Essa é uma pergunta difícil que todo empreendedor se faz antes de iniciar uma nova empreitada. Alguns acabam investindo menos do que deveriam, outros injetam mais recursos do que o necessário no início da operação, e esses dois cenários são ruins (sim, muito dinheiro pode ser um grande problema e logo explicaremos o porquê).
É extremamente importante tirar um bom tempo para planejar as finanças na fase pré-operacional da empresa, pois assim é possível evitar surpresas como:
1 - “Ainda estamos conquistando os primeiros clientes, o fluxo de caixa está começando a crescer, porém nossas reversas terminaram.”
2 - “Como tínhamos muitos recursos disponíveis, investimos pesado em marketing e atraímos uma infinidade de potenciais clientes. Porém como a empresa estava iniciando, não possuíamos estrutura para atender essa demanda, e acabamos queimando nossas reservas e passando uma imagem negativa ao mercado”. Esse cenário acontece frequentemente e é um exemplo de que muito dinheiro no início pode ser algo ruim.
Para ajudar você a escapar dessas duas armadilhas e planejar exatamente quanto dinheiro é preciso injetar em uma nova empresa, trouxemos as 3 dicas apresentadas abaixo:
Liste os 4 maiores custos da empresa (e elimine os não essenciais)
Quando um novo empreendedor começa a listar os custos essenciais de sua nova empreitada, é comum alocar altas quantias para duas áreas: marketing e vendas. Na maioria dos casos isso é um grande erro. Ao apresentar um novo produto ao mercado, você deve focar em atingir inicialmente uma parcela de influenciadores daquele mercado, pessoas com autoridade que irão ajudar você a espalhar a notícia da sua empresa.
O conceito de atacar primeiro uma fatia específica de influenciadores do mercado foi difundido através do livro Crossing the Chasm, de Geoffrey Moore, e está representado abaixo por sua famosa curva de adoção de um novo produto pelo mercado.
Assim, se você está pensando em acelerar os gastos em marketing e vendas, tire o pé do acelerador. A melhor estratégia é criar um produto fantástico, e depois apresenta-lo pessoalmente para um pequeno número de pessoas que tem a influência necessária para te ajudar a conquistar todo o mercado.
Uma vez que listou seus custos, cumpra o planejado!
Parece óbvio, certo? Mas um cenário muito comum é que os empreendedores não cumpram o planejamento financeiro para poupar ao máximo. Fazendo isso você vai conseguir somente uma coisa: falir lentamente.
Se você definiu que é essencial investir dinheiro numa ação para conseguir seus Innovators e Early Adopters, faça. Se for imprescindível contratar uma consultoria para definir seu produto inicial (ou construir um protótipo) não deixe de realizar essa ação.
Meias medidas trazem resultados medíocres. Não comprometa o sucesso de sua empresa pela ideia de um caixa mais recheado. Arriscar-se é seu dia-a-dia, portanto trate seu dinheiro como um modo de atingir suas metas.
A regra dos 18 meses
Essa regra é muito simples: faça seu plano de gastos como se nos primeiros 18 meses de operação sua empresa não fosse faturar nada, e ela teria que ser sustentadas pelos recursos aportados no capital social. Dessa forma, você terá tranquilidade para trabalhar os primeiros meses sem a corda no pescoço.
Algumas variações da regra:
- Se seu produto está pronto para ser lançado em um mercado que você conhece bem e dentro do qual já possui uma rede de contatos e potenciais clientes em vista, então pode reduzir esse prazo de sustento da empresa pelo capital social para 12 meses.
- Agora se sua empresa irá focar no desenvolvimento de soluções de alta tecnologia para a área de saúde, esse prazo pode aumentar para 36 ou 48 meses facilmente.
O importante aqui é imaginar a curva de adoção que seu produto terá dentro de um nicho específico do mercado alvo, e com base nessa informação estimar o número de meses que você terá que sustentar a operação da empresa até transformar esse nicho em clientes pagantes. A estimativa de 18 meses é adequada para uma alta parcela de pequenas empresas em diversos segmentos.
Sobre o autor convidado
Este artigo foi escrito pelo Diego Wagner especialmente para os leitores do Blog do Treasy. Diego é CEO da Meetime (empresa especialista em Inside Sales).
Sua trajetória inclui graduação em Engenharia Mecânica na Universidade Federal de Santa Catarina, 4 anos de Movimento Empresa Júnior e 2 anos trabalhando com otimização de processos em empresas do sul do Brasil. Em 2010 fundou sua primeira startup, que foi contemplada com o prêmio Sinapse da Inovação e acelerada pelo programa StartupSC.
É apaixonado por livros, viagens e pelo mundo dos negócios.
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Perguntas frequentes
Quanto dinheiro preciso investir para abrir uma empresa nova?
Não há um valor universal. Depende do seu modelo de negócio, custos fixos (aluguel, salários, software) e quanto tempo você vai precisar ficar sem faturar. A regra dos 18 meses é um bom ponto de partida: calcule todos os seus gastos mensais e multiplique por 18. Se você tem um produto pronto e clientes já identificados, esse prazo pode cair para 6 a 12 meses.
O que é a regra dos 18 meses?
É um método simples para definir o capital que você precisa injetar: calcule quanto sua empresa vai gastar por mês (folha, aluguel, fornecedores, etc.) e multiplique por 18. Assim você tem cobertura financeira para os primeiros 18 meses sem ganhar nada. Essa reserva evita que você tome decisões desesperadas ou quebre por falta de caixa enquanto constrói o negócio.
Posso reduzir o período de 18 meses?
Sim. Se seu produto já está pronto, você conhece bem o mercado e já tem potenciais clientes identificados, o prazo pode cair para 6 a 12 meses. Mas isso exige que você tenha alta segurança de que vai faturar em pouco tempo. Se há incertezas, é mais seguro manter os 18 meses completos.
Quanto devo gastar com marketing no início da empresa?
Menos do que você imagina. No lançamento, invista em alcançar influenciadores e pessoas com autoridade no seu mercado, não em campanhas em massa. Um produto excelente apresentado pessoalmente a 50 pessoas certas tem muito mais retorno do que um anúncio caro que atinge 10 mil pessoas desconectadas do seu mundo. Economia de custos + melhor qualidade de leads = menos dinheiro gasto.
E se eu listar meus custos e descobrir que preciso de muito dinheiro?
Priorize. Divida seus custos em essenciais (aquilo que a empresa não funciona sem) e secundários (aquilo que melhora a operação mas não é crítico). Depois, em todos os custos essenciais, procure negociar valores menores, estender prazos de pagamento ou encontrar alternativas mais baratas. Seu foco é manter a empresa viva nos primeiros meses, não começar com a operação perfeita.
Devo cumprir exatamente o planejamento de gastos que fiz?
Sim, quando se trata de investimentos essenciais para atrair seus primeiros clientes e estruturar o produto. Encolher gastos críticos só para ter caixa maior no banco é um jeito lento de falir. Agora, gastos não essenciais e supérfluos devem ser cortados sem dó. A dica é: trate seu dinheiro como ferramenta para atingir metas, não como algo a ser entesourado.
Qual é o maior erro que empreendedores cometem com o capital inicial?
Há dois extremos. O primeiro é investir pouco: você fica sem recursos para estruturar o produto ou conquistar os primeiros clientes e morre rápido. O segundo é investir muito em marketing e vendas caro antes de ter um produto validado: você atrai muitos clientes, não consegue servir, queima a reserva e fica com reputação ruim. O segredo é manter a disciplina: invista onde importa, corte o resto.
Como sei quais são os 4 maiores custos da minha empresa nova?
Sente-se e lista todas as despesas mensais que você vai ter nos primeiros 12 meses: salários (seu e de colaboradores iniciais), aluguel ou coworking, software e ferramentas, fornecedores, transporte, impostos. Depois ordene do maior para o menor. Esses 4 custos no topo são geralmente 70% a 80% das despesas. Neles, concentre sua atenção para negociar valores e verificar se todos são realmente necessários.
Vale a pena atrasar custos essenciais da empresa para economizar capital inicial?
Não. Se você definiu que precisa de um consultor para desenhar o produto inicial, que precisa de um desenvolvedor para fazer o primeiro protótipo ou que precisa de um advogado para estruturar o legal, faça. Meias medidas trazem resultados medíocres. O que você atrasa, na verdade, é o seu faturamento — e isso custa muito mais caro do que o investimento inicial.
Qual é a diferença entre capital inicial mínimo e capital inicial adequado?
Capital mínimo é o valor que evita a falência imediata (2 a 3 meses de despesas). Capital adequado é aquele que você calcula pela regra dos 18 meses — e garante que você pode trabalhar com foco, sem urgência de ganhar dinheiro antes da hora. A diferença entre os dois? Tranquilidade mental e capacidade de tomar boas decisões ao invés de decisões desesperadas.
E se meu produto ainda não está pronto quando precisar injetar o capital?
Então você precisa reservar parte desse capital para terminar o desenvolvimento. Se seu produto não está pronto, não há receita possível — sua runway (tempo que o dinheiro dura) é tudo que você tem. Por isso é comum startups separarem o investimento em duas fases: primeira onda para validar e construir o MVP (produto mínimo viável), segunda para escalar.
Como calculo meu fluxo de caixa para determinar o capital inicial?
Separe receitas (quanto você acha que vai ganhar por mês) de despesas (salários, aluguel, custos variáveis). Nos primeiros meses, sua receita será zero ou muito baixa. Suas despesas continuarão saindo normalmente. Essa lacuna (despesas menos receitas) é o seu déficit mensal — que você cobre com o capital inicial. Quanto tempo esse dinheiro dura? Esse é o seu runway.
Qual é o capital inicial recomendado para um e-commerce novo?
Varia bastante. Um e-commerce de dropshipping pode começar com 10 a 20 mil reais (estoque mínimo, plataforma, primeiros anúncios). Um e-commerce com estoque próprio pode precisar de 50 a 200 mil reais (compra de mercadoria, plataforma, logística, marketing inicial). A regra dos 18 meses ajuda aqui: calcule suas despesas mensais fixas (plataforma, administrativo) e variáveis (estoque, frete), depois multiplique.
Preciso de capital inicial se vou começar como prestador de serviço autônomo?
Muito menos do que um e-commerce. Seus custos iniciais são basicamente: registro profissional (CNPJ se optar), ferramenta de comunicação e agenda (100-200 reais/mês), e talvez alguns cursos para validar sua expertise (opcional). Aplicando a regra dos 18 meses, você pode precisar de 1.800 a 3.600 reais para ficar seguro nos primeiros meses enquanto conquista clientes.
O que fazer se o capital inicial que calculei for maior do que consigo juntar?
Você tem três caminhos: reduzir o escopo inicial (começar com um produto mais simples ou um mercado mais focado), estender o prazo de sustento (aceitar que levará mais de 18 meses para faturar — não é ideal, mas é realista), ou buscar capital externo (sócios, investidores anjo, financiamento). A pior escolha é começar sem capital adequado apenas para sair do zero.
Quanto tempo uma empresa nova consegue sobreviver sem faturar?
Depende do seu capital inicial e das suas despesas mensais. Se você tem 50 mil reais em caixa e gasta 2.500 reais por mês, você aguenta 20 meses. Essa é a sua runway. Mas você não deveria contar com os 20 meses completos — idealmente, você começa a gerar receita entre o 6º e o 12º mês. Se passar disso sem faturar, é sinal de que algo está errado com o modelo ou o mercado.
Devo pedir empréstimo bancário para o capital inicial da empresa?
Geralmente, não. Bancos cobram juros altos e querem garantias quando a empresa é nova e está falindo mais vezes do que fazendo sucesso. É muito mais comum usar dinheiro próprio, de sócios ou de investidores (que acreditam no modelo) do que se endividar com crédito caro. Se pedir dinheiro emprestado, você sai do dia um em déficit — o juro trabalha contra você.
Por que ter muito dinheiro no início pode ser um problema?
Porque leva a decisões ruins. Com caixa farto, é fácil gastar em marketing antes de validar o produto, contratar antes de preciso ou manter projetos que não estão funcionando. Além disso, quando a receita demora para chegar, você atrai mais clientes do que consegue atender, queima os recursos rapidinho e fica com reputação ruim no mercado. Ter a quantidade certa de capital (suficiente mas não excessivo) força a disciplina.