Início A Plataforma Time de FP&A Integrações Metodologia de FP&A Serviços Como funciona Casos de Sucesso Blog Melhores Materiais Universidade Treasy Biblioteca Treasy Caixa de Ferramentas Controller Cast Canal no YouTube Trilhas de Conhecimento Treasy para seu Negócio Experimentar grátis →
Fluxo de Caixa e Tesouraria Artigos

Fluxo de caixa indireto: o que é, como fazer e vantagens para a empresa

O fluxo de caixa indireto fornece uma ótica diferente do método direto. Descubra a diferença e do porquê você deve utilizar os dois métodos.

Neste artigo

Aqui no blog já exploramos desde do planejamento até o controle financeiro das empresas. Oferecemos ferramentas, falamos de gestão orçamentária e das demonstrações contábeis. A cada semana um novo artigo para ajudar empresas a melhorarem a gestão financeira e orçamentária.

Hoje queremos abordar um controle famoso, o fluxo de caixa, por uma ótica diferente. O fluxo como o conhecemos, com o registro de valores de entradas e saídas do caixa, é uma maneira de controlar o financeiro de forma direta. Um método semelhante, mas visto de um ângulo diferente, é o fluxo de caixa indireto.

Conceito do fluxo de caixa indireto

O fluxo de caixa pelo método indireto não fornece uma visão de entradas e saídas como o método direto, pois explora o regime de competência (as informações contábeis) para analisar a variação de caixa do período de análise do ponto de vista contábil. Ou seja, esse fluxo se torna uma ferramenta da contabilidade e não da tesouraria.

Dessa forma, o método indireto utiliza informações de demonstrações como o DRE (Demonstrativo de Resultados do Exercício) e o BP (Balanço Patrimonial) para analisar a variação do desempenho econômico segundo o regime de caixa.

O fluxo pelo método direto e indireto são visões diferentes da mesma análise, portanto, o resultado final não pode variar.

O que é considerado em um fluxo de caixa indireto

A sua função é demonstrar a diferença entre o caixa real com as saldo das demonstrações contábeis. É como se fosse uma conciliação entre o regime de competência com o regime de caixa. Porque, se você parar pra pensar, o DRE e BP são pontos de vistas contábeis das movimentações em caixa.

Portanto, a análise pelo método indireto parte do saldo inicial do exercício (essa informação é obtida pelo DRE) excluindo fatores que afetam o resultado indiretamente como as deduções de vendas. É feito, antes de mais nada, o cálculo de variação das contas do Ativo e Passivo da empresa.

Exemplo de um fluxo de caixa indireto

Um fluxo de caixa pelo método indireto pode possuir vários níveis, tudo depende de como você irá “quebrar” os elementos nele contidos. Confira um exemplo (mostrando também um DRE e BP, de onde as informações foram extraídas):

Exemplo de um fluxo de caixa indireto
Fonte: Jean Coturi para VA Control & Performance

Passo a passo de como fazer um fluxo de caixa indireto

O método indireto reconciliar o lucro líquido do exercício com as informações contidas em caixa e no balanço patrimonial, com visto no exemplo anterior. Mas existem alguns passos para criar um fluxo de caixa pelo método indireto, por isso recomendamos o vídeo detalhado e bem didático sobre o assunto feito pelo Prof. José Leandro Ciofi.

Vídeo · YouTubeVídeo · YouTube

Antes de criar um fluxo de caixa indireto...

O método indireto não é um controle como o fluxo direto, mas sim uma demonstração contábil de números anteriormente coletados. Então, antes de mais nada, é importante seguir alguns passos básicos para não errar no fluxo de caixa indireto.

Tenha informações precisas

Se o seu controle é feito exclusivamente por meio de planilhas, há grandes chances de você possuir números errados. Isso não só afeta sua análise como pode afetar seu controle. Desencontros de valores podem ser o suficiente para afetar seu saldo em caixa e fazer com que as informações não batam.

Considere então investir em uma ferramenta de automação e gestão do controle financeiro. Assim você garante que os números representam verdadeiramente o seu negócio.

Consolide o DRE e BP

Consolidação das demonstrações contábeis é unir todos os relatórios contábeis de todas as empresas contidas em um grupo. Neste caso, você pode fazer um fluxo indireto para cada negócio e, ao fim, consolidar as demonstrações e criar um para todas as subsidiárias.

Essa prática permite avaliar o fluxo indireto por cada empresa, mas também do grupo como um todo. A empresa matriz saberá sua perfomance e de todas as outras empresas e, também, o desempenho como grupo que são.

Faça a conciliação contábil

Conciliação contábil é a verificação e conferência das informações contidas nas demonstrações contábeis. Essa etapa de conciliação garante que erros não passem despercebidos, por todas as contas contábeis passam por uma validação das informações. Assim, toda demonstração e relatórios extraídos são reflexo real do desempenho da empresa.

Como explorar mais do método direto do fluxo de caixa?

Já sabemos que o fluxo indireto é uma análise contábil que concilia regime de competência com o de caixa. Mas deixando esse modelo um pouco de lado, vamos voltar e falar do fluxo direto. O fluxo de caixa direto, por ser um controle da tesouraria, lida exclusivamente com valores financeiros. É a ferramenta que documenta todas as receitas e despesas da empresa, listando de onde vieram as entradas e para onde foram as saídas.

É portanto uma gestão de “algo que já passou”, fornecendo assim uma visão estratégica limitada. Contudo, é importante lembrar que podemos extrair mais do fluxo direto a partir do momento que o projetamos.

Projeção do fluxo de caixa

O fluxo de caixa projetado considera, com base no histórico de despesas e receitas (e com as estimativas existentes), quais entradas e saídas futuras irão acontecer. Nessa projeção, consideramos tanto as despesas variáveis como as fixas. No fim, é adquirida uma visão estimada do seu caixa para os próximos meses.

É importante dividir sua projeção em grupos como atividades operacionais (entradas e saídas gerais), atividades de investimentos (investimentos, como bens e aplicações) e atividades de financiamento (saídas e entradas referente aos financiamentos).

Exemplo de um fluxo de caixa projetado

Exemplo de fluxo de caixa projetado

A projeção fornece uma visão de desempenho financeiro a partir do regime de caixa; quanto de caixa você terá nos próximos meses? Saber quanto de faturamento e de lucro líquido futuros auxilia em tomadas de decisões mais precisas. Diferente do DRE (que demonstra a lucratividade considerando o regime de competência), a projeção de caixa se importa apenas no caixa, não no desempenho operacional como um todo.

Concluindo

Ao ponto que o fluxo de caixa indireto fornece uma visão comparativa entre regime de caixa e competência, o fluxo direto é o controle de entradas e saídas diretas. No fim, são visões complementares sobre a saúde da empresa que devem coincidir. Já a projeção é o ato de tornar o fluxo direto em uma ferramenta mais estratégica.

Dentre esses três pontos, todos são igualmente importantes e auxiliarão sua empresa em algum momento. Mas como primeiro passo, recomendo o uso de um Demonstrativo de Fluxo de Caixa para conquistar um controle e gestão das suas receitas e despesas ao mesmo tempo garantindo uma visão de lucratividade mensal e anual.

Modelo de Demonstrativo de Fluxo de Caixa (DFC)

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre fluxo de caixa direto e indireto?
O fluxo direto registra entradas e saídas reais de caixa (visão da tesouraria). O indireto parte do lucro líquido da DRE e ajusta esse número para conciliar com a variação real de caixa, usando dados do Balanço Patrimonial. Ambos chegam no mesmo resultado final, mas por caminhos diferentes.
Por que usar fluxo de caixa indireto se já tenho o direto?
O indireto funciona como uma verificação contábil que concilia o lucro com o caixa real. Se você tem lucro na DRE mas o caixa não bateu, o método indireto mostra exatamente onde estão as diferenças (contas a receber, estoques, fornecedores). É uma ferramenta de controle e validação.
O fluxo de caixa indireto usa regime de competência ou regime de caixa?
O método indireto usa dados do regime de competência (DRE e Balanço Patrimonial) para chegar ao regime de caixa. Ou seja, ele 'traduz' as informações contábeis em movimentação real de caixa.
Quais demonstrações financeiras você precisa para fazer um fluxo de caixa indireto?
Você vai precisar da DRE (Demonstrativo de Resultados do Exercício) para pegar o lucro líquido, e do Balanço Patrimonial de dois períodos (início e fim do exercício) para calcular as variações nas contas de Ativo e Passivo.
Como começo a fazer um fluxo de caixa indireto?
Comece pegando o lucro líquido da DRE. Depois, calcule a variação de cada conta do Balanço Patrimonial entre dois períodos. Some os aumentos de Passivo e as reduções de Ativo (entradas de caixa), subtraia as reduções de Passivo e os aumentos de Ativo (saídas de caixa). O resultado é a variação de caixa do período.
Por que o fluxo de caixa indireto é uma ferramenta da contabilidade e não da tesouraria?
Porque ele trabalha com dados contábeis (DRE e BP) em vez de registros diretos de caixa. O indireto analisa o desempenho econômico da empresa sob a ótica contábil, enquanto o direto é um controle operacional do caixa do dia a dia.
Como reconciliar lucro líquido com caixa usando o método indireto?
O lucro líquido da DRE é o ponto de partida. Daí você adiciona despesas que não movimentam caixa (como depreciação) e subtrai receitas que não entraram em caixa ainda (como vendas a prazo não recebidas). Depois ajusta pelas mudanças em Ativo e Passivo Circulante.
O que fazer se meu fluxo de caixa indireto não bate com o direto?
Significa que seus dados de entrada estão errados. Verifique se o lucro líquido da DRE está correto, se as variações no BP foram calculadas com precisão, e se não faltam contas. Em empresas com planilhas, erros manuais são comuns — por isso é crítico ter dados precisos.
Contas a receber aumentam ou diminuem o caixa no fluxo indireto?
Um aumento em contas a receber reduz o caixa (você vendeu, mas não recebeu). Uma redução aumenta o caixa (você recebeu de vendas anteriores). No método indireto, você subtrai o aumento e soma a redução dessa conta.
Depreciação afeta o fluxo de caixa indireto?
Sim. Depreciação reduz o lucro na DRE mas não movimenta caixa. No método indireto, você soma a depreciação de volta ao lucro líquido para mostrar que ela não saiu do caixa, apesar de ter reduzido o resultado contábil.
Como as variações de estoques impactam o fluxo de caixa indireto?
Um aumento de estoques reduz o caixa (você usou dinheiro para comprar produtos). Uma redução de estoques aumenta o caixa (você vendeu o que tinha guardado). No método indireto, você subtrai aumentos de estoque e soma as reduções.
Qual é a estrutura básica de um fluxo de caixa indireto?
A estrutura padrão tem: (1) lucro líquido como ponto de partida, (2) ajustes de despesas e receitas que não movimentam caixa, (3) variações de contas de Ativo Circulante, (4) variações de contas de Passivo Circulante, (5) fluxo operacional. Depois vêm investimentos e financiamentos.
Fluxo de caixa indireto é obrigatório por lei?
Para empresas de capital aberto, sim — é exigido pela regulação contábil. Para PMEs, não é obrigatório, mas é altamente recomendado como ferramenta de validação e controle financeiro interno.
Posso fazer fluxo de caixa indireto mensalmente ou só anualmente?
Pode ser feito com qualquer frequência (mensal, trimestral, anual), desde que você tenha DRE e BP relativos àquele período. O mais comum é anual por fins contábeis, mas internamente muitas empresas fazem mensalmente para acompanhamento.
Por que você recomenda não fazer fluxo de caixa indireto só com planilhas?
Planilhas estão sujeitas a erros manuais, fórmulas quebradas e falta de sincronização. Se um número da DRE ou BP mudar, você tem que atualizar tudo manualmente. Uma ferramenta integrada garante que os dados sempre batam e que você tenha números confiáveis.
Qual a vantagem de usar fluxo de caixa indireto para análise estratégica?
O método indireto mostra onde o dinheiro está preso (contas a receber, estoques) e onde você está gerando caixa (fornecedores, financiamentos). Com isso, você consegue identificar ineficiências operacionais que um fluxo direto sozinho não evidencia.
Investimentos e financiamentos entram no fluxo de caixa indireto?
Sim. Depois do fluxo operacional (resultado da parte de lucro e variações de circulante), você adiciona atividades de investimento (compra e venda de ativo fixo) e financiamento (empréstimos, dividendos). Isso mostra de onde veio e para onde foi todo o caixa do período.
Como interpretar um fluxo de caixa indireto negativo?
Significa que o caixa da empresa diminuiu no período. Isso pode ser ok se foi para investir em ativos fixos ou pagar dívidas. Mas se veio de operações, aponta ineficiência — o negócio está consumindo caixa em vez de gerá-lo. Aí você precisa investigar por quê.
Fluxo de caixa indireto substitui o fluxo direto?
Não. São complementares. O direto é seu controle operacional do dia a dia. O indireto é sua validação contábil periódica. Uma PME que quer estar no controle usa os dois: direto para gerenciar tesouraria e indireto para garantir que os números batem.

Leia também

Fluxo de Caixa e Tesouraria

O que é a Administração de Caixa? Conheça os modelos de Baumol e de Milller Orr

Fluxo de Caixa e Tesouraria

Saiba o que é e como funciona a antecipação de recebíveis

Fluxo de Caixa e Tesouraria

Burn Rate: como monitorar o fluxo de caixa e avaliar a taxa de queima