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Controller Cast #07 - Futuro da Contabilidade: o fim do modelo tradicional do escritório contábil, com Rui Cadete

Seu escritório contábil está preparado para o futuro da contabilidade? No Controller Cast #07 conversamos com Rui Cadete que compartilha sua experiência em montar um escritório inovador.

Neste artigo

Capa do episódio 07 do Controller Cast com Rui Cadete sobre o futuro da contabilidade

A economia vem passando por uma transformação global e as novas tecnologias têm mudado os negócios e profissões tradicionais. Isso não necessariamente é algo ruim, mas sinaliza que todos precisam estar atentos para acompanharem o mercado. Um dos exemplos bem claro de mudança disruptiva está na Contabilidade. Ainda é comum que os escritórios contábeis ofereçam apenas serviços tradicionais, mas, atualmente, o mercado necessita que eles pensem além. Há uma exigência de se tornem parceiros estratégicos dos clientes e entreguem mais do que o exigido por lei. Da mesma forma, o contador deve passar a ser um consultor. Mas como promover essa transformação na prática? Para falar sobre o assunto e contar como vem fazendo há mais de 25 anos e tornando o escritório de contabilidade numa consultoria completa, convidamos o Rui Cadete, presidente da Rui Cadete Consultores e Auditores Associados, para o episódio#07 do Controller Cast.Ele acredita que a profissão contábil está passando por uma transformação incrível e afirma que as oportunidades são maiores do que os desafios. Para o empresário, aqueles que se prepararem sairão na frente, basta conhecimento, dedicação, disciplina e muito trabalho. Escute agora mesmo pelo player o podcast  que tem o objetivo de tornar o time de controladoria ainda mais estratégico. Se preferir, também pode acessar nosso canal no Soundcloud.

Áudio · SoundCloud

O Controller Cast é um podcast pensado especialmente para profissionais das áreas de Planejamento, Controladoria e Finanças. Nele discutimos temas relacionados com a área, trazendo insights, conteúdos práticos e entrevistas com profissionais que estão fazendo a diferença em suas empresas.Veja também os episódios anteriores, se você perdeu algum é só conferir aqui:

Um bate papo sobre o futuro da Contabilidade.

Veja o que conversamos no nosso bate papo:

  • A contabilidade é uma ciência milenar e, provavelmente, passa pela sua maior disrupção nos últimos anos, em que momento o cenário contábil mudou e principalmente, quais foram os fatores que você elenca para essa mudança?

    • Acompanhei algumas rupturas. A primeira delas foi em 1991, com a introdução da informática.
    • Nessa época, muitos escritórios e profissionais ficaram para trás por não acompanharem a revolução da mecanização para a informatização.
    • Passados 25 anos, estamos num novo momento de transformação da atividade contábil, mais uma vez com a tecnologia.
    • Mas, hoje, a tecnologia não é apenas nas empresas, mas de todo o universo empresarial e governamental, que exige conhecimento e pessoas capacitadas.
  • Você acredita que essa mudanças irão acabar com o modelo de contabilidade que conhecemos hoje?

    • Está tendo uma mudança muito grande na contabilidade e somente quem estiver preparado vai tirar proveito de toda essa situação.
    • Nos próximos cinco anos não teremos mais a contabilidade com as práticas vigentes hoje.
  • Qual o maior desafio do contador hoje frente a essas mudanças? Mudar o pensamento de continuar focando nas obrigações contábeis das empresas?

    • As obrigações acessórias são sempre ordem do dia de toda e qualquer empresa contábil. Naturalmente temos que atendê-las.
    • Naturalmente isso virará commodities e quem agregar tecnologia e ferramentas com integração de dados.
    • Importante capacitar as pessoas e se cercar de ferramentas que permitam compreender o cenário econômico e de negócio, das empresas e do Brasil. Isso permitirá dar contribuição diferenciada e agregar valor ao serviço.
  • Estamos falando de tantas mudanças? Podemos dar exemplos práticos tanto para quem é do cenário contábil, como para quem não é?

    • As mudanças perpassam pela globalização das empresas que exigem que a contabilidade tenha que atender as normas internacionais.
    • Outro ponto de atenção é que os governos, nas três esferas, têm implementado uma série de controles e aplicativos que exigem informações mais analíticas do negócio.
    • Essas mudanças de mercado e governança forçam as empresas a terem uma estrutura mais organizada e o papel do contador se torna fundamental.
    • Surge uma nova demanda de sustentabilidade corporativa, onde se faz mais, com menos e o contador, munido de conhecimento, pode sim ser responsável por atuar nesse sentido de consultor.
  • Uma saída seria atuar como empresário contábil? Foi o que a Rui Cadete fez?

    • De certa forma, a Rui Cadete já nasceu com uma visão diferenciada, muito focada no conhecimento. Desde sempre há uma tentativa de aplicar todo conhecimento adquirido no mercado nos clientes. Isso fez com que a empresa tivesse o crescimento muito rápido e, mais, que fossem vistos como consultores e não contadores.
    • Em 1999 fez o primeiro planejamento estratégico, em 2000 estava com a certificação da BVQI da ISO 9001. Isso mostra a preocupação constante com reciclagem e busca por conhecimento em eventos e publicações de referência.
    • O que mais transforma as empresas é o conhecimento, isso unido às pessoas e tecnologia.
  • Como ser estratégico para as empresas modernas?

    • Como já foi ressaltado, conhecimento é a base de tudo. E, essencialmente, pessoas.
    • Para ser estratégico é preciso estar sempre investindo em novas tecnologias.
    • Conhecer outros mercados, acompanhar palestrantes internacionais.
    • Estar sempre voltado para o melhor atendimento ao cliente.
    • Tudo isso se faz por meio da gestão. Ou seja, na hora que dar foco e importância à gestão, faz com que a empresa seja devidamente estruturada.
    • Lema: fazer melhor as coisas e o bem às pessoas.
  • E como fica o consultor autônomo, que não está numa empresa e não tem acesso à essa estrutura que você comentou?

    • Para o consultor autônomo, o desafio é muito maior.
    • Precisa, de fato, investir muito mais em atividades para ter um nível de conhecimento mais diversificado que se tivesse numa empresa. Investir mais em treinamentos e acesso a informação e poder ter sua diferenciação como profissional.
    • Pode também procurar focar, não abrir tanto esse universo, em algumas especialidades, se diferenciar e agregar valor para os clientes.
  • Nessa mudança de mentalidade, qual a importância de processos e ferramentas? Seria o diferencial estratégico?

    • No mercado, já há aplicativos que dão auxílio tanto para um contador consultor, como para empresas.
    • Investir no desenvolvimento de aplicativos e ferramentas é uma possibilidade, mas investir em soluções que já estão disponíveis e foram testadas pode ser uma saída para avançar e dar saltos, sem perder tempo desenvolvendo tecnologia.
  • A terceirização do departamento financeiro é uma realidade? O contador pode ser esse terceiro? Como fazer?

    • Há cerca de oito anos já prestava serviços financeiros aos clientes, mas viu-se a necessidade de dar foco aos negócios.
    • Atentar-se para não começar cuidando da contabilidade, seguir para o financeiro e acabar fazendo também a auditoria sem segregar responsabilidades e funções. Isso pode dificultar na hora de cobrar.
    • A múltipla função de uma mesma equipe pode gerar confusão para o cliente e este tende a querer pagar apenas um honorário, geralmente o inicial, sem agregar valor para todas as atividades.
    • O interessante é mostrar o ganha ganha: quando a empresa terceiriza o financeiro, a consultoria diminui o custo e melhora a qualidade da informação que o cliente recebe. Permite agregar valor à atividade.
  • Como dar os primeiros passos  para não ficar pra trás em relação a contabilidade do futuro, além da mudança de mentalidade?

    • Destaque para a importância de conhecimento. Rui Cadete acredita que, em geral, as pessoas querem saber, mas não querem ralar para conseguir conhecimento. Isso precisa mudar!
    • Já tem muitos aplicativos disponíveis no mercado, é preciso saber garimpar e aproveitá-los para poder agregar valor ao trabalho do contador de forma especializada para cada cliente.
    • Também é importante que haja organização dos processos, do dia a dia. Ou seja, que as empresas e profissionais tenham um planejamento muito bem pensado e façam com que esse plano seja um guia para olhar pelo retrovisor e analisar o que pode ser feito de uma melhor forma.
    • Saber que em uma empresa, é possível ampliar o portfólio porque é uma soma de várias competências e tem uma estrutura de governança para suporte. Mas, no caso do contador consultor, como geralmente é autônomo, ele precisa ter uma boa gestão da agenda.
    • Por fim, conhecer bem a empresa cliente, se envolver e conhecer todos os processos e serviços dela para apresentar informações de extrema relevância. Isso possibilitará a fidelização do cliente e fará com que ele não queira trocar de fornecedor contábil.

Rui Cadete encerra a conversa falando sobre oportunidades e desafios. O empresário acredita que o sucesso do profissional vai depender muito mais do olhar que ele tem diante do mercado. Segundo Rui, as oportunidades ainda são maiores do que os problemas, mas exige mais dedicação e conhecimento. Essa mudança de postura e algumas alternativas para o profissional contábil também foram discutidas no Webinar Contabilidade do Futuro, feito com a participação do diretor Comercial da Treasy, Daniel Fernandes, e do CEO da ContaAzul, Vinicius Roveda. Se você não conseguiu acompanhar a conversa, pode assistir agora e saber ainda mais sobre as rupturas no setor contábil. Webinário futuro da contabilidade transformação mercado contábil tendências Esperamos que você goste da nossa entrevista com o Rui Cadete. Assine nossa newsletter para ficar sabendo dos próximos Controller Cast!

Perguntas frequentes

O que significa dizer que a contabilidade está passando por uma disrupção
Significa que o modelo tradicional de escritório contábil — focado apenas em cumprir obrigações legais — está deixando de ser suficiente. As empresas agora exigem que contadores sejam consultores estratégicos, capazes de analisar dados financeiros e orientar decisões de negócio, não apenas gerar relatórios.
Por que escritórios contábeis precisam virar consultoria
Porque a tecnologia automatizou as tarefas contábeis tradicionais (emissão de notas, apuração de impostos, folha de pagamento). Quem ficar só nisso será commoditizado. O valor real agora está em interpretar os dados financeiros e ajudar o cliente a tomar melhores decisões — isso é consultoria.
Qual foi a primeira grande transformação da contabilidade segundo Rui Cadete
A introdução da informática em 1991. Muitos escritórios e profissionais ficaram para trás por não acompanharem essa revolução tecnológica. Quem abraçou os sistemas saiu na frente.
Um contador pode se tornar consultor ou precisa de formação extra
Pode se tornar consultor com dedicação e conhecimento contínuo. A base contábil é sólida, mas o contador precisa estudar gestão de negócios, análise financeira e estratégia empresarial. Rui Cadete, por exemplo, fez pós-graduação em Gestão de Negócios pela USP para expandir essa atuação.
Como começar a transformar um escritório contábil tradicional
Comece oferecendo análises financeiras básicas aos seus clientes — mostrar como os dados deles se comportam mês a mês. Depois evolua para consultoria em fluxo de caixa, lucratividade por cliente ou produto, e planejamento orçamentário. O cliente que vê valor nessa análise passa a vê-lo como parceiro, não só como prestador de serviço.
Quais são os principais desafios para um escritório contábil se reinventar
Sair da zona de conforto da rotina de fechamento mensal, investir em tecnologia e capacitação do time, e aprender a vender consultoria (que tem ciclo de venda mais longo que compliance contábil). Mas as oportunidades são maiores que os desafios.
Escritórios menores conseguem competir com a transformação digital
Sim. Escritórios menores têm vantagem de agilidade e relacionamento próximo com o cliente. Com as ferramentas certas de automação, conseguem oferecer análises estratégicas sem precisar de estrutura gigante. A inteligência e dedicação pesam mais que o tamanho.
O que a tecnologia automatizou na contabilidade
Emissão de notas fiscais, conciliação bancária, apuração de impostos, cálculo de folha de pagamento, e relatórios padronizados. Tudo isso que antes tomava dias agora leva horas ou minutos. Isso libera o contador para atividades de maior valor agregado.
Como um escritório contábil pode começar a oferecer análise financeira
Estruture um dashboard mensal com os principais indicadores do cliente: receita, custos, margem, fluxo de caixa, resultado. Depois marque uma reunião para explicar o que os números dizem sobre o negócio dele. Essa conversa é o começo da consultoria.
Qual é o futuro esperado para profissionais que não se adaptam
Tendem a perder relevância e receita. Conforme a automação avança e mais escritórios se posicionam como consultores, quem continuar apenas com compliance terá seus serviços cada vez mais commoditizados e pressionados por preço.
O que diferencia um contador tradicional de um contador-consultor
O tradicional cumpre o mínimo exigido por lei. O contador-consultor vai além: analisa números, questiona estratégias, propõe mudanças para melhorar o resultado e o fluxo de caixa da empresa. É a diferença entre responder 'o que aconteceu' e orientar 'o que fazer'.
Como começar a se preparar para o futuro da contabilidade
Com conhecimento, dedicação, disciplina e muito trabalho. Dedique tempo a aprender gestão financeira, análise de dados, ferramentas de automação. Leia cases de outras empresas. Participe de eventos e comunidades. Quem se preparar hoje sairá na frente.
A contabilidade ainda é necessária no futuro
Absolutamente. Contabilidade é uma ciência milenar que não desaparece. O que muda é a forma de exercê-la. As obrigações legais continuarão existindo, mas o valor do profissional estará cada vez mais na interpretação estratégica dos dados.
Quanto tempo um escritório leva para se transformar em consultoria
Depende do compromisso do sócio e do time. Rui Cadete levou mais de 25 anos construindo essa jornada. Não é transformação de mês para mês, mas sim um processo contínuo de evolução — começando pequeno e escalando conforme o cliente vê valor.
Um contador pequeno, autônomo ou MEI, consegue fazer consultoria
Sim. Na verdade, o contador autônomo tem uma vantagem: relacionamento muito próximo com seus clientes. Ele pode começar a oferecer análises simples e consultoria focada, sem precisar de estrutura de grande escritório. A intimidade com o cliente é um ativo.
Qual tecnologia é essencial para um escritório contábil moderno
Automação de rotinas (notas, folha, conciliação), sistema de gestão financeira integrado, e ferramentas de visualização de dados (painéis e gráficos). A tecnologia deve liberar tempo do contador para atividades que agregam valor, não complicar o trabalho.

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