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Controller Cast #60 – IA First em Finanças: o que a trajetória da CFO global Roberta Rosenburg ensina para sua carreira

Descubra como a CFO Roberta Rosenburg aplica IA na prática, lidera times globais e constrói carreira em finanças com base sólida, dados e protagonismo.

Neste artigo

Quando a gente fala em “CFO na era da IA”, é fácil cair em dois extremos: quem acha que inteligência artificial vai “substituir” o financeiro e quem acha que isso é só mais um buzzword que vai passar.

No episódio 60 do Controller Cast, a CFO Roberta Rosenburg puxa a conversa para um lugar bem mais pé no chão: menos hype, mais prática. E prática de quem está no olho do furacão.

Com uma carreira sólida em controladoria, finanças e administração em multinacionais globais, Roberta hoje é CFO da Topaz, empresa de software para o mercado financeiro com operação em 10 países (Latam, Espanha e EUA), liderando um time de mais de 50 pessoas.

Neste artigo, resumimos os principais insights que ela compartilhou no episódio:

  • Como construir carreira em finanças sem pular etapas

  • O que é, na prática, um financeiro “IA first”

  • Por que a controladoria é um terreno fértil para projetos de IA

  • Os desafios (e avanços) da liderança feminina em finanças

  • Um mini playbook que você pode aplicar hoje na sua carreira

E, claro, fica o convite para você assistir o episódio completo abaixo ou ouça no Spotify:

Capa do vídeo: YouTube video playerVídeo · YouTube

A trajetória de quem “pegou o que ninguém queria fazer”

Logo no começo da conversa, Roberta conta um pouco da sua história: mineira, 25 anos de carreira, passando por grandes empresas, e sempre muito inquieta com processos e resultados. Ela lembra que começou lá embaixo na hierarquia, fazendo tarefas simples, e foi crescendo a partir do momento em que assumiu responsabilidades que ninguém queria.

Em uma das frases mais fortes do episódio, ela comenta:

“Eu não consigo ver coisas erradas e eu sempre peguei coisas que ninguém queria fazer.”

Esse “hábito” de se voluntariar para o trabalho difícil foi um divisor de águas. Ao longo da carreira, ela foi assumindo áreas que saíam do escopo clássico de finanças – como compras, TI, RH – sempre com a base financeira muito forte. Isso a ajudou a ser vista como alguém que entende o negócio de ponta a ponta, e não apenas os números.

O recado para quem está construindo carreira em controladoria e finanças é bem direto: não é sobre esperar aparecer um cargo de gerência ou diretoria. É sobre se colocar nos lugares onde:

  • O problema é grande

  • A visibilidade é alta

  • E poucos querem encarar

Essas experiências é que constroem repertório para, lá na frente, sentar à mesa como CFO.

Da indústria tradicional ao software financeiro: finanças como motor de transformação

Antes da Topaz, Roberta passou por empresas industriais e de serviços com forte presença internacional – como Siemens, Swissport, Husqvarna e SKF – assumindo posições de liderança em finanças e controladoria na América Latina.

Essa vivência em negócios mais “tradicionais”, com alta exigência de governança, processos e conformidade, criou uma musculatura técnica e de gestão que hoje ela leva para o universo de tecnologia e software, onde a velocidade é muito maior.

Na Topaz, o desafio é outro:

  • A empresa fornece software para bancos, fintechs e cooperativas, desde o core bancário (o “ERP do banco”) até aplicativos de investimento e soluções antifraude;

  • O negócio cresce em um ritmo relevante, com metas agressivas de expansão;

  • E o ambiente é marcado por forte regulação do Banco Central e sofisticadas demandas de compliance.

Em vez de apenas “fechar número”, o financeiro participa de:

  • Processos de M&A e reorganização societária

  • Padronização de políticas e processos entre empresas adquiridas

  • Criação de uma estrutura de finanças transversal, conectando países e unidades de negócio

  • Desenho de um ambiente de automação e padronização para que o próximo M&A seja “plug and play”

É um bom exemplo de como a função financeira deixou de ser apenas do contábil e passou a ser arquiteta de modelo de negócio.

O que é, na prática, um financeiro “IA first”?

Um dos blocos centrais do episódio é a discussão sobre IA. Na Topaz, “IA first” não é só slogan de marketing: é meta de uso no dia a dia.

Roberta conta que o grupo tem uma IA privada, controlada, e que existe uma meta clara de adoção. Em determinado momento, a meta era ter 90% das pessoas usando IA pelo menos uma vez ao dia. E no financeiro, esse uso deixou de ser exceção para virar regra:

“No último mês eu medi o nosso uso, 100% da equipe financeira...”

Ela explica que, quando chegou, o financeiro estava atrás de outras áreas em adoção de IA. Com trabalho de sensibilização e exemplos práticos, a área virou a chave. Hoje, o time usa IA diariamente para ganhar produtividade em tarefas como:

  • Leitura e resumo de normas, leis e documentos complexos
    – por exemplo, material sobre reforma tributária ou normas contábeis.

  • Esclarecimento de conceitos e dúvidas técnicas
    – usar a IA como “primeiro nível” de consulta antes de ir para o especialista.

  • Apoio a análises de variação
    – pedindo para a IA destacar maiores desvios entre períodos ou linhas de DRE.

  • Organização de textos e comunicações
    – estruturar explicações, e-mails e documentos, especialmente quando o volume de informação é grande.

O objetivo não é terceirizar o pensamento crítico, mas tirar peso operacional do time para que as pessoas possam dedicar mais tempo a:

  • Discutir causa raiz de desvios

  • Desenhar recomendações

  • Conversar com as áreas de negócio

Por que a controladoria é terreno fértil para projetos de IA

Roberta faz um ponto interessante: apesar de toda a preocupação com alucinações de IA, processos financeiros tendem a ter mais sucesso com IA do que muitos outros, justamente porque os dados são mais estruturados.

Em um trecho do episódio, ela reforça:

“Não existe contabilidade criativa. A contabilidade tem uma regra.”

Isso significa que:

  • Os dados seguem padrões

  • Há normas bem definidas (contábeis, fiscais, regulatórias)

  • Existe uma “verdade única” para cada lançamento

Esse ambiente é ideal para:

  • Automatizar conferências de consistência

  • Rodar análises comparativas (histórico vs. planejado, período vs. período)

  • Gerar alertas de desvios relevantes

  • Criar agentes que façam a “primeira varredura” dos números

Ao mesmo tempo, ela lembra que não dá para abrir mão de governança. Ferramentas abertas são sedutoras, mas trazem riscos sérios:

  • Dados sensíveis podem ser enviados sem controle para modelos públicos;

  • Informações estratégicas sobre resultados, M&A ou estrutura de custos podem “vazar” indiretamente;

  • E, pior, isso tudo pode acontecer sem que o gestor saiba.

Ela cita um exemplo prático: ao testar uma IA aberta com perguntas sobre movimentos de M&A no setor, recebeu prazos, porcentagens e detalhes de transações de concorrentes. Isso acende um alerta para qualquer CFO: se essas informações estão acessíveis sobre outros, o que pode estar sendo exposto sobre a sua empresa?

Por isso, na visão dela, mesmo empresas menores vão precisar de uma IA proprietária ou licenciada, com governança mínima, em vez de deixar cada colaborador “brincar” em plataformas abertas com dados corporativos.

Liderar times em 10 países: ego no lugar certo e time forte

Outro bloco forte da conversa é sobre liderança. No currículo, Roberta traz experiências liderando times financeiros em vários países da América Latina, além de Espanha e EUA.

Hoje, como CFO de uma operação global, ela administra uma equipe distribuída, com diferenças culturais, de fuso horário e de maturidade de processos.

Alguns pontos que ela destaca:

  • Deixar o ego de lado para crescer
    Ela conta que, em muitos momentos, foi aquela líder que “entra nos detalhes”, entra no sistema, olha lançamento por lançamento. Isso continua sendo importante – principalmente em momentos críticos – mas não pode ser a regra.

  • Se você é sempre o mais forte do time, algo está errado
    Uma frase que resume bem essa visão é:

    “Se você é o mais forte daquele time, tem alguma coisa errada e você nunca vai poder sair daquela posição. Então você tem que ter um time forte para alguém poder substituir por você poder crescer.”

  • Comunicação e empatia não são “soft”, são core
    Ela reforça que liderar na era da IA e da complexidade regulatória exige muito mais comunicação e empatia do que tecnicismo puro. Entender o contexto de cada país, as dificuldades pessoais e profissionais do time, e alinhar expectativas com clareza é parte essencial do trabalho.

No limite, é isso que permite que o financeiro deixe de ser apenas executor e se torne parceiro de negócio: um time tecnicamente forte, mas também humano e bem alinhado.

Liderança feminina em finanças: avanços reais, mas ainda lentos

Além de CFO, Roberta é conselheira, mentora e coautora de livro sobre liderança feminina. Não por acaso, o episódio dedica um bom espaço a essa pauta.

Ela comenta que, olhando para pesquisas de mercado e também para dados recentes da própria Treasy (como a pesquisa Budget Trends, que analisou o perfil dos profissionais de finanças e controladoria), dá para perceber um crescimento da presença feminina, especialmente nas faixas etárias mais jovens. Ao mesmo tempo, ela reforça que esse movimento ainda é devagar e que não dá para dizer que o problema está resolvido.

Um ponto sensível que aparece na conversa é a falta de referências:

  • Muitas líderes atuais chegaram a posições altas sem ter outra mulher em quem se espelhar;

  • Isso reforça a sensação de solidão e, muitas vezes, de culpa – principalmente quando entra na equação o tema maternidade;

  • E antigas visões preconceituosas ainda ecoam, como gestores que evitavam contratar mulheres “porque podem engravidar”.

Ao mesmo tempo, ela vê uma mudança importante:

  • Mais mulheres se sentindo preparadas para disputar posições de liderança;

  • Mais abertura em processos seletivos para considerar diversidade;

  • E uma discussão mais honesta sobre como conciliar carreira e vida pessoal.

Na mentoria, um dos papéis que ela assume é justamente ajudar outras mulheres a reconhecerem seu valor e combatem a famosa síndrome da impostora na carreira em finanças.

Um mini playbook de carreira na era da IA (direto da Roberta)

Perto do fim do episódio, Daniel pede para Roberta montar um “mini playbook” para quem está ouvindo e quer se preparar para a era da IA em finanças. As respostas dela são simples, práticas e muito aplicáveis.

1. Pegue o que ninguém quer fazer

Ela volta ao ponto da própria trajetória:

“Pega o que ninguém faz para você estar preparado quando o cavalo passar…”

Ou seja:

  • Não fuja dos problemas cabeludos;

  • Se envolva nas implantações de ERP, revisões de plano de contas, construção de budget, análise de margem por cliente;

  • É isso que vai dar repertório quando aparecer uma oportunidade grande.

2. Construa um time que possa te substituir

Quer crescer? Então pare de ser insubstituível.

  • Ensine o que você sabe

  • Dê visibilidade para o time

  • Crie processos claros para que outras pessoas possam tocar o dia a dia

Sem isso, você vira gargalo, e não líder.

3. Use IA como alavanca, não como ameaça

Se a IA já está batendo na sua porta, a pergunta não é “vai substituir meu trabalho?”, mas “como eu uso isso para entregar mais valor?”.

  • Use IA para acelerar leitura, síntese e análises

  • Teste agentes e automações em processos repetitivos

  • Crie o hábito de consultar a IA com senso crítico

Lembrando que, como ela aponta, governança é inegociável: não dá para sair jogando dado sensível em qualquer ferramenta aberta.

4. Networking é estudo também

Com a agenda cada vez mais cheia, ela admite que nem sempre consegue sentar e estudar como gostaria. A saída?

  • Participar de eventos

  • Se envolver em comitês (como o de controladoria no IBEF)

  • Manter grupos de CFOs, controllers, tributaristas e outros especialistas para trocar experiências

Nessa hora, o networking deixa de ser “social” e vira ferramenta de aprendizado contínuo.

5. Calma: não pule etapas

Talvez o conselho mais importante de todos seja o de fechar o episódio:

“Calma e construa sua base para você poder crescer.”

No fundo, é um lembrete de que:

  • Promoção sem base técnica e comportamental é castelo de areia

  • A pressa por cargo pode te colocar numa posição para a qual você ainda não está pronto

  • Finanças é, antes de tudo, sobre base sólida, de dados, de processos e de pessoas

Como levar esses insights para o dia a dia do seu financeiro

Se você chegou até aqui, provavelmente já se pegou pensando: “ok, mas por onde eu começo?”.

Algumas sugestões práticas, inspiradas na conversa com a Roberta:

  1. Faça um diagnóstico honesto do seu financeiro

  2. Comece pequeno com IA, mas comece certo

    • Defina usos simples (resumos, checagens, explicações de conceitos).

    • Estabeleça regras mínimas do que pode ou não ser compartilhado com IA aberta.

    • Se fizer sentido, já comece a avaliar uma solução mais controlada.

  3. Organize seus dados antes de querer “IA avançada”
    Não adianta falar de agente inteligente se você não tem nem a visão básica de DRE, fluxo de caixa e indicadores bem estruturados.

    Aqui entra o papel de um BI Financeiro: na Treasy, por exemplo, você pode começar com um plano gratuito de BI integrado ao seu ERP (Omie, Conta Azul, Kamino, Nibo, Granatum), já com modelagem financeira e relatórios gerenciais prontos para uso.

  4. Trabalhe a cultura do time

    • Incentive as pessoas a fazer perguntas

    • Mostre que IA é ferramenta, não ameaça

    • Reforce que ninguém cresce sozinho: é preciso desenvolver o time para poder subir

  5. Conecte tudo isso à estratégia da empresa
    IA por IA não faz sentido. BI por BI também não. O ponto é: como tudo isso ajuda sua empresa a

    • Crescer com mais previsibilidade

    • Proteger margem

    • Tomar decisões mais rápidas e informadas

Próximo passo: ouvir a conversa completa

Este artigo trouxe um recorte dos principais pontos do episódio 60 do Controller Cast com a CFO Roberta Rosenburg, mas nada substitui ouvir a conversa na íntegra.

Se você é controller, CFO, analista de FP&A ou atua na gestão financeira da sua empresa, vale separar um tempo para escutar o episódio completo e anotar o que faz sentido aplicar na sua realidade.

E, se quiser dar o próximo passo na direção de um financeiro mais digital, orientado a dados e preparado para a era da IA, você pode:

A mensagem final da Roberta vale como síntese para todo mundo que quer crescer em finanças:

“Calma e construa sua base para você poder crescer.”

O resto – cargo, título, tecnologia – vem como consequência.

Perguntas frequentes

O que significa ser um financeiro 'IA first' na prática?
Significa estruturar processos, decisões e até a carreira com base em como a IA pode amplificar o trabalho do financeiro — não substituir. Um financeiro IA first dedica tempo a entender quais tarefas rotineiras (fechamento, reconciliação, análise de dados básica) podem ser automatizadas, liberando espaço para análise estratégica, modelagem financeira e conversas com o negócio. Não é ficar esperando a IA cair do céu; é procurar ativamente por onde ela agrega valor hoje.
Como construir carreira em finanças sem pular etapas?
Comece na base fazendo bem feito e depois busque responsabilidades que ninguém quer — aquelas onde o problema é grande, a visibilidade é alta e poucos estão dispostos a encarar. Roberta começou em tarefas simples e cresceu assumindo áreas fora do escopo clássico de finanças (compras, TI, RH) enquanto mantinha a base técnica forte. Isso constrói repertório real e te posiciona como alguém que entende o negócio de ponta a ponta, não apenas números.
Por que a controladoria é um terreno fértil para projetos de IA?
Porque a controladoria é pura rotina estruturada: conciliações, lançamentos contábeis, relatórios recorrentes, validação de dados. São tarefas previsíveis onde IA (automação, machine learning, processamento de documentos) consegue entregar impacto rápido e mensurável. Além disso, quem domina controladoria tem credibilidade técnica para pilotar essas mudanças sem medo de perder o controle sobre a qualidade dos dados.
Qual é a diferença entre uma carreira em finanças numa multinacional industrial versus numa empresa de software?
Na indústria (tipo Siemens, SKF), o financeiro trabalha em ambiente de alta governança, processos maduros e conformidade exigente — há musculatura técnica forte. No software (como a Topaz), a velocidade é muito maior, decisões são mais dinâmicas e o financeiro precisa apoiar M&As, expansão internacional e reorganizações frequentes. Quem vem da indústria leva disciplina; quem está no software aprende a se mexer rápido. O ideal é ter passado pelos dois.
Como um financeiro participa de projetos de M&A e reorganização societária?
O financeiro não é apenas número; ele estrutura a viabilidade da operação (valuation, fluxo de caixa, impostos), depois ajuda na integração pós-compra — padronizando políticas, reconciliando contas e criando uma estrutura única que funcione para múltiplos países e unidades. Na Topaz, que tem presença em 10 países, o financeiro é quem conecta tudo isso e garante que o consolidated faça sentido.
O que significa estar em um papel de 'finanças transversal'?
É coordenar política e processos financeiros entre múltiplas unidades (países, divisões, empresas adquiridas) sem estar em cada uma delas. O financeiro transversal tem que falar a língua técnica de quem está na operação, mas também garantir que todos sigam a mesma regra e alimentem um relato consolidado confiável. Exige muita escuta e capacidade de influência sem autoridade direta.
Como a liderança feminina em finanças mudou ao longo da carreira de Roberta?
A conversa completa do episódio 60 aprofunda isso, mas a trajetória dela reflete um cenário onde mulheres em finanças ainda precisam provar mais e frequentemente assumem papéis fora da zona de conforto para ganhar visibilidade. O ponto é que essa desvantagem inicial (ter que pegar o trabalho que ninguém quer) pode virar vantagem — porque constrói experiência mais diversa e repertório maior do que o caminho tradicional de quem vai direto por funções 'padrão'.
Por que 'pegar o que ninguém queria fazer' é um divisor de águas na carreira?
Porque problemas grandes, visíveis e difíceis são aqueles onde você realmente aprende e fica conhecido. Tarefas 'comodas' no seu escopo esperado não abrem porta. Roberta fez questão de sair do confortável e abraçar temas fora de finanças — TI, RH, compras — mantendo rigor técnico. Isso a permitiu sentar numa mesa de CFO tendo repertório de quem conhece operação, não apenas demonstrativos.
Um financeiro que entende IA precisa ser um especialista em tecnologia?
Não. Precisa entender o suficiente para conversar com quem desenvolve, avaliar o que funciona e o que não funciona, e identificar oportunidades no seu próprio processo. Um controller que conhece IA o suficiente para dizer 'essa reconciliação aqui cabe num script' já está na frente de 90% do mercado. Não precisa escrever código, mas precisa estar curiosa e aberta.
Como começar a aplicar IA hoje na minha função de finanças se eu trabalho em uma PME?
Comece mapeando as 5 tarefas que mais roubam tempo do seu time — provavelmente estão em planilha ou processos manuais que se repetem todo mês. Depois pesquise ferramentas prontas (não precisa de desenvolvimento customizado). Um bom exemplo: ferramentas que leem notas fiscais automaticamente, extraem dados e alimentam sua planilha de compras. O ROI é rápido e libera o seu time para análise real.
Qual é a diferença entre automação, IA e machine learning na prática financeira?
Automação é um robô seguindo regra fixa (se A, então B). IA generativa (tipo ChatGPT) entende contexto e gera texto ou análise. Machine learning aprende com histórico (tipo: detectar fraudes por padrão de transações). Na finanças, os três servem, mas em etapas diferentes. Você pode automatizar lançamento contábil, usar IA generativa para resumir um relatório e ML para flagrar anomalias. Nem sempre precisa de machine learning — às vezes automação simples já resolve.
Como estruturar um time financeiro quando a empresa está crescendo muito rápido?
Roberta passou por isso na Topaz. O segredo é não contratar só para tarefas operacionais — contratar pessoas que entendam o negócio, tenham sede de aprender e consigam trabalhar com ambiguidade. E já na contratação, deixar claro: aqui você vai fazer coisas que a gente nunca fez antes. Estrutura formal vem depois. Primeiro, movimento.
É possível ser CFO sem ter vindo de controladoria?
É possível, mas passar por controladoria dá uma base técnica que vai te poupar de muitos susto. Roberta tem raízes profundas em controladoria antes de chegar a CFO. A controladoria te força a entender reconciliação, conformidade, auditoria — coisas que parecem 'chatas' mas que são o alicerce de qualquer decisão financeira sólida. Faz diferença.
Como manter controle financeiro quando o negócio cresce em 10 países diferentes?
Padronizar mais do que parece necessário no começo. Mesmas contas, mesmos processos, mesmos dias de fechamento — tudo que ajude a consolidar rápido e identificar desvios. Depois, delegar o operacional para cada país e reservar a equipe central para análise, M&A e estratégia. É fácil se perder em compliance local e esquecer de olhar o consolidated; um bom sistema e processos bem definidos evitam isso.
Qual é o papel do controller em uma empresa de tecnologia versus uma industrial?
Na industrial, o controller é guardião de processos, conformidade e auditoria — muito compliance, muito relatório. Na tech, o controller é mais sócio de negócio; tem que entender modelo de receita (SaaS, por exemplo), ajudar em pricing, participar de decisões de alocação de recursos em tempo real. A base técnica é igual, mas o ritmo e o tipo de conversa muda bastante.
Roberta trabalhou com que tipo de software antes de ser CFO da Topaz?
Roberta passou principalmente por multinacionais industriais e de serviços (Siemens, Swissport, Husqvarna, SKF) antes de ir para Topaz. Sua background é mais manufacturing e logística do que pure tech — o que dá à Topaz uma perspectiva diferente sobre governança e processo. Não é um caminho 'direto' pelo Silicon Valley; é um caminho que construiu repertório diverso.
Como a Roberta Rosenburg define sucesso em finanças?
A partir do que ela compartilha, sucesso em finanças é ser útil ao negócio (não só 'fechar número'), entender operação de ponta a ponta e conseguir influenciar decisão sem depender só de autoridade formal. É estar em lugares onde o problema é real, a visibilidade é alta e poucos chegaram antes — e sair de lá tendo aprendido algo que ninguém mais da empresa sabe.
Qual é a Topaz e por que ela é relevante para entender o futuro de finanças?
Topaz é uma empresa de software que fornece soluções financeiras para bancos, fintechs e cooperativas — desde core bancário até investimentos e antifraude. Tem operação em 10 países (Latam, Espanha, EUA) e crescimento agressivo. É relevante porque está na interseção de três megatendências: open banking, regulação cada vez mais sofisticada e democratização de ferramentas de IA. É um laboratório real de como finanças se move agora.
Como auditar e manter qualidade quando automação e IA entram no processo financeiro?
Não é diferente da gestão de risco sempre foi. Você precisa entender o que foi automatizado, monitorar saída regularmente (reconciliação, amostragem, alertas de anomalia) e ter claro o quem é responsável quando algo dá errado. Se um script lança 100 mil linhas por mês na contabilidade, você precisa saber como validar, não pode delegar para a máquina e sair. Automação com negligência é risco, não melhoria.

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