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Controller Cast #59 - De Controller a CFO: o caminho das pedras para evoluir na carreira financeira

Descubra como o CFO Paulo Spricigo construiu uma carreira sólida em finanças e compartilha, no Controller Cast, lições práticas para quem quer evoluir de Controller a CFO , dominando comunicação, liderança e visão estratégica.

Neste artigo

Em um mercado onde a área financeira ganha cada vez mais protagonismo, entender a trajetória de quem conseguiu evoluir de funções técnicas para posições de liderança estratégica é um aprendizado valioso. No episódio #59 do Controller Cast, conversamos com Paulo Spricigo, Diretor Financeiro LATAM da Oterra, sobre sua jornada de mais de 15 anos em finanças , de auditor na Deloitte a CFO com atuação internacional.

A conversa trouxe uma visão profunda sobre como o profissional financeiro pode se transformar em líder estratégico, os erros mais comuns que impedem essa evolução e como habilidades como comunicação, política e entendimento do negócio são tão ou mais importantes que a técnica.

Neste artigo, compartilhamos os principais insights dessa conversa, e você também pode assistir na íntegra abaixo:

Capa do vídeo: YouTube video playerVídeo · YouTube

Da bicicleta à Deloitte: uma carreira construída com disciplina e curiosidade

A trajetória de Paulo começou cedo , literalmente pedalando. Aos 15 anos, ele trabalhava entregando documentos de bicicleta. Depois, ingressou na área de informática, dando aulas de Word, Excel e PowerPoint. Mas o interesse por negócios e finanças falou mais alto.

“Meu pai era empreendedor, e eu sempre tive curiosidade por entender como as empresas funcionavam. Gostava de ver números virando resultados”, relembra.

A virada aconteceu em 2008, quando entrou na Deloitte como trainee. Lá, mergulhou no universo da auditoria, participando de projetos complexos, como o IPO do Magazine Luiza. A experiência foi o primeiro contato com processos robustos, metodologia e disciplina, três elementos que moldaram seu estilo de liderança.

“A auditoria me ensinou método e rigor. Foi onde aprendi a estruturar processos e a olhar para detalhes sem perder a visão do todo.”

Diversidade de experiências: o segredo da visão ampla

Depois da Deloitte, Paulo passou por setores como hotelaria, educação, indústria e agronegócio, além de vivências em operações internacionais no México, Peru, Colômbia e Argentina. Ele acredita que essa pluralidade foi essencial para desenvolver uma visão de negócio mais completa.

“Passei por vários segmentos, e cada um me ensinou algo diferente. Hotelaria me mostrou a importância do foco no cliente; indústria me ensinou sobre eficiência e margem; e multinacional trouxe complexidade, governança e multiculturalidade.”

Essa experiência multifacetada o ajudou a entender que o financeiro não é apenas um guardião de números, mas um conector entre áreas e culturas, capaz de traduzir metas em resultados tangíveis.

De Controller a CFO: o que muda na visão e nas competências

Muitos profissionais sonham em chegar ao cargo de CFO, mas poucos compreendem o que realmente muda entre as duas funções. Para Paulo, a diferença fundamental está no tipo de olhar que se adota sobre o negócio.

“O Controller olha pelo retrovisor, buscando garantir a assertividade dos números. O CFO, por outro lado, olha pelo para-brisa. Ele usa os números como bússola para tomar decisões e direcionar o futuro.”

Essa mudança de perspectiva exige deixar de ser um executor técnico para se tornar um líder estratégico, capaz de transformar dados em decisões, números em narrativas e planos em ação.

“Não é fácil desapegar do técnico. Mas se você quer evoluir, precisa parar de ser apenas quem entrega relatórios e começar a ser quem inspira e influencia.”

O maior desafio: deixar de ser técnico para ser estratégico

Ao longo da conversa, Paulo destacou um ponto que aparece com frequência entre profissionais financeiros: a dificuldade de sair da operação para a estratégia.

“Você pode ser excelente tecnicamente, dominar o Excel, fazer modelagens incríveis… mas se não souber comunicar o impacto disso para o negócio, vai ficar invisível.”

Para ele, a virada de chave ocorre quando o profissional entende que o valor de seu trabalho não está apenas na qualidade dos relatórios, mas na capacidade de gerar impacto e influenciar decisões. Isso passa por três pilares:

  1. Entender o negócio: sair da cadeira, visitar operações, conversar com vendas e clientes.
  2. Comunicar bem: traduzir o técnico em linguagem de negócio.
  3. Ser político: ter posicionamento, construir relacionamentos e saber influenciar.

“O financeiro precisa tirar o bumbum da cadeira e entender o negócio. Tem gente que faz análise de estoque, mas nunca viu o produto. Quando você vai a campo, muda completamente a visão.”

Financeiro: o motor da empresa, não apenas o freio

Uma das falas mais marcantes do episódio foi quando Paulo afirmou que o financeiro precisa parar de agir como uma área de suporte e começar a se enxergar como motor de crescimento.

“Muita gente fala que o financeiro é o freio da empresa. Eu discordo. A gente é o motor. Somos nós que damos a visibilidade de resultados, o ritmo do caixa e o entendimento da margem.”

Segundo ele, essa mudança de mentalidade exige que o financeiro assuma protagonismo e se comunique de forma proativa com as demais áreas.

“A gente reclama que o marketing ou o comercial não entende Finanças, mas será que a gente entende o lado deles? Comunicação é uma via de mão dupla.”

O papel do orçamento empresarial na transformação do financeiro

Um dos temas mais abordados foi o planejamento orçamentário, assunto central na atuação da Treasy. Para Paulo, o orçamento é uma ferramenta essencial para conectar estratégia, metas e execução.

“O orçamento não é do financeiro, é da empresa. Ele é o contrato entre as áreas sobre o que cada uma vai entregar. Quando todas participam, o processo deixa de ser burocrático e passa a ser colaborativo.”

Ele destaca que a cultura orçamentária precisa ser construída com envolvimento genuíno de todas as áreas, e que o financeiro deve liderar esse processo com diálogo, não com imposição.

“O financeiro não deve ser cobrado pelas áreas. Ele deve cobrar as áreas , não com autoridade, mas com propósito. Mostrar por que aquele número importa e como impacta o resultado da empresa.”

Esse ponto ecoa o que chamamos na Treasy de Estágio 5 da Maturidade Financeira: Descentralização e Colaboração (descubra o nível de sua empresa aqui), quando o orçamento deixa de ser um exercício contábil e se torna uma ferramenta de gestão viva, integrada e compartilhada por toda a organização.

Erros comuns que travam o avanço do profissional financeiro

Durante a conversa, Paulo foi direto ao ponto: muitos profissionais ficam presos na operação e, por isso, nunca conseguem ser reconhecidos como estratégicos.

“O maior erro é ser refém do processo. ‘Sempre foi assim’, ‘é o prazo que tenho’, ‘não posso mudar’ , isso mata a inovação.”

Outro erro é acreditar que trabalhar muito é sinônimo de trabalhar bem.

“No começo da carreira, eu achava que o reconhecimento viria por ser o mais técnico e o que mais entrega. Mas o que realmente sustenta uma carreira é transformar técnica em impacto. Se ninguém vê valor no que você faz, repense.”

A recomendação é simples: faça menos planilhas e mais perguntas. Entenda o contexto, as dores e os objetivos das outras áreas. E, principalmente, aprenda a vender seu trabalho internamente, algo que, segundo Paulo, muitos financeiros ainda não sabem fazer.

Comunicação: a soft skill que diferencia o CFO do Controller

Paulo foi categórico: a comunicação é a habilidade mais importante para quem quer crescer em finanças. Isso inclui tanto a comunicação interna, com equipe e diretoria, quanto a externa, com o mercado e stakeholders.

“Eu costumo dizer que o principal cliente do financeiro são as outras áreas. Se você não as ouve, não as entende e não sabe se comunicar, está falhando com seus clientes internos.”

Ele também destacou a importância da comunicação de posicionamento, falar de resultados e aprendizados nas redes, especialmente no LinkedIn, para fortalecer a marca pessoal e inspirar outros profissionais.

“As dores do financeiro são universais. Quando a gente fala delas, descobre que não está sozinho, e isso gera engajamento e aprendizado.”

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Liderança e cultura: o papel do CFO em um ambiente multicultural

Hoje, à frente das operações financeiras da Oterra na América Latina, Paulo lidera times no Brasil, México, Peru, Colômbia e Argentina. Ele compartilhou aprendizados sobre liderar à distância e em culturas diferentes.

“A América Latina é diversa. No México, a estrutura é mais hierárquica; no Peru, mais próxima e colaborativa. É preciso adaptar o estilo de liderança a cada cultura.”

Ele destacou que a confiança é a base da liderança multicultural, e que escutar é mais importante do que impor.

“Você não pode chegar impondo o jeito brasileiro de fazer as coisas. Primeiro ouça, entenda o contexto local e construa confiança. Só depois traga suas contribuições.”

Essa abordagem reflete a essência do líder financeiro moderno, alguém que equilibra técnica, empatia e flexibilidade para gerar resultados em diferentes realidades.

Tecnologia, IA e o futuro das finanças

Não poderia faltar o tema do momento: Inteligência Artificial. Paulo acredita que a IA não é uma ameaça, mas um divisor de águas , desde que a base esteja bem estruturada.

“A IA não é varinha de condão. Se o seu master data não estiver organizado, ela vai aprender errado. O financeiro precisa fazer a lição de casa primeiro.”

Segundo ele, muitas empresas ainda lutam com dados desestruturados e processos mal definidos, o que impede a adoção inteligente da tecnologia.

“Antes de pensar em IA, pense em governança de dados. Só com base sólida é possível colher o valor real dessa tecnologia.”

Conselho para quem está começando: impacto antes de reconhecimento

Ao final do episódio, Paulo compartilhou um conselho valioso , que resume bem sua filosofia de carreira:

“Trabalhar muito não é trabalhar bem. Trabalhar bem é gerar impacto. Se ninguém percebe o valor do que você faz, talvez esteja olhando para o lugar errado.”

Ele reforça que o reconhecimento vem quando o profissional passa a resolver problemas do negócio, e não apenas entregar relatórios perfeitos.

“Pare de medir sua performance pelo número de planilhas. Meça pelo quanto você ajuda sua empresa a crescer.”

Um recado final aos financeiros

Para fechar a conversa, Paulo deixou uma mensagem direta e inspiradora:

“Os profissionais de finanças não estão sozinhos. As dores são comuns, mas as oportunidades também. Se posicionem, argumentem, comuniquem-se. O financeiro é o motor da empresa, e está na hora de acelerar.”

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre um Controller e um CFO?
O Controller olha pelo retrovisor, focando em garantir a assertividade dos números e o fechamento contábil. O CFO olha pelo para-brisa, usando os números como bússola para tomar decisões estratégicas e direcionar o futuro da empresa. Em outras palavras: o Controller valida o passado, o CFO constrói o futuro.
Como evoluir de Controller para CFO?
É preciso transitar de executor técnico para líder estratégico. Isso significa parar de apenas entregar relatórios e começar a inspirar, influenciar e conectar dados a decisões de negócio. Desenvolver habilidades de comunicação, entendimento do negócio e visão política também são essenciais nessa jornada.
Quais habilidades são mais importantes para um CFO: técnica financeira ou liderança?
Liderança e comunicação são tão ou mais importantes que a técnica pura. Um CFO precisa traduzir números em narrativas que inspirem ação, conectar diferentes áreas da empresa e influenciar decisões estratégicas. A técnica é a base, mas a liderança é o que diferencia.
Por que passar por diferentes segmentos ajuda a carreira de um profissional financeiro?
Cada segmento ensina algo único. Hotelaria mostra o foco no cliente, indústria ensina eficiência e margem, multinacional traz complexidade e governança. Essa diversidade cria uma visão mais ampla do negócio e prepare o profissional para lidar com cenários complexos.
O que a auditoria ensina sobre liderança financeira?
Auditoria desenvolve método, rigor e disciplina. Ensina a estruturar processos, a olhar para detalhes sem perder a visão do todo, e a construir uma base sólida para tomar decisões. Essas competências são fundamentais para qualquer líder financeiro.
Como um CFO deve usar números para tomar decisões?
Os números devem ser uma bússola, não o destino. Um CFO transforma dados em narrativas claras que apoiem decisões estratégicas, conectando métricas financeiras às metas do negócio e aos desafios operacionais reais da empresa.
Qual é o maior obstáculo para quem quer sair de uma posição técnica para liderança?
Deixar de lado o conforto do técnico. Muitos profissionais encontram dificuldade em desapegar da execução detalhada e abraçar a incerteza estratégica. Esse desapego é doloroso, mas necessário para evoluir.
Um CFO precisa conhecer todas as áreas da empresa?
Não precisa ser expert em tudo, mas precisa entender como cada área funciona e como se conecta às finanças. Ser um conector entre departamentos é parte crucial do papel de CFO, especialmente em empresas multinacionais ou complexas.
Como a experiência internacional ajuda na carreira de um profissional financeiro?
Experiências internacionais expõem o profissional a diferentes culturas, regulações, processos de governança e desafios operacionais. Isso constrói uma mentalidade global e a capacidade de adaptar estratégias a contextos variados, competência cada vez mais necessária.
Qual é o papel do CFO em relação às outras áreas da empresa?
O CFO não é apenas guardião de números, mas conector entre áreas e culturas. Seu papel é traduzir metas em resultados tangíveis, comunicar o impacto financeiro de decisões operacionais e inspirar a organização a agir com base em dados e visão clara.
Como desenvolver comunicação para ser um bom CFO?
A comunicação de um CFO deve transformar dados complexos em narrativas claras e acionáveis. Pratique apresentar números de forma visual, conecte métricas a objetivos do negócio e aprenda a falar com executivos de diferentes áreas, não apenas com contadores.
Por que entender o negócio é tão importante quanto conhecer finanças?
Um CFO que entende apenas finanças corre o risco de otimizar números sem considerar a realidade operacional. Quem conhece o negócio consegue sugerir decisões que fazem sentido na prática e influenciar estratégia com credibilidade.
Quanto tempo leva para evoluir de Controller para CFO?
Não existe timeline única. Paulo Spricigo levou mais de 15 anos construindo sua carreira, passando por auditoria, diferentes setores e operações internacionais. O que importa é acumular experiências variadas e desenvolver as competências certas, não apenas o tempo decorrido.
Um CFO precisa ter experiência em IPO ou processos complexos?
Ajuda bastante. Processos como IPO expõem o profissional a padrões altos de governança, rigor metodológico e coordenação complexa. Mas o essencial é participar de projetos que desafiem você e construam sua capacidade de lidar com ambiguidade e escala.
Como a política organizacional impacta a carreira de um CFO?
A política é a capacidade de influenciar sem autoridade formal e de navegar dinâmicas humanas. Um CFO que ignora a política dificilmente conseguirá executar estratégia. Entender como as decisões realmente funcionam na prática é tão importante quanto a lógica financeira.
Qual é o erro mais comum que impede um Controller de virar CFO?
Não desapegar do técnico e não desenvolver visão estratégica. Muitos Controllers pensam que promoção é automática se fizerem bem o relatório contábil. CFO exige outra mentalidade: olhar para o futuro, inspirar equipes e dirigir a empresa com base em dados e visão.

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