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Controller Cast #15 - Centro de Serviço Compartilhado (CSC), uma alternativa aos rateios nas empresas, com Antonio Matias

Conversamos com Antonio Matias sobre o Centro de Serviço Compartilhado (CSC), uma alternativa aos rateios nas empresas. Entenda o que é o CSC e como criar uma estrutura.

Neste artigo

Banner do Controller Cast apresentando centro de serviços compartilhados como alternativa a rateiosNão é toda empresa que utiliza o Centro de Serviço Compartilhado (CSC) para gerenciar e monitorar osprocessos. Na verdade, boa parte ainda prefere utilizar a metodologia de rateio. Mas isso ocorre por conta de alguns mitos e até desconhecimento dos benefícios, especialmente para redução de custos, que as organizações podem conquistar ao usar o CSC. Por isso, convidamos um dos diretores da Thompson Management Horizons do Brasil, Antonio Matias, para a 15ª edição do controller Cast. O executivo explicou o que é o CSC, quais as vantagens e, principalmente, como implementar essa metodologia numa empresa. Escute agora mesmo pelo player o nosso podcast que tem o objetivo de tornar o time de controladoria ainda mais estratégico. 

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Se preferir, também pode acessar nosso canal no Soundcloud. O Controller Cast é um podcast pensado especialmente para profissionais das áreas de Planejamento, Controladoria e Finanças. Nele discutimos temas relacionados com a área, trazendo insights, conteúdos práticos e entrevistas com profissionais que estão fazendo a diferença em suas empresas.Veja também os episódios anteriores: #10: Controller Cast com o autor e controller Clóvis Luís Padoveze sobre Contabilidade Gerencial; #11: Controller Cast com Alexsandro Lima sobre o processo de Descentralização Orçamentária; #12: Controller Cast com Wellington Machado sobre mitos e verdades na relação entre o CEO e a Controladoria; #13: Controller Cast com Gustavo Guaresi sobre como o Orçamento Empresarial ajuda empresa em Recuperação Judicial; #14: Controller Cast com Flávio Boan sobre Orçamento como ferramenta de Gestão Empresarial.

Um bate papo sobre Centro de Serviço Compartilhado (CSC), com Antonio Matias

Veja o que conversamos:

  • Como funciona o rateio no Orçamento de uma empresa?
    • Existem diversas maneiras de trabalhar o rateio nas empresas. O rateio simples por faturamento, alocação e por demanda. Ou rateios complexos como o ABC, que envolve estudos de complexidade de atividades.
  • Quais as vantagens e desvantagens de fazer a divisão dos custos de acordo com essa teoria? É possível tomar decisões em cima das informações ou apenas suposições?
    • Rateios, em geral, são adotados quando há dificuldade de identificar quanto foi de um recurso foi consumido em uma determinada atividade.
    • Uma vantagem desse método “seria” a capacidade e simplicidade para explicar isso para todos os stakeholders.
    • Porém, qualquer critério de rateio adotado sempre vai deixar alguém infeliz.
    • De qualquer forma, um rateio bem elaborado e alinhado com as características do negócio permite sim que as empresas tomem decisões. Mas o ideal é sempre buscar alocar os custos o mais precisamente possível.
    • Por outro lado, as desvantagens impactam diretamente na capacidade das empresas apurarem precisamente os custos alocados aos produtos ou serviços.
    • Destaque para a desvantagem de dificultar às empresas detectarem  variações nas demandas de serviços de backoffice e manter os custos alinhados às necessidades reais.
    • Ainda, é um tema que sempre gera discussões e insatisfação entre os gestores das unidades de negócio.
  • Qual o melhor momento para utilizar essa teoria? Qual grau de maturidade da gestão a empresa precisa ter para poder dividir os custo?
    • Depende muito do negócio e do estágio no qual se encontra, mas os rateios devem ser utilizados sempre que não for possível medir o correto consumo de um determinado recurso.
    • Quanto mais madura é uma empresa, mais complexos são os critérios de rateio. Mas todas as empresas podem utilizar.
    • A melhor forma de fazer um rateio é discutir com todos os envolvidos no pagamento daquela despesa qual seria o melhor critério e como esse custo deve ser alocado.
  • O Centro de Serviço Compartilhado (CSC) seria uma alternativa para os rateios? Poderia nos explicar qual a ideia do CSC?
    • O Centro de Serviço Compartilhado (CSC) procura organizar as demandas da organização para uma única área de backoffice.
    • Ao organizar as demandas por um menu de serviços, determinar os responsáveis por cada atividade do menu e medir a quantidade de vezes que cada serviço é pedido, a empresa consegue transformar um critério de rateio em uma medida objetiva de demanda.
    • Isso permite maior precisão para identificar quais unidades usaram, quais serviços foram demandados e quanto de recurso usado. 
    • Ou seja, o CSC permite gerenciamento claro entre as demandas e os recursos necessários para atendê-las.
  • Quando adotar o CSC no Orçamento da empresa? Embora ele seja mais comum em grandes empresas e até holdings, empresas menores podem adotar a metodologia?
    • Esse é um dos mitos, que você precisa ter um grande volume para montar um Centro de Serviço Compartilhado.
    • Na verdade, as empresas estão centralizadas. Isso se difere do modelo compartilhado. No centralizado eu não tenho as métricas que me permitem gerenciar adequadamente as demandas.
    • Um dos conceitos básicos do CSC é de um único ponto de entrada. Por isso tanto faz o tamanho da empresa.
    • Aqui, é preciso clareza ao escolher o CSC de que serviços são prestados e a necessidade de recursos para eles.
  • Quais as vantagens e desvantagens de aplicar essa metodologia de CSC?
    • Se há uma desvantagem é que esse modelo exige que as empresas tenham processos bem definidos. Logo, também precisa de gestores muito bem treinados, alinhados e conhecedores das regras de negócios da empresa.
    • as vantagens são muitas, passa a ter um adequado gerenciamento das demandas e, consequentemente, cria uma relação cliente fornecedor muito forte, por exemplo.
    • Você consegue saber informações importantes, como que o custo de backoffice está crescendo mais do que o faturamento, por exemplo. Ou que tem processos que estão ineficientes em algumas etapas
    • Logo, a discussão sai do problema do que deu errado para porque o processo não funcionou.
    • Destaque para: alinhamento do custos, gerenciamentos das demandas, a medição dos tempos e acordos dos níveis de serviço e melhoria contínua por analisar os processos.
  • Os benefícios não se limitam às áreas financeiras, nem orçamentária. Mas impacta outros setores como a produção, por exemplo. Mas é um processo de controle que dá trabalho e causa desconforto, certo?
    • Desconforto passageiro, no momento da implementação do CSC você muda a agenda de muitos gestores.
    • Mas a preocupação da criação de um Centro de Serviço é permitir que os gestores esteja completamente focados no core business da empresa.
    • Ou seja, o sucesso do Serviço Compartilhado passa por ter uma grande equipe voltada ao atendimento interno.
  • Há uma precisão maior dos números e, consequentemente, maior autonomia para a tomada de decisão, resultando em melhorias, como redução dos custos, por exemplo?
    • As reduções de custos no backoffice podem chegar em até 30%.
    • Isso porque quando se organiza a demanda, o que é um requisito do CSC, consigo entender onde cada uma das tarefas de uma determinada prestação de serviço é realizada e consigo medir e calcular quanto custou aquela atividade.
    • Consequentemente, há um rateio muito mais claro, inquestionável, tem tando uma redução de custos no backoffice por alinhar melhor os processos.
  • Que conceitos ou estruturas são essenciais para usar o CSC como uma ferramenta estratégica no Orçamento?
    • Ferramentas fundamentais para organizar um Centro de Serviço: workflow (gerenciador das demandas); políticas explícitas (que valem para todos) e não tácitas; processos alinhados para atender a necessidade do cliente, sem retrabalhos no processo; ter os acordos de níveis de serviços (SLAs) bem alinhados com as áreas de negócios; indicadores claros e bem definidos; e uma área de inovação e comunicação focada na melhoria contínua dos processos.
  • Quais os principais passos para implementar o CSC? Como estruturar a empresa para utilizar o CSC?
    • Começar sempre pela arquitetura o CSC. É um momento crucial para entender volumes, tempo, serviços, processos etc.
    • Definida e aprovada a arquitetura com os stakeholders, o segundo passo é redesenhar os serviços atendidos no backoffice para eliminar as ineficiências.
    • Na sequência definir as políticas e regras de negócio que vão gerenciar essas atividades.
    • O quarto passo é conseguir calcular os acordos dos níveis de serviço, definir qual é a responsabilidade de quem pede e de quem vai entregar e negociar isso com todos os envolvidos.
    • Por fim, treinar as equipes.
  • Quem demanda e quem implementa esse processo?
    • Em geral, as áreas Financeira ou de Recursos Humanos. É comum que os CFOs, nas necessidades de manter custos sob controle, buscam o CSC como uma alternativa de gerenciar efetivamente as demandas e com isso os custos.
    • Entretanto, é importante conseguir o patrocínio da alta direção para fazer a revisão e repensar toda a organização e os processos.

O Antonio Matias ressaltou os benefício de adotar a metodologia de Centro de Serviço Compartilhado nas empresas. Segundo ele, apesar de mexer muitas vezes em temas delicados, os resultados compensam qualquer desconforto de agenda. Como acreditamos que esse passo de estruturação está intimamente relacionado às evoluções de maturidade da Gestão Orçamentária, sugerimos que verifique como está sua empresa. Para facilitar, você pode baixar o e-book Estágios de Maturidade da Gestão Orçamentária.Banner ebooks estágios maturidade gestão de orçamentos empresariais desenvolvimento Esperamos que você goste da nossa entrevista com Antonio Matias e consiga tirar boas ideias para sua carreira. Assine nossa newsletter para ficar sabendo dos próximos Controller Cast!

Perguntas frequentes

O que é um Centro de Serviço Compartilhado (CSC)?
Um Centro de Serviço Compartilhado é uma estrutura centralizada que consolida processos e atividades de suporte (como financeiro, RH, TI) que antes eram distribuídos em várias unidades da empresa. Em vez de cada filial ou departamento executar suas próprias atividades administrativas, o CSC faz isso de forma concentrada e eficiente, depois aloca os custos reais às áreas que consomem o serviço.
Qual a diferença entre CSC e rateio?
No rateio, você estima como dividir um custo (por faturamento, demanda ou complexidade) sem saber exatamente quanto cada área consumiu. No CSC, você mapeia o consumo real de cada serviço e aloca com precisão. Exemplo: em vez de ratear 'R$ 100 mil de administrativo' por faturamento, o CSC rastreia que a filial A usou 200 horas de processamento e a filial B usou 300 horas, alocando custos proporcionais.
Vale a pena implementar um CSC em uma pequena empresa?
Depende do tamanho e complexidade. Empresas com múltiplas filiais, unidades de negócio ou departamentos distribuídos geograficamente ganham mais com CSC porque reduzem duplicação de trabalho e custos operacionais. Se sua empresa tem uma estrutura simples e centralizada, os benefícios podem não justificar o investimento inicial.
Quais são os principais benefícios de um CSC?
Redução de custos (elimina duplicação), maior precisão na alocação de custos, melhor rastreabilidade das despesas, padronização de processos e uma visão mais clara de onde o dinheiro está sendo gasto. Além disso, libera gestores de unidades para focar no negócio, não em tarefas administrativas.
Como é feita a alocação de custos no CSC?
Você identifica direcionadores reais de consumo. Pode ser número de transações processadas, horas dedicadas, volume de documentos, quantidade de usuários ou qualquer métrica que reflita o uso real. O CSC monitora esses direcionadores e aloca os custos proporcionalmente, não por suposição.
Quais processos podem ser centralizados em um CSC?
Qualquer processo repetitivo e padronizável: contas a pagar e receber, folha de pagamento, processamento de notas fiscais, emissão de relatórios, suporte técnico, gestão de estoques, aprovações básicas. O limite é a capacidade de operação e a estratégia da empresa.
Um CSC elimina completamente a necessidade de rateio?
Não. Mesmo com CSC, alguns custos (como aluguel do prédio ou seguro geral) podem precisar de rateio porque não têm um direcionador claro. Mas o CSC reduz drasticamente o volume de custos rateados porque a maioria das despesas passa a ser alocada por consumo real.
Quanto tempo leva para implementar um CSC?
Varia conforme o tamanho e complexidade. Pode levar de 6 meses a 2 anos. O período inclui mapeamento de processos, identificação de direcionadores, tecnologia de suporte, treinamento e ajustes. Começar com poucos processos e expandir gradualmente reduz riscos.
Que tecnologia é necessária para gerenciar um CSC?
Um ERP robusto ajuda, mas não é obrigatório no começo. Você precisa de ferramentas que rastreiem volume de transações, horas trabalhadas ou outras métricas de consumo. Planilhas bem estruturadas podem funcionar em fases iniciais, mas conforme cresce, um sistema dedicado torna-se essencial.
Como definir os direcionadores de custo para cada atividade?
Estude como cada serviço é consumido. Se é processamento de notas, conte quantas cada filial gera. Se é suporte técnico, meça horas ou tickets. O direcionador deve ser lógico, fácil de medir e refletir realmente o esforço. Teste durante alguns meses antes de aprovar oficialmente.
Quais são os riscos ao implementar um CSC?
Rejeição das áreas que acham que vão pagar mais, qualidade inconsistente do serviço, complexidade de operação maior do que esperado e resistência cultural. Por isso é importante comunicar bem os benefícios, envolver stakeholders desde o início e começar pequeno.
Um CSC é a mesma coisa que outsourcing?
Não. CSC é uma estrutura interna centralizada na sua própria empresa. Outsourcing é contratar terceiros para fazer o trabalho. CSC mantém o controle total, reduz custos com eficiência e flexibilidade. Outsourcing é melhor quando você quer se livrar completamente de uma função.
Como ganhar adesão das áreas para um CSC?
Mostre o impacto financeiro concreto. Exemplo: 'A folha custava R$ 50 mil mensais com três pessoas; no CSC sai por R$ 35 mil.' Envolva líderes de cada área no desenho do novo processo, não imponha. Pequenas vitórias no início (redução de erros, mais agilidade) constroem confiança.
É possível fazer um CSC parcial, com alguns processos e não todos?
Sim, é até recomendado. Comece com processos com alto volume, repetitivos e com pouca variação. Assim você prova o modelo, ajusta operações e depois expande. Começar com cinco processos é mais seguro do que tentar centralizar tudo de uma vez.
Como medir o sucesso de um CSC?
Acompanhe redução de custos (operacional e de pessoal), precisão na alocação de despesas, tempo de processamento, redução de erros, satisfação das áreas usuárias e ROI do investimento inicial. O ideal é comparar 'antes e depois' em R$ reais e em indicadores operacionais.
Um CSC muda a forma como você orça na empresa?
Sim. Com CSC, o orçamento das áreas fica mais justo e preciso porque reflete consumo real, não suposição. Também fica mais fácil comparar filial com filial ou departamento com departamento usando a mesma métrica. Isso torna o debate orçamentário mais baseado em dados e menos em política.

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