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Implantando a cultura de planejamento nas pequenas empresas

Cultura de Planejamento nas Pequenas Empresas: sim, nós podemos. Confira no post que planejamento não é apenas para grandes corporações.

Neste artigo

Cultura de Planejamento nas Pequenas EmpresasSe pararmos um momento para pensar, fica fácil reconhecer duas realidades, quase sempre presentes, sobre a cultura de planejamento nas pequenas empresas (e até na vida das pessoas) que são, por muitas vezes, contraditórias:

  1. Há um reconhecimento da importância e da necessidade de planejar, e aqueles que não planejam sentem os impactos negativos dessa opção e querem mudar;
  2. Há um foco intenso na ação, na operação, e a importância dada a isto é tão grande que o tempo para planejar se torna escasso ou inexistente, tornando o planejamento algo não prioritário.

Percebe-se, portanto, que planejar é fundamental e só tende a trazer benefícios. Porém, quando não se reconhece a sua importância, quando faltam os conhecimentos e as ferramentas necessárias, ou quando não é priorizado, facilmente pode ser deixado de lado e as consequências desta decisão logo surgirão.

Falar da cultura de planejamento nas pequenas empresas é, em primeiro lugar, provocar uma mudança de mentalidade, onde o planejar deve deixar de ser "algo a mais" para se tornar parte fundamental de tudo aquilo que a empresa faz.

A realidade das pequenas empresas

Ao observarmos a realidade vivida pelas pequenas empresas, ainda que não possamos generalizar, é possível perceber que, devido aos recursos escassos (pessoas, dinheiro, estrutura, ferramentas, etc.), há um esforço maior dos sócios e colaboradores em fazer a operação acontecer. E mesmo a equipe gerencial acaba por se envolver mais em ações operacionais do que em atividades estratégicas, como o planejamento.

Esse foco nas operações e nas vendas é de fato necessário. Pequenas empresas ainda estão em fase de amadurecimento e passando por diversas mudanças, em uma luta para sobreviver e crescer (falamos mais disto no e-book Estágios de Maturidade na Gestão Orçamentária).

Sem ignorar essa realidade, é preciso que os administradores e gestores das pequenas empresas se perguntem sinceramente:

  • Até que ponto a falta de planejamento está impactando o meu negócio?
  • Seria o planejamento apenas um "algo a mais" que pode ser deixado de lado?

A importância do planejamento

Cultura de Planejamento nas Pequenas EmpresasUm dos principais enganos das pequenas empresas quando se fala de planejamento (e também um dos principais motivos para a sua rejeição) é acreditar que planejar é algo destinado a projetos maiores. Mas isto não precisa ser verdade. O planejamento pode ser simples e deve se adequar a realidade e necessidades de cada empresa.

Para ficar mais claro, imagine o cenário onde as vendas de uma empresa têm aumentado e aquele local onde a empresa sempre funcionou já não suporta a estrutura. Além disto, existe a necessidade de contratar mais pessoas e adquirir novos equipamentos. Assim a empresa decide por mudar para um lugar maior e começa então a planejar a sua mudança. Antes de qualquer decisão, essa empresa deveria começar realizando perguntas como:

  • Quais são os possíveis locais para a mudança? Quanto custará o aluguel?
  • Em quanto tempo faremos a mudança? Será necessário contratar o serviço de uma transportadora? Se sim, quanto custará?
  • Quantos e quais profissionais novos contrataremos? Como e quando serão efetuadas as contratações? Qual o custo disso?
  • Quais equipamentos (computadores, notebooks, máquinas, etc.) e móveis (cadeiras, mesas, armários...) precisaremos adquirir? Quanto custará e como pagaremos?
  • E as perguntas e respostas continuam...

Com as respostas para estas perguntas, a empresa então se prepara (isto é, planeja) para esta grande mudança. Um planejamento que envolve questões financeiras, logísticas, tecnológicas, e tantas outras. Tudo é analisado e decidido para que os recursos e o tempo sejam aproveitados da melhor forma possível.

E o resultado disso, claro, é uma mudança tranquila. Até aquilo que saiu do planejado não surpreende os administradores, pois os diversos cenários simulados foram estudados e surpresas eram esperadas.

Porém, essa mesma empresa diariamente efetua o pagamento de muitas obrigações e fatura de muitos clientes. Já se tornou uma atividade rotineira e automatizada. O foco é não esquecer de pagar as contas e garantir que todas as cobranças e notas fiscais sejam emitidas e recebidas corretamente. Os funcionários desses setores já fazem isso tão repetidas vezes e estão tão focados em realizá-las sem falhas (inclusive o gestor) que parar para analisar os números e se algo pode ser melhorado é algo impensável e inadmissível, pois colocaria em risco a produtividade. Trata-se de legítimas atividades operacionais. E como o gestor, apesar de estar lá para gerenciar, também tem um foco maior para a operação do que para a gestão, a análise e o planejamento acabam ficando de lado. E o mesmo acontece em vários outros departamentos da empresa: comercial, marketing, produção, logística. O pensamento que reina é: "O importante é não parar e manter funcionando".

Obviamente, trata-se apenas de um exemplo (que confere com a realidade de muitas pequenas empresas). Mas essa história demonstra como muitas empresas estão deixando de ganhar mais ou de economizar mais por acreditarem que o planejamento é destinado apenas às grandes decisões da empresa, mas que as atividades operacionais e cotidianas não demandam o planejar.

Planejar, independente do nível hierárquico e do porte e importância da decisão a ser tomada, permite ter uma visão mais realista do contexto, explorar as diversas oportunidades de melhoria e definir ações que podem representar aumento dos ganhos e do controle da empresa.

Uma área, departamento ou setor para ser considerado bem gerenciado deve ser permeado pelo planejamento estratégico, planejamento tático, planejamento operacional e também pelo planejamento orçamentário.

Um planejamento que ajude a conduzir o hoje e aponte a direção que a empresa deve caminhar. Tudo em sintonia com o planejamento e a estratégia organizacional.

O planejamento nas pequenas empresas

Dessa forma, nos deparamos com duas realidades:

  1. A escassez de recursos das pequenas empresas e a falta de conhecimentos e ferramentas acabam por inibir o planejamento;
  2. A realização do planejamento nas grandes e nas pequenas ações tende a aumentar o controle e os ganhos das empresas.

Implantar o planejamento nas pequenas empresas não é algo complexo. E há no mercado consultorias especializadas nessa tarefa e ferramentas e sistemas próprios para planejar.

É necessária uma decisão e uma busca concreta por identificar áreas e atividades que podem ser mais bem controladas e planejadas e assumir nelas uma nova postura. Uma postura que deixa de desejar apenas a execução para também buscar conhecer, visualizar, planejar e controlar aquilo que é executado, visando alcançar melhores resultados.

Planejar não é uma atividade restrita às grandes empresas e tampouco limitada ao nível estratégico da empresa. O planejamento pode (e deve) estar presente em toda a empresa. E isso pode ser feito aos poucos.

Como evoluir para uma cultura de planejamento nas pequenas empresas?

Uma pequena empresa com a cultura de planejamento presente é aquela empresa em que o planejar está em seu DNA. Nessas empresas, planejar não é uma atividade esporádica ou realizada apenas em caso de maior necessidade, mas algo continuamente presente.

Todos na empresa sabem da necessidade de planejar e sabem que existe um planejamento a ser seguido. E isso não significa tirar a criatividade das pessoas ou a flexibilidade do trabalho e tampouco significa deixar a execução de lado. Ao contrário, é direcionar a criatividade e as ações de todos os colaboradores de forma consciente e harmônica.

Obviamente, não se implanta uma cultura de planejamento da noite para o dia, principalmente em empresas onde a execução consume praticamente 100% da prioridade da empresa. Quando se fala de cultura organizacional, é preciso investir esforço inicial para tirar a empresa (e as pessoas da inércia). Mas depois que todos entram em movimento, a coisa flui naturalmente.

Cultura de Planejamento nas Pequenas Empresas

Além disto, caminho pode ser feito aos poucos, começando pelas áreas onde o planejamento pode trazer mais resultados práticos e no curto prazo, como é o caso da gestão financeira e orçamentária. E com o passar do tempo, ir se estendendo para as demais áreas da empresa.

É fundamental, porém, que essa proposta seja, em primeiro lugar, verdadeiramente um comprometimento dos dirigentes da empresa. Não basta solicitar aos gerentes uma postura de planejamento quando, no dia-a-dia, eles serão cobrados apenas pela execução. Também não é coerente quando a própria direção apresenta soluções e novidades sem o devido estudo e análise. São os diretores os primeiros a darem o exemplo para implantação da cultura de planejamento nas pequenas empresas!

É ainda necessário que as pessoas tenham a formação e as ferramentas gerenciais necessárias para planejar e utilizar do planejamento. Cabe à empresa fornecer uma estrutura que torne viável planejar. Além disto, os processos precisam mudar. Para ter uma ideia, sugerimos começar com o processo orçamentário, que você pode conferir neste artigo.

O que fazer na prática?

Portanto, aqueles que estarão mais diretamente envolvidos com as atividades de planejamento devem ser preparados e continuamente atualizados. Isso garantirá um melhor resultado para a empresa. Ter pessoas que sejam capazes de transformar números, dados e tendências em planejamento e ações práticas é primordial para toda empresa, e um diferencial enorme para as pequenas empresas.

E para planejar é preciso ter acesso às informações. A boa notícia é que muitas das informações que uma empresa precisa para controlá-la e traçar o seu futuro está disponível dentro da própria empresa. É uma questão de saber identificá-las e organizá-las. Outras informações, principalmente no que diz respeito ao mercado em que a empresa atua, precisam ser coletadas, filtradas e analisadas. Mas também existem soluções de consultoria de mercado por preço acessível.

O mais importante é começar. É assumir uma postura de uma empresa que não apenas reage às situações que acontecem, mas que analisa tudo aquilo que ela representa e o que a cerca e que planeja as suas ações, tornando-as mais eficazes e rentáveis. E pouco a pouco a cultura de planejamento torna-se de uma realidade, torna-se o DNA da empresa.

Outro ponto importante é buscar mais conhecimento e se aprofundar também nos temas de gestão e não apenas nos assuntos do negócio. Neste sentido, em nossa própria biblioteca você tem acesso a dezenas de e-books, webinars, white-papers e outros materiais que vão ajudar bastante nesta missão. Para acessar os materiais gratuitamente, basta clicar na imagem abaixo:

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E depois de consumir os materiais, não esqueça de deixar um comentário contando o que achou e no que foi útil para você e sua empresa e também compartilhar com seus colegas utilizando os botões que ficam logo abaixo.

Sobre o autor

Intelliplan Consultoria EmpresarialEste artigo foi escrito por Bruno Sampaio especialmente aos leitores do Blog do Treasy.

Bruno é formando em Administração de Empresas, com pós-graduação em Recursos Humanos e atua como diretor na Intelliplan Consultoria Empresarial, uma empresa especialista na prestação de consultoria em gestão, estratégia e mercado para pequenas e médias empresas, oferecendo serviços para as mais diversas necessidades de uma empresa, de acordo com o objetivo a ser alcançado. Para saber mais, acesse intelliplan.com.br.

Perguntas frequentes

Por que uma pequena empresa precisa de planejamento se está focada em sobreviver?
Porque planejamento não é luxo, é proteção. Quando você não planeja, toma decisões no apagar das luzes, perde oportunidades de reduzir custos e acaba surpreso com problemas que podiam ter sido previstos. Uma empresa que planeja consegue alocar os recursos escassos (pessoas, dinheiro) exatamente onde geram mais resultado. É justamente quem tem pouco que não pode desperdiçar nada.
Planejamento financeiro demanda muito tempo? Não tenho equipe para isso
Não precisa. Planejamento para PME pode ser enxuto e rápido, feito em horas por mês, não em dias. A ideia é se adequar à realidade da empresa, não criar mais uma tarefa que ninguém consegue fazer. Com as ferramentas certas, aquilo que tomava uma semana em planilha pode levar um dia.
Qual é a diferença entre planejamento estratégico e planejamento financeiro?
Planejamento estratégico responde 'aonde queremos ir?' (crescer 30%, entrar em novo mercado, lançar novo produto). Planejamento financeiro responde 'como vamos pagar por isso?' e 'quanto de dinheiro temos para isso?'. Os dois andam juntos: sem um, o outro fica no ar.
Como começar uma cultura de planejamento do zero?
Comece pequeno e concreto. Escolha um desafio real da empresa agora (expandir, reduzir custos, melhorar margem) e planeje apenas isso. Faça perguntas simples: quanto vai custar, quando vai acontecer, quem faz. Documente. Na próxima decisão, repita. A cultura não muda em um dia; muda quando planejamento vira rotina.
Vale a pena implementar planejamento em uma empresa com menos de 10 funcionários?
Vale demais. Empresas pequenas têm vantagem: podem ser ágeis e ajustar planos rapidamente. O risco delas é não ter visibilidade do caixa e tomar decisões erradas por falta de informação. Planejamento simples resolve isso. Uma empresa de 5 pessoas que sabe o que pode gastar no mês está anos à frente de uma de 50 que voa cega.
Planejamento é só para decisões grandes ou também para o dia a dia?
Também para o dia a dia. Cada decisão operacional (contratar, comprar máquina, abrir nova loja) tem impacto financeiro. Se você planeja até as pequenas coisas, descobre rapidinho onde está o dinheiro vazando. O planejamento diário alimenta a visão maior.
Como faço para que meu time compre a ideia de planejar mais?
Mostra resultado, não impõe. Quando alguém do time vê que porque você planejou a mudança de escritório tudo saiu no prazo e no orçamento, essa pessoa vira evangelista. Comece envolvendo os gestores que já sentem o impacto de não planejar (quem tá brigando com dinheiro, quem tá apagando incêndio toda semana).
Qual é o primeiro passo para implementar planejamento numa PME?
Olhar a realidade: quantas pessoas temos, quanto dinheiro entra por mês, quanto a gente gasta. Depois, fazer uma pergunta sincera sobre o futuro próximo: o que precisa acontecer nos próximos 3 a 6 meses para o negócio ficar estável ou crescer. Essa resposta é o ponto de partida do planejamento.
Planejamento financeiro significa fazer orçamento detalhado?
Não necessariamente. Orçamento é uma ferramenta de planejamento, mas não é a única. Pode ser detalhado ou simples. O que importa é ter clareza sobre números, cenários e decisões. Uma PME pode começar com planejamento bem básico e evoluir para algo mais sofisticado conforme o negócio cresce.
Como saber se a cultura de planejamento está enraizando na empresa?
Quando as pessoas começam a fazer perguntas antes de agir (quanto custa, quanto temos, quanto sobra). Quando decisões são documentadas com números, não achismo. Quando o time consegue responder rápido 'se fizermos X, quanto muda no caixa?' Isso é sinal de que planejamento virou reflexo.
Planejamento ajuda a reduzir custos?
Sim. Quando você planeja, você vê custos que existem mas ninguém via (assinaturas pagas e não usadas, processos ineficientes, desperdícios). Você também consegue negociar melhor porque sabe exatamente quanto pode gastar. E descobre rápido se aquele custo novo realmente estava no orçamento ou se vai apertar o caixa.
Vale a pena documentar o planejamento por escrito ou é melhor manter só na cabeça?
Documentar é essencial. Na cabeça, planejamento é só um pensamento bonito que desaparece quando a pressão chega. Documentado, você consegue acompanhar, ajustar, explicar para o time e aprender com o que funcionou ou não. Não precisa ser documento chato; pode ser uma planilha simples, um resumo em um documento.
Pequena empresa cresce bem sem planejamento?
Pode crescer, mas muito mais devagar e com mais riscos. Sem planejamento, você acha que tá crescendo quando na verdade tá perdendo dinheiro (receita subiu, mas custos subiram mais). Empresas que planejam crescem de forma controlada e percebem se aquele crescimento é saudável ou está puxando a empresa para o buraco.
Quando devo envolver mais pessoas da empresa no planejamento?
Desde cedo. Quem tá na operação sabe onde o caixa sangra, o que é desperdício, onde pode melhorar. Gerente de operações, gestor de vendas, responsável administrativo — eles têm informações que você não tem só vendo números. Planejamento isolado na cabeça do dono não funciona.
Existe um modelo de planejamento que funciona para todas as PMEs?
Não. Uma indústria planeja diferente de um comércio, que planeja diferente de um serviço. O que funciona para todas é ter uma estrutura clara (receita esperada, custos conhecidos, decisões documentadas) e adequar essa estrutura ao seu negócio específico. Comece simples, ajuste conforme aprende.
Como conciliar planejamento com a volatilidade de uma PME?
Não planeje como se o futuro fosse certo; planeje com cenários. Qual é o melhor caso, o pior, o mais provável. Isso te prepara mentalmente e financeiramente para mudanças. E revisite o planejamento com frequência (mensal é bom); ajuste quando a realidade mudar. Planejar não é prever o futuro, é se preparar para ele.
Qual é o impacto real de uma PME ter planejamento no caixa?
Enorme. Você para de descobrir no meio do mês que não tem dinheiro para a folha. Para de fazer empréstimo de emergência a juros altos. Sabe exatamente quanto pode investir, quanto pode distribuir e quando. Caixa saudável = empresa que dorme tranquila.
Planejamento funciona melhor em empresa muito pequena ou quando ela cresce?
Funciona desde o começo, mas o ganho fica mais evidente conforme a empresa cresce. Uma empresa de 2 pessoas pode planejar numa conversa. Uma de 20 precisa de estrutura. Por isso é bom começar cedo: quando crescer, planejamento já é hábito, não é implementação de emergência.

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