenças de formato ou definição contábil. A IFRS 18 busca aumentar essa comparabilidade padronizando como os resultados são apresentados.
A IFRS 18 muda a forma de calcular o lucro líquido?
Não. A IFRS 18 foca em apresentação e divulgação, não no cálculo em si. O lucro líquido continua sendo calculado da mesma forma. O que muda é como essa informação e os passos intermediários (como o resultado operacional) são estruturados e explicados nas demonstrações.
Preciso contratar um consultor para me adequar à IFRS 18?
Depende da complexidade do seu negócio e de sua maturidade contábil. Empresas com estrutura contábil consolidada podem conseguir se adaptar com ajuda interna. Negócios mais complexos, com múltiplas operações ou internacionalizados, ganham bastante com consultoria especializada.
A IFRS 18 afeta como divulgamos informações sobre segmentos de negócio?
Sim. A norma impacta a IFRS 12 (Divulgações de Participações), portanto há mudanças esperadas em como informações sobre segmentos e investimentos são divulgadas. As exigências de transparência sobre desempenho por segmento tendem a aumentar.

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