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Indicadores e Performance Financeira Artigos

Como criar um indicador customizado e calcular no automático

Aprenda a criar um indicador customizado: nome, unidade, critério e fórmula com composições, calculado no automático a cada fechamento, sem planilha.

Neste artigo

Indicador customizado criado de forma automática

Imagina que você acompanha a margem da sua empresa todo mês no relatório padrão, mas a decisão que importa de verdade é a margem de um grupo específico de produtos, aquele que você cogita ampliar ou cortar. O relatório pronto não separa. A planilha exige manutenção a cada fechamento. E o número que deveria guiar a decisão simplesmente não está disponível de forma automática. É aí que o indicador customizado entra: você define a medida exata do seu negócio, monta a fórmula uma vez e deixa o sistema recalculá-la sozinho a cada fechamento, sem planilha, sem digitação.

Pense na roupa sob medida. A de prateleira serve na maioria das ocasiões, é prática e cobre bem o dia a dia. Mas há momentos em que nenhum tamanho padrão veste direito, e só a peça feita na sua medida cai bem. Os indicadores são iguais: os prontos resolvem a maior parte, mas todo negócio tem um número específico, um que mistura as suas contas do seu jeito, que nenhum relatório padrão entrega. Esse número você precisa criar.

Por que os indicadores prontos não bastam

Os indicadores clássicos, margem, liquidez, giro, retorno, existem porque servem a quase todas as empresas. São a roupa de prateleira das finanças, e na maior parte do tempo cobrem bem a necessidade. O problema aparece quando o seu negócio tem uma particularidade que nenhum indicador padrão captura: uma relação específica entre duas contas suas, uma medida que faz sentido só no seu setor, um número que mistura receita e um custo específico de um jeito próprio.

É aí que o indicador customizado entra. Talvez você queira acompanhar a receita por metro quadrado de uma operação específica, ou a margem de um grupo de produtos que só você agrupa daquele jeito, ou a relação entre uma despesa particular e a receita que ela gera, no campo dos indicadores de eficiência que extraem mais da mesma estrutura. Nenhum relatório pronto traz isso, porque é específico do seu negócio. Criar o indicador é vestir a medida exata, e quem sabe escolher os indicadores certos sabe quando o pronto não basta.

O que define um indicador

Antes de criar, vale entender as peças que compõem qualquer indicador. São quatro, e defini-las bem é o que faz o indicador funcionar.

O nome é como o indicador aparece no painel, e deve ser claro o bastante para que qualquer pessoa entenda o que ele mede sem explicação. A unidade é a forma como o resultado se apresenta: reais, percentual, dias, vezes, unidades. Ela determina a leitura e precisa combinar com o que o indicador realmente é. O critério de análise diz se o número é melhor quando sobe ou quando desce, o que orienta a interpretação e os alertas: uma margem é melhor subindo, um prazo de pagamento atrasado é melhor descendo.

A quarta peça é a mais importante e a que dá poder ao indicador customizado: a fórmula. É ela que define como o número é calculado, combinando contas, grupos e operações. Um indicador pronto tem fórmula fixa; um customizado tem a fórmula que você montar, e é essa liberdade que permite criar a medida exata do seu negócio.

A fórmula: composições e operadores

A fórmula de um indicador customizado é montada por composições. Cada composição é uma linha da fórmula: ela puxa um valor, uma conta, um grupo de contas, um contexto, e o combina com as outras linhas por meio de operadores, as operações de somar, subtrair, multiplicar e dividir. Empilhando composições, você constrói desde uma fórmula simples, como uma conta dividida por outra, até uma complexa, que combina vários grupos.

Vale aqui uma regra de ouro das finanças que evita um erro comum. Em muitas estruturas de dados financeiros, as despesas já chegam com sinal negativo. Isso significa que a fórmula de um resultado, como receita menos despesa, é montada na verdade como receita mais despesa, porque a despesa já é negativa. Somar em vez de subtrair parece contraintuitivo, mas é o que faz a conta fechar quando o dado vem assim. Conhecer essa convenção evita inverter sinais e chegar a um número errado.

Peça do indicador O que define Exemplo
Nome Como aparece no painel Margem do grupo premium
Unidade Forma do resultado Percentual
Critério Melhor subindo ou descendo Quanto maior, melhor
Fórmula Como é calculado Lucro do grupo dividido pela receita do grupo

O passo a passo para criar o indicador

Com as peças entendidas, criar o indicador segue uma sequência simples. Primeiro, defina o que você quer medir e por quê, partindo de uma decisão concreta que o número vai informar, porque indicador sem decisão atrás é só enfeite. Segundo, dê o nome e escolha a unidade que combina com o que ele mede. Terceiro, defina o critério, se ele é melhor subindo ou descendo.

Quarto, e o coração de tudo, monte a fórmula com as composições: escolha as contas e grupos que entram, combine-os com os operadores certos, atento à convenção de sinais. Quinto, calcule e confira: rode o indicador para um período conhecido e verifique se o número bate com o que você esperava, porque é fácil errar uma composição e só perceber conferindo contra a realidade. Sexto, coloque no painel ao lado dos demais, para acompanhar no fechamento.

Calcular no automático: o pulo do gato

Criar o indicador é metade do valor; a outra metade é não ter que recalculá-lo na mão todo mês. Um indicador customizado montado numa planilha exige que alguém atualize os dados, confira as fórmulas e gere o número a cada período, o mesmo trabalho de manutenção que faz tantas análises boas serem abandonadas. O ganho real vem de o indicador calcular no automático.

Quando a fórmula é configurada uma vez e ligada à fonte de dados, o indicador se recalcula sozinho a cada fechamento, sem digitação. Você o cria uma vez e ele passa a estar sempre atualizado, mês após mês, ao lado dos indicadores prontos, indistinguível deles na praticidade. É a Metodologia Treasy organizando esse caminho: o indicador customizado, depois de criado, vira parte permanente do painel, calculado da mesma fonte que alimenta todo o resto, sem retrabalho.

Para aprender a estruturar indicadores e a Metodologia Treasy de gestão por trás deles, faça o Curso gratuito Metodologia Treasy e monte os seus indicadores na base certa. Acessar o Curso gratuito Metodologia Treasy

Três exemplos de indicador customizado que valem a pena

Para sair do abstrato, veja três casos em que criar o indicador resolve o que o pronto não resolve.

O primeiro é a margem de um grupo específico de produtos. Uma loja pode ter uma linha premium que merece acompanhamento separado, e nenhum relatório padrão isola a margem só daquele grupo. O indicador customizado puxa a receita e o custo apenas dos produtos premium e devolve a margem do grupo, acompanhada mês a mês como qualquer outra. A decisão atrás é clara: vale ampliar ou enxugar essa linha?

O segundo é a relação entre uma despesa e a receita que ela gera. Uma empresa que investe pesado em uma frota própria pode querer acompanhar o custo da frota como percentual da receita de entrega, para saber se a operação logística está ficando mais ou menos eficiente. É uma relação específica do negócio, montada com duas contas que nenhum indicador pronto cruza daquele jeito.

O terceiro é uma medida setorial. Uma clínica pode acompanhar a receita por hora de consultório, um hotel a receita por quarto disponível, uma transportadora o custo por quilômetro rodado. Cada setor tem o seu número-chave, e quase nunca ele vem pronto, o mesmo princípio de quem monta um benchmark interno por filial ou unidade para comparar partes do próprio negócio. Criar o indicador é falar a língua financeira do próprio setor, em vez de se contentar com medidas genéricas que não capturam o que move aquele negócio.

Cuidados ao criar indicadores customizados

A liberdade de criar traz o risco de criar demais. O primeiro cuidado é não encher o painel de indicadores customizados só porque é possível: cada um deve passar pelo teste de informar uma decisão, exatamente como qualquer outro. Um painel lotado de medidas sob medida que ninguém usa é tão inútil quanto um lotado de indicadores prontos irrelevantes, e a disciplina de escolher os indicadores certos vale igual aqui.

O segundo cuidado é documentar a fórmula. Um indicador customizado complexo, montado hoje, pode virar um mistério daqui a um ano, quando ninguém lembra como aquele número é calculado. Registrar o que cada composição puxa e por quê garante que o indicador continue confiável e interpretável ao longo do tempo. O terceiro cuidado é conferir o cálculo na criação, comparando com um período conhecido, para não propagar um erro de fórmula mês após mês.

Do indicador ao alerta

Um indicador customizado que calcula no automático abre uma possibilidade que a planilha não oferece: o alerta. Como o número se atualiza sozinho a cada novo dado, dá para definir um limite e ser avisado quando ele for cruzado, sem precisar abrir o painel e conferir. O indicador deixa de esperar você olhar e passa a chamar a sua atenção quando algo merece.

Pense no indicador de margem do grupo premium do exemplo. Em vez de checar todo mês se ela continua saudável, você define que abaixo de um certo percentual quer ser avisado, e o sistema dispara o alerta no momento em que a margem cruza esse piso. É o mesmo raciocínio de monitoramento por trás das cinco dimensões do Score Financeiro, que vigiam a saúde do negócio sem você ter que olhar tudo o tempo todo. O acompanhamento vira por exceção: você não precisa vigiar o que está dentro do esperado, só reage ao que sai dele. É a diferença entre passar os olhos por dezenas de números à procura de problema e ser chamado direto ao problema quando ele aparece.

Esse é o destino natural de um bom indicador customizado: nascer de uma decisão, calcular sozinho e avisar quando a decisão precisa ser tomada. Criá-lo é o primeiro passo; ligá-lo a um alerta é o que o transforma de relatório em sentinela.

Prova real: quem já fez o caminho

Indicador customizado não é privilégio de empresa grande. O Grupo São José, rede com 28 lojas, precisava acompanhar resultados por unidade sem montar relatório manual mês a mês. Com indicadores configurados uma vez na plataforma, reduziu 80% do tempo gasto em relatórios. A medida que importava para o negócio deles, resultado por loja, passou a calcular no automático, liberando o time para analisar em vez de montar planilha.

É exatamente esse o ganho do indicador customizado bem configurado: você define a medida certa para o seu negócio e o sistema cuida do resto. Para ver como estruturar indicadores dentro de uma visão completa de gestão, leia o guia de indicadores financeiros e KPIs.

Próximos passos

Identifique o número que falta no seu painel. Pense numa pergunta de negócio que você gostaria de responder com um indicador e que nenhum relatório pronto entrega: a margem de um grupo específico, a relação entre uma despesa e a receita que ela gera, uma medida própria do seu setor. Esse é o seu primeiro candidato a indicador customizado.

Depois, monte-o com cuidado: nome claro, unidade certa, critério definido e fórmula conferida contra um período conhecido, atento à convenção de sinais. E garanta que ele calcule no automático, para não virar mais uma planilha a manter. Ligue o novo indicador ao mapa de indicadores, aos KPIs que o CFO acompanha toda semana e ao conceito de fundo em o que é um KPI e nos principais KPIs financeiros. O número que falta no seu painel talvez seja o mais importante. Crie-o.

Perguntas frequentes

O que é criar um indicador customizado?
É definir uma medida própria do seu negócio, com nome, unidade e fórmula, e configurá-la para ser calculada no automático a cada fechamento. Em vez de se limitar aos indicadores prontos, você monta o número exato que a sua empresa precisa acompanhar, combinando contas e operações numa fórmula que reflete a sua realidade, e deixa o sistema recalculá-lo sozinho conforme os dados entram. É a roupa sob medida das finanças, para o número que nenhum relatório padrão entrega.
Por que os indicadores prontos não bastam?
Porque os indicadores clássicos, margem, liquidez, giro, retorno, servem a quase todas as empresas, mas todo negócio tem uma particularidade que nenhum padrão captura: uma relação específica entre duas contas suas, uma medida que faz sentido só no seu setor, um número que mistura receita e um custo específico do seu jeito. Talvez você queira a margem de um grupo de produtos que só você agrupa daquele modo, ou a relação entre uma despesa particular e a receita que ela gera. Isso você precisa criar.
Quais são as peças que definem um indicador?
Quatro. O nome, como ele aparece no painel, claro o bastante para qualquer um entender sem explicação. A unidade, a forma do resultado: reais, percentual, dias, vezes. O critério de análise, que diz se o número é melhor subindo ou descendo, orientando interpretação e alertas. E a fórmula, a mais importante, que define como o número é calculado combinando contas e operações. Um indicador pronto tem fórmula fixa; um customizado tem a fórmula que você montar.
Como se monta a fórmula de um indicador customizado?
Por composições. Cada composição é uma linha da fórmula: ela puxa um valor, uma conta, um grupo de contas, um contexto, e o combina com as outras linhas por meio de operadores, as operações de somar, subtrair, multiplicar e dividir. Empilhando composições, você constrói desde uma fórmula simples, como uma conta dividida por outra, até uma complexa que combina vários grupos. É essa liberdade de montagem que permite criar a medida exata do seu negócio.
Por que a fórmula soma a despesa em vez de subtrair?
Por causa de uma convenção comum em estruturas de dados financeiros: as despesas já chegam com sinal negativo. Isso significa que a fórmula de um resultado, como receita menos despesa, é montada na verdade como receita mais despesa, porque a despesa já é negativa. Somar em vez de subtrair parece contraintuitivo, mas é o que faz a conta fechar quando o dado vem assim. Conhecer essa convenção evita inverter sinais e chegar a um número errado na hora de montar a fórmula.
Qual o passo a passo para criar um indicador?
Primeiro, defina o que medir e por quê, partindo de uma decisão concreta, porque indicador sem decisão atrás é só enfeite. Segundo, dê o nome e escolha a unidade. Terceiro, defina o critério, se é melhor subindo ou descendo. Quarto, monte a fórmula com as composições, atento à convenção de sinais. Quinto, calcule e confira contra um período conhecido, porque é fácil errar uma composição. Sexto, coloque no painel ao lado dos demais para acompanhar no fechamento.
O que significa calcular o indicador no automático?
Significa que, configurada uma vez e ligada à fonte de dados, a fórmula se recalcula sozinha a cada fechamento, sem digitação. Você cria o indicador uma vez e ele passa a estar sempre atualizado, mês após mês, ao lado dos indicadores prontos, indistinguível deles na praticidade. É o que separa um indicador customizado útil de uma planilha a mais para manter: sem o cálculo automático, alguém precisa atualizar dados e conferir fórmulas todo mês, o trabalho que faz tantas análises boas serem abandonadas.
Dá para criar um alerta a partir de um indicador customizado?
Sim, e é o seu destino natural. Como o indicador se atualiza sozinho, dá para definir um limite e ser avisado quando ele for cruzado, sem precisar abrir o painel e conferir. Em vez de checar todo mês se a margem de um grupo continua saudável, você define que abaixo de certo percentual quer ser avisado, e o sistema dispara o alerta no momento em que ela cruza esse piso. O acompanhamento vira por exceção: você reage ao que sai do esperado, em vez de vigiar o que está dentro.
Quais exemplos de indicador customizado valem a pena?
Três casos comuns: a margem de um grupo específico de produtos, como uma linha premium que merece acompanhamento separado e nenhum relatório isola; a relação entre uma despesa e a receita que ela gera, como o custo de uma frota própria sobre a receita de entrega; e uma medida setorial, como receita por hora de consultório numa clínica, receita por quarto num hotel ou custo por quilômetro numa transportadora. Cada setor tem o seu número-chave, e quase nunca ele vem pronto.
Quais os cuidados ao criar indicadores customizados?
Três. Não encher o painel só porque é possível: cada indicador customizado deve passar pelo teste de informar uma decisão, como qualquer outro. Documentar a fórmula, porque um indicador complexo montado hoje pode virar um mistério daqui a um ano, quando ninguém lembra como o número é calculado. E conferir o cálculo na criação, comparando com um período conhecido, para não propagar um erro de fórmula mês após mês. A liberdade de criar traz o risco de criar demais.
Indicador customizado serve para empresa pequena?
Serve, e às vezes é onde faz mais diferença, porque a PME costuma ter particularidades que os relatórios genéricos ignoram. O número-chave de um pequeno negócio, a receita por cliente, a margem de um serviço específico, o custo de uma operação própria, raramente vem pronto, e criá-lo é falar a língua financeira do próprio negócio. Com o cálculo no automático, mesmo uma empresa sem estrutura financeira grande mantém o seu indicador sob medida atualizado sem retrabalho.
Por onde começar a criar o meu indicador?
Identifique o número que falta no seu painel: uma pergunta de negócio que você gostaria de responder e que nenhum relatório pronto entrega. Esse é o primeiro candidato. Depois monte-o com cuidado, nome claro, unidade certa, critério definido e fórmula conferida contra um período conhecido, atento à convenção de sinais, e garanta que ele calcule no automático para não virar mais uma planilha a manter. Por fim, ligue-o a um alerta, para que ele avise quando a decisão precisar ser tomada.
Como conferir se um indicador customizado está calculando certo?
Antes de colocá-lo no painel, rode o indicador para um período que você conhece e verifique se o número bate com o que esperava, porque é fácil errar uma composição e só perceber conferindo contra a realidade. Atenção redobrada à convenção de sinais, já que despesas costumam chegar negativas e a fórmula soma em vez de subtrair. Conferir na criação evita propagar um erro de fórmula mês após mês.

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