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Controller Cast #54 - Controladoria no Varejo Farmacêutico: Lições direto da linha de frente

Controladoria no Varejo Farmacêutico: entenda as oportunidades e desafios de um dos setores que mais crescem e exige protagonismo nas finanças.

Neste artigo

No Controller Cast #54, recebemos Ewerton Silva, especialista em Controladoria e co-fundador da W2 Pharma, para uma conversa sobre os bastidores da controladoria no varejo farmacêutico, um setor que cresce ano após ano, mas que também traz desafios únicos para a controladoria.

Se você trabalha em Finanças, Controladoria ou tem curiosidade sobre como esse mercado opera nos bastidores, este artigo é para você!

Você pode assistir o episódio completo aqui, ou ouvir no Spotify:

Capa do vídeo: YouTube video playerVídeo · YouTube

Abaixo vamos explorar os principais insights que Ewerton compartilhou durante o episódio, e mostrar como a controladoria pode ser protagonista no crescimento e rentabilidade desse segmento.

O crescimento consistente do varejo farmacêutico

O varejo farmacêutico brasileiro é um dos poucos setores que, mesmo em cenários econômicos desafiadores, segue crescendo a taxas de dois dígitos. Em 2024, o faturamento do setor ultrapassou R$ 220 bilhões, impulsionado por:

  • Expansão das redes e maior capilaridade.
  • Envelhecimento da população.
  • Mudanças no mix de produtos (há farmácias onde os "não medicamentos" já superam 50% das vendas).
  • Digitalização das vendas.
  • Ampliação dos serviços farmacêuticos.

Mas por trás desse crescimento robusto, existe uma engrenagem financeira complexa que exige controle rígido das margens, do estoque e dos custos operacionais.

As particularidades financeiras do setor

Ewerton destacou que controlar o financeiro no varejo farmacêutico é um verdadeiro "mundo à parte".

Entre as principais particularidades estão:

  • Preços Regulados: Muitos medicamentos têm preço máximo de venda fixado por órgãos reguladores. Isso limita a estratégia de precificação.
  • Margens Apertadas: Em muitos produtos, a margem é baixa. Ganhar no volume é fundamental, mas isso exige uma gestão extremamente eficiente.
  • Gestão de Mix: Farmácias precisam equilibrar entre itens de alta rotação, produtos de margem maior (como perfumaria e suplementos) e serviços de saúde.
  • Validade dos produtos: Medicamentos têm prazo de validade e a logística precisa ser ainda mais precisa para evitar perdas.
  • Alta concorrência: Em algumas cidades, é comum encontrar farmácias em praticamente cada esquina (as vezes mais de uma).

Tudo isso exige que a área financeira seja extremamente analítica, com uma gestão baseada em dados e muito rigorosa no controle de custos.

Como a controladoria se torna protagonista

Segundo Ewerton, a controladoria é o "pilar estratégico" do varejo farmacêutico. Algumas boas práticas que ele compartilhou incluem:

  • Dominar o arroz com feijão: DRE, Fluxo de Caixa e Balanço Patrimonial corretos e atualizados.
  • Análise de indicadores-chaves: CMV por categoria de produto, margens brutas por grupo, participação dos não medicamentos, margem de contribuição.
  • Orçamento é crítico e revisões são constantes: Não basta apenas replicar o histórico, mas questionar e validar cada despesa.
  • Educação financeira para os gestores de loja: Treinar os gerentes para entender conceitos como CMV, margem bruta e fluxo de caixa.
  • Foco em dados de qualidade: A controladoria precisa construir um sistema de dados confiável para orientar as decisões.

Esses pontos são ainda mais importantes quando lembramos que muitos donos de farmácias são farmacêuticos de formação e não têm expertise em gestão financeira.

Planejamento e Orçamento: o diferencial

Um ponto de destaque da conversa foi a importância do planejamento orçamentário no varejo farmacêutico.

Ewerton compartilhou a experiência de implantar um orçamento completo na Drogamed (sua rede de farmácias em Recife), abordando:

  • Iniciação pelo básico: Análise histórica e projeções simples para construir cultura.
  • Crítica dos gastos: Identificando despesas recorrentes "invisíveis", como manutenções de ar-condicionado que somavam mais de R$ 50 mil/ano sem controle.
  • Informação para a tomada de decisão: Não adianta fazer o orçamento e esquecê-lo. É preciso acompanhar, revisar e ajustar à medida que o mercado muda.

A implementação do orçamento também ajudou a empoderar os gestores, mostrando como pequenas mudanças no dia a dia impactam diretamente a rentabilidade das lojas.

A importância do BI Financeiro

Outro tema muito relevante abordado no episódio foi o uso de Business Intelligence (BI) para Finanças.

No varejo farmacêutico, onde a margem é apertada e o volume é alto, a capacidade de transformar dados em ações rápidas faz toda a diferença.

Ewerton compartilhou que:

  • Começaram usando Excel, mas logo migraram para ferramentas mais estruturadas.
  • Criaram painéis diários de vendas, CMV, margem e ticket médio.
  • Utilizam dashboards também para acompanhar metas de vendedores e gerentes.

Um ponto de atenção que ele reforçou: sem qualidade dos dados, não adianta ter BI.

Lições para quem está entrando no setor

Para quem está começando agora no varejo farmacêutico, ou pensando em estruturar melhor a controladoria, Ewerton deixou duas grandes dicas:

  1. Fazer o básico muito bem feito: DRE, Fluxo de Caixa, Balanço. Sem isso, não adianta querer avançar para BI, painéis ou projeções sofisticadas.
  2. Desenvolver competências de comunicação: A controladoria precisa explicar o "porquê" dos números, convencer a liderança e educar os times.

Por que você deveria ouvir o episódio completo

O episódio está repleto de dicas práticas e exemplos reais sobre:

  • Como adaptar a controladoria à realidade do varejo farmacêutico.
  • Como aumentar a rentabilidade sem entrar em guerra de preços.
  • Como usar o orçamento e o BI para apoiar decisões estratégicas.
  • Como elevar a maturidade financeira das farmácias.

Se você atua em Finanças, Controladoria ou é gestor no setor de varejo, este episódio é imperdível.

Gostou do conteúdo? Aproveite para conferir também outros episódios do Controller Cast e materiais gratuitos da Treasy sobre planejamento financeiro, BI e gestão orçamentária.

Perguntas frequentes

Qual é o faturamento do varejo farmacêutico brasileiro em 2024?
Em 2024, o faturamento do setor ultrapassou R$ 220 bilhões, impulsionado pela expansão das redes, envelhecimento da população, digitalização das vendas e ampliação de serviços farmacêuticos.
Por que o varejo farmacêutico cresce mesmo em crises econômicas?
Porque medicamentos são produtos essenciais — as pessoas compram independentemente da situação econômica. Além disso, o envelhecimento da população brasileira aumenta naturalmente a demanda por fármacos e serviços de saúde.
Qual é o maior desafio financeiro em uma farmácia?
Conciliar margens apertadas com volume. Muitos medicamentos têm preço máximo regulado, então não dá para vender mais caro. Ganhar no volume é fundamental, mas isso exige controle extremamente rigoroso de custos e estoque.
O que são preços regulados e como afetam a farmácia?
Preços regulados são valores máximos de venda fixados por órgãos como a ANVISA. Isso limita a estratégia de precificação da farmácia — você não pode simplesmente aumentar o preço para melhorar margem. Precisa ganhar em eficiência operacional.
Como as farmácias usam mix de produtos para melhorar rentabilidade?
Balanceando itens de alta rotação (medicamentos genéricos de baixa margem) com produtos de maior margem como perfumaria, suplementos e cosméticos. Em muitas farmácias, os 'não medicamentos' já superam 50% das vendas.
Por que a validade dos produtos é um desafio tão grande em farmácias?
Medicamentos com data de validade próxima do vencimento não podem ser vendidos. Se a logística não for precisa, a farmácia acaba tendo perdas — produtos encalhados que viram despesa. Isso exige uma gestão de estoque muito mais rigorosa que outros varejos.
Qual deve ser o foco principal da controladoria em uma rede farmacêutica?
Ser analítica e orientada por dados. Dominar DRE, Fluxo de Caixa e Balanço Patrimonial, acompanhar indicadores como CMV por categoria, margem bruta por grupo e margem de contribuição. Educação financeira dos gerentes de loja também é crítico.
Qual é a importância do orçamento no varejo farmacêutico?
O orçamento não é apenas um documento histórico — é uma ferramenta estratégica. Precisa ser revisado constantemente e cada despesa deve ser questionada e validada. Em um setor com margens apertadas, isso faz a diferença entre lucrar e ter prejuízo.
Como treinar gerentes de loja em conceitos financeiros?
Educação financeira básica é essencial. Os gerentes precisam entender CMV (Custo de Mercadoria Vendida), margem bruta e fluxo de caixa. Quando o time de loja entende o impacto financeiro das decisões, melhora o controle de custos e estoque.
Por que muitas farmácias têm dificuldade em gestão financeira?
Porque a maioria dos donos é farmacêutica de formação — especialista em medicamentos e saúde, não em finanças. Sem expertise em gestão financeira, fica difícil tomar decisões baseadas em dados e estruturar um controle robusto.
Qual é a diferença entre CMV e margem bruta em uma farmácia?
CMV (Custo de Mercadoria Vendida) é quanto você gasta para comprar o produto. Margem bruta é o que sobra de cada venda depois de descontar o CMV. Se você vende um medicamento por R$ 100 e o CMV é R$ 70, a margem bruta é R$ 30 (30%).
Como a análise de indicadores ajuda a controladoria a ser protagonista?
Indicadores como CMV por categoria, margens por grupo e participação dos não medicamentos dão visibilidade do que está funcionando e do que precisa melhorar. Com esses dados, a controladoria consegue orientar decisões estratégicas reais, não chutes.
Por que há tantas farmácias próximas umas das outras?
Alta concorrência. Em algumas cidades, é comum encontrar múltiplas farmácias na mesma rua. Isso intensifica a pressão por eficiência operacional e margem — quem não controlar custos fica para trás.
O que significa 'dominar o arroz com feijão' na controladoria?
Significa ter as demonstrações financeiras básicas corretas e atualizadas: DRE (Demonstração de Resultado), Fluxo de Caixa e Balanço Patrimonial. Sem esses alicerces, qualquer análise sofisticada é construída em areia.
Como a digitalização de vendas impacta a controladoria farmacêutica?
Gera mais dados em tempo real. Com sistemas integrados, fica mais fácil acompanhar vendas, estoque e custos. Mas exige que a controladoria saiba usar esses dados para gerar análises que realmente orientem decisões.

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