Em 2021 as fintechs receberam mais de US$ 130 bilhões em investimentos, o que representa 20% de todo o capital de risco investido no ano.
O número de fintechs que abriram capital nas bolsas mundiais, os famosos IPOs, também cresceram no período e triplicaram na comparação com 2020.
As fintechs revolucionam os serviços para o consumidor final e também incomodam as grandes instituições financeiras.
Neste episódio conversamos com Jordão Novaes e o Cauê Batista do escritório Zilveti Advogados sobre os aspectos jurídicos e tributários que possibilitam esse crescimento exponencial do setor.
Confira no episódio #35 do Controller Cast, dê o play abaixo:
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Se você ainda não conhece, o Controller Cast é um podcast onde discutimos temas de Finanças e Controladoria ou de interesse dessas áreas, trazendo ideias e exemplos práticos. Tudo por meio de entrevistas com profissionais que estão fazendo a diferença no mercado.
Confira os principais tópicos abordados no episódio
O que uma empresa precisa hoje para ser chamada de Fintech? Quem regula esse tipo de empresa?
Quais vantagens, especialmente tributárias, as fintechs possuem frente a uma organização financeira tradicional?
Quais os fatores de sucesso nas empresas que possuem um processo maduro de orçamento e conseguem gerar valor com ele?
Ao trabalhar com uma Fintech, minha empresa está exposta a algum risco que não teria trabalhando com um serviço financeiro tradicional?
Como os bancos têm lidado com essa “ameaça” das inúmeras fintechs sendo lançadas no mercado?
Qual o impacto para o consumidor final?
Quais foram os principais marcos para esse setor em 2021?
Quais as tendências para 2022?
Perguntas frequentes
O que exatamente é uma fintech
Fintech é uma empresa que usa tecnologia para oferecer serviços financeiros de forma mais ágil e acessível que as instituições tradicionais. Pode ser desde um app de pagamentos até uma plataforma de empréstimos ou investimentos. A diferença é que ela nasce digital e enxuta, não carrega a estrutura pesada de um banco convencional.
Qual a diferença entre uma fintech e um banco tradicional
Um banco tradicional tem agências, atendentes, sistemas legados e regulações antigas. Uma fintech é digital, mais rápida para inovar e geralmente tem custos operacionais menores. Mas nem sempre oferecem todos os serviços de um banco — muitas vezes se especializam em um nicho específico, como pagamentos ou investimentos.
Quem regula as fintechs no Brasil
No Brasil, depende do tipo de serviço. O Banco Central regula fintechs que funcionam como instituições de pagamento, crédito ou câmbio. A CVM cuida daquelas que operam com valores mobiliários. Algumas podem estar sob supervisão da Receita Federal também, especialmente nas questões tributárias.
As fintechs têm vantagens tributárias sobre os bancos
Nem sempre. O que muda é a base de cálculo — uma fintech que oferece serviços específicos pode ter alíquotas diferentes de uma instituição financeira tradicional em alguns casos. Mas não é uma vantagem automática; tudo depende da atividade exercida e da legislação aplicável àquele segmento.
Usar uma fintech é mais seguro que usar um banco tradicional
Nem sempre. Bancos tradicionais têm regulação mais antiga e estruturas de compliance consolidadas. Fintechs reguladas também têm garantias, mas cada instituição é um caso. O importante é verificar se está registrada no Banco Central ou órgão competente e se oferece segurança de dados.
Quanto as fintechs receberam em investimentos em 2021
Mais de US$ 130 bilhões, o que representava 20% de todo o capital de risco investido no ano. Esse número mostrou o quanto o mercado acreditava no crescimento do setor naquele período.
Quantas fintechs abriram capital em bolsa em 2021
O número de IPOs de fintechs triplicou na comparação com 2020. Isso reflete a maturidade que algumas dessas empresas atingiram e o interesse dos investidores em colocar recursos em empresas do setor.
Como os bancos tradicionais estão respondendo ao crescimento das fintechs
Alguns estão adquirindo startups, outros criando seus próprios ecossistemas digitais ou parcerando com fintechs. Os maiores bancos perceberam que não conseguem competir em agilidade e inovação do mesmo jeito que um nativo digital consegue, então estão se adaptando.
Minha empresa pode ser chamada de fintech
Só se usar tecnologia como core da operação e oferecer algum serviço financeiro (pagamento, crédito, investimento, câmbio, seguros, etc.). Uma software house que vende para fintechs não é fintech. Uma empresa de consultoria financeira com um app também não é, porque o app é só o canal.
Trabalhar com uma fintech oferece mais riscos que com um banco tradicional
Depende da fintech. Se estiver regulada e com bom histórico, o risco é similar ao de um banco tradicional. O risco maior é com startups não reguladas ou muito novas — aí sim há chance maior de falha operacional ou até insolvência.
Qual é o maior risco de usar uma fintech para pagamentos
Se a empresa falir ou tiver seus dados vazados, você perde acesso aos fundos. Por isso é importante usar apenas fintechs registradas no Banco Central e com boas práticas de segurança de dados. Verifique se tem garantia de proteção de valores e qual é o limite.
As fintechs pagam os mesmos impostos que os bancos
Não exatamente. Fintechs de pagamento podem ter alíquotas diferentes de ISS, por exemplo. Algumas podem estar fora do escopo de tributação de renda sobre serviços financeiros. Cada caso é único e depende do modelo de negócio e da legislação municipal e federal aplicável.
Quantas fintechs existem hoje no Brasil
Não há um número exato, mas estimativas apontam centenas de empresas registradas ou em processo de regulação. O número cresce a cada trimestre, especialmente em niches como open banking, crédito digital e investimentos.
Qual o impacto das fintechs para quem usa os serviços
O consumidor ganhou acesso a serviços antes caros ou inacessíveis — como microcrédito, investimentos com menor aporte inicial e pagamentos instantâneos. Também criou mais concorrência, o que força instituições tradicionais a melhorar ofertas e reduzir taxas.
O open banking é uma fintech
Não, mas está intimamente ligado ao ecossistema de fintechs. Open banking é a regulação (no Brasil, do Banco Central) que permite que dados e serviços financeiros sejam compartilhados entre instituições. Fintechs usam open banking para oferecer novos serviços com dados autorizados pelo cliente.
É possível uma fintech ficar grande como um banco tradicional
Sim. Alguns exemplos no mundo já conseguiram. Mas exige escala, regulação consolidada, confiança dos clientes e geralmente fusão ou aquisição por instituições maiores. Ficar tão grande quanto bancos centenários é desafiador porque eles têm capital concentrado há décadas.
Qual é a tendência para fintechs nos próximos anos
Consolidação (fusões e aquisições), especialização em nichos específicos, integração com bancos tradicionais e expansão de open banking. Também deve aumentar a regulação, o que reduz a quantidade de startups, mas fortalece as sobreviventes.