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Análise de ROE (Return on Equity): sua empresa rentabiliza acima do Custo de Oportunidade?

Custo de Oportunidade: sua empresa está analisando o ROE (Return on Equity) para entender se a Rentabilidade do capital investido está valendo a pena?

Neste artigo

Três portas coloridas representando custo de oportunidade e opções de retornoNo momento em que pensamos aplicar nosso dinheiro para abrir um novo negócio, ou até mesmo nos tornarmos sócios de uma companhia, sendo ela de capital aberto ou não, jamais podemos nos esquecer de considerar em nossa análise o Custo de Oportunidade.

Mas afinal, você sabe o que realmente é este Custo de Oportunidade e de que forma calcula-lo? Indo além, você já parou para pensar por quê analisar o Custo de Oportunidade ao tomar decisões sobre investimentos pode ser decisivo para sua empresa?

Independente de suas respostas para as questões acima, fique tranquilo. Preparamos um artigo top com boa parte das respostas mais importantes e todos os direcionamentos que você precisa para buscar as respostas que faltarem. Confira!

Entendendo o Custo de Oportunidade

Este é um termo muito usado quando falamos em tomada de decisões, principalmente as decisões tomadas com base em informações financeiras.

Para toda decisão que tomamos, automaticamente renunciamos todos os outros caminhos possíveis (agora faz mais sentido a imagem de capa deste post, com as três portas, não é mesmo?).

Por exemplo, trocar de carro ao invés de poupar o dinheiro para a reforma da casa; cursar uma graduação ao invés de dedicar este tempo para outro projeto; ler um livro ao invés de ficar navegando em redes sociais durante o horário do almoço; e assim por diante.

Perceba que para todas as situações podemos ter duas ou mais opções, o que diferencia uma da outra é a análise particular que fazemos com base em nossas necessidades, valores e paradigmas. Levamos em consideração sempre nossos objetivos, ganhos e perdas de cada opções, calculando assim, inconscientemente, o Custo de Oportunidade.

Já para as decisões financeiras, principalmente as mais técnicas, como a de se tornar um acionista de uma empresa, podemos contar com alguns parâmetros que acabam dando um norte fundamentalista para apoiar nossa decisão. Entre os mais diversos instrumentos utilizados, temos os Indicadores de Desempenho e quando falamos em analisar o Custo de Oportunidade, o principal deles é o ROE (Return on Equity).

Return on Equity (ROE)

Você já deve ter ouvido ou lido em algum lugar este termo, que em uma tradução livre seria o mesmo que Retorno sobre o Patrimônio Líquido (RsPl).

Este indicador é uma das informações mais importantes (ou pelo menos deveria ser) para os donos do negócio. Afinal, o ROE (Return on Equity), como o próprio nome diz, indica o quanto que a empresa gera de retorno para cada centavo que o acionista aplica na organização.

Caso você nunca tenha ouvido falar sobre este indicador ou já leu sobre o tema e quer apenas recordar, abaixo tem um resumo do conceito:

Retorno sobre o patrimônio líquido (RsPl) ou como é mais conhecido na linguagem do mercado, Return on Equity (ROE), é um indicador financeiro que se refere em percentual quanto uma empresa está gerando de retorno para o capital próprio investido (dinheiro do dono).

Fórmula do ROE

A fórmula para calcular o ROE é bastante simples. Todavia, a empresa precisa estar com a contabilidade em dia para obter as informações que o compõe:

Fórmula ROE return on equity mostrando análise de custo de oportunidade

Para facilitar a interpretação da relação entre ROE (Return on Equity) x Custo de Oportunidade, confira dois exemplos que preparamos.

Exemplo 1 – Analisando a oportunidade de iniciar uma nova empresa.

Para deixar o exemplo mais abrangente, dividimos o exemplo de análise do Custo de Oportunidade ao abrir uma nova empresa em duas situações hipotéticas.

Primeira Situação

Após realizar um plano de negócio, suas projeções indicam que você irá precisar de um capital inicial de R$500.000,00, e que a expectativa de resultado para os próximos 5 anos é de obter um lucro líquido anual de R$25.000,00. Aplicando a fórmula acima, chegamos facilmente à projeção de um ROE de 5% ao ano.

Não estamos dizendo que sempre, mas normalmente a primeira conclusão que se tira desta análise é "ótimo, tive lucro então o negócio é viável!".

Mas é preciso muita calma nesta hora!Nós brasileiros somos muito apegados ao lucro líquido e nos esquecemos de conferir a sua consistência. É preciso analisar o investimento de forma uma pouco mais profunda. Para isto, pode ser muito útil se fazer algumas questões como:

  • Afinal, qual é o meu custo de oportunidade em relação a esse ROE?
  • Que outras opções de investimentos eu posso usar como base de comparação para saber se estou fazendo um bom negócio?
  • Um ROE de 5% a.a. é bom ou ruim?

A resposta para todas estas questões é uma que sempre funciona no mundo das finanças, DEPENDE! Mas depende do que?

Primeiro precisamos analisar o custo de oportunidade do país em que o negócio será aberto. No caso do nosso exemplo, Brasil.

Estamos em um país onde a taxa básica dos juros (SELIC) é muito alta, ainda mais na atual conjuntura econômica em que estamos passando. Levando isto em consideração, o primeiro ponto que precisamos analisar em relação ao custo de oportunidade é, o quanto eu ganharia se aplicasse os mesmos R$500.000,00 em qualquer investimento atrelado a taxa SELIC, que teoricamente, seriam investimentos considerados de baixíssimo risco.

Atualmente, descontando taxas e imposto de renda, seria um ROE próximo aos 11% ao ano.

Perceba que o primeiro requisito, que é o de superar o custo de oportunidade do país, a empresa já não se mostrou muito atrativa, afinal, por que iriamos querer investir nesta empresa, correr grandes riscos, ter passivos trabalhistas, além de todos os problemas do dia-a-dia que um negócio próprio pode gerar, se eu consigo praticamente o dobro do retorno optando por deixar meu dinheiro aplicado a qualquer investimento atrelado a SELIC,  sem correr grandes riscos, e ainda de quebra consigo ter liberdade de tempo para realizar outras atividades (o que normalmente não acontece quando se tem um negócio próprio).

Segunda Situação

Vamos agora supor que refizemos todo o modelo de negócio e fomos um pouco mais otimistas em nossas projeções o que resultou em um ROE anual de 20% (R$100.000,00). E agora?

Novamente a resposta é, DEPENDE! Como citado em nosso exemplo anterior, já temos um Custo de Oportunidade de 11% (investimentos atrelados à SELIC) e o mais importante, com baixo risco. Ou seja, esta é nossa TMA (Taxa Mínima de Atratividade).

Se pretendemos abrir um negócio próprio ou investir em alguma companhia, significa que estaremos correndo riscos maiores, então precisamos no mínimo que o retorno sobre o investimento empate com a SELIC e ainda alguns percentuais a mais. Chamamos isto de prêmio de risco.

Mas quanto a mais que a SELIC seria interessante para aceitar a proposta? Esta resposta está na segunda parte de nossa análise, a análise do segmento.

Análise de Segmento

Vamos supor que a empresa do nosso exemplo é do segmento de cosméticos. Partindo do princípio que você já possui um pouco de conhecimento a respeito do segmento que ela pertence, atrelado a um bom benchmarking, seria possível estimar uma taxa de prêmio de risco.

Por exemplo, olhando para empresas listadas na bolsa, encontramos a Natura, que além de ser do segmento de cosméticos, é uma das campeãs de ROE dentre as empresas na BOVESPA. Ela consegue, com bastante consistência, um Return on Equity acima dos 60% ao ano. É isto mesmo, você não leu errado. O Return on Equity da Natura é acima dos 60% ao ano!

Em uma análise fria, se deixarmos de lado o market share e porte da Natura, que são enormes, praticamente estaríamos compartilhando do mesmo risco do segmento. Ou seja, se vou abrir uma empresa que está no mesmo segmento que Natura, quero um ROE pelo menos próximo ao que ela consegue com tanta consistência.

Lógico que para um benchmarking mais completo e técnico existem outras empresas e variáveis a serem comparadas. Citamos a Natura e seu ROE, pois ela possui capital aberto o que facilita a consulta das informações para simplificar o exemplo.

Exemplo 2 – Já possuo uma empresa em atividade

Em nosso segundo exemplo, vamos supor já possuir um negócio em andamento, por exemplo, um supermercado.

Chegado o final do ano e a área de planejamento e controladoria finaliza os demonstrativos constatando que o ROE foi 6% durante determinado ano. Dando uma olhada na taxa Selic do mesmo período observamos que foi de 12%, ou seja, perdemos 6% depois de muito esforço para vender, administrar e ainda correndo riscos de assaltos, incêndio no estoque, processos trabalhistas, dentre outras coisas que podem ocorrer.

Na verdade não perdemos 6%, mas a sensação é a de perda, afinal poderíamos ter rentabilizado 12% com um esforço bem menor e correndo riscos baixíssimos, quando comparado ao de se ter um supermercado.

Tudo bem, o objetivo agora é projetar os próximos períodos, sendo assim quais são as estratégias para que as projeções mostrem que a empresa irá começar a rentabilizar acima do Custo de Oportunidade? O cenário precisa se reverter, caso contrário uma aplicação em renda fixa se torna mais atrativa que manter o supermercado.

No caso deste supermercado, foco central de esforço deveria ser colocado em parar por um momento e realizar um bom Planejamento Estratégico, Tático e Operacional para o próximo ano, começando por uma profunda Análise SWOT do negócio. Ao final desta etapa, a administração do supermercado deveria elaborar um Planejamento Orçamentário alinhado aos planos estratégicos e depois acompanhado de forma bem próxima durante o ano para garantir o aumento da Rentabilidade e Lucratividade.

Falta de ROE não quebra empresa!

Você não encontra (ao menos eu nunca encontrei) empresas dizendo que quebraram por falta de ROE. De fato, o que pode quebrar a empresa é falta de caixa e outros problemas de gestão, mas não falta de ROE. O maior problema relacionado ao ROE é a sensação (real) de perda de quem está investindo o dinheiro.

Uma frase que é comum escutarmos por aí e que você deve tomar muito cuidado é “não se preocupe, este ROE baixo é característico do segmento”. O que podem ser característicos de segmentos são outras margens, como o EBITDA, Margem de Contribuição, etc.

O ROE nunca deveria ser baixo!Pode até iniciar ou estar em determinado período abaixo do Custo de Oportunidade, mas precisa existir uma estratégia que projete a superação do índice ao longo dos anos.

Utilizamos apenas dois exemplos para melhor ilustrar esta relação, mas perceba que para qualquer tomada de decisão financeira, independentemente de sua magnitude, é muito importante estar atento a este KPI.

As grandes questões a analisar é: quantas pessoas que estão aceitando se aventurar na economia real, abrindo empresas e gerando empregos, se dificilmente conseguem resultados acima de um custo de oportunidade tão alto como o do nosso país? E os empresários, com que frequência estão monitorando a relação entre Rentabilidade (Return on Equity) e o Custo de Oportunidade?

Talvez este assunto não seja novidade para você, mas é bacana ter estes conceitos sempre frescos em nossas mentes para que possamos cada vez mais tomar decisões com base em fundamentos e de forma técnica.

Sobre o Autor

Este artigo foi escrito por Felipe Mengatto Peregrina especialmente aos leitores do Blog do Treasy,

Atuando há mais de 4 anos na área de Controladoria e Finanças, Felipe, é natural de Piracicaba, interior de São Paulo e graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Salesiana Dom Bosco. Durante sua formação, sempre direcionou seu foco de atuação para as finanças corporativas, área pela qual tem paixão.

Perguntas frequentes

O que é Custo de Oportunidade?
É o retorno que você deixa de ganhar ao escolher uma alternativa em vez de outra. Por exemplo, se coloca R$ 100 mil em um negócio que rende 8% ao ano, o custo de oportunidade pode ser os 12% que você ganharia em um fundo de investimento. É o ganho renunciado pela escolha que fez.
Como calcular o ROE (Return on Equity)?
A fórmula é simples: ROE = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido x 100. Você pega o lucro que a empresa gerou em um período e divide pelo capital próprio investido. O resultado em percentual mostra quanto de retorno você está gerando para cada real que tem aplicado na empresa.
Qual é a diferença entre ROE e Custo de Oportunidade?
ROE é o retorno real que sua empresa está gerando. Custo de Oportunidade é o retorno mínimo que você deveria estar obtendo ao investir seu dinheiro em outras alternativas (como aplicações financeiras, outros negócios, etc.). Se o ROE for menor que o custo de oportunidade, seu dinheiro não está bem aplicado.
Por que analisar o ROE antes de investir em um negócio?
Porque o ROE mostra se a empresa está rentabilizando seu investimento acima do que você ganharia em outras aplicações. Se você consegue 15% ao ano na bolsa e a empresa rende apenas 8%, há um problema. O ROE ajuda a responder se vale a pena manter o dinheiro ali ou realocá-lo.
Qual é um bom ROE para uma empresa?
Varia conforme o setor, mas geralmente um ROE acima de 15% ao ano é considerado saudável. O importante é comparar com o seu custo de oportunidade pessoal e com o ROE de empresas similares no mercado. Uma empresa com ROE de 10% pode ser excelente se o custo de oportunidade for 5%, e ruim se for 20%.
Como saber qual é meu Custo de Oportunidade pessoal?
Pense nas melhores alternativas que você teria para aplicar o mesmo dinheiro: rentabilidade de fundos, taxa média de ações, poupança, CDB, ou até empresas similares. A taxa média dessas alternativas viáveis é seu custo de oportunidade. Se nenhuma alternativa parece boa, talvez 12% ao ano seja uma referência saudável para o mercado brasileiro.
ROE negativo significa que estou perdendo dinheiro?
Não necessariamente. ROE negativo significa que a empresa teve prejuízo no período analisado, ou que o patrimônio líquido diminuiu. Pode ser uma fase de investimento ou uma operação em dificuldade. O importante é entender por que isso aconteceu e se é temporário ou estrutural.
Posso confiar apenas no ROE para decidir se vendo minha participação acionária?
Não. ROE é um indicador importante, mas não é o único. Considere também tendência de crescimento, mercado, concorrência, fluxo de caixa e perspectivas futuras. Um ROE baixo hoje pode virar alto em 2 anos se a estratégia estiver correta. Combine com análise qualitativa do negócio.
Como aumentar o ROE da minha empresa?
Há duas vias principais: aumentar o lucro líquido (com receita maior ou custos menores) ou reduzir o patrimônio líquido (distribuindo lucros acumulados). A melhor forma é crescer o lucro sem perder rentabilidade. Foco em margem, eficiência operacional e eliminação de desperdícios costumam trazer bons resultados.
Uma empresa com ROE alto sempre é um bom investimento?
Nem sempre. Um ROE altíssimo pode indicar que a empresa usa pouco capital próprio (bastante alavancagem), o que aumenta o risco. Ou pode ser um resultado pontual. Olhe a série histórica de ROE, não apenas um ano. E compare sempre com o risco que você está assumindo.
ROE de 20% é bom para uma startup?
Startups geralmente têm ROE baixo ou negativo nos primeiros anos porque estão investindo em crescimento, não em lucro imediato. Um ROE de 20% em uma startup jovem é excelente e sugere que o modelo de negócio está funcionando bem. Para empresas maduras, 20% é sólido mas nem sempre excepcional.
Como o Patrimônio Líquido afeta o cálculo do ROE?
O ROE é lucro dividido por patrimônio líquido. Se você distribui muito lucro como dividendo, o patrimônio líquido cai e o ROE sobe (mesmo com lucro igual). Se você reinveste tudo, o patrimônio cresce e o ROE pode cair. Por isso dois ROEs iguais podem vir de estratégias bem diferentes.
Quando devo retirar meu dinheiro de uma empresa pelo Custo de Oportunidade?
Quando o ROE ficar consistentemente abaixo do seu custo de oportunidade. Se a empresa rende 6% e você consegue 10% em um fundo de investimento com menos risco, faz sentido considerar sair. Mas leve em conta também perspectivas futuras, não apenas o passado.
ROE igual em duas empresas significa retorno igual para o acionista?
Não obrigatoriamente. Duas empresas com ROE de 15% podem ter risco muito diferente (uma em setor estável, outra em startup). Também podem distribuir dividendos diferentes. O ROE mostra rentabilidade do capital, mas não captura risco nem política de distribuição de lucros.
Qual é a relação entre ROE e inflação no Custo de Oportunidade?
Se a inflação sobe, seu custo de oportunidade também sobe porque você exigirá mais retorno para compensar a perda de poder de compra. Um ROE de 12% pode parecer bom com inflação de 4%, mas ruim com inflação de 10%. Sempre analise ROE descontando a inflação (retorno real).
Como a Treasy ajuda a acompanhar ROE e Custo de Oportunidade?
A Treasy centraliza seus dados financeiros e permite criar painéis que mostram lucro, patrimônio líquido e indicadores como ROE em tempo real. Você acompanha a evolução ao longo dos trimestres e compara com metas. Assim toma decisões sobre alocação de capital com informação atualizada, não com planilha desatualizada.
Posso ter ROE alto e ainda assim estar perdendo dinheiro em caixa?
Sim. ROE é baseado em lucro contábil, não em dinheiro em caixa. Uma empresa pode ser muito lucrativa no papel (alto ROE) mas ter clientes que pagam lentamente ou estoques altos. Por isso é importante olhar ROE junto com fluxo de caixa e ciclo operacional.
ROE de 5% é ruim para uma empresa consolidada?
Depende do setor e do custo de oportunidade. Para uma empresa de utilidade pública ou banco, 5% pode ser aceitável. Para uma manufatura ou comércio, é preocupante. Compare sempre com o seu custo de oportunidade pessoal e com a média do setor para tirar conclusão real.

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