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Custos e Precificação Artigos

Veja como usar 3 métodos de custeio diferentes para calcular os custos de produção

Há várias maneiras de calcular quanto a empresa está gastando. Nos custos de produção, podemos usar 3 métodos diferentes. Confira quais e como calculá-los.

Neste artigo

Hoje vamos falar sobre o seu almoço. Pode ser que você vai comer daqui a pouco ou vai fazer para aquela super refeição para a família inteira. Bom, para produzir qualquer um deles é preciso de alguns ingredientes (matéria-prima, como arroz, feijão, carne, ovos, batatas e farinha), equipamentos (fogão, forno, batedeira e liquidificador) e material de apoio (insumos, como água, gás e energia elétrica).

Métodos de Custeio

Tirando os elogios, que são de graça, todos nós sabemos que um bom almoço tem custos e que este valor deve ser controlado, pois é preciso ter um equilíbrio para não comprometer a qualidade e a quantidade da alimentação e o pagamento das outras contas da casa. Para saber certinho quanto você gastou nesse almoço, teria que medir exatamente quanto utilizou de cada ingrediente, certo?

Medir as gramas de farinha, o número de ovos, gramas de carne e assim por diante e depois multiplicar pelo preço pago. Claro que você não precisa ter valores tão exatos assim, a não ser que tenha um restaurante.

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Bom, saber o que se gasta não é uma exclusividade da economia doméstica. Qualquer atividade precisa ter seus custos controlados, afinal, ninguém quer ver o dinheiro saindo do caixa sem saber para onde vai, certo? Mas no mundo empresarial, é necessário ter mais precisão de quanto foi gasto em cada insumo, principalmente se estamos falando de indústrias. No que se refere a custos, esse é um grande desafio, mas existem alguns métodos de custeio que podem ser usados para calcular o quanto é gasto para fazer um produto e, assim, oferecer uma visão mais detalhada de como está a lucratividade do negócio.

Neste artigo, vamos mostrar 3 metodologias: custeio por absorção, custeio variável e custeio baseado em atividade. Além de explicar o conceito, vamos mostrar como fazer os cálculos de cada um deles utilizando o mesmo exemplo, o de uma fábrica de roupas. Assim, fica mais fácil identificar quais são os resultados apresentados em cada um dos métodos e também qual é mais compatível com as necessidades e particularidades da sua empresa.

Método de custeio variável

O método de custeio variável (também conhecido por método de custeio direto) é um dos métodos de custeio mais conhecidos e utilizados entre as empresas, principalmente a indústria e o comércio. E um dos principais motivos para isso é sua simplicidade e objetividade, já que nesse método somente são apropriados como custos de fabricação os custos variáveis, diretos e indiretos. Os custos fixos, pelo fato de existirem mesmo que não haja produção, não são considerados como custo de produção, mas sim como despesas.

O sistema de custeio variável fundamenta-se na separação dos custos em variáveis e fixos, isto é, em custos que oscilam proporcionalmente ao volume da produção/venda e custos que se mantêm estáveis perante volumes de produção/venda oscilantes dentro de certos limites. Esse sistema produz informações importantíssimas, como a margem de contribuição (contribuição marginal), e proporciona os subsídios necessários para a tomada de decisão nas empresas. Mais a frente vamos ver como fazer o cálculo dos custos baseado nesta metodologia.

Método de custeio por absorção

O custeio por absorção, também chamado custeio integral ou custo integral, recebe esse nome por absorver os custos fixos no custo final de cada produto vendido. Ou seja, o custo por absorção tem como premissa debitar ao custo dos produtos vendidos (CPV) todos os custos da área de fabricação, sejam esses custos definidos como custos diretos ou indiretos, fixos ou variáveis, de estrutura ou operacionais. O próprio nome do método de custeio por absorção deixa claro o que precisa ser feito: garantir que cada produto absorva uma parcela dos custos diretos e indiretos relacionados à fabricação.

Custeio por absorção

E o fator fundamental para a utilização do método de custeio por absorção está na correta distinção entre custos e despesas. Apenas os desembolsos relativos aos produtos vendidos (diretos ou indiretos) deverão ser alocados no custo dos produtos vendidos. Todas os demais desembolsos (despesas administrativas, despesas financeiras, investimentos etc.) devem ficar de fora da composição. Para entender as diferenças entre custos e despesas e ter em mãos os números corretos para trabalhar, acesse o artigo Custos x Despesas - saiba a diferença. Logo mais, vamos mostrar como fazer os cálculos usando esses números.

Para começar a aplicar um desses dois sistemas de custeio na sua empresa agora mesmo, criamos uma planilha com a metodologia de Custeio por Absorção e Custeio Variável.. Com ela, essa atividade vai ficar muito mais rápida e prática. Para baixar, basta clicar na imagem, é gratuito!

Custeio Baseado em Atividades

O custeio baseado em atividades (custeio ABC) parte do princípio de que os custos de uma empresa são gerados pelas atividades desempenhadas nela e que essas atividades são consumidas por produtos e serviços gerados nesta mesma empresa. Essa metodologia permite mensurar com mais exatidão as despesas e os custos indiretos — aqueles que não estão diretamente ligados à produção —, por meio da análise das atividades, dos seus geradores de custos e dos utilizadores.

Parece confuso? Calma, vamos utilizar o exemplo de uma fábrica de roupas para explicar direitinho. Nesta fábrica de roupas são produzidas camisetas e camisas e são desenvolvidas, entre tantas outras, as atividades de comprar materiais, cortar e costurar. Aplicando o método de custeio ABC a esta produção, é possível identificar o valor de quanto o produto camiseta usa da atividade de comprar materiais, por exemplo.

Antes, vamos esclarecer que o ABC é um método de rastrear os custos das atividades realizadas por uma empresa e de verificar como essas atividades estão relacionadas para a geração de receitas e o consumo de recursos. Seu principal objetivo é amenizar as distorções provocadas pelo uso do rateio arbitrário dos custos indiretos, sendo uma tentativa de rastreamento para identificar os verdadeiros causadores de custos.

Essa metodologia pode ser considerada uma evolução de outros sistemas de medição de custos. Isso porque ela surgiu justamente para suprir as necessidades das empresas por informações mais detalhadas quando duas variáveis fundamentais da produção fabril começaram a mudar: o aumento da participação dos custos indiretos na composição dos custos totais e o aumento da diversificação dos produtos e processos. Com isso, calcular os custos da forma tradicional já não respondia questões ligadas à gestão estratégica do negócio, que busca a melhoria contínua dos processos, da qualidade e do desempenho da empresa como um todo.

Mas é importante ressaltar que os cálculos feitos pelo método de custeio ABC não são aceitos pela legislação societária e fiscal. Portanto, eles devem ser usados para a gestão e o controle interno da empresa, o famoso “gerencial”. Como consequência, auxiliarão no gerenciamento orçamentário e na prestação de contas também.

Como calcular os custos usando os 3 métodos de custeio

Para você entender como cada um dos sistemas de custeio funcionam e qual o resultado que eles apresentam, agora, como prometido, vamos mostrar como fazer os cálculos de acordo com cada metodologia. Para facilitar, vamos usar o exemplo da fábrica de roupas e começar pelo custeio baseado em atividades, que é um pouco mais complexo que os outros.

No quadro abaixo, temos os produtos, a produção mensal, o valor unitário e o total das vendas (faturamento) da nossa fábrica de roupas. Para o cálculo, foi considerado que tudo o que foi produzido foi vendido:

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Depois dos valores verificados no quadro acima, precisamos identificar os custos diretos por unidade de produto. Na nossa fábrica de roupas, temos:

Custeio 02

E então, elencamos os custos indiretos e as despesas:

Custeio 03

Com todos esses números em mãos, vamos aplicar a metodologia seguindo 4 passos:

1º - Identificar as atividades relevantes de cada departamento:

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2º - Atribuir custos às atividades:

Custeio 05

3º - Fazer o levantamento dos direcionadores das atividades e o levantamento da quantidade de direcionadores para cada produto:

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Diante dessas definições, vamos ver qual é o custo de cada atividade conforme seus direcionadores:

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Custeio 08

4º - Demonstrar os resultados:

Aqui, é a hora de fazer um resumo de todos os custos da produção, diretos e indiretos, e incluir os valores encontrados por atividade, que é o real objetivo desta metodologia. Veja como fica a demonstração do resultado da nossa fábrica de roupas:

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Agora, vamos ver como ficam os custos quando usamos o método de custeio variável. Vamos pegar os números da fábrica de roupas:

Custeio 10

Para fabricar as camisetas e as camisas é preciso comprar o tecido, que é a matéria-prima, e os outros insumos, como botões e linha, que serão usados na produção. Aqui, o importante é saber a quantidade realmente utilizada na produção dos itens e não o total da matéria-prima e insumos comprados. Assim, é essencial saber a quantidade de tecido usado para fazer uma camiseta e uma camisa.

Dessa forma, fazendo um cálculo simples, podemos chegar ao custo variável unitário (quantidade de matéria-prima consumida multiplicada pelo preço da matéria-prima). Somando o custo unitário de cada matéria-prima, temos o custo variável do produto. Por fim, multiplicando o custo variável pela quantidade vendida, temos o custo variável total ou custo do produto vendido (CPV). Muito importante lembrar que para conseguir chegar a um valor preciso da quantidade de matéria prima usada para cada produto, o processo produtivo da empresa precisava estar bem estruturado.

Custeio 11

Para finalizar, vamos mostrar como fica o cálculo usando o método de custeio por absorção. É importante lembrar que, nesta metodologia, os custos fixos — aqueles que ocorrem havendo ou não produção — são absorvidos no custo final de cada produto vendido. Seguindo em nossa fábrica de roupas, sabemos que ela tem um custo fixo de R$ 24.000,00, assim dividido:

Custeio 12

Para fazermos o cálculo, precisamos achar um direcionador de custos fixos, que vai mostrar a forma como cada produto vendido absorve o pagamento de um pedacinho deste custo. O direcionador mais utilizado é o tempo de produção de cada item. Assim, vamos supor que cada camiseta leva 20 minutos para ser produzida, enquanto cada camisa demora 25 minutos. Ao multiplicarmos este tempo pelo número de peças feitos no mês, temos: 200.000 minutos para confeccionar 10.000 camisetas e 125.000 minutos para fazer as 5.000 camisas.

Bom, agora que temos o tempo necessário para a produção de cada item, o tempo total de produção (325.000 minutos) e também os custos fixos, podemos encontrar o quanto cada unidade produzida vai absorver dos custos fixos. Para isso, basta fazer uma regra de três, multiplicando o valor total dos custos (R$ 24.000,00) pelo tempo de produção total de cada item (200.000 e 125.000) e dividindo pelo tempo de produção total (325.000). Veja na tabela o resultado final:

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Conclusão

Você percebeu que o valor final do custo feito pelo método de absorção, ficou diferente do custo calculado pelo método variável? Isso reflete diretamente no preço final do seu produto, pois isso é tão importante escolher o método mais adequado ao seu negócio.

De forma bem simples, mas didática, vimos neste artigo três maneiras de calcular os custos de produção de uma empresa. Claro que, normalmente, estes cálculos são feitos de modo automático, seja por meio de planilhas, como a que indicamos, seja com o uso de softwares programados para isso. Dificilmente essas contas são feitas à mão, porém, é imprescindível que empresários, gestores e até encarregados da área de produção entendam de onde vem cada número e índice envolvido no processo produtivo. Assim, quando receberem os resultados, saberão o que pode ser melhorado ou otimizado.

Esperamos que este post seja bastante útil para você e que também seja capaz de inspirar sua equipe na busca pela melhoria contínua dos processos corporativos. Se tiver alguma dúvida ou quiser compartilhar sua experiência sobre o assunto com a gente, fique à vontade para deixar um comentário aqui embaixo.

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Perguntas frequentes

O que é custeio e por que preciso saber qual método usar?
Custeio é a forma como você calcula quanto está gastando para fabricar um produto. Escolher o método certo importa porque cada um mostra um resultado diferente do seu custo real — e isso afeta diretamente como você precifica, quanto lucra e que decisões toma no negócio.
Qual a diferença entre custeio variável e custeio por absorção?
No variável, você conta só os custos que mudam com a produção (matéria-prima, energia, mão de obra direta). Os custos fixos (aluguel, salários administrativos) viram despesas. No por absorção, você inclui tudo — variáveis e fixos — no custo final de cada produto. É por isso que o mesmo produto pode parecer mais ou menos lucrativo em cada método.
Para que serve o método de custeio baseado em atividades (ABC)?
O ABC distribui os custos indiretos (como energia, manutenção, administração) entre os produtos com base nas atividades que cada um consome. É útil quando você fabrica produtos bem diferentes ou tem overhead (custos indiretos) alto — mostra qual produto realmente está dando lucro.
Qual método de custeio é melhor para minha indústria?
Depende. Se você quer velocidade e simplicidade, o variável é mais prático. Se precisa de um custo que inclua tudo (para precificar ou apresentar para fisco), use absorção. Se sua fábrica tem muitos custos indiretos e produtos diferentes, ABC pode dar mais precisão — mas exige mais controle.
O custeio variável é permitido para fins contábeis e fiscais?
Para demonstrações contábeis que seguem normas oficiais (como IFRS), não. O fisco brasileiro também exige o custeio por absorção. O variável é permitido para fins gerenciais — ou seja, para você tomar decisões internas sobre precificação, margem e volume de produção.
O que é margem de contribuição e por que o custeio variável a calcula?
Margem de contribuição é quanto sobra de cada venda depois de descontar os custos variáveis. É útil para saber se vale a pena vender um produto e quanto cada unidade 'contribui' para pagar os custos fixos e gerar lucro. O variável mostra isso naturalmente.
Como faço para implantar um método de custeio na minha fábrica?
Comece definindo seu plano de contas: separe custos diretos de indiretos, variáveis de fixos. Depois, rastreie onde está o gasto (qual produto, qual atividade). Isso exige um bom controle de estoque, folha de pagamento e consumo de insumos. Começar com custeio variável é mais simples; depois você evolui.
Custeio por absorção aumenta ou diminui o custo do produto?
Aumenta. Como você inclui os custos fixos no preço de cada unidade, o custo fica mais alto que no método variável — especialmente quando a produção é baixa e poucos produtos 'dividem' aquele aluguel, por exemplo.
Posso usar mais de um método de custeio ao mesmo tempo?
Sim. Muitas empresas usam absorção para fins legais e contábeis, mas mantêm custeio variável internamente para tomar decisões sobre precificação, descontos e mix de produtos — é uma boa prática.
O que são custos diretos e indiretos no contexto de custeio?
Custos diretos vão direto para um produto específico (matéria-prima, mão de obra da linha de produção). Indiretos beneficiam vários produtos e precisam ser distribuídos — tipo aluguel da fábrica, energia geral ou salário do supervisor.
Se minha empresa tem sazonalidade, qual método de custeio recomenda-se?
Custeio variável é melhor para empresas com sazonalidade. Como os custos fixos não aumentam quando você produz menos em baixa estação, o variável mostra mais claramente a margem real de cada venda — ajudando a decidir se vale vender com preço reduzido ou não.
Como sei se preciso de ABC ou se variável/absorção é suficiente?
Use ABC se: sua fábrica tem múltiplas atividades complexas, produtos bem diferentes em tamanho ou complexidade, ou custos indiretos altos comparados aos diretos. Se você tem poucos produtos parecidos e processos simples, variável ou absorção resolve.
O custeio está ligado à formação de preço do produto?
Totalmente. Se você usa custeio por absorção e não sabe quanto o produto realmente custa, pode estar precificando errado — vendendo barato demais sem perceber. Por isso é crítico escolher bem o método e acompanhá-lo de perto.
Qual é a relação entre custeio e lucratividade do negócio?
Direta. Se você não sabe quanto gasta para fazer algo, não sabe se está ganhando ou perdendo dinheiro. Um custeio impreciso pode te fazer achar que está lucrando quando na verdade está quebrando — e vice-versa.
Um produto com custo alto no ABC pode ter custo baixo no variável?
Não exatamente — o custo variável é o mesmo. O que muda é o custo total. No ABC, um produto que consome muitas atividades indiretas fica mais caro. No variável, você nem contabiliza esses custos indiretos no custo do produto. Então o resultado aparente é diferente, não o custo base.
Devo revisar meu método de custeio periodicamente?
Sim. Se sua produção, mix de produtos ou estrutura de custos mudou significativamente, pode valer a pena revisar. O que funcionava bem com 3 produtos não vai funcionar bem com 20 — aí você repensa e pode migrar para ABC ou ajustar o que tem.

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